quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Setor elétrico

A atmosfera é um dos elementos mais importantes dentro da política e da tomada de decisão do setor energético. O desempenho deste setor depende diretamente do clima e é vulnerável a eventos extremos, como tempestades acompanhadas de chuva intensa, ventos fortes e raios, que podem ocasionar grandes danos ao sistema.
O tempo é o principal responsável pela demanda e uma das principais causas de interrupções de energia no Brasil. Tanto as geradoras quanto as transmissoras, distribuidoras e comercializadoras de energia estão suscetíveis às variações no tempo e no clima, influenciando inclusive no preço do serviço.
Informações sobre o clima, a partir de previsões sazonais a interanuais, bem como cenários de mudanças climáticas, estão começando a ser incluídos nos processos de tomada de decisão. Além disso, informações de tempo e clima são fundamentais no desenvolvimento e utilização dos recursos energéticos renováveis.
Dispondo de informações meteorológicas precisas e, principalmente, confiáveis, o usuário será capaz de:
- Produzir previsões de carga mais precisa;
- Saber melhor momento para compra ou decisões de comercialização de energia;
- Restabelecer a energia de forma mais rápida e reduzir os custos inerentes;
- Operar de forma mais segura e com o mínimo de inatividade;
- Melhor planejamento das atividades operativas e aplicação de melhores práticas de manutenção. (climatempoconsultoria)

Setor elétrico: crise recorrente

Neste início de 2º semestre, o cenário do setor elétrico deixa claro, mais uma vez, os numerosos erros cometidos nos últimos anos, e que foram potencializados, apontando para uma urgente e indispensável transformação na estrutura de organização, de gestão e de planejamento do setor.
A tímida reforma ocorrida em 2004 não trouxe a pretendida resposta ao racionamento de 2001. Logo, o que se verifica atualmente tem a ver com o que não foi realizado no primeiro governo do presidente Lula: uma mudança no modelo mercantilista da geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. De lá para cá, vivenciamos um setor estratégico do país com vários remendos.
Do lado da expansão, as opções se concentraram nos questionáveis mega-projetos hidroelétricos na região Amazônica; na ampliação do parque de usinas termoelétricas a combustíveis fosseis, caras e poluentes; e na reativação do programa nuclear brasileiro, com a construção de Angra 3 e da proposta de mais 4 usinas, mesmo frente ao amplo repúdio popular.
Como consequência dos equívocos, erros e mesmo incompetência técnica e gerencial, as tarifas estão estratosféricas e a qualidade dos serviços pífia. Mesmo a prometida redução de 20% nas tarifas de energia elétrica, através da estratégia armada pelo Ministério de Minas e Energia com a promulgação da MP 579/12 (convertida na Lei no 12.783, de 11 de janeiro de 2013), não terá praticamente qualquer efeito até o final deste ano. Os aumentos médios nas contas de energia aos consumidores residenciais em 2014 devem ficar entre 16% e 17%, visto os aumentos já concedidos no 1º semestre; o que praticamente anula a redução do ano passado. E em 2015, de acordo com previsões de consultorias do ramo, será pior: o reajuste ficará entre 21% e 25%.
Aliada a tarifas caras constata-se a flagrante deterioração na qualidade e riscos no abastecimento de energia elétrica.
Com o modelo hidro-térmico adotado, a dependência do comportamento hidrológico, cada vez mais influenciado pelas mudanças climáticas, tem sido utilizada como justificativa para o acionamento das usinas térmicas. Agora não mais em caráter emergencial, e sim permanente. E, como a energia gerada por tais usinas é bem mais cara que a hidroeletricidade, os custos são repassados ao consumidor e pagos em suas contas de luz. Além de embutidos em impostos para todos os contribuintes.
O custo do acionamento continuado das caríssimas termelétricas de reserva, desde 18/10/12, que chega a suprir cerca de 12,5% da carga total, chegará à estratosférica soma de R$ 50 bilhões no corrente ano (R$ 2,3 bilhões mensais), segundo estimativas preliminares. Esse cálculo considerou um custo médio de R$ 420/MWh. Agora, é só fazer a conta. Se o problema persistir por mais 12 meses, os custos chegarão a R$ 78 bilhões. E quem pagará a conta? Os mesmos, claro: nós, consumidores e contribuintes.
No aspecto ambiental, são catastróficas as opções adotadas pelo governo federal, que excluiu do processo decisório as organizações sociais, especialistas independentes e consumidores. O setor de energia no país, outrora lembrado por sua produção com baixa emissão de carbono, tem elevado substancialmente as emissões de gases de efeito estufa. Dados do Observatório do Clima revelam que o segmento foi responsável pela emissão de 436,7 milhões de toneladas de CO2 em 2012, aumento de 30% em relação as 335,7 milhões de toneladas emitidas em 2006.
O setor elétrico precisa de urgentes mudanças estruturais. Lamentavelmente, os candidatos presidenciais dos grandes partidos não nos oferecem qualquer perspectiva da necessária transformação. Além do anunciado “realinhamento das tarifas”, qual o plano, senhores? (ecodebate)

