sábado, 28 de fevereiro de 2009

Produtores europeus de biodiesel acusam EUA de dumping

Produtores de biodiesel da Europa ameaçam registrar uma queixa na União Européia (UE) e na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os Estados Unidos por prática de dumping. Segundo o Conselho do Biodiesel Europeu (EBB, na sigla em inglês), os subsídios americanos à indústria local permitirão um aumento de até 10 vezes das exportações do combustível para a Europa.
O EBB, que representa 80% dos produtores do bloco, argumenta que "exportações massivas de biodiesel injustamente subsidiado violam as regras comerciais ao enfraquecer o setor na Europa e desencorajar a produção". O órgão intimou o Congresso dos Estados Unidos a interromper imediatamente o programa que dá aos produtores cerca de 200 euros por tonelada de biodiesel B99 (99% de óleo vegetal e 1% de óleo diesel), algumas vezes vendido na Europa abaixo do preço de custo das matérias-primas para a produção local.
Produtores de Indonésia e Malásia também estão tirando vantagem do subsídio, ao exportar biodiesel para os Estados Unidos, que depois é redirecionado para a Europa. É estimado que cerca de 700 mil toneladas de biodiesel entraram na UE desde janeiro, ante 90 mil toneladas em todo o ano de 2006. Isto representa um repentino aumento das exportações americanas, que apenas é explicado por medidas de apoio irregulares. A entidade argumentou ainda que a Europa não consiga aumentar a produção local e atender a meta do bloco, de substituir 10% do combustível para transporte com fontes renováveis até 2020.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Processo de Produção de Biodiesel

A molécula de óleo vegetal é formada por três ésteres ligados a uma molécula de glicerina, o que faz dele um triglicídio.
O processo para a transformação do óleo vegetal em biodiesel chama-se TRANSESTERIFICAÇÃO. Transesterificação nada mais é do que a separação da glicerina do óleo vegetal. Cerca de 20% de uma molécula de óleo vegetal é formada por glicerina. A glicerina torna o óleo mais denso e viscoso. Durante o processo de transesterificação, a glicerina é removida do óleo vegetal, deixando o óleo mais fino e reduzindo a viscosidade.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Novo uso para a glicerina

