sábado, 24 de junho de 2023

Usinas nucleares exigem um debate sério e necessário

É urgente e fundamental um amplo debate com a seriedade que o tema exige no Brasil, ancorado na transparência e na democracia. Diferente do que ocorre hoje, quando o assunto é nuclear.

A indústria nuclear insiste em propagar que está em pleno desenvolvimento no mundo, com novas tecnologias sendo disponibilizadas, como a dos pequenos reatores modulares (em inglês, SMR -Small Modular Reator). Chama atenção, neste caso, a omissão deliberada da palavra nuclear, na denominação dos pequenos reatores, evidenciando a habitual estratégia de comunicação ambígua que caracteriza esse setor.

Os que mais defendem a tecnologia nuclear chegam mesmo a antever (por meios sobrenaturais, talvez?), que as usinas nucleares desempenharão um papel fundamental na luta pela descarbonização, além de contribuírem para a transição com fontes limpas.

O discurso eufórico sobre o crescimento do número de usinas nucleares pelo mundo (e porque não no Brasil?), não condiz exatamente com a realidade. A verdade é que ocorreu uma desaceleração dos negócios nucleares nas últimas décadas, principalmente após a tragédia em Fukushima, que infelizmente não acabou.

Esta tecnologia de produzir energia elétrica funciona como uma termelétrica, onde o combustível que gera energia é extraído do minério de urânio, e transformado por diferentes processos industriais, até sua fabricação. Parte deste calor, gerado a partir da reação de fissão nuclear, aquece a água pressurizada, cujo vapor a alta pressão movimenta as pás de turbinas acopladas a um gerador, produzindo assim energia elétrica. A outra parte do calor é retirada com sistemas de refrigeração, que geralmente usam água de rios, mares, grandes reservatórios e lagos.

Grande quantidade de resíduos é produzida pelas reações nucleares que ocorrem no combustível. Estes elementos químicos, criados artificialmente, são altamente radioativos, por até milhares de anos. É necessário armazená-los em locais de extrema segurança, e com estabilidade geológica, para os próximos milhares de anos. Uma situação que leva a reflexão sobre o lixo atômico, herança maldita deixada para as gerações futuras.

A viabilidade das usinas nucleares tem gerado intensos e calorosos debates sobre questões técnicas, econômicas, sociais, ambientais e mesmo questionamentos éticos e geopolíticos. Outro assunto é a questão do uso militar da energia nuclear, com a construção da bomba atômica (limpas e/ou sujas). Países que detém a tecnologia de enriquecimento, e outros processos da cadeia para produção do combustível nuclear, estão aptos para a construção da bomba, como é o caso brasileiro.

Nunca é tarde lembrar que são naqueles países com déficit democrático (Rússia, China, Índia, Arábia Saudita), que os publicitários “do nuclear” se referem, quando mencionam o crescimento de novas instalações pelo mundo afora. Nestes países a sociedade civil não tem nenhuma incidência, nem participação na política oficial adotada. São decisões autoritárias, que não aceitam o contraditório, agindo sob sigilo. Estes governos chegam a recorrer, muitas vezes, à violência para conter os crescentes movimentos antinucleares pacifistas.

A descarbonização das atividades econômicas tem no setor elétrico um potencial maior, desde que a geração de energia elétrica seja sustentável, com fontes renováveis de energia. No caso da geração nucleoelétrica é importante esclarecer, que várias indústrias estão envolvidas nas diferentes etapas para a produção do combustível nuclear.

Começa com a mineração do urânio, seguindo a concentração (separação do urânio de outros elementos agregados), a conversão do concentrado em gás, o enriquecimento isotópico, a produção das pastilhas/combustível (que serão inseridas no núcleo do reator nuclear), o tratamento dos resíduos produzidos (lixo atômico), o armazenamento e o descomissionamento das usinas após atingirem sua vida útil.  Assim, conforme estudos científicos realizados, este conjunto de processos, o chamado “ciclo do combustível nuclear”, acaba gerando quantidades significativas de gases de efeito estufa.

