domingo, 6 de agosto de 2023

Impactos ambientais e sociais na construção de usinas hidrelétricas

As usinas hidrelétricas são fontes de energia renovável, mas também causam grandes impactos ambientais e sociais.

As usinas hidrelétricas são uma das principais fontes de energia elétrica no Brasil e no mundo, pois utilizam a força da água para gerar eletricidade. Essa forma de energia é considerada limpa e renovável, pois não emite poluentes na atmosfera e aproveita um recurso natural renovável. No entanto, a construção e o funcionamento das usinas hidrelétricas também causam diversos impactos ambientais e sociais negativos, que devem ser conhecidos e minimizados.

Impactos ambientais das usinas hidrelétricas

Um dos principais impactos ambientais na construção de usinas hidrelétricas é o alagamento de grandes áreas para a formação dos reservatórios de água. Esse alagamento provoca a perda de habitats naturais, a destruição da vegetação, o deslocamento de populações humanas e animais, a alteração do regime hídrico dos rios, o assoreamento do leito fluvial, a emissão de gases de efeito estufa pela decomposição da matéria orgânica submersa e a extinção ou redução de espécies aquáticas.

Outro impacto ambiental na construção de usinas hidrelétricas é a modificação da paisagem e da biodiversidade local. A instalação das barragens, das turbinas, dos geradores e das linhas de transmissão altera o aspecto natural do ambiente e interfere nos ecossistemas terrestres e aquáticos. Além disso, a construção das usinas hidrelétricas demanda o uso intensivo de recursos naturais, como água, solo, minerais e combustíveis fósseis, que podem gerar poluição e escassez.

Portanto, é importante que os projetos de construção de usinas hidrelétricas levem em conta os impactos ambientais que podem causar e busquem formas de mitigá-los ou compensá-los. Algumas medidas possíveis são: realizar estudos prévios de viabilidade ambiental, escolher locais adequados para a instalação das usinas, reduzir o tamanho dos reservatórios, preservar as áreas de proteção permanente, monitorar a qualidade da água e do ar, recuperar as áreas degradadas, promover a educação ambiental e o desenvolvimento sustentável das comunidades afetadas.

Impactos Sociais das usinas hidrelétricas

Um dos impactos sociais mais evidentes da construção de usinas hidrelétricas é o deslocamento de milhares de pessoas que vivem nas áreas que serão alagadas pelos reservatórios. Essas pessoas, muitas vezes, são obrigadas a abandonar suas casas, terras, culturas e modos de vida tradicionais, sem receber uma indenização justa ou uma alternativa de moradia adequada. Além disso, elas perdem o acesso a recursos naturais, como água, solo, pesca e biodiversidade, que garantem sua segurança alimentar e sua renda.

Outro impacto social é a alteração da dinâmica socioeconômica das cidades e comunidades próximas às usinas hidrelétricas. A chegada de milhares de trabalhadores para a obra gera um aumento da demanda por serviços públicos, como saúde, educação, transporte e saneamento, que nem sempre são acompanhados por um aumento da oferta. Isso pode gerar problemas como superlotação, precarização, violência e conflitos sociais. Além disso, a construção das usinas hidrelétricas pode afetar negativamente atividades econômicas locais, como agricultura familiar, extrativismo e turismo, que dependem da qualidade ambiental dos rios e das florestas.

Um terceiro impacto social é a violação dos direitos humanos e dos povos indígenas e tradicionais que habitam as regiões afetadas pelas usinas hidrelétricas. Muitas vezes, esses povos não são consultados ou informados sobre os projetos e seus possíveis impactos, desrespeitando o direito à participação e ao consentimento prévio, livre e informado. Além disso, eles sofrem com a perda de seus territórios sagrados, de sua identidade cultural e de sua autonomia política e organizativa. Eles também estão expostos a riscos de saúde, como o aumento de doenças transmitidas pela água ou por vetores que se proliferam com as mudanças ambientais causadas pelas usinas hidrelétricas.

Diante desses impactos sociais, é importante que sejam adotadas medidas de prevenção, mitigação e compensação dos danos causados às populações afetadas pelas usinas hidrelétricas. Essas medidas devem ser baseadas em critérios técnicos, éticos e participativos, respeitando os direitos humanos e as especificidades culturais de cada grupo social.

