domingo, 2 de agosto de 2020

Fonte solar ultrapassa carvão e nuclear no Brasil

Segundo a Absolar, são mais de R$ 30 bilhões em investimentos acumulados.

A fonte solar fotovoltaica ultrapassou a soma das fontes nuclear e carvão mineral no Brasil, informou Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Somando as grandes e pequenas usinas, são mais de 5,76 GW de capacidade instalada solar, ante um total de 5,58 GW de termelétricas movidas a carvão mineral e nucleares somadas.

De acordo com a associação, o mercado solar fotovoltaico brasileiro já trouxe mais de R$ 30 bilhões em investimentos privados ao país. Destes, R$ 15,52 bilhões foram aplicados em usinas de grande porte, em especial nas regiões Nordeste e Sudeste, gerando energia para milhares de brasileiros pelo Sistema Interligado Nacional.

A outra parcela, de R$ 14,59 bilhões, foi resultado de investimentos diretos de pessoas, empresas, produtores rurais e governos, em pequenos e médios sistemas, espalhados por todas as regiões do país. Ao todo, são 2.928,0 MW em empreendimentos de grande porte e 2.835,5 MW nos sistemas em telhados, fachadas e pequenos terrenos.

“Com isso, a potência total solar ultrapassa em quase 4% a destas termelétricas, baseadas em recursos não-renováveis e com maiores impactos ambientais ao longo de todo o seu ciclo de vida”, comentou o presidente do Conselho de Administração da Absolar, Ronaldo Koloszuk. (canalenergia)

Soja teve maior participação na matriz do biodiesel em 3,5 anos

Soja teve maior participação na matriz do biodiesel em três anos e meio.

Brasil é o segundo maior produtor de biodiesel do planeta.

O óleo de soja voltou a superar a marca dos 75% de participação na matriz de matérias-primas da indústria brasileira de biodiesel pela primeira vez em três anos e meio. Segundo o novo conjunto de dados divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no mês de abril cerca de 75,2% do biodiesel foi fabricado a partir do grão.

A última vez que essa barreira havia sido atingida foi em abril de 2017, quando o percentual ficou cravado nos 75%. Um número maior que o atual não era registrado desde outubro de 2016.

A busca por novas fontes de matéria-prima para produção de biodiesel também pode ser uma alternativa para atender essa demanda crescente. Pelo menos 77% da produção do biocombustível têm como fonte o óleo de soja.  Para 2020, espera-se que sejam destinadas 9 milhões de toneladas de soja para produção de óleo, dos quais 53% serão destinados para a produção de biodiesel.

“Projetamos um leve aumento da ordem de 3% a 4% no uso óleo de soja no biodiesel brasileiro, em relação a 2019”, estima Erickson Oliveira, analista de mercado da consultoria Céleres.

Porém, para o analista, a relevância do grão tende a ceder espaço. “Parte do protagonismo da soja será suplantado pela gordura animal, ajudando a manter o setor competitivo”, explica. Atualmente, o sebo bovino é a segunda matéria-prima mais utilizada para a obtenção de biodiesel no Brasil.

(biodieselbr)

EDP entrega quatro usinas solares em São Paulo

EDP entrega quatro usinas solares em São Paulo e mira GD.

Empreendimento instalado em Taubaté integra mais de 4 MWp e irá fornecer energia a 516 lojas da Claro no estado.

A EDP entregou quatro usinas solares em uma área de 5,8 hectares em Taubaté (SP), informou a companhia em 03/06/20. As plantas possuem uma capacidade instalada de mais de 4 MWp e irão operar na modalidade de Geração Distribuída para fornecer energia a 516 unidades consumidoras da Claro espalhadas pelo estado de São Paulo, com geração prevista de 6.000 MWh/ano.

O diretor de Infraestrutura da empresa de telecomunicações, Hamilton Ricardo Pereira da Silva, afirmou que o empreendimento integra as iniciativas do programa Energia da Claro, lançado em 2017 para fomentar o uso de fontes renováveis e ações de proteção ao meio ambiente em todas as operações e instalações da empresa no Brasil. Além de São Paulo, há UFVs já instaladas na Bahia, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Piauí, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina.

