quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Biogás proveniente dos resíduos sólidos urbanos

Aproveitamento do Biogás proveniente dos resíduos sólidos urbanos para geração de energia elétrica: estudo de caso em São Paulo
O biogás, formado a partir da degradação da matéria orgânica, é composto por uma mistura de gases, sendo os principais componentes o dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4), que é um gás de efeito estufa com potencial de aquecimento global cerca de 21 vezes maior se comparado ao CO2. A produção do biogás é possível a partir de uma grande variedade de resíduos orgânicos como resíduos sólidos urbanos, resíduos de atividades agrícolas e pecuárias, suinocultura, lodo de esgoto, entre outros. Os aterros sanitários podem dispor de técnicas de captação do biogás produzido e sua posterior queima em flare, onde o metano é transformado em dióxido de carbono, minimizando o impacto ambiental.
Além da oportunidade de reduzir os danos ambientais, o biogás pode ser utilizado como combustível na geração de energia elétrica, agregando desta maneira, ganho ambiental e redução de custos, devido à diminuição de compra da energia consumida da concessionária local. Neste contexto, este artigo apresenta o projeto de aproveitamento de biogás proveniente do tratamento de resíduos sólidos urbanos para geração de energia elétrica e iluminação a gás, desenvolvido pelo CENBIO. Este projeto encontra-se em desenvolvimento e os resultados obtidos fornecerão subsídios técnicos e econômicos para sua replicação. (matrizlimpa)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Indústria pode economizar 25% de energia

Responsável por quase 40% do consumo da energia produzida no País, a indústria poderia economizar 25% dessa conta com medidas de eficiência e inovação tecnológica, indica um estudo coordenado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) que será apresentado hoje em São Paulo.
O potencial de redução de emissão de gases de efeito estufa, causadores do aquecimento global, apresentado pelo estudo para um período de 20 anos, até 2030, equivale a mais da quinta parte de todo o corte de emissões de carbono com o qual o Brasil se comprometeu nas metas do clima até 2020 - de cerca de 1 bilhão de toneladas de carbono.
A indústria não teve especificada ainda a sua cota nas metas oficiais.
Um primeiro segmento, objeto de análise por um plano setorial, ainda em estágio preliminar de discussão, é o da siderurgia. A expectativa é de que a indústria contribua, sobretudo por meio de medidas de eficiência energética.
'Trata-se de um desafio possível de responder', disse a diretora de relações institucionais da CNI, Heloísa Menezes. 'Mas há mudanças a serem feitas, que vão precisar contar com incentivos', completou.
Potencial. A indústria siderúrgica aparece no estudo da confederação com o maior potencial absoluto de corte no consumo de energia. Em termos porcentuais, é a indústria cerâmica quem tem o maior potencial.
'Boa parte dos fabricantes de cerâmica vermelha é de empresas de pequeno e médio porte, que ainda utilizam fornos e processos ineficientes', afirma o estudo.
O potencial de eficiência energética levou em conta as tecnologias disponíveis e também o consumo mínimo e médio de energia elétrica e térmica pelos vários segmentos da indústria. Mas esse potencial de eficiência energética não considerou a disposição dos setores de bancar investimentos nem o custo das mudanças necessárias para reduzir o consumo de energia.
A indústria química, a de papel e celulose e a de cimento aparecem, respectivamente, em terceiro, quarto e quinto lugares no ranking dos setores que mais podem reduzir o consumo de energia. Consequentemente, são as naturais candidatas a reduzirem a emissão de gases-estufa. (OESP)

Publicação aponta alternativas energéticas

Aviação: publicação aponta alternativas energéticas
O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) lançou a publicação “Biocombustíveis Aeronáuticos – progressos e desafios”, na busca de uma alternativa complementar em combustíveis para aviação. O documento aborda pontos como evolução, especificação, projetos e programas recentes no Brasil e no exterior, além de destacar as perspectivas e desafios tecnológicos e econômicos para o uso efetivo desse combustível alternativo.