Um claro exemplo dos impactos sociais e ambiental é a UHE de Belo Monte, localizada no rio Xingu, no estado do Pará, que tem gerado significativos impactos sociais e ambientais desde o início de sua construção. Alguns dos principais impactos são os seguintes:

Impactos sociais da UHE de Belo Monte:

 Deslocamento de comunidades indígenas e ribeirinhas: A construção da usina resultou no deslocamento forçado de diversas comunidades tradicionais, incluindo povos indígenas como os Juruna, Arara, Xikrin e outros. Esse deslocamento trouxe perdas culturais, sociais e econômicas significativas para essas comunidades.

 Conflitos e violência: A chegada de grandes contingentes de trabalhadores na região provocou um aumento da violência, tráfico de drogas, prostituição e outros problemas sociais. Os conflitos entre os trabalhadores da usina e as comunidades locais também foram relatados.

 Impactos na pesca e segurança alimentar: A construção da usina afetou a pesca na região, prejudicando a principal fonte de subsistência das comunidades ribeirinhas. Isso resultou em perda de segurança alimentar e impactos negativos na saúde e no bem-estar dessas populações.

Impactos ambientais da UHE de Belo Monte:

 Desmatamento e perda de biodiversidade: A construção da usina exigiu o desmatamento de grandes áreas da floresta amazônica, resultando na perda de habitats naturais e na diminuição da biodiversidade na região.

 Alteração dos rios e ecossistemas aquáticos: A construção de barragens e o desvio de rios alteraram significativamente os cursos d’água, afetando os ecossistemas aquáticos e a vida selvagem local. A redução do fluxo de água e as mudanças na qualidade da água também têm impactos negativos na flora e fauna da região.

 Emissões de gases de efeito estufa: Embora seja uma fonte de energia renovável, a decomposição da matéria orgânica inundada nas áreas alagadas da usina pode levar à emissão de gases de efeito estufa, como o metano, contribuindo para as mudanças climáticas.

Em razão dos significativos impactos sociais e ambientais importante encontrar alternativas energéticas mais sustentáveis do que as usinas hidrelétricas por diversas razões:

Preservação ambiental: As usinas hidrelétricas podem causar impactos significativos nos ecossistemas, incluindo o desmatamento de grandes áreas, alteração de rios e lagos, e perda de biodiversidade. A busca por alternativas sustentáveis reduziria esses danos ambientais, permitindo a preservação de ecossistemas naturais e a proteção da biodiversidade.

Mudanças climáticas: Embora as usinas hidrelétricas sejam consideradas uma fonte de energia renovável, elas ainda podem gerar emissões significativas de gases de efeito estufa. A decomposição da matéria orgânica nos reservatórios pode liberar gases como o metano, um potente agente causador do aquecimento global. A transição para fontes de energia de baixa ou nula emissão de carbono ajudaria a mitigar as mudanças climáticas e seus impactos.

Segurança energética: A diversificação das fontes de energia é fundamental para garantir a segurança energética de uma região ou país. Dependendo exclusivamente de uma única fonte, como as hidrelétricas, pode tornar uma nação mais vulnerável a variações climáticas, secas prolongadas ou outras condições que possam afetar a disponibilidade de água para geração de energia. A busca por alternativas energéticas mais sustentáveis promove a resiliência e a estabilidade do sistema energético.

Inovação tecnológica e empregos: A transição para fontes de energia sustentáveis impulsiona a inovação tecnológica e criação de empregos em setores relacionados, como energia solar, eólica, biomassa, entre outras. Essa mudança pode impulsionar o desenvolvimento econômico, promover a criação de empregos verdes e estimular a economia de maneira mais sustentável e inclusiva.

Acesso à energia: A busca por alternativas energéticas sustentáveis também está relacionada ao acesso universal à energia. Muitas comunidades em áreas remotas ou de difícil acesso podem se beneficiar de soluções descentralizadas, como sistemas solares domésticos ou mini redes de energia renovável, que podem ser mais viáveis e econômicas do que a construção de grandes usinas hidrelétricas.

