sexta-feira, 22 de maio de 2020

Energia solar pode aumentar confiabilidade do fornecimento e baratear conta

Energia solar pode aumentar confiabilidade do fornecimento e baratear conta, diz ministro de Minas e Energia.
Para Bento Albuquerque, fonte solar é grande geradora de empregos, aspecto ainda mais importante tendo em vista os impactos econômicos da pandemia da Covid-19.
Em quarentena após ter testado positivo para o coronavírus, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou, em entrevista exclusiva ao Portal Solar, que vê potencial de crescimento na energia solar, elogiou os projetos de regulamentação no Congresso e disse acreditar que “ainda temos muito o que avançar com relação à fonte solar no Brasil”.
“A energia solar tem uma importância crescente no setor elétrico brasileiro. Hoje temos cerca de 5 GW de capacidade instalada de empreendimentos de energia solar fotovoltaica, sendo 2,6 GW de empreendimentos centralizados, que são aqueles de maior porte contratados por leilões, e 2,4 GW de empreendimentos de geração distribuída, que são aqueles de menor porte localizados junto ao consumo”, disse.
Segundo o ministro, com esse aumento na participação, a fonte solar contribui para o aumento da confiabilidade no fornecimento de energia elétrica, “com um potencial de redução de custos aos consumidores pela grande competitividade da fonte observada nos últimos leilões”.
Bento Albuquerque salientou ainda a grande vantagem da tecnologia fotovoltaica como uma fonte limpa de energia. “A fonte solar contribui para a descarbonização da nossa matriz, que já é uma das mais limpas do mundo, sendo também responsável por gerar uma grande quantidade de empregos, aspecto ainda mais importante tendo em vista os impactos econômicos da pandemia da Covid-19”, destacou.
Na avaliação de Albuquerque, a fonte solar passou por um processo de amadurecimento significativo nos últimos anos, “com redução nos valores de investimentos, principalmente a queda nos preços dos painéis fotovoltaicos, o que traz ganhos para os consumidores que podem utilizar uma fonte renovável e com preços cada vez mais competitivos”.
“Diria que um dos desafios a ser enfrentado pelo mercado solar passa pelo desenvolvimento dos projetos híbridos, principalmente com armazenamento de energia por meio de sistemas de baterias. Esse desenvolvimento gerará profundas transformações no setor elétrico que conhecemos hoje”, prevê.
Albuquerque destacou ainda que a fonte solar, assim como a fonte eólica, caracteriza-se por ser uma fonte intermitente, ou seja, variável de acordo com a disponibilidade da fonte. “Isso gera uma complexidade maior para a operação do nosso sistema e também a consideração de custos sistêmicos, como uma maior exigência de geração complementar para quando faltar vento ou insolação. O desenvolvimento de empreendimentos híbridos, com armazenamento de energia devem suprir essa característica da fonte solar”, diz.
Coronavírus
Albuquerque, que termina seu período de quarentena nesta semana e não teve os sintomas do coronavírus, destacou que, além dos desafios típicos da fonte solar, o país passa por um momento complexo causado pela pandemia da Covid-19. “Não sabemos ainda exatamente quais serão os impactos na demanda por energia elétrica nos próximos anos, o que pode afetar o mercado de todas as fontes de energia”, disse.
O ministro destacou ainda que a participação do Congresso é fundamental na definição das políticas públicas relacionadas as fontes renováveis, como a fonte solar. “Os debates em torno da regulamentação da geração solar, especialmente a geração distribuída, não são uma exclusividade do Brasil, ocorreram em diversos países do mundo. O que deve se ter como objetivo é uma regulamentação que venha a ser implementada de forma a garantir o desenvolvimento da fonte solar de forma sustentável, trazendo benefícios para todos os consumidores do País”, finalizou. (portalsolar)

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Geração de energia à carvão segue caindo em todo o mundo