Segundo o executivo, o programa vai gerar 80% da energia consumida pela empresa até 2021, representando mais de 600.000 MWh ao ano, englobando ainda ações de mobilidade elétrica e eficiência energética. “Outros projetos estão em fase final de implantação em outras regiões”, completou.
Por sua vez, o vice-presidente de Estratégia de Novos Negócios da EDP no Brasil, Carlos Andrade, disse enxergar a área de GD como uma das mais promissoras para o negócio da companhia elétrica nos próximos anos. “Vamos atuar para aumentar nossa participação no segmento e a nossa escolha para entregar este projeto à Claro mostra a credibilidade conquistada na área”, comentou. (canalenergia)

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Renováveis já são mais baratas que carvão

Renováveis já são mais baratas que carvão, aponta Irena.
Segundo agência, até 1.200 GW de capacidade de carvão existente podem custar mais para operar do que o custo de um novo sistema solar de geração centralizada.
A energia renovável apresenta preços cada vez mais baixos do que qualquer nova capacidade baseada em combustíveis fósseis. É o que revela um novo relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês) e publicado em 02/05/20. Os custos de geração de energia renovável em 2019 mostram que mais da metade dessa nova capacidade adicionada no ano passado alcançou níveis mais baixos do que as novas usinas de carvão, que são mais baratas.
O relatório Custos de Geração Renovável em 2019, disponível em inglês, destaca que os novos projetos de geração renovável estão reduzindo cada vez mais a geração das usinas a carvão existentes. Em média, as novas usinas de energia solar fotovoltaica e eólica onshore custam menos do que manter muitas usinas de carvão em operação. Os resultados dos leilões em diversos países mostram essa tendência em aceleração, que pode levar à redução dessa fonte. Até porque, a estimativa é de que no próximo ano, até 1.200 GW de capacidade de carvão existente podem custar mais para operar do que o custo de um novo sistema solar de geração centralizada, pontua o relatório.
Nos cálculos apresentados no estudo da entidade, a substituição dos 500 GW de carvão mais caros por sistemas solares fotovoltaicos e parques eólicos onshore no próximo ano reduziria os custos do sistema de energia em até US$ 23 bilhões a cada ano e reduziria as emissões anuais em cerca de 1,8 gigatons (Gt) de dióxido de carbono (CO2), equivalente a 5% do total de emissões globais de CO2 em 2019. Esse volume também geraria investimentos de US$ 940 bilhões, o que equivale a cerca de 1% do PIB global.
Em comunicado, o diretor geral da entidade, Francesco La Camera, aponta que esse é um importante ponto de inflexão da curva na transição energética. E ainda, que as fontes renováveis oferecem um tremendo potencial para estimular a economia global, são estáveis, econômicos e atraentes, oferecendo retornos consistentes e previsíveis, ao mesmo tempo em que oferecem benefícios para a economia em geral. O executivo defende que a estratégia de recuperação global deve ser uma estratégia verde.
Queda livre
Os custos recuaram, segundo dados apresentados na publicação, acentuadamente na última década. Esse movimento é impulsionado pelo aprimoramento de tecnologias, economias de escala, cadeias de suprimentos cada vez mais competitivas e crescente experiência do desenvolvedor. Desde 2010, a solar fotovoltaica em grande escala apresentou o maior declínio de custo, 82%. Em seguida vem a solar concentrada (CSP) com índice de 47%. A eólica onshore em 39% e a offshore em 29%.
Somente no ano passado os custos da solar fotovoltaica em larga escala caíram 13%, uma média global para US$ 0,068/kWh. Para a fonte eólica onshore e offshore a queda foi de 9%, atingindo US$ 0,053/kWh e US$ 0,115/kWh, respectivamente.
E na avaliação da Irena, a tendência é de continuidade dessa curva decrescente. Argumenta que os leilões recentes e PPAs para novos projetos comissionados em 2020 e além balizam essa análise. Os preços da solar fotovoltaica chegam à média US$ 0,039/kWh para projetos que entram em operação em 2021, queda de 42% em relação a 2019 e mais de um quinto a menos do que o concorrente mais barato em combustíveis fósseis, as usinas a carvão.
Energias renováveis já são mais baratas do que combustíveis fósseis.
“Os preços recorde de leilão de energia fotovoltaica solar em Abu Dhabi e Dubai, Chile, Etiópia, México, Peru e Arábia Saudita confirmam que valores tão baixos quanto US$ 0,03/kWh já são possíveis”, reforça a Irena”. A mesma quantia investida em energia renovável hoje produz mais capacidade nova do que teria uma década atrás. Em 2019, foi comissionado o dobro de capacidade de geração renovável do que em 2010, mas exigiu apenas 18% mais investimentos”, conclui. (canalenergia)

Eficiência Energética – O que é? Qual a importância?