A busca por matérias-primas alternativas aos derivados de petróleo está na pauta do dia nas áreas relacionadas à produção de plástico. O alto preço do óleo in natura no mercado mundial e a necessidade de produtos ambientalmente mais favoráveis, seja biodegradáveis ou obtidos por recursos renováveis, têm contribuído para o aparecimento de novas rotas tecnológicas para esse tipo de indústria. No Brasil, a mais recente novidade é o uso da glicerina que sobra como subproduto, da elaboração do biodiesel para produzir o propeno, resina obtida até aqui de derivados de petróleo e utilizada para fazer polipropileno (PP).
Esse plástico é amplamente utilizado em automóveis, eletrodomésticos, seringas descartáveis, fraldas, embalagens para alimentos e produtos de limpeza.
O desenvolvimento da alternativa de produção é da empresa Nova Petroquímica, a antiga Suzano, que desde junho deste ano participa do conglomerado Quattor, formado pela Petrobras e pelo grupo Unipar. O início da produção está marcado para 2009, com uma planta piloto em local a ser definido. Depois será a vez de uma planta industrial definitiva a ser instalada até 2014. O total dos investimentos industriais deverá atingir US$ 50 milhões. A rota de produção da empresa segue outros grandes fabricantes de matérias-primas para a produção de plástico, como Braskem, Dow Química e Oxiteno, empresas que possuem projetos para a produção de polímeros de origem vegetal com a utilização, principalmente, de cana-de-açúcar. Junto com a glicerina do biodiesel elas estão formando a cadeia de petroquímica verde ou renovável.
Será que estamos a tratar de mais um “terrorismo da mídia”, ou deveríamos realmente nos preocupar com o "tsunami de glicerina" que hoje se desenvolve?
A produção do PP com glicerina é importante porque envolve grandes números tanto na produção de biodiesel como da própria resina em que a Quattor detém 45% do mercado, com 875 mil toneladas anuais de polipropileno e exportação para 40 países. Segundo levantamento realizado pela empresa, o volume de glicerina disponível em 2008 deverá atingir em torno de 105 mil toneladas se a produção chegar a 1 bilhão de litros de biodiesel para compor a cota obrigatória de 2% adicionado ao diesel, principal combustível de caminhões e ônibus do país. Em 2013, quando essa porcentagem subir para 5% de biodiesel, o excedente de glicerina deverá ser de 250 mil toneladas.
O problema é que o mercado brasileiro consome apenas 40 mil toneladas de glicerina por ano. A glicerina é o nome comercial do glicerol, que pode ser produzido tanto de óleos vegetais como de derivados de petróleo como o próprio propeno. A produção de plástico com essa substância vem se somar a uma série de outros usos industriais. Ela é utilizada em cosméticos, está presente na indústria farmacêutica, na composição de cápsulas, xaropes e pomadas; na química, em tintas, vernizes e detergentes; na alimentícia, para conservar bebidas e alimentos, como refrigerantes, balas, bolos, carnes e rações, além de embalagens. Na indústria do tabaco, a glicerina torna as fibras do fumo mais resistentes e evita o ressecamento das folhas, da mesma forma que é usada para amaciar e aumentar a flexibilidade de fibras têxteis. De cada mil litros de biodiesel fabricados pelo processo de transesterificação, que agrega óleo vegetal ou gordura animal de várias origens e um tipo de álcool (o metanol, mais utilizado, ou etanol), sobram no final cerca de 100 litros. O preço também despencou nos últimos tempos. O quilo do produto valia US$ 1,55, em 1995, e caiu para US$ 0,50, em 2007.
Identificamos que os consumidores atuais de glicerina não teriam como utilizar toda a produção. Foi a partir da constatação dessa crescente oferta de glicerina no mercado que a empresa procurou o professor Claudio Mota, do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2006. A motivação partiu deles e no início achei difícil retirar da glicerina (C3H8O3) os átomos de oxigênio para transformá-la em propeno (C3H6). Embora não existissem referências na literatura científica, nós conseguimos um bom sistema extraindo o oxigênio como água. A reação química resulta na produção de água, que se torna um benefício porque ela também poderá ser comercializada ou usada pela própria indústria. Foi feita uma patente em que os resultados financeiros serão divididos 50% para a UFRJ e os pesquisadores do projeto e 50% para a empresa. O projeto de pesquisa teve investimentos de R$ 2 milhões, sendo R$ 600 mil da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o restante da Quattor.
Quando recebeu o convite da empresa, Mota já trabalhava com a obtenção de compostos da glicerina para uso como aditivos na gasolina ou no diesel. “Estamos desenvolvendo derivados da glicerina que poderão ser misturados a esses combustíveis para melhorar a lubrificação do motor, além de diminuir o teor de enxofre e de compostos particulados, no caso do diesel. Na gasolina, eles podem diminuir a produção de monóxido de carbono (CO) e de outros poluentes e melhorar o desempenho do motor”, explica Mota. Ele também desenvolve estudos para a produção de plásticos acrílicos com glicerina. Tudo isso dentro da expectativa do aumento da produção de biodiesel.