Geração de energia à carvão segue caindo em todo o mundo, mas ainda aquém das necessidades climáticas globais.
Pelo quarto ano consecutivo, o número de usinas de energia operadas a partir de carvão caiu em todo o mundo em 2019, de acordo com um novo relatório publicado hoje pela Global Energy Monitor, com apoio do Greenpeace International, Sierra Club, e o Centre for Research on Energy and Clean Air.
Esta é a 5º edição do relatório, que faz um levantamento sobre projetos novos de energia termelétrica de carvão. Dentre suas conclusões, destaca-se que, desde 2015, houve uma queda anual de 16% na construção de novas infraestruturas para carvão no setor, totalizando 66% de queda ao longo desses anos. Em 2019, a construção de novos projetos desse tipo foi 5% menor que em 2018 e 66% menor que em 2015.
A despeito do declínio observado em novos projetos de carvão, a capacidade instalada de geração energética a partir desse combustível cresceu cerca de 34,1 gigawatts (GW) em 2019, o primeiro crescimento desde 2015. Quase 2/3 (43,8 GW) dos 68,3 GW adicionados foram instalados na China. Fora desse país, a capacidade instalada caiu pelo segundo ano consecutivo, já que o resto do mundo desativou mais capacidade (27,2 GW) do que construiu (24,5 GW).
“A geração energética a carvão caiu de forma recorde em 2019, à medida que fontes renováveis cresceram e a demanda caiu”, diz Christine Shearer, principal autora do relatório e diretora do programa de carvão do Global Energy Monitor. “De toda forma, o número de novas plantas adicionadas ao grid acelerou, o que significa que as usinas globais de energia a carvão estão operando menos – ou seja, mais plantas gerando menos energia. Para bancos e investidores que continuam sustentando esses projetos, isso significa menor lucro e risco mais elevado”.
Ainda que a implementação de novos projetos energéticos a carvão tenha caído ao redor do mundo, as tendências observadas na China seguem sendo alarmantes. A quantidade de nova capacidade energética a partir desse combustível fóssil adicionada ao grid aumentou em 2019, mesmo que a utilização dessas plantas tenha caído, o que indica uma sobrecapacidade piorada. Projetos anteriormente abandonados foram retomados já que os controles sobre sobrecapacidade foram flexibilizados no país.
“O lobby da energia a carvão na China está pressionando por centenas de novas usinas termelétricas no país até 2030, em contrariedade aos compromissos globais da China de ser um contribuidor na luta contra a mudança do clima”, explica Lauri Myllyvirta, analista-chefe no Centre for Research on Energy and Clean Air. “Como formuladores de políticas públicas buscam por outras formas para estimular a economia após a crise do coronavírus, uma onda de novos projetos de carvão seria o pior tipo de desperdício. Tanto os compromissos climáticos da China como a maior competitividade de tecnologias de energia limpa significam que as instalações para energia limpa vão se acelerar, limitando o espaço para geração a carvão crescer”.
Entre os membros da Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), a capacidade energética a carvão vem decaindo desde 2011. Quase metade da capacidade abandonada em 2019 se deu nos Estados Unidos, a segunda maior já registrada. Na União Europeia, o abandono de capacidade foi o 4º maior registrado. Sob Trump, o descomissionamento de usinas a carvão cresceu 67% em comparação com a administração Obama: a média de desativação sob a gestão anterior foi de 8,2 GW anuais entre 2009 e 2016, e de 13,7 GW por ano no atual governo (2017-2019), (veja figura abaixo).
“A desativação de usinas a carvão não apenas continuou sob Trump, mas se acelerou nos últimos”, diz Neha Matthew-Shah, representante do Sierra Club para justiça ambiental internacional. “O carvão simplesmente não é competitivo frente a alternativas mais baratas e menos poluentes para a economia energética moderna. Está na hora dos Estados Unidos se conscientizar disso e abraçar a transição energética limpa”.
Enquanto Estados Unidos e União Europeia se distanciam do carvão, o Japão é agora o maior gerador de energia a carvão entre os países da OCDE. O país tem 11,9 GW de capacidade energética a partir desse combustível em desenvolvimento doméstico, o que aumentaria as emissões de dióxido de carbono ao longo da vida útil de sua infraestrutura de carvão existente em 50% (de 3,9 para 5,8 bilhões de toneladas). Fora de suas fronteiras, o capital japonês está por trás de 24,7 GW em novos projetos a carvão, maior do que a capacidade instalada atual da Austrália (24,4 GW).
“Ainda que o carvão siga avançando em alguns países asiáticos, no resto do mundo o que vemos é claramente um declínio desse combustível para geração de energia. Esta é uma tendência global que deve continuar nos próximos anos”, aponta Gyorgy Dallos, estrategista global do Greenpeace International. “Infelizmente, China e Japão seguem contrariando essa tendência global, se tornando os países com maior capacidade em instalação e financiando projetos desse tipo na Ásia”.
Mesmo com a queda no desenvolvimento de novos projetos energéticos baseados no carvão em 2019, o mundo segue fora de uma trajetória que permita viabilizar as metas do Acordo de Paris sobre mudança do clima. A capacidade instalada para geração de energia a carvão precisa cair 80% até 2030 para que possamos ter condições de manter o aumento de temperatura média global abaixo de 1,5°C, de acordo com projetos do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (IPCC). Além disso, as Nações Unidas pediram que o ano de 2020 seja o último para novas propostas de plantas energéticas a carvão.
“O mundo já possui mais capacidade energética a carvão do que poderia ter dentro do Acordo de Paris”, diz Greg Aitken, analista de pesquisa financeira para o Global Energy Monitor. “Está na hora dos investidores e financiadores se alinharem à realidade”.
Energias renováveis ou energias alternativas.
Nota: O tamanho médio das unidades geradoras a carvão é de 350 megawatts, sendo que a maioria das centrais elétricas tem duas ou mais unidades deste tipo. (ecodebate)