Sustentar que a energia nuclear é uma fonte limpa é propagar uma grande MENTIRA, pois contradiz o que demonstra a ciência, tão importante nos tempos atuais. NÃO EXISTE nenhuma fonte de energia (renovável e não renovável), que não gere algum tipo de emissões, de resíduos, de impactos socioambientais. As fontes não renováveis (petróleo e derivados, gás natural, carvão mineral, nuclear) são reconhecidas como as mais poluentes, as grandes responsáveis pelo aquecimento, e suas consequências para o planeta. E devem ser banidas da matriz energética mundial.

Assim, usar inadequadamente e incorretamente o termo “energia limpa”, tem o objetivo de qualificar a energia de “limpa”, induzindo a população em geral, uma mensagem de que a nuclear não faz mal às pessoas, nem ao meio ambiente. Que deve ser aceita e apoiada.

Outra desfaçatez é considerar esta fonte importante e necessária para a transição energética no Brasil. De tão mal vista pela população, no imaginário popular a energia nuclear está associada a promover a morte, e não a vida. Torna obviamente desnecessário o uso desta perigosa, cara e suja tecnologia, pela extraordinária abundância de fontes renováveis de energia (sol, vento, biomassa, água, …) disponíveis no território nacional.

Nos tempos atuais de conflito bélico, usar a Europa, grande consumidora e dependente do petróleo e do gás endógeno, para alavancar a narrativa de que o nuclear pode ser a salvação, são falsas justificativas levadas a cabo pelos interesses dos “negócios do nuclear”.

Este contexto de guerra mostra como as usinas nucleares se tornam alvos prioritários, fáceis e frágeis, podendo provocar contaminação radioativa de grandes proporções e irreversíveis danos para a saúde e para o meio ambiente. Quantidades expressivas de materiais extremamente perigosos para os seres vivos se encontram no interior destas instalações.

Vejam o caso dos ataques armados sobre o maior complexo nuclear europeu, de Zaporizhzhia, na Ucrânia, que colocaram em risco seu funcionamento e a integridade física das instalações. Felizmente não sofreu danos estruturais, e assim não houve, até o presente, informações sobre vazamento de material radioativo, como ocorreu tragicamente em Chernobyl, localizado a 80 km deste complexo. Todavia, muito mais preocupante foi a revelação pelo Greenpeace, que até o ano de 2017 havia no local 2.204 toneladas de elementos radioativos armazenados, 855 toneladas em piscinas e 1.349 toneladas a seco.

Se não bastasse o risco extremo de um ataque a uma central nuclear, avaliemos o significado de ter no planeta, mais e mais usinas nucleares, multiplicando a circulação de mais urânio enriquecido, plutônio e outros resíduos de alta radioatividade, de alta periculosidade.

Por tudo isso, é urgente e fundamental um amplo debate com a seriedade que o tema exige no Brasil, ancorado na transparência e na democracia. Diferente do que ocorre hoje, quando o assunto é nuclear. A sociedade brasileira não pode ficar refém de decisões que comprometam seu presente e seu futuro, tomadas em canais governamentais, sem a participação popular, sofrendo pressão direta do lobismo nuclear.

A ameaça à vida que representa a decisão de nuclearização, com a expansão do número de usinas nucleares no país, deve ser discutida amplamente e democraticamente pela sociedade, e com a transparência exigida. Decisão desta magnitude não deve ficar restrita ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE-órgão de assessoramento à presidência da república). O Brasil não deve contribuir com a ameaça da proliferação e do aumento da quantidade de material radioativo circulando e ameaçando constantemente o planeta.

Na Europa existe um intenso debate sobre a geração nucleoelétrica. Países como Itália, Bélgica, Suíça, Alemanha e Áustria são favoráveis ao banimento da tecnologia nuclear. Outros como Espanha, Suécia e França (cuja dependência da nucleoeletricidade chega a 75%), ainda persistem nesta rota nuclear, por interesses próprios.

O pacifismo presente na luta antinuclear condena o uso bélico, em artefatos como a bomba atômica. Mesmo que a construção de armamentos nucleares seja proibida pela Constituição Brasileira de 1988, a política oficial, segue no sentido contrário, como os exemplos recentes do avanço no enriquecimento do urânio, em unidades da Marinha Brasileira.

Hoje, mais do que nunca falar e pregar a democracia só no discurso, e nada fazer de concreto, são ações meramente populistas. Sem correção de rumos acabarão colaborando com aqueles que propõem o autoritarismo. (ecodebate)

SENAI lança chamada para projetos de hidrogênio verde

Programa conjunto Brasil-Alemanha está com inscrições abertas na Plataforma Inovação para a Indústria, da CNI.