A busca por alternativas energéticas mais sustentáveis que as usinas hidrelétricas é crucial para minimizar os impactos ambientais negativos, reduzir as emissões de gases de efeito estufa, promover a segurança energética, impulsionar a inovação tecnológica e garantir o acesso universal à energia de maneira mais sustentável. (ecodebate)

Energia nuclear é uma opção viável diante dos riscos e custos?

Após examinar os riscos e custos associados à energia nuclear, é evidente que essa forma de energia enfrenta desafios significativos que levantam preocupações quanto à sua viabilidade.

Os acidentes nucleares passados, a gestão dos resíduos radioativos, a proliferação nuclear, a segurança operacional e os altos custos são fatores que devem ser cuidadosamente considerados ao analisar a energia nuclear como uma opção viável.

A energia nuclear tem sido um tópico de discussão frequente quando se trata de fontes de energia alternativas. É uma forma de energia poderosa e complexa, que utiliza a fissão nuclear ou a fusão nuclear para produzir calor e eletricidade. Neste artigo, vamos explorar como a energia nuclear funciona, desde o processo de fissão nuclear até a geração de energia elétrica, bem como discutir seus benefícios e preocupações associadas.

Em seu cerne, a energia nuclear é obtida através de um processo chamado fissão nuclear. A fissão nuclear ocorre quando o núcleo de um átomo é dividido em dois ou mais fragmentos menores, liberando uma quantidade significativa de energia. O material mais comumente utilizado para a fissão nuclear é o urânio-235, um isótopo do urânio encontrado na natureza. Durante a fissão nuclear, os nêutrons colidem com os núcleos de urânio-235, resultando em sua divisão em fragmentos menores, liberando energia e mais nêutrons.

Uma cadeia de reações nucleares é mantida controladamente através do uso de moderadores, como a água ou o grafite, que retardam a velocidade dos nêutrons e permitem uma reação em cadeia sustentável. Os nêutrons liberados durante a fissão nuclear podem atingir outros núcleos de urânio-235, iniciando novas fissões e liberando mais energia. Esse processo é mantido sob controle em reatores nucleares, onde a energia térmica resultante é transferida para um fluido refrigerante, como água, que circula pelo reator e aquece-se, produzindo vapor.

O vapor gerado é então direcionado para acionar turbinas conectadas a geradores elétricos, convertendo a energia térmica em eletricidade. A eletricidade produzida por uma usina nuclear pode alimentar indústrias, cidades inteiras e até mesmo países inteiros.

Existem diferentes tipos de reatores nucleares, incluindo reatores de água pressurizada (PWR) e reatores de água fervente (BWR), ambos amplamente utilizados em todo o mundo. Esses reatores diferem na forma como o calor é transferido e convertido em eletricidade, mas todos seguem o mesmo princípio básico de usar a fissão nuclear para produzir energia térmica.

Uma das principais vantagens da energia nuclear é a sua alta densidade energética. Uma pequena quantidade de material nuclear pode gerar uma quantidade significativa de eletricidade, tornando-a altamente eficiente em termos de recursos. Além disso, a energia nuclear é uma fonte de energia de baixo carbono, uma vez que a fissão nuclear não emite dióxido de carbono (CO2) durante a geração de eletricidade. Isso a torna uma opção atraente para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e mitigar as mudanças climáticas.

No entanto, a energia nuclear também acarreta preocupações significativas. Um dos principais desafios é o gerenciamento seguro e adequado dos resíduos radioativos produzidos.

Os riscos da energia nuclear: Uma análise das preocupações associadas

Acidentes Nucleares: Os acidentes nucleares representam uma das maiores preocupações da energia nuclear. O desastre de Chernobyl em 1986 e o acidente de Fukushima em 2011 são exemplos trágicos dos riscos inerentes. Esses incidentes resultaram na liberação de materiais radioativos para o meio ambiente, causando impactos ambientais, de saúde e sociais significativos. Acidentes graves podem levar à exposição à radiação, contaminação de água e solo e deslocamento de comunidades locais.

