segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Luz para Todos é ação prioritária

Foi correta a decisão do governo federal de prorrogar, até dezembro de 2011, o prazo de execução do Luz para Todos — Programa Nacional de Universalização do Acesso e Uso da Energia Elétrica. Como se sabe, o projeto foi lançado em 2003, com a meta de acabar com a falta de energia elétrica, um problema que afetava número muito grande de famílias no país. Calculava-se, à época, a necessidade de incluir nesse benefício prioritário, até o ano de 2008, cerca de 10 milhões de pessoas, principalmente do meio rural.
Em 2009, embora o objetivo tenha se cumprido quase integralmente, o aumento da população e o fato de algumas áreas ainda não terem sido contempladas, exigiram a prorrogação do programa, o que ocorreu até dezembro de 2010. Agora, para que haja tempo hábil para a conclusão de obras em andamento, decidiu-se por nova prorrogação, até dezembro de 2011.
O mapa da exclusão elétrica no Brasil, segundo o Ministério de Minas e Energia, órgão coordenador do programa, revelava que as famílias sem acesso à eletricidade eram de baixa renda e viviam majoritariamente nas localidades de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
Por isso, entendemos que a iniciativa tenha significativo potencial como estimuladora do progresso socioeconômico, contribuindo para a redução da pobreza e aumento da renda familiar. A presença da energia elétrica facilita a implantação de empresas, a realização de programas governamentais, atuação do Terceiro Setor e melhor acesso a serviços de saúde, educação, abastecimento de água e saneamento.
Exemplo da importância do Luz para Todos verifica-se no Acre, onde conta com o apoio e defesa da Federação das Indústrias (Fieac). No estado, até setembro último, a iniciativa já havia levado o acesso gratuito à energia elétrica para 36.492 famílias, beneficiando mais de 182 mil pessoas. A meta é atender 50 mil famílias até o fim de 2011.
Quanto aos investimentos, o governo federal contratou R$ 262,6 milhões referente ao estado, dos quais R$ 199 milhões já foram liberados. Estima-se, ainda, que as obras locais do programa tenham gerado cerca de cinco mil empregos e utilizado 89 mil postes, 13 mil transformadores e 17 mil quilômetros de cabos elétricos. Integralmente iluminado, o Acre, cuja economia, impulsionada pela indústria, vem crescendo acima da média nacional, terá condições ainda melhores para avançar em seu processo de desenvolvimento. (ambienteenergia)

sábado, 4 de dezembro de 2010

Flex: etanol reduz emissões de C02

O uso de etanol na frota de veículos leves biocombustíveis evitou a emissão de 103.449.303 toneladas de gás carbônico (CO2) na atmosfera nos últimos sete anos, segundo o Carbonômetro,  ferramenta criada pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) que calcula a quantidade do poluente que deixou de ser emitida com os carros flex. Em comparação com a gasolina, o etanol emite 90% menos gases causadores do efeito estufa, de acordo com a Unica.
Os novos critérios adotados pela Organização Não-Governamental (ONG) “SOS Mata Atlântica” para compensação de emissões de CO2, mostram que as emissões evitadas desde 2003 equivalem ao efeito do plantio e manutenção de mais de 331 milhões de árvores nativas ao longo de 20 anos.
“Estas mais de 103 milhões de toneladas de CO2 evitadas pelos carros flex brasileiros equivalem à mesma quantidade que a Grécia emitiu em 2007 com a queima de combustíveis fósseis em geral,” compara o consultor de Tecnologia e Emissões da UNICA, Alfred Szwarc.
Outra solução criada pela Unica para medir as emissões é a “Calculadora de CO2”, ferramenta que serve para ajudar o consumidor brasileiro a compreender melhor a importância dos combustíveis renováveis como forma de reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa. A calculadora está acessível no site Etanol Verde. (ambienteenergia)