O SENAI e a Federação Alemã de Associações de Pesquisa Industrial lançaram a primeira fase da chamada bilateral Brasil-Alemanha para o desenvolvimento de tecnologias destinadas à produção de hidrogênio verde. O lançamento foi feito em 17/04/23, no estande da Confederação Nacional da Indústria na Feira de Hannover, na Alemanha.

O projeto conjunto que prevê investimentos em torno de R$ 21 milhões foi anunciado um mês atrás, na assinatura de um acordo bilateral durante o Encontro Econômico Brasil-Alemanha, em Belo Horizonte (MG).

A chamada vai selecionar até dez propostas de pequenas e médias empresas, startups e organizações de pesquisa e tecnologia nos dois países. No Brasil, as inscrições podem ser feitas na Plataforma Inovação para a Indústria, na categoria missão industrial, e as aplicações ficarão concentradas em polos de tecnologia como o Tech Hub do Porto de Suape (Pernambuco), o Parque SENAI Cimatec (Bahia) e o Centro Verde de Hidrogênio em Balbina (Amazonas).

A ideia, segundo a CNI, é aproximar centros de pesquisa e inovação dos dois países em torno do desafio da transição energética, com projetos alinhados às características e necessidade brasileiras. As propostas selecionadas terão duração de 12 a 36 meses, contados a partir do início de 2024.

Chamada Pública SENAI e CTG Brasil para projetos de hidrogênio verde tem procura aquecida.

São muitos milhões disponíveis para o apoio a projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação que envolva o chamado “combustível do futuro”. (canalenergia)

quinta-feira, 22 de junho de 2023

ZEG Biogás e Greenlane faz acordo para tecnologia para biometano

ZEG Biogás e Greenlane anunciam acordo para fabricação local de tecnologia para biometano.

Parceria ajudará a acelerar o crescimento da produção de biometano no Brasil.
A ZEG Biogás e a Greenlane Renewables Inc. firmaram um acordo de colaboração para produzir, comercializar e vender no Brasil uma das maiores e mais populares tecnologias para produção do biometano no mundo. As duas empresas vão atuar juntas na disponibilização do sistema de enriquecimento de biogás Totara+, capaz de processar até 2.500 Nm³/h do biocombustível.

A Greenlane mantém a responsabilidade pelo projeto tecnológico e pelo fornecimento dos componentes que são indisponíveis no Brasil e a ZEG Biogás obteve direitos exclusivos para produzir a tecnologia sob a marca Greenlane bem como para comercializar e vender o produto para projetos de produção de biometano nos quais a ZEG Biogás tenha participação acionária ou acordo de comercialização.

A capacidade de produção será escalonada ao longo do tempo com o objetivo de alcançar a produção de 75 sistemas de purificação de biogás nos próximos cinco anos. Para o CEO da ZEG Biogás, Kwami Alfama Correia, a produção dos equipamentos em solo brasileiro trará agilidade para o desenvolvimento dos projetos e também redução nos custos. Ele acredita que a parceria será próspera para os dois lados, impulsionando a produção nacional de biometano com o uso de tecnologia de ponta, reconhecida mundialmente.

Já o CEO da Greenlane, Brad Douville, destacou que a participação societária de 50% e o aporte financeiro da Vibra na ZEG Biogás representam um comprometimento significativo de capital, que abre uma excelente oportunidade de acelerar a produção de biometano no Brasil em escala industrial e de solidificar a posição de liderança da Greenlane nesse mercado.

Vale destacar que a Vibra que detém 50% das ações da ZEG Biogás, na ocasião da aquisição, se comprometeu a investir até R$ 412 milhões na empresa nos próximos anos para a execução de novos projetos de biogás/biometano.