Gestão de Resíduos: A energia nuclear produz resíduos radioativos de longa vida útil que precisam ser gerenciados e armazenados adequadamente. O armazenamento seguro dos resíduos nucleares é uma preocupação crucial, uma vez que eles permanecem perigosos por milhares de anos. A falta de soluções permanentes para o armazenamento de longo prazo dos resíduos nucleares levanta questões sobre a possibilidade de vazamentos e contaminação ambiental no futuro.

Proliferação Nuclear: O acesso a tecnologia nuclear também aumenta o risco de proliferação nuclear, ou seja, a disseminação de armas nucleares. A produção de material físsil necessário para a geração de energia nuclear pode ser desviada para a fabricação de armas nucleares. A disseminação dessas armas pode aumentar as tensões geopolíticas e ameaçar a segurança global.

Segurança Operacional: A operação segura de usinas nucleares requer rigorosos protocolos de segurança. O risco de falhas humanas, erros de projeto ou problemas técnicos pode resultar em acidentes graves. O cumprimento de regulamentações rigorosas e a implementação de medidas de segurança robustas são essenciais para minimizar esses riscos, mas não podem garantir a eliminação completa dos mesmos.

Custo e Viabilidade: A construção e operação de usinas nucleares exigem altos investimentos financeiros e recursos técnicos. Os custos associados à energia nuclear podem ser significativamente maiores do que outras fontes de energia. Além disso, os atrasos no cronograma de construção e os aumentos de custo são comuns na indústria nuclear, tornando sua viabilidade econômica uma consideração importante.

Os riscos e custos dos resíduos radioativos da energia nuclear

Um dos maiores desafios associados à energia nuclear é a gestão adequada dos resíduos radioativos produzidos. Esses resíduos são um subproduto inevitável do processo de fissão nuclear e podem representar riscos significativos para a saúde humana e o meio ambiente.

Riscos dos resíduos radioativos:

Radiação: Os resíduos radioativos emitem radiação ionizante, que pode ser prejudicial à saúde humana e ao meio ambiente. A exposição à radiação em níveis elevados pode causar danos aos tecidos, mutações genéticas e aumentar o risco de câncer. Portanto, é essencial garantir que os resíduos radioativos sejam armazenados e manipulados com extrema cautela para evitar a exposição desnecessária à radiação.

Contaminação Ambiental: Os resíduos radioativos, se não forem gerenciados adequadamente, podem contaminar o solo, a água e o ar. Isso pode afetar ecossistemas inteiros, causando danos à flora e à fauna e afetando a cadeia alimentar. A contaminação do meio ambiente por resíduos radioativos pode persistir por longos períodos, representando um risco contínuo para os seres vivos.

Vazamentos e Acidentes: A possibilidade de vazamentos de resíduos radioativos é uma preocupação constante. Se os sistemas de armazenamento falharem ou ocorrerem acidentes, pode ocorrer liberação de materiais radioativos para o meio ambiente. Isso pode resultar em contaminação localizada, exigindo evacuações de áreas vizinhas e causando impactos significativos na saúde e na segurança das comunidades afetadas.

Longa Vida Útil: Alguns resíduos radioativos têm uma vida útil extremamente longa, o que significa que permanecem perigosos por milhares de anos. O desafio de gerenciar esses resíduos ao longo de um período tão extenso é enorme. Requer soluções de armazenamento de longo prazo que garantam a segurança e evitem a liberação de materiais radioativos para as gerações futuras.

É fundamental ressaltar que muitos países têm implementado medidas de segurança e regulamentações mais rigorosas para mitigar esses riscos. No entanto, é necessário um constante monitoramento e aprimoramento das práticas de segurança para garantir a proteção adequada contra acidentes nucleares.

Os custos dos resíduos radioativos

O custo associado à gestão dos resíduos radioativos é um fator importante a ser considerado ao avaliar a viabilidade da energia nuclear como uma fonte de energia. Neste artigo, vamos explorar os custos dos resíduos radioativos da energia nuclear e as abordagens utilizadas para lidar com eles.

