domingo, 14 de novembro de 2010

Famélicos da Terra

“De pé ó vítimas da fome; De pé famélicos da terra” Hino da Internacional Socialista
O número de pessoas passando fome no mundo teve a primeira queda em 15 anos, de 1,023 bilhão, em 2009, para 925 milhões, em 2010, segundo relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). A redução absoluta foi de 98 milhões de pessoas, representando 9,6%, em termos relativos.
As regiões com o maior número de pessoas desnutridas são a Ásia e o Pacífico, com 578 milhões, mas também foi a região que apresentou a maior queda da desnutrição, em 2010, de cerca de 80 milhões de indivíduos. Na América Latina e o Caribe, a FAO estima o número de subnutridos em 53 milhões. A África Subsaariana foi a região com a maior prevalência de desnutrição, registrando 30%, cerca de 250 milhões de pessoas e apresentou um declínio, em 2010, de somente 12 milhões.
O mundo tinha 6.829.360.000 (seis bilhões e oitocentos e vinte e nove milhões e trezentos e sessenta mil) habitantes, em 2009, e 6.908.688.000 (seis bilhões e novecentos e oito milhões e seiscentos e oitenta e oito mil) habitantes, em 2010, segundo a divisão de população da ONU. Desta forma o percentual de subnutridos era de 15%, em 2009, e caiu para 13,4%, em 2010.
As metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), estabelecidas pela ONU, no ano 2000, previram que a proporção de pessoas subnutridas caísse dos 20% do período 1990-1992 para 10% em 2015. Esta meta pode ser alcançada se os países em desenvolvimento apresentarem um crescimento do PIB entre 4 e 5% no próximo qüinqüênio e se houver políticas de redução das desigualdades, pois o acesso a alimentos depende, em geral, mais da disponibilidade de renda do que da oferta de produtos.
Mesmo reduzindo o percentual da insegurança familiar pela metade, 10% de pouco mais de 7 bilhões de habitantes significaria mais de 700 milhões de pessoas subnutridas em 2015. O número de pessoas que passam fome é muito alto e geralmente está correlacionado com outras carências, como a falta de saneamento básico, educação, etc. O mais incrível é que a fome coexiste paralelamente ao aumento da obesidade. Mas o lado positivo é que a quantidade de pessoas passando fome no mundo estaria diminuindo nos próximos anos.
A Organização das Nações Unidas (ONU) realizará a Cúpula de Avaliação dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), entre os dias 20 e 22 de setembro de 2010, em Nova York. O desafio para os próximos anos é garantir a redução dos preços dos alimentos no mundo, gerar empregos decentes, proteção social para a população necessitada e avançar no processo de redução da pobreza e das desigualdades.
Combater a fome e a insegurança alimentar é um desafio inadiável. É preciso romper com a armadilha da pobreza, possibilitando que as famílias cuidem melhor dos seus filhos desejados e reduzam os casos de gravidez indesejada. Porém, o que possibilita o acesso aos meios de subsistência é o combate à especulação feita pelos aproveitadores do mercado e, ao mesmo tempo, a criação de estoques reguladores por parte do setor público. O fato é que o percentual de pessoas com fome pode continuar se reduzindo nos próximos anos se as políticas adequadas forem adotadas.
Todavia, é inadiável a necessidade de cuidar do meio ambiente, pois, se o grau de degradação do Planeta continuar, o impacto negativo sobre a produção de alimentos e as condições de moradia da população será enorme. Se o grau de depauperização da Terra continuar aumentando, a meta de se reduzir a fome e o percentual de pessoas subnutridas dificilmente será alcançada. (EcoDebate)