Na busca por alternativas energéticas para aviação, a publicação aponta desafios como apresentar elevada densidade energética e atender a especificações rigorosas de qualidade; apresentar bons indicadores de sustentabilidade ambiental; alcançar níveis mínimos de competitividade econômica; e finalmente reduzir o elevado protecionismo existente no mercado de biocombustíveis. (ambienteenergia)
Biocombustíveis Aeronáuticos – Progressos e desafios
Este documento técnico, produzido pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), trata dos biocombustíveis aeronáuticos, uma alternativa complementar em combustíveis de aviação. Nesse contexto, são aqui apresentados a sua evolução, especificação, projetos e programas recentes no Brasil e no exterior, bem como as perspectivas e desafios tecnológicos e econômicos para o uso efetivo desse combustível alternativo. (matrizlimpa)

sábado, 20 de novembro de 2010

Economia do hidrogênio: uma introdução

O conceito de um novo sistema de conversão de energia chamado Célula a Combustível começa a despertar interesse cada vez maior na população em geral, deixando de ser um tema restrito à comunidade técnico-científica e empresarial. Este conceito vem sempre associado à crescente preocupação de preservação ambiental, a automóveis elétricos não poluidores e à geração distribuída de energia com maior eficiência. Porém, o conceito de células a combustível é bem mais abrangente, e se insere na chamada “economia do hidrogênio”. O hidrogênio é o elemento mais abundante do universo e foi identificado pela primeira vez pelo cientista britânico Henry Cavendish, em 1776, sendo denominado de “ar inflamável”.
O gás hidrogênio (H2) não está presente na natureza em quantidades significativas sendo, portanto, um vetor energético, ou seja, um armazenador de energia. Para sua utilização, energética ou não, deve ser extraído de uma fonte primária que o contenha. A energia contida em 1,0 kg de hidrogênio corresponde à energia de 2,75 kg de gasolina. Entretanto, devido à sua massa específica (0,0899 kgNm-3 a 0°C e 1 atm), a energia de um litro de hidrogênio equivale à energia de 0,27 litro de gasolina.
A obtenção do gás hidrogênio é bastante flexível, sendo esta uma de suas características mais interessantes. Pode ser obtido a partir de energia elétrica (via eletrólise da água), pelas fontes: hidroelétricas, geotérmicas; eólica e solar fotovoltaica, todas geológicas e também da eletricidade de usinas nucleares. Pode ainda ser obtido da energia da biomassa (via reforma catalítica ou gaseificação, seguido de purificação), como: etanol; lixo urbano; rejeitos da agricultura, etc.
As fontes de hidrogênio mais viáveis economicamente hoje são, entretanto, os combustíveis fósseis (via reforma catalítica ou gaseificação e purificação): petróleo; carvão e gás natural. Esta flexibilidade em relação à sua obtenção permite que cada país escolha a melhor maneira de produzir o hidrogênio segundo suas próprias disponibilidades. Assim, para citar alguns exemplos, a Rússia tem a opção de hidrogênio de origem nuclear; a Argentina, por sua vez, pelo hidrogênio de origem eólico e o Brasil direciona-se na produção de hidrogênio a partir do bioetanol.
Atualmente, as aplicações não energéticas do hidrogênio correspondem, aproximadamente, a 50%, o refino do petróleo a 40% e aplicações energéticas a 10%. Portanto, a utilização energética do hidrogênio não é uma novidade. Quando se ouve falar em hidrogênio vem à mente, de imediato, a ideia de uma fonte renovável e limpa de energia. Não é bem assim, esta ideia somente é verdadeira se o hidrogênio for obtido de fonte renovável e, neste caso, tem-se o chamado hidrogênio verde ou green hydrogen. Se a fonte é fóssil, tem-se o hidrogênio negro ou black hydrogen, que ainda é produzido com emissões nocivas ao meio ambiente.
A Economia do Hidrogênio – A história da humanidade mostra vários períodos de utilização de diferentes fontes primárias de energia. Assim, pode-se citar a madeira como a primeira utilizada pelo homem. Segue-se a este período a era do carvão que, associada a desenvolvimentos tecnológicos, possibilitou a revolução industrial na Inglaterra. Denomina-se de “economia do carvão” este período da história, em que grande parte da energia que alimentava a economia provinha, do carvão. Seguiu-se a “economia do petróleo”, que é a atual com a ascensão da “economia do gás natural”. Interessante notar que houve uma decarbonização progressiva das fontes primárias de energia, sendo o metano, hoje, o mais limpo ambientalmente.
Vive-se também uma crescente “economia nuclear”, que tem, entretanto, um crescimento lento devido a fatores de aceitação pública e de não-proliferação. Seu futuro é incerto, embora muitos estudiosos afirmem, com certa razão que, em grande escala, não será possível evitar esta forma de produção de energia num futuro próximo. Outra observação interessante diz respeito à geografia. Todos os recursos naturais de fontes de energia primárias estavam ou estão localizados em certas regiões do planeta, beneficiando, naturalmente, os países destas regiões. Este fato, inevitavelmente, gerou e gera conflitos político-econômicos e até guerras.