Empresas de açúcar e álcool investem em energia

Empresas de açúcar e álcool elevam investimentos na geração de energia
Estratégia
Grupos como Cosan, ETH e Açúcar Guarani usam cada vez mais o bagaço de cana para produzir eletricidade, uma forma de reduzir custos e aumentar a competitividade das usinas; pedidos de financiamentos para cogeração vêm aumentando no BNDES.
Grandes empresas do setor sucroalcooleiro estão elevando seus investimentos em cogeração de energia com a queima do bagaço da cana-de-açúcar, de olho na maior competitividade que a inclusão da produção de bioeletricidade traz para toda a usina.
"Estamos priorizando a cogeração de energia em nossas usinas porque, ao utilizar o bagaço de cana como matéria-prima, reduzimos os custos e nos tornamos mais competitivos. Agregamos receita ao nosso negócio a partir da mesma cana que já produziu açúcar ou etanol", diz o presidente da Açúcar Guarani, Jacyr Costa Filho.
Para o diretor de pessoas e sustentabilidade da ETH, Luiz Pereira de Araújo Filho, a receita extra que a cogeração cria é de até 15% do faturamento da unidade, mas o impacto geral está acima de 25%. "Além de reduzir o custo, estamos diminuindo o passivo ambiental da unidade ao nos livrarmos do bagaço", disse.
Essa preocupação já fez aumentar a busca de linhas de financiamento para cogeração no BNDES. Diante da falta de capital suficiente para construir novas usinas, muitas empresas optaram por ampliar a capacidade de cogeração e de açúcar. A fabricante de equipamentos Dedini também registrou um aumento nas encomendas de equipamentos para cogeração.
O gerente de Departamento de Biocombustíveis do BNDES, Artur Yabe, informa que a maior demanda do setor tem sido feito por usinas já em operação que querem fazer o "retrofit", ou seja, buscam recursos para trocar as caldeiras existentes por outras, de maior potência, e mais eficientes na produção de energia. "A cogeração é a principal demanda existente hoje do setor no BNDES", disse.
Para Yabe, esta busca maior por cogeração é um reflexo do atual estado das usinas brasileiras. "Apenas 20% das usinas têm caldeiras de alta eficiência. Então, para ser competitivo neste mercado, as empresas têm de se modernizar", disse.
A crise financeira mundial interrompeu o crescimento da participação do setor sucroalcooleiro nos desembolsos do BNDES. Em 2004, a participação das usinas era de apenas 1,53% do total desembolsado. Essa fatia chegou a 6,85% em 2008. Com a crise, recuou para 4,61% e, em 2010, até o final de outubro, a participação mostrava recuperação para 5,2% do total.
Cogeração. Nos próximos dois anos, a Guarani vai elevar sua produção de 300 mil megawatt/hora (MWh) para 700 mil MWh. A expectativa é de que a receita da Guarani com a venda de energia atinja R$ 105 milhões por ano em 2013. Das sete usinas do grupo, quatro possuem investimentos em cogeração. "No último leilão realizado em agosto, vendemos energia de duas usinas, a São José e a Mandú, que representam uma oferta de 430 mil MWh por ano", disse Costa. Segundo ele, o preço médio de venda foi de R$ 150 por MWh.
A ETH Bioenergia também está investindo em cogeração tanto em projetos novos como na ampliação da produção já existente. "Três de nossas usinas estão ampliando sua capacidade com a colocação de uma nova caldeira de alta pressão", informa Araújo. Com a expansão, as unidades de Conquista do Pontal, Santa Luzia e Rio Claro vão praticamente dobrar sua produção. Em 2010, as usinas Eldorado e Alcídia comercializaram mais de 2,3 milhões de MWh e iniciam a entrega a partir de 2011.
Além disso, das quatro usinas da Brenco que foram absorvidas pela ETH, três subestações de energia já estão prontas. No geral, Araújo informa que 70% da energia produzida pelas usinas do grupo já foram comercializadas. Segundo ele, parte da energia é deixada para ser comercializada no mercado livre. "A receita esperada com a venda desta energia durante toda duração do contrato, de 15 anos, é de R$ 4 bilhões", explica. Por ano, a receita deverá ser de R$ 266 milhões.
O executivo explica também que algumas usinas do grupo, localizados em Mato Grosso do Sul e Goiás, já estão com seus equipamentos prontos para operar, mas não conseguem colocar o excedente no sistema porque a conexão elétrica ainda não chegou às regiões.
Preço baixo
O presidente da Cosan Açúcar e Álcool, Pedro Mizutani, ressalta, contudo, que o otimismo em relação à cogeração de energia a partir de biomassa pode ter vida curta se os preços pagos em leilões do governo não forem reajustados. "No último leilão, o preço ficou em R$ 135 por MW, o que torna a produção inviável. Por isso não vendemos energia neste leilão", disse. Segundo ele, o preço de R$ 165 seria suficiente para cobrir os custos do setor.
Mizutani afirma que, embora a cogeração de energia seja importante na estratégia da Cosan, a empresa não deverá realizar novos investimentos nesta área se os preços continuarem baixos. "Vamos completar o ciclo de investimentos nas usinas que já venderam energia nos leilões. Desta forma, hoje temos 10 usinas com cogeração, em 2011 teremos 11 e em 2012 serão 12", disse.
A partir de 2012, a empresa espera obter uma receita de R$ 450 milhões por ano com a energia que será colocada no mercado. Além da venda em leilões, a Cosan também comercializa energia diretamente com algumas empresas, como CPFL, AES e Grupo Rede. (OESP)

