sábado, 18 de maio de 2024

GM avalia autoprodução de energia e biogás para substituir gás natural

Fabricante avança com seu Mix entre mercado livre, usinas solares e ações de eficiência energética reduzindo em 41% a energia usada para montar veículos no Brasil.
A GM também anunciou a meta de obter 100% de suas fontes de energia provenientes de recursos renováveis até 2035, sendo que na operação dos EUA será até 2025. Vale frisar aqui que o grupo controlador não considera a fonte hídrica como limpa. Na América do Sul, a companhia tem avançado significativamente nesse sentido.
Complexo em São Caetano do Sul incorpora diversas tecnologias de eficiência energética envolvendo a indústria 4.0 (GM).
Montadora avalia novas instalações de autoprodução fotovoltaica, além da compra de energia proveniente da fonte em novos contratos.
Fabricante conseguiu reduzir em 41% seus gastos com energia elétrica na produção de veículos como o Chevrolet Bolt EV (GM). (canalenergia)

Futuro é elétrico?

Futuro é elétrico? Montadoras já estão revendo planos após frustrações.

Montadoras já estão revendo planos após frustrações. Nos últimos anos, a indústria automotiva tem enfrentado uma pressão sem precedentes para adotar tecnologias mais limpas e sustentáveis, especialmente no que diz respeito aos veículos elétricos.
Recarga, desvalorização, infraestrutura são alguns dos problemas que o consumidor de carro elétrico enfrenta.

Nos últimos anos, a indústria automotiva tem enfrentado uma pressão sem precedentes para adotar tecnologias mais limpas e sustentáveis, especialmente no que diz respeito aos veículos elétricos. Todo plano ganhou ainda mais corpo em 2022, quando a União Europeia decidiu que, a partir de 2035, nenhum carro a combustão poderia ser comercializado nos 27 países do bloco.

A partir dessa decisão, diversas montadoras anunciaram planos ousados para eletrificação, e todo o mundo passou a traçar estratégias para adotar os carros elétricos, como incentivos, isenções e descontos tributários. Mas o rumo dessa história parece ter mudado com o passar dos meses ou, ao menos, sido adiado.

No ano passado, a própria União Europeia voltou atrás, com um acordo que permite a continuação da comercialização de carros equipados com motores a combustão interna, desde que sejam abastecidos com e-fuel, os combustíveis sintéticos livres de emissão de CO2. Essa exceção causou discordância entre os países europeus, com a Alemanha defendendo firmemente a manutenção dos motores a combustão.

Paralelamente a esses acontecimentos, outros setores também passaram a demonstrar resistência à imposição dos carros elétricos: a locadora Hertz, que havia anunciado planos ambiciosos de eletrificar sua frota nos Estados Unidos até o fim de 2024, deu um passo atrás em sua jornada de eletrificação. A empresa decidiu vender 20 mil carros elétricos de sua frota devido ao aumento dos custos de manutenção associados à nova tecnologia. Essa mudança de estratégia reflete os desafios enfrentados pelas empresas ao tentar adotar rapidamente veículos elétricos em suas operações.

A mudança de paradigma chegou às montadoras. A primeira a mudar de ideia foi a Chevrolet, que acreditava em uma passagem de modelos a combustão para elétricos sem a transição por híbridos. A General Motors - grupo que controla a Chevrolet - havia prometido originalmente que sua produção seria exclusivamente de veículos elétricos a partir do ano de 2035.

Em janeiro, durante o anúncio de R$ 7 bilhões de investimentos no Brasil, a marca assumiu a possibilidade de produzir carros híbridos, e atribuiu essa decisão ao desejo do consumidor.

A Mercedes-Benz também fez anúncios relacionados à eletrificação de sua frota. Inicialmente, planejava se tornar totalmente elétrica em alguns mercados até o ano de 2030. Além disso, a empresa tinha uma meta de ter 50% do volume de vendas composto por veículos eletrificados até 2025. No entanto, há alguns dias, assumiu ter ajustado suas metas e estratégia - agora, a expectativa é que chegar a esse volume de vendas na "segunda metade da década", ou seja, até 2030.