Considerando-se que as fontes fósseis são finitas e, portanto, os preços aumentam gradativa e seguramente, seu consumo é ineficiente sob o ponto de vista energético, a localização de suas reservas geram conflitos políticos e, por fim, mas não menos importante, que a queima destes combustíveis gera emissões nocivas ao meio ambiente (exceto a nuclear), pode-se sonhar com uma Economia do Hidrogênio. Projeta-se para a década de 2080 que 90% da energia provirá do hidrogênio. Seguramente, o gás natural fará, como fonte principal de hidrogênio hoje, uma ponte entre o hidrogênio negro e o verde, de origem não fóssil.
Por volta de 2080, então, as emissões poluidoras do meio ambiente seriam insignificantes; a eficiência de conversão energética química/elétrica seria pelo menos o dobro da atual e os conflitos geopolíticos seriam atenuados. Todos os fatores listados acima corroboram com a introdução da economia do hidrogênio na nossa sociedade. Quais seriam então os pontos críticos para este desenvolvimento? O primeiro é o fato de o hidrogênio ser um vetor energético, ou seja, não estar disponível na natureza, elevando o seu custo a valores não competitivos comercialmente para fins energéticos em grande escala. Outros pontos críticos seriam a segurança em seu manuseio, seu armazenamento e transporte assim como o desenvolvimento tecnológico e o preço das células a combustível, equipamento mais adequado para sua conversão em energia elétrica (e térmica). O debate é amplo, necessário, e às vezes controverso, não apenas da comunidade científica, como também dos políticos responsáveis pelas ações estratégicas e empresários do setor.
Entretanto, podem-se citar alguns consensos sobre a futura economia plena do hidrogênio. A primeira é que esta já começou, não se tratando, portanto, de assunto do futuro, como se ouve, frequentemente. As tecnologias de células a combustível, da produção, do armazenamento e transporte de hidrogênio já existem, embora ainda não maduras. A degradação do meio ambiente e suas consequências, como o aquecimento global é um fato insustentável a médios e longos prazos. Portanto, o que falta para acelerar a introdução desta nova economia no planeta? Resumidamente, redução de custos, tanto da produção de hidrogênio como de células a combustível; amadurecimento destas mesmas tecnologias para aplicações automotivas, estacionárias e portáteis, e instalação de infraestrutura adequada à sua utilização. Neste ponto uma comparação faz-se útil.
Imagine os tempos iniciais da invenção do automóvel. Não havia infraestrutura para a rolagem dos automóveis, que acarretava, por sua vez, preços proibitivos. A gasolina não era nem abundante nem barata e tampouco se encontrava em cada esquina. Pois bem, aproximadamente cem anos depois, o automóvel tornou-se acessível, existem estradas para sua rolagem e pode-se abastecê-lo em qualquer lugar, ou seja, aprendemos a lidar com o combustível. Com a produção em massa dos equipamentos e o aumento do mercado, os preços caíram. Esta mesma curva de aprendizado aplica-se, obviamente, à nova economia do hidrogênio.
Uma outra grande mudança ocorrerá com a introdução da economia do hidrogênio. As células a combustível se prestam à geração distribuída de energia elétrica, com unidades de relativo pequeno porte (alguns Watts até alguns MW), se comparadas com as centrais elétricas atuais (de até milhares de MW). Entende-se por geração distribuída de energia elétrica a geração in loco, independente da rede, com a compra, então, de um combustível, hidrogênio, ou mais adequadamente, um combustível primário rico em hidrogênio, a ser reformado localmente, fato que evita dispendiosas linhas de transmissão, e que, consequentemente, aumenta a confiabilidade desta energia produzida localmente, evitando ou minimizando apagões. Outra observação leva à seguinte reflexão. Como o hidrogênio pode ser obtido de diversas maneiras, qualquer país ou região do planeta pode obtê-lo.
Neste caso, com a introdução da Economia do Hidrogênio tem-se, pela primeira vez na história da humanidade, uma democratização das fontes de energia, que seguramente vai gerar mais progresso e menos tensões políticas. Os obstáculos à introdução da economia do hidrogênio não se configuram como dificuldades intransponíveis. Ao Contrário, apontam um elenco de oportunidades para o surgimento de novas empresas de bens e serviços, como demonstrado pelas tecnologias emergentes do setor. O Brasil está elaborando seu roteiro para a economia do hidrogênio e possui um programa nacional de pesquisa e desenvolvimento para a tecnologia de célula a combustível e hidrogênio. Atualmente, várias instituições brasileiras estão atuando em áreas de pesquisa e desenvolvimento neste setor com vários projetos em andamento. Novas empresas brasileiras já apresenta.