Armazenamento Intermediário: Inicialmente, os resíduos radioativos são geralmente armazenados em locais de armazenamento temporário, como piscinas de resfriamento ou armazéns especiais. O armazenamento intermediário é uma etapa essencial para permitir que os resíduos radioativos resfriem e percam parte de sua radioatividade antes de serem transferidos para instalações de longo prazo. O custo do armazenamento intermediário inclui a construção e operação dessas instalações, bem como o monitoramento e segurança contínuos.

Armazenamento de Longo Prazo: A etapa final do gerenciamento de resíduos radioativos é o armazenamento de longo prazo. Existem diferentes opções em consideração, sendo a mais promissora o armazenamento geológico profundo. Nesse método, os resíduos radioativos são colocados em recipientes devidamente projetados e são enterrados em formações geológicas estáveis e isoladas, como depósitos de sal ou rochas graníticas. O custo do armazenamento de longo prazo envolve a construção dessas instalações, o transporte seguro dos resíduos e a garantia de sua segurança ao longo de milhares de anos.

Monitoramento e Manutenção: Os resíduos radioativos requerem monitoramento e manutenção contínuos, mesmo após serem transferidos para instalações de armazenamento de longo prazo. Isso garante que qualquer problema ou degradação seja detectado e tratado adequadamente. O custo do monitoramento e manutenção inclui a equipe especializada, equipamentos de monitoramento, análises laboratoriais e ações corretivas necessárias.

Encerramento do Ciclo do Combustível Nuclear: Uma abordagem alternativa para o gerenciamento de resíduos radioativos é o encerramento do ciclo do combustível nuclear, também conhecido como reprocessamento. Essa técnica envolve o tratamento dos resíduos radioativos para recuperar materiais reutilizáveis e reduzir a quantidade de resíduos finais. No entanto, o reprocessamento é uma opção cara, requerendo instalações especializadas e complexas tecnologias de separação. Além disso, há preocupações com a proliferação de armas nucleares associadas a esse processo.

Comparando os custos da energia nuclear com outras formas de energia alternativa

Quando se trata de explorar opções de energia alternativa, o custo é um fator crucial a ser considerado. A energia nuclear é frequentemente debatida como uma fonte de energia viável, mas como ela se compara aos custos de outras formas de energia alternativa?

Energia Eólica: A energia eólica é uma das formas mais populares de energia alternativa. Ela utiliza a força do vento para gerar eletricidade. Em termos de custos, a energia eólica tem se mostrado cada vez mais competitiva. As tecnologias avançaram significativamente, resultando em turbinas eólicas mais eficientes e redução de custos de instalação e manutenção. Além disso, os custos de produção de energia eólica são geralmente inferiores aos da energia nuclear.

Energia Solar: A energia solar é outra forma popular de energia alternativa. Ela aproveita a luz do sol para gerar eletricidade. Nos últimos anos, o custo da energia solar tem diminuído consideravelmente. Os avanços tecnológicos, como a melhoria da eficiência das células solares e a redução dos custos de produção, tornaram a energia solar mais acessível. Em muitos casos, a energia solar agora é considerada mais econômica do que a energia nuclear, especialmente em regiões com alta incidência solar.

Energia Hidrelétrica: A energia hidrelétrica é uma das formas mais estabelecidas de energia alternativa. Ela utiliza a força da água em movimento para gerar eletricidade. Embora a construção de usinas hidrelétricas possa ser cara, os custos de operação e manutenção são relativamente baixos. Além disso, a vida útil de uma usina hidrelétrica é geralmente mais longa do que a de uma usina nuclear. Portanto, a energia hidrelétrica pode ser uma opção mais econômica do que a energia nuclear em longo prazo.

Energia Geotérmica: A energia geotérmica aproveita o calor interno da Terra para gerar eletricidade. Embora a disponibilidade da energia geotérmica varie de acordo com a localização geográfica, quando é viável, geralmente possui custos de produção e operação mais baixos em comparação com a energia nuclear. No entanto, a viabilidade da energia geotérmica depende da existência de recursos geotérmicos próximos à superfície.