Elétricos não atingiram as expectativas

O diretor da Jato Informações Automotivas, Milad Kalume, explica que, de fato, os elétricos frustraram as expectativas - e uma série de fatores contribuem para esse cenário. Os primeiros fatores são os mais conhecidos: a falta de infraestrutura e o tempo necessário para recarga do veículo. Mas existem outras questões, como o desconhecimento da tecnologia e a preocupação com o que será do futuro do veículo.

"As pessoas temem o fim da vida útil da bateria e a desvalorização do carro. Na Europa e nos Estados Unidos a desvalorização do elétrico usado é alta, o que tem criado resistência nos consumidores", opina.

Fator China

Outra questão é que os carros elétricos se tornaram o verdadeiro trunfo da China, que consegue produzir esses veículos com um custo muito menor do que as montadoras do Ocidente.

"As montadoras já investiram muito dinheiro recentemente nos motores à combustão para reduzir as emissões. Seria necessário investir muito mais na produção de carros puramente elétricos em grande escala. Por isso, talvez estejam pensando em continuar operando no que já dominam por mais tempo, antes de fazer uma transição desse porte", pondera Kalume.

Opinião: Por que futuro dominado por carro elétrico está a um passo de virar utopia?

Embora o futuro da mobilidade continue sendo impulsionado por tecnologias mais limpas e sustentáveis, as marcas estão sendo forçadas a reavaliar suas estratégias e adotar abordagens mais flexíveis e realistas diante das complexidades do mercado e das demandas dos consumidores. A transição para carros elétricos pode ser inevitável, mas o ritmo e os desafios dessa transição estão se mostrando mais desafiadores do que o previsto inicialmente. (uol)

quinta-feira, 16 de maio de 2024

Novas hidrelétricas ameaçam rios em todo o mundo

Rio Paraguai: Construções de novas hidrelétricas podem colocar bacia e Pantanal em ameaça, alerta WWF.

Mais de 260.000 quilômetros de rio podem ser potencialmente cortados por projetos hidrelétricos planejados, de acordo com pesquisadores da Universidade McGill.

O estudo, liderado pelo World Wildlife Fund e publicado recentemente na Global Sustainability, mostrou que represas e reservatórios planejados são os principais contribuintes para o declínio dos rios de fluxo livre em todo o mundo. Ele também fornece uma lista abrangente de soluções baseadas na ciência para minimizar os impactos do desenvolvimento da energia hidrelétrica nos rios.

“Usamos um conjunto de dados de mais de 3700 projetos hidrelétricos potenciais e calculamos seus impactos nos rios em todo o mundo”, disse o Prof. Bernhard Lehner, do Global HydroLab da Universidade McGill, que criou os mapas de rios globais subjacentes. “Foi preocupante saber que muitos dos rios de fluxo livre remanescentes correm o risco de ser permanentemente transformados por novas infraestruturas de energia”.

Além disso, o estudo também descobriu que todas as barragens propostas em rios de fluxo livre gerariam coletivamente menos de 2% da energia renovável necessária até 2050 para manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5°C – uma pequena contribuição com consequências potencialmente devastadoras para o restante rios de fluxo livre e as pessoas e animais selvagens que dependem deles.

Os pesquisadores sugerem que, enquanto os líderes globais se reúnem para uma rodada crítica de cúpulas da ONU sobre clima e biodiversidade neste outono, os legisladores devem considerar as compensações entre o desenvolvimento da energia hidrelétrica e a manutenção de ecossistemas de água doce saudáveis.

Olhando para as compensações – desenvolvimento de energia hidrelétrica vs. custos ambientais

“É verdade que a energia hidrelétrica é uma fonte de energia renovável com emissões de carbono relativamente baixas”, diz Günther Grill, um pós-doutorado da McGill que analisou os números e desenvolveu o modelo de avaliação ambiental espacial para estimar o efeito de futuras represas. “No entanto, os projetos hidrelétricos podem impactar de forma permanente e irreversível a dinâmica e as funções do rio e da planície de inundação, muitas vezes em áreas selvagens tropicais com alta biodiversidade”.