O etanol no Brasil - A opção brasileira pelo hidrogênio obtido, principalmente, do etanol deveu-se a vários fatores, que tornam esta escolha interessante. O etanol é um combustível líquido, de fácil armazenamento e transporte, já havendo toda a infraestrutura para produção, armazenamento e distribuição em todo o território nacional. Além disso, o etanol possui outras características muito importantes, como ser pouco tóxico e ser um biocombustível, portanto, renovável. É um insumo rico em hidrogênio. A participação do etanol na matriz energética nacional tem crescido muito nos últimos anos (em 2006, correspondia a 14% e, em 2007, a 16%, tornando-se a segunda fonte de energia da matriz nacional), principalmente devido a dois fatores: a sua mistura à gasolina (de 20 a até 25%) e o grande desenvolvimento e sucesso comercial dos carros chamados flex ou bicombustíveis.
O etanol brasileiro, produzido a partir da cana-de-açúcar, é o biocombustível mais produtivo do mundo hoje, com 6.000 litros/hectares-ano, a um custo de US$ 0,22 por litro (anidro). Esta produtividade pode crescer até 14.000 litros/hectares-ano, com o desenvolvimento de novas tecnologias. Apenas por comparação, o etanol do milho nos EUA tem uma produtividade de 3.000 litros/hectares-ano. Outro ponto interessante é o seu excelente balanço energético. Cada Joule não renovável, usado na produção de etanol, resulta em 9 Joules renováveis. Outra vez, a título de comparação, esta relação para o álcool dos EUA é de 1,5 e para o biodiesel na Alemanha é de 3,0.
A produção atual de etanol no Brasil é de aproximadamente vinte bilhões de litros por ano, o que corresponde a uma área ocupada para plantação de 5,4 milhões de hectares (0,6% do território nacional). A área apta a esta cultura é de 12% do território nacional. A cobertura vegetal do Brasil é de 851 milhões de hectares, dos quais 464 milhões de hectares (54%) são florestas; 297 milhões de hectares (35%) são para agricultura e pastagem; 73 milhões de hectares (9%) são campos e savanas e 17 milhões de hectares (2%) são cidades, rios e outros. Principalmente as áreas de pastagem degradadas são previstas para o aumento da demanda desta plantação, sem, então, prejudicar recursos naturais ou produção de alimentos. Podem-se salientar, ainda, outros motivos para a utilização do etanol como armazenador renovável de hidrogênio, além da grande produção e distribuição em todo o país. A experiência prévia em normas e comercialização; o fato de ser menos tóxico que o metanol; questões ambientais, (efeitos de emissões da queima do etanol ainda não estão bem estudados) e de eficiência em relação à sua combustão direta, e, finalmente, ser viável para distribuição em regiões isoladas.
As células a combustível - O desenvolvimento da tecnologia de células a combustível tem crescido nos últimos 40 anos devido a vários fatores, como o desenvolvimento na área de novos materiais e a crescente demanda por fontes de energias limpas e eficientes. Embora a tecnologia de células a combustível não esteja ainda completamente estabelecida, verifica-se que a sua implementação no mercado não deve tardar, pois já está assegurada em nichos onde o fator meio ambiente é preponderante. Além disso, este energético pode, num médio prazo, dependendo de seu desenvolvimento tecnológico, representar um papel importante no cenário mundial de energia.
Células a combustível são, em princípio, baterias, ou seja, conversores diretos de energia química em energias elétrica e térmica, produzindo corrente contínua pela combustão eletroquímica a frio de um combustível, geralmente hidrogênio. Entretanto, elas diferem das baterias por possuírem alimentação contínua externa de um combustível. Células unitárias apresentam um potencial aberto de 1 a 1,2 V e liberam, sob solicitação, de 0,5 a 0,7 V(CC). Estes valores de potencial são, sob o ponto de vista prático, muito baixos. A necessidade de empilhamento em série de várias unidades de células (200 a 300, também chamado módulo) torna-se óbvia, a fim de se obter potenciais práticos da ordem de 150 a 200 V.