Grupos estrangeiros concorrem com nosso etanol

Grupos estrangeiros terão 40% da produção brasileira de etanol até 2015
Crescimento. Projeção feita pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar em congresso na Suíça leva em conta a velocidade da entrada do capital estrangeiro no setor no País: participação de grupos de fora passou de 7% da produção em 2007 para os atuais 22%.
Nos próximos cinco anos, 40% da produção brasileira de etanol estará nas mãos de estrangeiros. A projeção foi apresentada ontem pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) no Congresso Mundial do Etanol, que reúne em Genebra as maiores indústrias de biocombustíveis.
A projeção foi considerada por empresários como o melhor espelho da revolução silenciosa que sofre o setor no mundo. Após dois anos de uma crise sem precedentes, os produtores de etanol passam por uma profunda reestruturação. A liderança de aquisições e fusões, porém, não está nas mãos de grupos agrícolas, mas sim de grandes empresas petroleiras do mundo.
Em 03/11/2010, Shell, BP, Petrobrás e outras multinacionais do setor de energia anunciaram que se preparam para fazer investimentos substanciais nos próximos anos no setor de etanol. Para elas, o biocombustível é a opção "mais realista" para complementar o petróleo nos próximos 30 anos e, nessa estratégia, o Brasil é o principal alvo.
"Para as multinacionais de energia, o etanol é visto como uma fonte de energia mais acessível que o petróleo no Ártico, as reservas nos países da Opep ou a gasolina da Venezuela", admitiu James Primrose, chefe de estratégia da BP Biocombustíveis. "Estamos vendo a entrada das multinacionais do petróleo no etanol e isso promoverá uma mudança enorme no setor", disse Alexis Duval, diretor financeiro da francesa Tereos.
"Na prática, estamos vendo o nascimento de um novo setor", disse Christoph Berg, gerente da consultoria F.O. Licht. O Brasil, segundo consultores, multinacionais e usineiros, está sendo o campo de provas dessa transformação. Em cinco anos, cem usinas se somaram às trezentas que já existiam no País e os investimentos chegaram a US$ 20 bilhões. O resultado foi uma ampliação da participação do capital internacional no setor considerado até pouco tempo como carro-chefe da diplomacia comercial do presidente Lula.
"Em 2007, apenas 7% do setor do etanol do Brasil estava em mãos estrangeiras. Nossa previsão para 2010 era de que essa taxa chegaria a 12%. Mas o que vimos foi que o número hoje já é de 22%", disse o representante chefe da Unica para a União Europeia, Emmanuel Desplechin.
Essa tendência vai continuar e até se aprofundar. "Nos próximos cinco anos, a projeção é de que 40% do setor seja já internacionalizado no Brasil", destacou. Segundo ele, os investimentos desde 2005 permitiram uma expansão da produção do etanol de 70% no País.
Consolidação
Outra tendência que deve ser acelerada é a da consolidação do setor. O processo ganhou velocidade nos últimos dois anos diante da crise e do fato de que muitos usineiros não sobreviveram. Mas, hoje, os dez maiores grupos que atuam no Brasil controlam apenas 28% da produção.
A Petrobrás já prometeu investir US$ 3,5 bilhões em etanol até 2014, principalmente em alianças com grupos estrangeiros. Segundo Marcelo Messeder, diretor da Petrobrás Biocombustível, a meta é a de ter uma expansão na produção de 193% em quatro anos. Já as exportações aumentariam 135% nesse período.
Um dos contratos fechados neste ano pela Petrobrás foi com a Tereos. Ambas investirão US$ 2,4 bilhões até 2013 para transformar a Guarani, controlada pela Tereos, em uma líder no setor.
Outra gigante que aposta no etanol no Brasil é a Shell, que investiu US$ 12 bilhões em uma joint venture com a Cosan para criar a primeira multinacional do setor. Em entrevista ao Estado, Luis Scoffone, vice-presidente da Shell para energias alternativas, admitiu que a multinacional busca novas usinas para comprar. Segundo ele, o investimento anunciado até agora é apenas "uma parte da história". "Nossas metas vão bem além do Brasil", afirmou. (OESP)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Padrão europeu de sustentabilidade