Agricultura, Segurança e Soberania Alimentar

Agricultura Ecológica, Segurança e Soberania Alimentar

A agricultura evoluiu nos últimos 12 mil anos de acordo com as necessidades alimentares das comunidades, sociedades e povos. Portanto, ocorreu neste período uma evolução conjunta dos sistemas agrícolas e da cultura humana. A agricultura foi uma revolução técnica que estimulou a cooperação, solidariedade, troca de informações e intercâmbios intra e inter comunidades, possibilitando um acúmulo de conhecimentos aos agricultores sobre diversos aspectos dos ciclos naturais, uso da terra, seleção de sementes, correções dos solos, utilização de recursos hídricos e muitos outros saberes agronômicos e ecológicos que possibilitaram a passagem definitiva dos caçadores-coletores nômades para as sociedades de agricultores, que se localizaram principalmente nos vales e foz dos rios, originando provavelmente as primeiras aldeias e cidades fixas.
A agroecologia tem como objetivo a segurança e soberania alimentar das comunidades e famílias, resgatando a função original da agricultura de produzir alimentos saudáveis sem alterar negativamente os ciclos naturais e a biodiversidade. As práticas sociais e comunitárias promovem o abastecimento dos produtores e das comunidades locais e regionais com alimentos saudáveis, produzidos sem fertilizantes químicos e/ou nitrogenados, com uso racional da água e resultado da interação entre os trabalhadores e a natureza. A distribuição e comercialização direta aos consumidores (através de feiras, agroindústrias familiares, fornecimento para escolas, entidades assistenciais) fortalecem experiências de economia solidária, resgatando relações históricas entre comunidades rurais e espaços urbanos próximos.
A diversidade na produção é fundamental à afirmação da agricultura ecológica assim como a criação de espaços específicos de comercialização e a formação de redes, associações e cooperativas de produtores e consumidores, que podem ser unificadas. A agrobiodiversidade facilita a participação e integração familiar, sendo todos indispensáveis nos processos produtivos e de sobrevivência econômica dos grupos familiares. O resgate e preservação das sementes crioulas, a valorização de espécies nativas, a policultura, os sistemas agroflorestais e as hortas e quintais domésticos são fundamentais ao desenvolvimento e promoção de uma alternativa agrícola que garanta a sustentabilidade ambiental, social, cultural e econômica dos seres humanos, fortalecendo relações de solidariedade e autonomia entre os povos.
A agroecologia não é somente um modelo de produção sem agrotóxicos, adubos químicos ou organismos modificados geneticamente. É uma forma de se relacionar com a natureza e com os outros seres humanos, resgatando os produtores e consumidores como protagonistas e parceiros nas relações econômicas e reforçando uma ética de respeito à vida, justiça social e construção coletiva de uma sociedade ecológica e solidária, mediada pela consciência e a promoção de modos de vida sustentáveis. (EcoDebate)