Uma das vantagens inerentes às células a combustível é a sua eficiência relativa ao combustível. Geralmente, classificam-se os vários tipos de células a combustível pelo tipo de eletrólito utilizado e, consequentemente, pela temperatura de operação. Os principais tipos de células de baixa temperatura de operação (de temperatura ambiente até 200°C) são: as células alcalinas (alkaline fuel cell), ou simplesmente AFC; as células a membrana polimérica trocadora de prótons (proton exchange membrane fuel cell), ou PEMFC; as células a ácido fosfórico (phosphoric acid fuel cell), ou PAFC. Os principais tipos de células de alta temperatura de operação (de 200°C até 1000°C) são: as células a carbonato fundido (molten carbonate fuel cell), ou MCFC; as células de óxido sólido (solid oxide fuel cell), ou SOFC. Esses dois tipos de células, MCFC e SOFC, encontram-se, atualmente, em uma fase de desenvolvimento tecnológico e comprovação técnico-econômica. (ambienteenergia)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A eletricidade gerada por tração animal

Aposentado utilizou sucata para desenvolver gerador que pode alimentar rádio, TV, celular e bomba d'água.
Está nascendo, em Bauru (SP), a máquina que poderá levar às regiões distantes das redes de distribuição uma solução de baixo custo para a falta de eletricidade. Trata-se de um gerador construído com sucata e capaz de produzir até 80 ampères (o equivalente a 16 CV), movido por tração animal, como as antigas olarias e engenhos de açúcar e aguardente.
Seu inventor, o aposentado Sebastião Pereira da Silva, de 82 anos, conhecido na cidade como "professor Pardal", montou o aparelho utilizando o diferencial e a bateria de um caminhão, o alternador de um automóvel e um conjunto de engrenagens que ele próprio desenhou, para fazer a força animal chegar ao dínamo com 2.800 RPMs. Isso é suficiente para gerar a energia que alimenta rádio, TV, telefone celular, bomba d"água, casa de farinha, carrega baterias e ilumina até uma quadra inteira.
Escala comercial. O protótipo foi exibido para alguns possíveis interessados e a aceitação levou Silva a decidir pela produção das primeiras 25 unidades de série. "Estou retirando os exageros do projeto e dentro de um mês começarei a produzir os geradores em escala comercial, com peso reduzido, peças novas e garantia de bom funcionamento", diz o inventor, adiantando que cada unidade deverá custar aproximadamente R$ 8 mil. Já existem interessados até na África, mas seu objetivo é atender ao mercado brasileiro, especialmente o Nordeste e a região amazônica. Para isso, pretende enviar o projeto para a avaliação técnica e econômica do BNDES, na tentativa de incluí-lo entre os bens financiáveis por meio de suas linhas de crédito e fomento.
O engenho nasceu da necessidade do próprio inventor. Precisando fazer funcionar uma serra de metais, numa propriedade sem eletricidade, recorreu ao alternador de automóvel. Executado o serviço, ficou com o residual e concluiu o gerador, projetando-o para a tração animal. "Pensei, inicialmente, nos jegues do Nordeste, mas nada impede que a tração seja feita por cavalos, bois, cães de grande porte ou até por uma pequena motocicleta. O importante é girar as engrenagens e cada usuário o fará com a força que tiver disponível."
Mourões e dengue. Silva tem uma longa carreira de invenções. Nos anos 1990, concluiu pesquisas sobre a reciclagem e prensagem de plásticos e produziu mourões para cerca, cruzetas para postes de iluminação e dormentes ferroviários, todos de plástico reciclado e injetado e já patenteado. "Tudo isso é perene. Dura a vida toda e mais seis meses", diz, acrescentando que, produzidos em série, esses materiais têm preços compatíveis com o mercado e, como resultado ecológico, contribuem para retirar da natureza grande quantidade de peças plásticas que, sem reciclagem, constituem um grande problema ecológico.
Seu trabalho mais recente é uma arapuca para prender a larva do mosquito da dengue. Constituída por uma garrafa pet e um tubete daqueles utilizados para o plantio de mudas, a peça atrai os insetos, que põem os ovos no seu interior com água, e aprisiona os insetos ali nascidos, evitando a proliferação.
Engenhoca leva luz, TV e internet a regiões distantes
O principal propósito do gerador é levar a eletricidade àqueles que ainda não podem dela desfrutar. "Vamos tornar a vida mais fácil, com o auxílio de equipamentos elétricos e, além disso, proporcionaremos um ganho de qualidade muito grande para a população desses bolsões, facilitando-lhes o acesso à eletricidade", diz o inventor, que prevê a utilidade do seu invento para o abastecimento até dos carros elétricos do futuro.