Microgeração de energia elétrica e o abastecimento d'água

Microgeração de energia elétrica em sistemas de abastecimento de água
Cada vez mais as concessionárias de abastecimento de água têm se preocupado em realizar ações de eficiência energética. Isso se deve ao fato do aumento da demanda de água e ao aumento dos custos de produção de água tratada. Os grandes alvos para estudos de eficiência energética são os sistemas de bombeamento, responsáveis por cerca de 90% do consumo de energia de um sistema de abastecimento. Dentre as principais ações estão a substituição dos conjuntos motobombas por equipamentos mais eficientes, a redução da altura manométrica de bombeamento, seja pela limpeza das tubulações ou pelo seu redimensionamento, redução das perdas reais de água que, indiretamente, diminui a vazão bombeada.
Entretanto, alguns sistemas se beneficiam de sua topografia privilegiada, realizando a captação e distribuição por gravidade, evitando os altos custos com bombeamento. Nesse ponto surge a questão: esse tipo de sistema é 100% eficiente?
Do ponto de vista dos custos operacionais pode-se dizer que sim, pois a maior parcela, relativa aos gastos com energia elétrica dos sistemas de bombeamento, não existe. Entretanto, quando consideramos o termo “eficiência energética” essa afirmação não é verdadeira. A eficiência energética busca otimizar o uso das fontes de energia. Nesse caso a fonte de energia é a potencial, existente no desnível entre a captação e a estação de tratamento (ETA) e entre a ETA e a rede de distribuição. Em muitos desses casos, parte dessa energia potencial é dissipada em válvulas redutoras de pressão ou reservatórios, ou seja, a energia não foi aproveitada da melhor forma. Uma alternativa para otimizar esses sistemas seria o aproveitamento dessa energia excedente para geração de energia. Atualmente, de acordo com a resolução 482, da ANEEL, é possível conectar uma microcentral à rede e realizar a “troca” da energia gerada pela consumida. Caso o local onde a energia seja gerada tenha um consumo menor que a produção, o excedente pode ser utilizado por outra unidade, desde que pertença à mesma concessionária.
Em muitos desses sistemas, alguns componentes básicos de uma microcentral, como câmara de carga, conduto forçado e válvulas, já existem, o que reduz significativamente o investimento necessário. Outro ponto a ser considerado é o uso de bombas funcionando como turbinas (BFTs), que para a faixa de potência das microcentrais apresentam um bom rendimento com um custo inferior ao de turbinas convencionais.
A atratividade dessas microcentrais deve-se principalmente ao baixo custo inicial, já que grande parte dos componentes já existe. O uso de BFTs nesses casos também se mostrou de grande valia, já que turbinas convencionais apresentaram custos de até 5 vezes maior, com rendimento igual e algumas vezes inferior ao da BFT. Dessa forma, pode-se afirmar que até mesmo sistemas que utilizam apenas a gravidade para realizar a captação e a distribuição de água também podem melhorar sua operação e aumentar seus lucros. (tecnocontrol)

Você sabia que a poluição pode gerar energia elétrica?

Você já imaginou se o ar poluído de grandes metrópoles, como São Paulo, fosse transformado em energia elétrica? A poluição é fonte de problemas para o mundo: afeta a saúde das pessoas, aumenta o calor na Terra e contribui para o degelo dos polos. Isso todos já devem saber. Mas cientistas holandeses criaram um método para transformar a mistura de água, dióxido de carbono (CO2) e ar (O2), algo danoso em um produto útil para o mundo: eletricidade.
Este método reduz a quantidade de gases poluentes na atmosfera e possibilita a geração de energia de um modo mais limpo, já que reutiliza um material que causaria danos à natureza.
De uma chaminé de carvoaria, por exemplo, é possível extrair até 20% do CO2 e através dele gerar a corrente elétrica
A colheita de energia das emissões de CO2, nome do estudo realizado no Departamento de Tecnologia Ambiental da Universidade de Wageningen, na Holanda, mostra que ao fazer a separação dos íons da mistura, através de um dispositivo chamado célula capacitiva eletroquímica, é possível gerar eletricidade, segundo informou o site PlanetSave.
Resultados
A técnica desenvolvida pelos holandeses capta apenas uma parte da poluição. De uma chaminé de carvoaria, por exemplo, é possível extrair até 20% do CO2 e através dele gerar a corrente elétrica, com rendimento que pode ser chegar a 32% de eficiência – mais que o dobro obtido pelas placas solares tradicionais, por exemplo, que alcançam 12%. Os pesquisadores alertam que isso não deve estimular a produção de gases poluentes, mas criar alternativas mais eficazes no tratamento da fumaça que sai das indústrias.
Semelhante a uma bateria, a célula tem dois polos: o negativo, que atrai íons de hidrogênio, e outro positivo, responsável por absorver os íons bicarbonato. Isto faz o CO2 borbulhar através da água. E com a separação de carga cria-se o potencial para conduzir uma corrente elétrica.
Se os estudos vingarem, bem que essa seria uma boa iniciativa para ser implantada nas cidades, não é mesmo? (tecnocontrol)