Enel mantem planos de expansão para os próximos anos

Grupo tem meta de acrescentar 14 GW de energia limpa em seu portfólio até 2022.
A Enel minimizou os possíveis efeitos da crise do coronavírus em seus planos de crescimento em projetos renováveis em 2020. Ao divulgar resultados financeiros na última quinta-feira (19), a companhia italiana declarou que a pandemia não trouxe prejuízos materiais a cadeia de fornecimento de seus projetos. O grupo tem meta de acrescentar 14 GW de energia limpa em seu portfólio até 2022.
“Nós temos um horizonte de ganhos muito visível. Mais de 80% do nosso EBITDA tem origem em atividades contratadas que não são afetadas pelo COVID-19”, declarou o CEO da Enel, Francesco Starace, durante teleconferência. O executivo afirmou que acredita que a empresa pode sair desse ciclo com poucas perdas.
Mais de 35 mil funcionários, cerca de metade da força de trabalho global da Enel, estão trabalhando de maneira remota atualmente. Em 2019, a empresa apresentou crescimento de 6,3% da receita, totalizando US$ 86,2 bilhões, e um incremento de 8,3% no EBITDA, registrando US$ 19 bilhões.
A Enel apontou que a geração por fontes renováveis foi a principal impulsionadora do crescimento do ano passado. Por meio da Enel Green Power, o grupo adicionou cerca de 3 GW de capacidade ao longo de 2019, contrastando com uma redução de 4,1 GW na energia de carvão no mesmo período.
Em novembro, a companhia revelou planos de expandir investimentos em projetos de energia limpa, reforçando foco em mercado onde tem presença integrada, como Itália, Espanha, Chile e Brasil. É esperada uma capacidade adicional de 4 GW em renováveis apenas em 2020 a um portfólio que já conta com 45,9 GW. Com 3,6 GW, a energia solar está em terceiro no ranking da Enel, atrás da fonte hídrica (28,1 GW) e eólica (10,8 GW).
Empreendimentos em geração fotovoltaica são parte integral desses planos, incluindo a expansão do parque solar São Gonçalo, no Piauí. A obra irá aumentar para 608 MW a capacidade total da usina, que já é considerada a maior da América do Sul. Serão investidos R$ 422 milhões e a previsão é que a operação comece a funcionar ainda nesse ano. (portalsolar)