Energia de Biomassa: A energia de biomassa utiliza resíduos orgânicos, como restos de culturas agrícolas e resíduos florestais, para produzir eletricidade. Os custos da energia de biomassa podem variar dependendo da disponibilidade de biomassa na região. Em muitos casos, a energia de biomassa é competitiva em termos de custo em relação à energia nuclear.

Conclusão: viabilidade da energia nuclear em razão dos riscos e custos

Após examinar os riscos e custos associados à energia nuclear, é evidente que essa forma de energia enfrenta desafios significativos que levantam preocupações quanto à sua viabilidade. Os riscos de acidentes nucleares, a gestão dos resíduos radioativos, a proliferação nuclear, a segurança operacional e os custos associados a esses aspectos são fatores que devem ser cuidadosamente considerados ao analisar a energia nuclear como uma opção sustentável.

Os acidentes nucleares ocorridos no passado, como Chernobyl e Fukushima, demonstraram claramente os impactos devastadores que podem resultar de falhas em usinas nucleares. Além dos danos ambientais, à saúde e sociais, esses acidentes afetam a confiança pública na energia nuclear.

A gestão dos resíduos radioativos é um desafio complexo e dispendioso. O armazenamento de longo prazo requer instalações altamente seguras e monitoramento a longo prazo, pois alguns resíduos permanecem perigosos por milhares de anos. A busca por soluções permanentes para o armazenamento dos resíduos radioativos ainda é um objetivo que não foi plenamente alcançado.

A proliferação nuclear é outra preocupação significativa. O acesso à tecnologia nuclear pode potencialmente levar ao desenvolvimento de armas nucleares, aumentando as tensões geopolíticas e ameaçando a segurança global.

Além disso, os custos associados à energia nuclear são consideráveis. A construção e operação de usinas nucleares demandam altos investimentos financeiros e recursos técnicos, com a possibilidade de atrasos e aumentos de custos.

Embora a energia nuclear ofereça benefícios, como alta densidade energética e baixas emissões de carbono, é essencial considerar uma abordagem abrangente ao avaliar sua viabilidade. É importante explorar e investir em outras formas de energia alternativa, como a energia solar, eólica, hidrelétrica e geotérmica, que apresentam menor risco e custos potencialmente mais baixos.

Uma avaliação equilibrada e abrangente deve ser realizada para tomar decisões informadas sobre a matriz energética, visando a segurança, sustentabilidade e a proteção do meio ambiente e da saúde pública.

Em última análise, a energia nuclear é uma opção menos viável em comparação com outras formas de energia alternativa. (ecodebate)

Ministério do Meio Ambiente versus a energia fóssil

Presidente Lula equivoca-se ao fragilizar a autoridade do ministério do Meio Ambiente, diante da Petrobras.
Artigo discute a posição da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, diante da pressão da Petrobras para explorar petróleo em áreas ambientalmente sensíveis. O autor defende que Marina Silva deve ser firme e não ceder às ambições da petroleira, que contrariam a promessa de campanha do presidente Lula de defender o meio ambiente nacional. Por fim, o autor lamenta o equívoco do presidente Lula ao fragilizar a autoridade do ministério do Meio Ambiente e causar desconforto à ministra Marina Silva.
Ministra do Meio Ambiente Marina Silva, tem de ser firme, inflexível e não ceder em defesa de sua pasta, pois foi promessa de campanha do presidente Lula defender o meio ambiente nacional. E o presidente da República, em vez de se manifestar a favor da Petrobras, deveria respeitar a competência do ministério e de seus técnicos, que se posicionaram contrários às ambições da petroleira.
Enquanto o mundo procura fontes de energia renovável, o Brasil, na contramão, continua apostando na energia fóssil, cujos efeitos danosos ao meio ambiente são conhecidos.
Aliás, o Congresso Nacional deveria votar lei restringindo novas perfurações de poços de petróleo no território nacional, para que a Petrobras passasse a se interessar aqui por investimento em fontes alternativas não poluentes.