Os mercados-alvo iniciais da parceria são aterros sanitários, usinas de açúcar e álcool e agroindústrias em geral. A indústria de etanol, produzido a partir da cana-de-açúcar, no Brasil data da década de 1970 e hoje o país é o segundo maior produtor mundial desse biocombustível. O consumo brasileiro de etanol é quase equivalente ao volume de gasolina consumido no setor de transportes do país. Existem mais de 330 usinas sucroalcooleiras no Brasil envolvido no refino de açúcar e produção de etanol; essas unidades geram também grandes quantidades de subprodutos que são matérias-primas ideais para a produção de biometano. (canalenergia)

CEA Equatorial não deixa consumidor sem energia durante manutenção

CEA Equatorial usa carreta que deixa consumidor com energia durante manutenção.

Carreta Big Jumper será adotada nas áreas urbanas em grandes intervenções.
A CEA Equatorial (AP) adquiriu uma carreta Big Jumper. O veículo é utilizado para manusear e armazenar com segurança os cabos de manutenção provisória e permite que sejam realizadas manutenções na rede sem que haja a interrupção da energia. Segundo o gerente de Manutenção e Obras da distribuidora, Adriel Lima, a nova aquisição faz parte de uma série de inovações que a concessionária tem investido em pouco mais de um ano de concessão no Amapá.
A carreta faz com que o consumidor fique com energia em casa mesmo com equipes trabalhando e faz parte do investimento em tecnologia e inovação da Equatorial. O gerente explicou ainda que a carreta funciona como uma ponte elétrica que executa intervenções e manutenções preventivas nas redes com eficiência e rapidez que somente este equipamento pode garantir. Com esta máquina, é possível isolar a parte do circuito na qual será realizada a intervenção.
A carreta Big Jumper atuará principalmente nas áreas urbanas em grandes intervenções. As áreas residenciais e comerciais poderão ter sua rede melhorada sem precisar passar por um desligamento que duraria em média, de 5 a 7 horas. (canalenergia)

Casa dos Ventos quer 3 GW de capacidade até 2025

Geradora deve terminar 2023 com 1,5 GW em operação.
A Casa dos Ventos deve terminar o ano de 2023 com 1,5 GW de capacidade instalada e até 2025 a meta é ter 3 GW eólicos em operação. A empresa é uma das maiores desenvolvedoras de projetos e geradoras do setor eólico brasileiro. Em 18/04/23, o diretor de Novos Negócios, Lucas Araripe, anunciou parceria com a ArcelorMittal para a construção do parque eólico Babilônia Centro (BA- 554 MW), com investimentos de R$ 4,2 bilhões e um dos maiores contratos corporativos da história do Brasil.

Ainda de acordo com o executivo, atualmente a CDV tem 1 GW em operação, mas há um parque em comissionamento de 530 MW que será entregue este ano. Em 2024, mais 200 MW serão acrescidos aos ativos operacionais da empresa. No começo de 2025, está prevista a entrada de mais 550 MW, somando 2,2 GW, que com outros empreendimentos faz com que a meta seja alcançada no fim do ano. Há ainda a expectativa que UFVs sejam viabilizados, o que aumenta o montante de gigawatts. O projeto eólico para a ArcelorMittal permite a construção na planta de uma usina solar de 100 MW.

ArcelorMittal e Casa dos Ventos vão construir parque eólico de R$ 4,2 bi na Bahia.

Empresas criaram uma joint venture com 90% do fornecimento direcionado à siderúrgica, que mira em descarbonização da produção

Parque eólico da Casa dos Ventos no Piauí. Empresa cria joint venture com a ArcelorMittal Brasil para construir complexo de R$ 4,2 bilhões na Bahia. Siderúrgica vai consumir 90% da energia gerada.

“Estamos de fato em uma aceleração bastante importante no ramp up dos projetos, estamos comissionando volumes representativos todo ano. Temos metas ambiciosas”, comenta. Dona de um extenso pipeline de fazendas eólicas e solares, estão em jogo ainda usinas já com outorgas incentivadas com autorização para entrar em operação até 2027.

Nos últimos anos, a Casa dos Ventos tem direcionado sua atuação a projetos do mercado livre de energia, mas a geradora chegou a implantar cerca de 1 GW em eólicas no mercado regulado, que foram posteriormente vendidas. No ano passado, foi criada uma joint venture com a francesa Total Energies, que comprou 34% da nova sociedade, avaliada em cerca de R$ 12 bilhões. Esse ano, foi acertada com a Vestas a compra de 1,3 GW de turbinas, considerada o maior acordo comercial onshore feito pela fabricante em toda sua cadeia global. (canalenergia)