Noruega importa lixo para produzir energia

Oslo é uma cidade que importa lixo. Parte vem da Inglaterra, parte vem da Irlanda e parte vem da vizinha Suécia. Ela inclusive tem planos para o mercado americano.
“Eu gostaria de receber alguma coisa dos Estados Unidos”, disse Pal Mikkelsen em seu escritório, numa enorme usina na periferia da cidade, onde o lixo é transformado em calor e em eletricidade. “O transporte marítimo é barato.”
Oslo, onde metade da cidade e a maioria das escolas são aquecidas pela queima do lixo doméstico, resíduos industriais e até resíduos tóxicos e perigosos de hospitais e apreensões de drogas-, tem um problema: o lixo para queimar se esgotou.
O problema não é exclusivo de Oslo. Em toda a Europa setentrional, onde a prática de queimar lixo para gerar calor e eletricidade disparou nas últimas décadas, a demanda por lixo é muito superior à oferta.
A meticulosa população do norte europeu produz apenas cerca de 136 milhões de toneladas de resíduos por ano, muito pouco para abastecer usinas incineradoras capazes de consumir mais de 635 milhões de toneladas.
“Mas os suecos continuam a construir [mais usinas], assim como a Áustria e a Alemanha”, disse Mikkelsen, 50, engenheiro mecânico que há um ano é o diretor-gerente da agência municipal encarregada da transformação de resíduos em energia.
De navio e de caminhão, incontáveis toneladas de lixo viajam de regiões onde há excesso de resíduos para outras que têm capacidade para queimá-las e transformá-las em energia. A maioria das pessoas no país aprova a ideia.
Os ingleses também gostam. A empresa de Yorkshire que lida com a coleta de lixo no norte da Inglaterra atualmente embarca até 907 toneladas de lixo por mês para os países do norte da Europa, incluindo a Noruega, de acordo com Donna Cox, assessora de imprensa da prefeitura de Leeds. Um imposto britânico sobre os aterros sanitários faz com que seja mais barato enviar o lixo para lugares como Oslo.
Para alguns, pode parecer bizarro que Oslo recorra à importação de lixo para produzir energia. A Noruega está entre os dez maiores exportadores mundiais de petróleo e gás e tem abundantes reservas de carvão e uma rede de mais de 1.100 usinas hidrelétricas em suas montanhas, ricas em água.
Mikkelsen, no entanto, disse que a queima do lixo é “um jogo de energia renovável para reduzir o uso de combustíveis fósseis”.
Já Lars Haltbrekken, presidente da mais antiga entidade ambientalista da Noruega, afirmou que, do ponto de vista ambiental, a tendência de transformar resíduos em energia constitui um grande problema, por gerar pressão pela produção de mais lixo.
Numa hierarquia de objetivos ambientais, disse Haltbrekken, a redução da produção de resíduos deveria estar em primeiro lugar, ao passo que a geração de energia a partir do lixo deveria estar no final. “O problema é que a nossa prioridade mais baixa conflita com a mais alta”, disse ele.
Em Oslo, as famílias separam seu lixo, colocando os restos de comida em sacos plásticos verdes, os plásticos em sacos azuis e os vidros em outro lugar. Os sacos são distribuídos gratuitamente em mercearias e outras lojas.
Mikkelsen comanda duas usinas. A maior delas usa sensores computadorizados para separar os sacos de lixo codificados por cor.
A separação do lixo orgânico, incluindo os restos de comida, passou a permitir que Oslo produza biogás, o qual já abastece alguns ônibus no centro da cidade.
Outras áreas da Europa estão produzindo grande quantidade de lixo, incluindo o sul da Itália, onde lugares como Nápoles pagaram a cidades da Alemanha e da Holanda para que aceitem seus resíduos, ajudando a neutralizar uma crise napolitana na coleta do lixo. No entanto, embora Oslo tenha cogitado receber o lixo italiano, a cidade preferiu continuar com o inglês, considerado mais limpo e seguro. “É uma questão delicada”, diz Mikkelsen. (tecnocontrol)