Abastecimento de água de bilhões está em risco

Novo estudo indica que abastecimento de água de bilhões está em riscoThe City College of New York
Cerca de 80% da população mundial vive em áreas onde o abastecimento de água potável não é assegurado, de acordo com um estudo [Global Threats to Human Water Security and River Biodiversity] publicado na revista científica Nature. Os pesquisadores organizaram um índice com as “ameaças para a água” incluindo itens como escassez e poluição.
Cerca de 3,4 bilhões de pessoas enfrentam as piores ameaças, segundo o estudo. Os pesquisadores dizem que o hábito ocidental de conservar água para suas populações em reservatórios funciona para as pessoas, mas não para a natureza.
Eles recomendam que países em desenvolvimento não sigam o mesmo caminho, mas sim invistam em estratégias de gerenciamento hídrico que mescle infraestrutura com opções “naturais”, como bacias hidrográficas e pântanos.
Mapeamento
Os autores dizem que nas próximas décadas o panorama deve piorar, com o aumento populacional e as mudanças climáticas.
Eles combinaram dados de diferentes ameaças para a confecção do índice.
O resultado é um mapa que indica as ameaças ao fornecimento para a humanidade e para a biodiversidade.
“Olhamos para o fatos de forma fria, analisando o que acontece em relação ao abastecimento de água para as pessoas e o impacto no meio-ambiente da infraestrutura criada para garantir este fornecimento”, disse o responsável pelo estudo Charles Vorosmarty, do City College de Nova York.
“O que mapeamos foi um padrão de ameaças em todo o planeta, apesar dos trilhões de dólares gastos em engenharias paliativas”, completou, referindo-se a represas, canais e aquedutos usados para assegurar o abastecimento de cidades.
No mapa das ameaças ao abastecimento, boa parte da Europa e América do Norte aparecem em condições ruins.
Mas quando o impacto da infraestrura criada para distribuir e conservar a água é adicionado, as ameaças desaparecem destas regiões, com exceção da África, que parece estar rumando para a direção oposta.
“O problema é que sabemos que uma fatia enorme da população mundial não pode pagar por estes investimentos”, disse Peter McIntyre, da Universidade de Wisconsin, que também participou da pesquisa.
“Na verdade, estes investimentos beneficiam menos de um bilhão de pessoas, o que significa que excluímos a grande maioria da população mundial”, disse ele.
“Mas mesmo em países ricos, esta não é a opção mais inteligente. Poderíamos continuar a construir mais represas ou explorar mais fundo o subterrâneo, mas mesmo se tivermos dinheiro para isso, não é uma saída eficiente em termos de custo”, disse ele.
Críticas
De acordo com esta e outras pesquisas, a forma como a água é tratada no ocidente teve um impacto significativo na natureza.
Atualmente, um conceito defendido por organizações de desenvolvimento é o gerenciamento integrado da água, no qual as necessidades de todos os usuários são levadas em consideração e as particularidades naturais são integradas às soluções criadas pelo homem.
Um exemplo citado é o abastecimento de água da cidade de Nova York, feito por fontes nas montanhas de Catskill. Estas águas historicamente não precisavam de filtragem até a década de 1990, quando a poluição agricultural mudou o cenário.
A solução adotada, um programa de conservação de terras, se provou mais barata do que a alternativa de construção de unidades de tratamento.
A atual análise pode vir a ser contestada por conter elementos relativamente subjetivos, como por exemplo a forma como as diferentes ameaças são pesadas e combinadas.
Mas os pesquisadores a consideram uma base para futuros estudos e calculam que ela possa ser melhorada quando surgirem dados mais precisos, especialmente de regiões como a África.
Eles calculam que os países desenvolvidos e os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), não conseguirão investir em infraestrutura os US$ 800 bilhões que o estudo julga necessários até 2015. O panorama para países em desenvolvimento é mais sombrio.
“Este é um raio-x do mundo há cinco ou dez anos, porque fizemos o estudo com bases nestes dados”, disse McIntyre. (EcoDebate)

sábado, 13 de novembro de 2010

Mudanças climáticas reduzem geração energia

Estudo do IPEA mostra que mudanças climáticas podem reduzir capacidade de geração energia
As mudanças climáticas poderão provocar, nas próximas décadas, impactos “alarmantes” em algumas bacias hidrográficas brasileiras, especialmente no Nordeste. A redução dos estoques de água até 2100 seria mais moderada na Região Norte. Mas, nas demais, pode haver redução da capacidade de geração de energia hidrelétrica, de 29,3% a 31,5%. Os dados são do Boletim Regional, Urbano e Ambiental nº 4, divulgado em 22/09/10 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Os impactos seriam menores no Sul e no Sudeste, mas não o suficiente para repor as perdas das regiões Norte e Nordeste.
Na agricultura, o aquecimento do clima só não afetaria a lavouras de cana-de-açúcar. As plantações de soja sofreriam redução de 34% a 30%, as de milho, de 15%, e as de café, de 17% a 18%, com agravamento mais sério na cultura de subsistência no Nordeste. A quarta edição do Boletim Regional, Urbano e Ambiental, divulgada hoje, avalia que o impacto sobre as culturas agrícolas poderia ser compensado ou amenizado nas próximas décadas com modificações genéticas dos produtos, o que exige investimento anual de R$ 1 bilhão em pesquisas.
O uso de combustíveis renováveis, no lugar dos derivados de petróleo evitaria emissões de 203 milhões a 923 milhões de toneladas de gás carbônico em 2035, de acordo com o estudo. A produção necessária para obter os combustíveis alternativos envolveria o uso de 17,8 milhões a 19 milhões de hectares e não seria necessário usar áreas das culturas de subsistência nas regiões. A necessidade de produção dos alternativos não pressionaria o desmatamento da Amazônia. Mas, nas regiões Sudeste e Nordeste, no entanto, poderia haver danos florestais e de matas se não forem empregadas políticas adequadas para os biocombustíveis.