A proposta de segurança ambiental da Petrobras é ilusória. Visa apenas induzir o IBAMA a acreditar em mentiras, pois, o país já conhece as consequências prejudiciais ambientais em casos considerados seguros. Por exemplo, o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, em 2019, causou um grande desastre ecológico. A Barragem 1 da Minas Córrego do Feijão desabou, e a lama atingiu a área administrativa da Vale, bem como a comunidade da Vila Ferteco, deixando um grande rastro de destruição e dezenas de mortes. A mineradora afirmou que a barragem possuía Fator de Segurança de acordo com as boas práticas mundiais e acima da referência da Norma Brasileira, e apresentava declarações de estabilidade que atestavam a segurança tanto física quanto hidráulica da barragem.
Presidente Lula equivoca-se ao fragilizar a autoridade do ministério do Meio Ambiente, diante da Petrobras, e causa desconforto à ministra Marina Silva, que interrompeu o mandato de senadora para servir ao governo, mas está sendo desprestigiada.
Cabe registrar o mal-estar de Marina ao percebe que a sua pasta está sendo também esvaziada nas alterações propostas na Medida Provisória que reorganiza a Esplanada dos Ministérios. “A MP é uma tentativa de implementar o governo Bolsonaro no governo Lula”, disse a ministra.
Marina já deixou o governo Lula, e o PT, em outra passagem, por divergências. Não será novidade ela abandonar o governo. Tudo isso pode custar caro politicamente para Lula, com repercussão negativa aqui e no exterior.

Pois bem, vejam quando os interesses paroquiais de políticos falam mais alto. Bastou o IBAMA negar licença para a Petrobras realizar pesquisa na costa do Amapá para o senador Randolfe Rodrigues (AP) ficar nervosinho e se desfiliar da Rede, faltando-lhe coerência com o partido ambientalista. Aliás, o senador é useiro e vezeiro pulador de partido. (ecodebate)

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Baterias atingirão US$ 92/ kwh em 2024

Baterias devem atingir US$ 92/ kwh em 2024, aponta Tolmasquim.
Sistemas de armazenamento poderão ser viabilizados para a intermitência das renováveis e a eletrificação do transporte enquanto em outros setores terão no H2 verde o último elo para a descarbonização da economia.

Atuando tanto para ajudar na intermitência das renováveis quanto para eletrificação dos transportes, a viabilidade dos sistemas de armazenamento começará a mudar a partir do próximo ano, quando preço das baterias devem atingir um preço de US$ 92 o kWh. A previsão foi apresentada pelo diretor executivo de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, Maurício Tolmasquim, durante um evento sobre transição energética na PUC-Rio em 31/05/23.

Para o especialista, alguns setores como aço, cimento, logística de cargas pesadas, navios e aviação possuem mais dificuldades para redução da pegada de carbono de suas atividades, representando 30% das emissões industriais no país e que terão como solução o hidrogênio verde no futuro.

“O hidrogênio não é a panaceia que irá resolver todos os problemas, mas será o último elo que permitirá a descarbonização da economia”, afirma o executivo.

Além das baterias, Tolmasquim ressalta a busca pela redução do CO2 na atmosfera através da eletrificação, inserção das renováveis e remoção de carbono. Ele lembra que o chamado NetZero prevê maior inserção da mobilidade elétrica do que o Acordo de Paris, que foca mais nos biocombustíveis, e que se em 2028 os elétricos devem estar mais baratos do que os de motores a combustão, políticas públicas recentes lançadas pelos Estados Unidos devem trazer essa equiparação de preços para esse ano e impactar todo mercado global automotivo.

Tolmasquin falou sobre inserção das renováveis, eletrificação das economias, baterias e remoção de CO2 (PUC-Rio).

“É uma medida disruptiva que irá afetar o planeta como um todo”, aponta, lembrando que atualmente 13% das vendas de veículos no mundo são de eletrificados. Já no Brasil a baixa representatividade, cerca de 0,3% do montante da comercialização mundial, é justificado pela entrada do etanol no país como alternativa.

Mercado de Carbono

Sobre o mercado de carbono, o diretor da Petrobras salienta a existência de 30 projetos no mundo em captura ou armazenamento do CO2, sendo um deles no Brasil, na área do pré-sal, onde a empresa colocou 40 milhões de toneladas de CO2, cerca de 1/4 do montante global. “A ideia é injetar CO2 não só em campos de petróleo, mas também em aquíferos, como num projeto piloto que está sendo iniciado no Rio de Janeiro e que prevê o abatimento de 100 milhões de toneladas”, revela, citando a possibilidade de vender a solução para indústrias.