O sistema produtivo do polipropileno verde desenvolvido na parceria entre a empresa e a UFRJ começa no plantio da soja, hoje a principal oleaginosa usada para produzir biodiesel. Segundo dados da Quattor, de 3 mil quilos (kg) de grãos colhidos em 1 hectare de área sobram 540 kg de óleo a que são acrescidos 54 kg de metanol. Os resultados são 540 kg de biodiesel e 54 kg de glicerol. Essa glicerina vai resultar em 27 kg de propeno e a mesma quantidade de polipropileno. Embora tenha o quilo como medida de comercialização e uso, a glicerina é líquida. O transporte desse produto das empresas produtoras de biodiesel até a nossa fábrica será feito de caminhão.
O uso da glicerina proveniente do biodiesel tem outro aspecto que fortalece os estudos e a necessidade de aumentar os seus usos industriais. É a possibilidade de descarte como lixo ou efluente caso não exista o que fazer com ela. Essa glicerina é um pouco diferente da produzida via derivado de petróleo. Em vez de transparente, ela é amarelada e possui 9% de resíduos. Pela cor é chamada de glicerina loira e não tem um mercado definido, por isso está passível de um descarte inadequado. Estudando o uso dessa glicerina e da comercial como plastificante aditivo que confere maior resistência e elasticidade aos plásticos, demonstrara-se que ela teria um bom uso para plastificar polímeros produzidos com amido, uma substância chamada de polissacarídeo presente em muitos vegetais.
Perigo ambiental - O uso da glicerina loira apresentou melhores propriedades mecânicas como resistência à tração e alongamento do que a comercial. No trabalho citam que excedentes de glicerol estão sendo despejado no rio Poti, na cidade de Crateús, no Ceará, uma região produtora de biodiesel, causando um impacto ambiental negativo. A plastificação do amido é uma alternativa no caminho de produzir plásticos biodegradáveis e mais favoráveis ao ambiente contando para isso com o uso da glicerina do biodiesel. Alternativas para a glicerina, fora o plástico, são a queima para produção de energia elétrica na própria fabricação do biocombustível, além de usá-la na substituição e alternativa menos tóxica que o etilenoglicol em produtos anticongelantes e para entrar como uma espécie de adoçante e umedecedor em alimentos.
Plastificante renovável
A rota vegetal também está na origem de um novo produto que poderá substituir um aditivo usado pelas indústrias para dar maior maciez e flexibilidade aos artefatos feitos com policloreto de vinila (PVC), o segundo plástico mais usado no mundo. Conseguimos um plastificante renovável com base em um óleo vegetal para substituir os ftalatos (produzidos a partir de derivados de petróleo). Os ftalatos formam um conjunto de substâncias químicas que estão presentes, principalmente quando associados ao PVC, na formulação de sacos plásticos ou em forma de filme para embalar alimentos, além de estarem presentes em brinquedos, cortinas de banheiro, embalagem para cosméticos, cateteres e bolsas de sangue e soro. Sobre eles pesam a suspeita de trazerem vários males à saúde humana.
Estudos mostram que, mesmo em pequenas doses, os ftalatos podem passar por contato para alimentos e bebidas e depois ser ingeridos por adultos e crianças e ser associados a câncer, má-formação esquelética, problemas endócrinos e hormonais, principalmente danos ao sistema reprodutor masculino. O principal suspeito é um tipo plastificante chamado de ftalato de di-(2-etil-hexila) (DEHP na sigla em inglês) muito usado em filmes plásticos. Em camundongos já estão comprovados câncer no pâncreas, rins e fígado, mas em relação aos humanos ainda há controvérsias. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indica o máximo de 3% de ftalatos em produtos vendidos no Brasil. Mas há dados na literatura nacional e internacional que mostram a presença de valores acima desse nível, principalmente nos filmes e sacos plásticos, produtos que ficam bem molinhos graças aos plastificantes. O produto desenvolvido na UFPR para substituir os ftalatos e plastificar o PVC começou a ser desenvolvido em 2003. A pesquisa chegou até a fase pré-industrial numa parceria com a filial da empresa norte-americana Corn, que processa matéria-prima vegetal para as indústrias alimentícia, química e farmacêutica. Agora a Corn estuda a implementação industrial do produto, que ainda não pode ter revelados alguns detalhes como o óleo vegetal do qual é feito, embora já tenha um depósito de patente. O novo plastificante custará cerca de 10% a menos que os ftalatos convencionais.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