O documento de política aponta para o fato de que rios conectados e saudáveis CO2 proporcionam diversos benefícios que muitas vezes são esquecidos: estoques de peixes de água doce que melhoram a segurança alimentar para centenas de milhões de pessoas; entrega de sedimentos que nutrem a agricultura e mantêm os deltas acima do mar; e várzeas que ajudam a mitigar o impacto das inundações e sustentam uma grande biodiversidade.

“Quando se trata de saúde fluvial, mudança climática e perda de biodiversidade, não podemos mais nos dar ao luxo de pensar nisso como questões separadas”, diz Michele Thieme, cientista-chefe de água doce do World Wildlife Fund (WWF) e principal autora do estudo. “Os rios são agentes poderosos para manter a vida selvagem e as comunidades saudáveis, especialmente em um clima quente, mas sua capacidade de sustentar a vida está ameaçada por barragens hidrelétricas em muitas partes do mundo. As melhores soluções políticas serão aquelas que equilibram as necessidades de energia renovável com os muitos benefícios dos ecossistemas de água doce prósperos”.

Proteger rios de fluxo livre e ao mesmo tempo cumprir as metas climáticas e as necessidades de energia

No artigo, os pesquisadores compilaram uma lista de soluções de políticas baseadas na ciência para cumprir as metas climáticas e as metas de energia, ao mesmo tempo que protegem os rios de fluxo livre e seus benefícios para as pessoas e a natureza. Essas soluções incluem evitar a fragmentação do rio, explorando opções de desenvolvimento alternativo, como energia renovável não hidrelétrica, como solar e eólica; minimizar os impactos com a instalação de barragens em locais com menos consequências para as pessoas e a natureza; restauração de rios por meio da remoção de barragens; ou compensar os impactos negativos das barragens em um rio protegendo formalmente outro rio semelhante.

“Há uma longa história de conflitos, estudos e debates sobre como proteger os rios e desenvolvê-los de forma sustentável”, acrescenta Lehner. “Com uma pausa nos novos desenvolvimentos causados CO2 pela pandemia global, implementação antecipada do Acordo de Paris e reuniões de alto nível sobre o clima e a biodiversidade em 2021, agora é um momento oportuno para considerar a atual trajetória de desenvolvimento e opções de políticas para reconciliar barragens com a saúde do sistema de água doce.

Status de conectividade global do rio e distribuição de rios que perdem seu status de fluxo livre entre os cenários de barragem atual e futuro. O portfólio atual de barragens, bem como métodos para calcular o status de conectividade e FFRs, são descritos em Grill et al. (2019). A construção da barragem adiciona 3.700 barragens hidrelétricas (> 1 MW de capacidade) (Zarfl et al., 2015). Uma lista de rios com mudança de status por mais de 500 km é fornecida na Tabela Suplementar S3. (ecodebate)

Volvo encerra produção de carros diesel

A Volvo está cumprindo a promessa que fez no ano passado, quando anunciou o fim da produção de veículos movidos a diesel no início de 2024. Esse XC90, montado na fábrica da empresa em Torslanda, é o último veículo movido a óleo produzido pela montadora sueca, encerrando uma era que começou há 45 anos.
A Volvo fabricou seu último carro de passeio a diesel depois de 45 anos. A última unidade equipada com esse tipo de motor – destinado ao museu da montadora – foi fabricada esta semana na fábrica de Torslanda, na Suécia.

A decisão da empresa de abandonar a tecnologia havia sido anunciada em setembro passado durante evento em Nova York e faz parte dos planos da montadora para zerar suas emissões de gases de efeito estufa e eletrificar toda sua linha até 2040.

A Volvo foi uma das pioneiras na oferta de carros leves motivos à diesel na Europa. Seus primeiros modelos começaram a ser vendidos em 1979 quando esse tipo de motorização no segmento passeio ainda era um produto de nicho.

Mudança acelerada

Em nota divulgada à imprensa, a montadora informou que “apenas cinco anos atrás” os carros diesel eram o principal produto de seu portfólio e representavam a maior parte dos veículos de passeio vendidos na Europa.