Outras alternativas importantes são as relacionadas a natureza, como reflorestamento e conservação, em que o Brasil possui 15% da oportunidade de sequestro de carbono baseada nessas frentes, que lidam contra o desmatamento e as emissões do agronegócio.

Tolmasquim finalizou sua apresentação destacando os investimentos de US$ 3,7 bilhões aprovados pela petroleira para descarbonização de suas operações, afirmando que a criação da diretoria que ele lidera irá aumentar os aportes em fontes renováveis e que o grande desafio da empresa será trabalhar nas emissões de escopo 3, de relações indiretas com fornecedores e outros atores da cadeia de petróleo e gás. (canalenergia)

Número de pedidos globais de turbinas eólicas bate recorde no 1° trimestre

Um novo estudo da Wood Mackenzie mostrou que o número global de pedidos de turbinas eólicas atingiu um novo recorde no primeiro trimestre de 2023, com 23,5 gigawatts (GW) de atividade, um crescimento de 27% na comparação anual.

Segundo o estudo, a atividade foi impulsionada por um novo recorde estabelecido na China (15,2 GW). Além disso, o crescimento recorde na América Latina/ AL (1,7GW) e nos Estados Unidos saltando pra 1,8 GW de atividade contribuíram para o número.

Com isso, nos totais, os pedidos globais atingiram cerca de R$ 15,2 bilhões, um aumento de R$ 3 bilhões em relação ao ano anterior.

Pedidos globais de turbinas eólicas crescem 27% no primeiro trimestre de 2023, segundo Woodmac.

O número global de pedidos de turbinas eólicas subiu 27% no primeiro trimestre de 2023, em relação a mesma fase do ano passado. Segundo estudo da Wood Mackenzie, com 23,5 GW em demanda, o segmento foi responsável por movimentar US$ 15,2 bilhões em investimentos, representando um novo recorde no setor.

A alta foi impulsionada, principalmente, pela China, onde os fornecedores buscam cumprir o 14º plano de desenvolvimento de energia verde, e que tem duração de cinco anos. Sozinha, a China respondeu por 15,2 GW dos pedidos, seguida pelos Estado Unidos, com 1,8 GW, e América Latina, com 1,7 GW.

Na avaliação de Luke Lewandowski, diretor de Pesquisa da Wood Mackenzie, o setor não deve desacelerar tão cedo, já que determinadas regiões – fora da China – começaram a apresentar um crescimento significativo.

“A América Latina teve um recorde no primeiro trimestre, graças à atividade na Argentina e no Brasil, e agora os Estados Unidos têm confiança renovada e crescimento de pedidos, em parte, graças à Lei de Redução da Inflação (IRA, na sigla em inglês)”, disse o executivo.

Mesmo com o crescimento nessas regiões, o relatório aponta que a atividade geral dos fabricantes de equipamentos originais (OEMs, na sigla em inglês) no Ocidente permaneceu estável, com os pedidos do primeiro trimestre caindo 9% em relação ao ano anterior. 

Segundo Wood Mackenzie, as estratégias entre esses dois mercados permanecem fundamentalmente diferentes, visto que a China segue com demanda alta por turbinas eólicas para atender as metas governamentais, enquanto os OEMs ocidentais focam na lucratividade.

Em relação aos preços, Lewandowski destaca estabilidade em mercados como os EUA, onde estratégias de desenvolvimento de tecnologia e indexação foram empregadas para acelerar o retorno à lucratividade, ajudando a estabilizar os valores no período.

Já as encomendas para o segmento de eólica offshore tiveram uma queda de 12% em relação ao ano anterior. O maior crescimento foi registrado na Europa, que representou 3 GW. No geral, a energia eólica offshore representou 13% de todos os pedidos no primeiro trimestre.

Pelo segundo trimestre consecutivo, a Envision conquistou a maior parcela de novos pedidos (3,6 GW), seguida pela Vestas (3,3 GW) e Sany (2,6 GW). (megawhat)