IBI inicia operações de planta de glicerina no país

A Integrated Biodiesel Industries (IBI), fabricante de biodiesel com sede no Brasil, mas com produção concentrada na Argentina, deve colocar em funcionamento, em 60 dias, sua primeira unidade industrial no mercado brasileiro. A planta, localizada em Jaú (SP), será destinada ao processamento de glicerina para a produção de solvente biodegradável, voltado às indústrias de tintas e cosméticos.
A planta terá capacidade de processamento de 20 mil toneladas anuais, segundo Marcelo Lopes, principal executivo da companhia. O desembolso no projeto, de R$ 500 mil, será concentrado no investimento em equipamentos, já que a unidade funcionará em prédio alugado.
Este será o primeiro passo operacional da companhia no Brasil, mas não significa necessariamente que a IBI está preparando sua entrada no país também para a produção de biodiesel. A produção do combustível continuará concentrada na Argentina, que, com subsídios oferecidos pelo governo, ganha na vantagem comparativa.
Criada em 2007 e com mais de 400 acionistas, todos europeus, segundo Lopes, a Integrated Biodiesel Industries tem três usinas na Argentina, duas delas em construção. A empresa prevê produção de 14 mil toneladas de biodiesel em 2008, número que deverá chegar a 75 mil em 2009 e a 300 mil em 2012, segundo a programação elaborada pela empresa. As vendas líquidas neste ano devem chegar a US$ 43,8 milhões. Para 2009, a projeção é de US$ 243,6 milhões.
Toda a produção de biodiesel da companhia na Argentina tem o mercado externo como destino. Os subsídios do governo argentino tornam o preço do óleo no mercado local mais baixo que no restante do mundo.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Glicerina pode ser adicionada na alimentação de suínos

A produção de biodiesel é um tema recorrente. O emprego desta fonte alternativa de energia tem dominado discursos políticos e aquecido o debate sobre o posicionamento do país diante da cena energética global. Mas em paralelo às discussões de caráter geopolítico, há a preocupação presente em todo processo industrial: o que fazer com o subproduto?
Se a produção de biocombustíveis atingir a escala industrial, os setores econômicos que absorvem o glicerol que sobra da reação entre óleos vegetais e gorduras animais com álcool, podem não comportar um volume tão amplo e a necessidade de encontrar novos destinos para este subproduto de forte impacto ambiental será uma questão urgente.
Uma das alternativas de destino para o glicerol em excesso pode ser o emprego deste na alimentação animal. Na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (USP/ ESALQ), uma pesquisa avaliou a utilização de glicerol na dieta de suínos em crescimento e terminação. Realizada no Laboratório de Não Ruminantes, do departamento de Zootecnia (LZT), o trabalho observou o impacto da adição de até 9% de glicerol na dieta de suínos em crescimento e terminação considerando as características de carcaça e da qualidade da carne.
Foram utilizados 64 animais de linhagem industrial com peso médio inicial de 33 kg. Os animais foram distribuídos em 32 baias de acordo com o sexo e peso inicial, recebendo, respectivamente, níveis de 0, 3, 6 e 9% de glicerol na ração. Em cada uma das três fases, crescimento I (33 a 65,00 kg), crescimento II (65 a 85 kg) e terminação (85 a 99,97 kg), os animais receberam rações balanceadas e água à vontade. Ao atingirem cerca de 100 kg, os animais foram abatidos e as carcaças avaliadas quanto ao comprimento, espessura de toicinho e área do lombo. Segundo o pesquisador, a qualidade da carne não foi comprometida. “De modo geral, o glicerol pode ser utilizado como ingrediente energético de rações de suínos em crescimento e terminação até o nível de 9%, sem afetar sensivelmente o desempenho e a qualidade. Amostras do músculo do lombo foram enviadas ao Laboratório de Qualidade e Processamento de Carnes do departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição (LAN) da ESALQ para medição do ph, cor e perda de água e os resultados mostram que o glicerol não interfere de fato o produto final.
Os resultados são importantes na medida em que fornece indícios positivos ao destino de um subproduto. Para os animais não é necessário o nível de pureza exigida ao consumo dos seres humanos, ficando claro que o glicerol pode ser adicionado de maneira satisfatória na alimentação animal sem a necessidade de um processamento tão rigoroso, já que não compromete a qualidade da carne suína.
O barateamento do processo se mostra possível já que fora empregado porções de glicerol semi purificado proveniente de sebo bovino. Além disso, incluir o glicerol implica na diminuição da dependência do milho, o que permite baixar o custo de produção, considerando que a alimentação representa em torno de 75% do custo total.