Carros elétricos são melhores para o clima em 95% do mundo

O medo de que os carros elétricos possam realmente aumentar as emissões de carbono é infundado em quase todas as partes do mundo, mostram novas pesquisas.
Os relatos da mídia questionam regularmente se os carros elétricos são realmente “mais ecológicos” quando as emissões da produção e da geração de eletricidade são levadas em consideração. Mas um novo estudo da Universidade Radboud, com as universidades de Exeter e Cambridge, concluiu que os carros elétricos levam a menores emissões de carbono em geral, mesmo que a geração de eletricidade ainda envolva quantidades substanciais de combustível fóssil.
Já nas condições atuais, dirigir um carro elétrico é melhor para o clima do que carros a gasolina convencionais em 95% do mundo, segundo o estudo. As únicas exceções são lugares como a Polônia, onde a geração de eletricidade ainda se baseia principalmente em carvão. As emissões médias da vida útil de carros elétricos são até 70% inferiores às de gasolina em países como Suécia e França (que obtêm a maior parte de sua eletricidade de fontes renováveis e nucleares) e cerca de 30% menores no Reino Unido.
Em alguns anos, até carros elétricos ineficientes serão menos intensivos em emissões do que a maioria dos carros a gasolina novos na maioria dos países, pois a geração de eletricidade deverá ser menos intensiva em carbono do que hoje. O estudo projeta que, em 2050, cada segundo carro nas ruas poderia ser elétrico. Isso reduziria as emissões globais de CO2 em até 1,5 gigatoneladas por ano, o que equivale ao total de emissões atuais de CO2 da Rússia.
O estudo também analisou as bombas de calor elétricas domésticas e descobriu que elas também produzem emissões mais baixas do que as alternativas a combustíveis fósseis em 95% do mundo. As bombas de calor podem reduzir as emissões globais de CO2 em 2050 em até 0,8 gigatoneladas por ano – aproximadamente o mesmo que as atuais emissões anuais da Alemanha.
“Começamos esse trabalho há alguns anos atrás, e os formuladores de políticas no Reino Unido e no exterior mostraram muito interesse nos resultados”, disse Florian Knobloch, do Departamento de Ciências Ambientais da Universidade Radboud (Holanda), líder autor do estudo. “A resposta é clara: para reduzir as emissões de carbono, devemos escolher carros elétricos e bombas de calor domésticas em vez de alternativas a combustíveis fósseis”.
“Em outras palavras, a ideia de que veículos elétricos ou bombas de calor elétricas poderiam aumentar as emissões é essencialmente um mito. Vimos muita discussão sobre isso recentemente, com muita desinformação por aí. Aqui está um estudo definitivo que pode dissipar esses Temos números para todo o mundo, analisando uma grande variedade de carros e sistemas de aquecimento. Mesmo em nosso pior cenário, haveria uma redução nas emissões em quase todos os casos. Esse insight deve ser muito útil para os formuladores de políticas”, disse Knobloch.
O estudo examinou as emissões atuais e futuras de diferentes tipos de veículos e opções de aquecimento doméstico em todo o mundo. Ele dividiu o mundo em 59 regiões para explicar as diferenças de geração e tecnologia de energia. Em 53 dessas regiões – incluindo toda a Europa, EUA e China – os resultados mostram que carros elétricos e bombas de calor já são menos intensivos em emissões do que as alternativas a combustíveis fósseis. Essas 53 regiões representam 95% da demanda global de transporte e aquecimento e, com a produção de energia descarbonizando em todo o mundo, Knobloch disse que “os últimos casos discutíveis desaparecerão em breve”.
Os pesquisadores realizaram uma avaliação do ciclo de vida em que não apenas calcularam as emissões de gases de efeito estufa geradas ao usar carros e sistemas de aquecimento, mas também na cadeia de produção e processamento de resíduos. “Levando em conta as emissões da fabricação e do uso contínuo de energia, é claro que devemos incentivar a mudança para carros elétricos e bombas de calor domésticas sem arrependimentos”, concluiu Knobloch. (ecodebate)

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Setor solar no Brasil terá média de 327 empregos criados por dia em 2020

Oportunidades estarão espalhadas por todo o país e impulsionadas pelo crescimento das instalações em telhados brasileiros.
Segundo estimativa da Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), o setor solar brasileiro irá criar mais de 120.000 postos de trabalho em todo o país em 2020.
Dividido no ano, esse número resulta em uma média aproximada de 327 vagas de emprego em energia solar a cada dia no Brasil.
A maior parte dos empregos estará nas instalações residenciais e comerciais do segmento de geração distribuída (GD), que em 2019 cresceram mais de 222% em relação a 2018.
Com 2 Gigawatts (GW) de capacidade instalada ao final de 2019, a Absolar projeta um crescimento de 170% do segmento para 2020, fechando o ano com cerca de 5,4 GW.
A porta de entrada para os profissionais que buscam ingressar nesse setor é a realização de cursos e treinamentos em fotovoltaica, com opção também de curso de energia solar online.
Essa capacitação técnica na tecnologia é fundamental para assegurar a qualidade e segurança dos sistemas, que duram mais de 25 anos quando bem instalados.
A longa vida útil da tecnologia e a economia de até 95% que oferece nas contas de luz dos consumidores são alguns dos motivos que puxam o crescimento das instalações no Brasil.
Com um marco regulatório favorável, os micro e minigeradores solares ainda ganharam um impulso extra nos últimos anos com a oferta de linhas de financiamento em energia solar.
Da mesma forma, esse crescimento do mercado também impulsiona o número de empresas para a venda e instalação dos sistemas, um nicho de alto potencial para empreendedores e que já conta com diversos modelos de franquia fotovoltaica.
Iniciado em 2012 com as regras da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), o segmento de Geração Distribuída atingiu uma capacidade instalada de 2 GW ao final de 2019.
Isso demandou um total de R$8,4 bilhões de investimentos no país em micro e minigeradores solares, segundo o levantamento feito pela Absolar.
Para este ano, o órgão estima que serão mais de R$19,7 bilhões atraídos por todo o setor, sendo mais de 83% desses somente pelos projetos instalados em casas e empresas.
No total, o Brasil registra mais de 15 mil empresas em todo o setor solar e empregou 15.600 trabalhadores em 2018, segundo dados da IRENA (Agência Internacional para as Energias Renováveis). (ecodebate)