A reputação dos veículos diesel já vinha mudando depois do estouro do Dieselgate quando várias montadoras foram flagradas burlando os limites de emissões de poluentes no mercado Europeu. E com a aceleração da eletrificação no mercado de carros leves as vendas de veículos diesel começaram a perder tração no mercado europeu. “A maior parte de nossas vendas no continente já é de carros eletrificados. No último ano, as vendas de veículos elétricos aumentaram em 70%”, diz a nota. (biodieselbr)

terça-feira, 14 de maio de 2024

Teste comprova que biodiesel 100% rende o equivalente ao diesel

Os resultados iniciais evidenciam que a performance do veículo abastecido com biodiesel é equivalente ao utilizado na mesma rota com o diesel convencional, mas com impacto ambiental muito inferior”, afirmou o diretor comercial da Biopower, Alexandre Pereira.
Autonomia equivalente à do diesel fóssil e menos emissão de gás carbônico: esses foram os resultados da 1ª fase de testes realizados pela JBS para avaliar o uso de biodiesel 100% (B100) –totalmente de origem biológica– na logística da empresa. Na comparação ao combustível convencional, o lançamento de CO2 na atmosfera foi 80% menor.

A empresa começou o estudo em julho/2023, com um caminhão da montadora holandesa DAF. Durante 6 meses, o veículo foi utilizado pela JBS Transportadora na rota entre a cidade de Lins, no interior de São Paulo, e o Porto de Santos, no litoral paulista. Sempre abastecido com o biodiesel produzido pela Biopower, a partir de resíduos da produção bovina.

“Foram 6 meses de operação, e os resultados mostram que o uso do B100 é promissor. Os resultados iniciais evidenciam que a performance do veículo abastecido com biodiesel é equivalente ao utilizado na mesma rota com o diesel convencional, mas com impacto ambiental muito inferior”, afirmou o diretor comercial da Biopower, Alexandre Pereira.

Desde o início do teste, foram usados cerca de 35.000 litros do biocombustível para percorrer 59.938 km. Segundo a companhia, os motoristas, responsáveis por transportar 3.200 toneladas de produtos fabricados no polo industrial da JBS, tiveram percepções positivas sobre a performance e o desempenho do caminhão abastecido com o biodiesel.

“Estamos otimistas em relação ao uso do biodiesel 100% (B100) como uma alternativa segura e de alta qualidade para o uso nos caminhões em larga escala. Os testes mostraram que o B100 tem impacto positivo na performance, no desempenho e na preservação de itens importantes do caminhão, como o motor”, disse o diretor da JBS Transportadora, Armando Volpe.

De acordo com os executivos, parte do otimismo se dá também porque o biodiesel aparece como um substituto imediato do diesel, por ser compatível com as tecnologias já existentes na indústria automobilística. Além de se tratar de um combustível biodegradável e prático, segundo a empresa.

Atualmente, a Biopower tem 3 unidades fabris, nas cidades de Lins (SP), Mafra (SC) e Campo Verde (MT). A capacidade instalada é de 785 milhões de litros por ano – o equivalente a cerca de 10% do volume de biodiesel produzido em todo o país, em 2023, conforme dados da ANP.

Tal iniciativa vai além do compromisso da JBS de reduzir a própria pegada de carbono e tornar a produção mais sustentável. “Nosso objetivo é comprovar a qualidade do B100 e colocá-lo como uma alternativa para a descarbonização da matriz energética no transporte brasileiro”, afirmou Alexandre Pereira.

Expansão é plano nacional

A estratégia da JBS de tornar a mobilidade mais limpa vai ao encontro de medidas adotadas pelo governo federal. Em dezembro de 2023, por exemplo, o CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) decidiu aumentar a proporção de biodiesel no óleo diesel, de 12% para 14%, a partir de março de 2024.

A ampliação do percentual seguirá em 2025, quando está previsto um novo aumento, de 1%. Trata-se, portanto, de uma aceleração do cronograma que havia sido aprovado no 1º trimestre do ano passado. Até aquele momento, a participação do biodiesel no chamado “diesel B” –vendido nos postos– só atingiria 15% em 2026.

O projeto de lei nº 4.516/23, conhecido como “PL do Combustível do Futuro”, é outra iniciativa nesse sentido. O objetivo é promover a mobilidade sustentável de baixo carbono, por meio da maior incorporação de biocombustíveis nos transportes. O texto substitutivo foi aprovado em março, na Câmara dos Deputados, e segue ao Senado Federal. (biodieselbr)