Produção de etanol não desenvolve o social

Produção de etanol não traz desenvolvimento social
Pesquisador do Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da UnB analisa 306 municípios produtores de cana-de-açúcar e conclui que impulso econômico não se traduziu em melhora para a população
Os municípios produtores de etanol no estado de São Paulo não praticam um tipo sustentável de lavoura e nem conseguiram melhorar seu desenvolvimento socioeconômico. É o que aponta a dissertação Sustentabilidade Ambiental do Etanol no Estado de São Paulo, defendida em 3 de agosto de 2010, por Antônio Juliani, no Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da UnB.
Juliani analisou 306 municípios paulistas com área de produção de cana de açúcar superior a 5 mil hectares. Segundo o pesquisador, 218 deles têm baixo índice de desenvolvimento socioeconômico, ou seja, 71%. Quando analisada somente a sustentabilidade ambiental, somente oito (2%) apresentam índice satisfatório.
O autor sustenta que muito se fala sobre as implicações ambientais da produção da cana-de-açúcar para biocombustíveis, mas pouco sobre as condições de vida das populações das regiões produtoras. “Parece que está tudo bem desde que não se plante na Amazônia”, pondera. Segundo ele, não se pode desconsiderar os níveis de escolaridade e renda das populações, porque isso tem também implicações ambientais. “Uma população em condição de vulnerabilidade social tem menos consciência da necessidade de preocupar-se com o meio ambiente”, defende.
Outra causa para os baixos níveis de sustentabilidade ambiental é a falta de envolvimento das prefeituras com políticas voltadas para a área. “É necessário criar leis que regulamentem e fiscalizem a produção de etanol”, sugere.
ÍNDICE – Para medir o desenvolvimento socioeconômico, o pesquisador utilizou o Índice Paulista de Responsabilidade Social (IPRS), que mede a riqueza do município e a escolaridade e longevidade da população. “Ele se difere do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) porque pondera outras variáveis, como a faixa etária ou o consumo de energia elétrica”, conta. Também utilizou o Índice Paulista e Vulnerabilidade Social (IPVS), que mede a dificuldade de acesso a questões básicas como saúde e educação. Casando os dois índices, Juliani montou o índice de desenvolvimento sócio-econômico (ID).
Para medir a sustentabilidade ambiental, o autor utilizou indicadores relacionados à biodiversidade, qualidade do ar, qualidade da água, concentração da cultura de cana de açúcar, nível de mecanização da lavoura, uso de adubação verde e adequação ao zoneamento agroambiental para o setor no estado de São Paulo.
“O trabalho do Juliani é relevante porque se preocupa com as práticas por trás da produção do etanol”, sustenta o professor da Universidade Federal de Santa Catarina, Hans Bellen. Segundo ele, o índice tem a preocupação de mostrar o lado social por trás do desenvolvimento econômico nos municípios. A professora Vanessa Castro, do CDS/UnB, destaca o grande número de municípios analisados. “É relevante porque faz grande estudo de caso e ainda traz grupo de comparação. É quase um censo da produção de etanol no estado de São Paulo”, diz. (EcoDebate)