Biocombustíveis: Padrão europeu de sustentabilidade será discutido no Brasil
Por Daniel Coelho Barbosa, analista especializado em bioenergias. De Stuttgart, Alemanha.
O ISCC, sigla que significa "International Standard for Carbon Certification" (Padrão Internacional de Certificação do Carbono), é o método aprovado pelo governo da Alemanha para a verificação da sustentabilidade dos biocombustíveis através do balanço de massa. A lei na Alemanha exige que a partir de 2011 os biocombustíveis apresentem um balanço positivo com saldo de, no mínimo, 35% de economia de CO2. Isto é pré-condição para que os biocombustíveis continuem merecendo a isenção tributária concedida pelo governo.
Caso contrário, a partir de 2011, os biocombustíveis que não apresentarem esta garantia sofrerão um acréscimo de 90 centavos de Euro por litro de etanol, fato que desestimula a comercialização. A medida e a "multa" valem para os biocombustíveis de qualquer origem, europeus ou importados.
Entre 24 e 26 de Agosto de 2010 a cúpula do ISCC veio ao Rio de Janeiro ministrar um Workshop para formação de auditores. Entre os temas abordados estão aspectos técnicos como cálculo de economia de GHG (gases de efeito estufa) mas também das questões ligadas aos processos relativos aos órgãos certificadores de cooperação com outras normas internacionais.
No Brasil o método do ISCC já foi testado e está sendo implementado em várias propriedades. O prefeito de Nova Mutum (MT), Lírio Lautenschlager, confia tanto no sucesso do padrão que em Janeiro de 2010 esteve em Berlim e incluiu a prefeitura no comitê técnico da norma. Em seguida o prefeito decidiu estender a iniciativa a todos os produtores rurais do seu município. O projeto, que conta com a cooperação da consultoria MundialFood e envolve as normas ISCC e GlobalGAP (p/ alimentos) foi batizado de MutumGAP.
Atualmente o método ISCC está em vias de avaliação pela comissão da União Européia. Porém, após as últimas declarações de Guenther Ottinger, o Ministro da Indústria da UE, é notável a semelhança das diretivas da UE com o padrão ISCC. Esta é um forte sinal de que em breve o método deverá ser aprovado pela UE. (noticiasagricolas)