Este é provavelmente um dos termos mais importantes quando falamos de energia aqui no Brasil mesmo que se ouça falar pouco dele. Seu significado é simples de ser compreendido. Eficiência Energética quer dizer: a habilidade de se realizar o mesmo ou até mais com uma quantidade menor de recursos energéticos.
Existem inúmeros exemplos que poderíamos dar aqui (inclusive usando lâmpadas, que é o que todo mundo faz), mas vamos simplificar ainda mais, de um jeito que todo mundo deve conhecer: 1 pãozinho da padaria.
Vamos imaginar um cenário em que existam 2 padarias. A do Sr. Padeiro e a da Sra. Padeira. Vamos dizer que hoje o Sr. Padeiro gasta duas unidades de energia (não importa qual seja) para produzir uma unidade de pãozinho que você vai comprar essa tarde. Já a Sra. Padeira que tinha conhecimento sobre eficiência energética e decidiu por equipamentos mais eficientes na hora de comprar seu maquinário consegue fazer o mesmo pãozinho gastando apenas 1 unidade de energia, a metade do Sr. Padeiro. Esse é um exemplo que parece bem bobo, mas pode ser a realidade de milhares de padarias no Brasil. O importante é que no final da tarde, ambas as padarias fizeram o mesmo pãozinho, idêntico podemos dizer, mas a Sra. Padeira gastou menos recursos para chegar lá. Ela foi mais eficiente energeticamente do que o Sr. Padeiro.
Se sentássemos aqui para tentar listar exemplos que aparecem nas nossas vidas cotidianas, pode ter certeza que iríamos morrer antes de terminar. Desde elementos dentro de residências como as geladeiras, TVs e máquinas de lavar. No comércio, com a iluminação, freezers, fornos e servidores. E na indústria com motores, compressores, bombas e etc. Todo tipo de produto ou processo está sujeito a essa avaliação, de quão eficiente energeticamente ele é.
Agora que ficou claro o conceito, vamos falar da Importância da Eficiência Energética.
O Brasil não tem uma boa fama no quesito eficiência energética. Isso acontece por vários motivos, um dos mais fortes e simples é que levar em conta a eficiência não é algo muito enraizado em nossa cultura e educação porque nunca precisamos. Lembra quando você escutou aquele (a) professor (a) no colégio dizendo: “O Brasil é um país rico em recursos naturais”? Pois é, essa riqueza muito abundante faz com nossa preocupação com o desperdício seja menor do que em países que não possuem tantos recursos. Em junho de 2018 o American Council for an Energy-Efficient Economy (ACEEE) lançou o international scorecard, um relatório bianual que avalia as políticas em eficiência energética e performances entre os 25 países que mais consomem energia globalmente. Ficamos na 22ª posição. A mentalidade de recursos facilmente disponíveis dificulta um pouco a sensibilização de pessoas e empresas quando o tema é eficiência energética, mesmo que os impactos desse desconhecimento sejam enormes.
Em 2017, a ABESCO (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia) publicou um documento indicando o tamanho do potencial de economia estimado de 2008 até 2016. Se você ficou curioso, estimaram que só em 2016 deixamos de economizar algo em torno de R$ 20 bilhões. É muita energia, esses 47 GWh estimados de economia representam 10% do consumo do país inteiro.
E quanto que é tudo isso?
A gente sabe que para quem não lida com energia esse número não quer dizer absolutamente nada e por isso é comum fazer comparações com algo que traga mais peso para a conversa, por exemplo:
Esse potencial de economia anual seria então o bastante para fechar as comportas de nossa querida usina de Itaipu por metade de um ano. A usina binacional em 2016 foi responsável por 22,5% da energia consumida no país. Ela é muito grande, detendo vários recordes de usina que mais produz energia no planeta.
Se você não entende de energia, mas entende de dinheiro, então o valor que poderia ter sido economizado nos últimos 3 anos do estudo (2014,15 e 16), na casa de uns R$ 60 bilhões, é maior que o PIB dos 12 estados com os menores PIBs do Brasil.
Pensando bem, é muita coisa sendo desperdiçada e existem diversos impactos que estão relacionados a esses desperdícios. Coisas que acontecem ou deixam de acontecer exatamente por conta dessa nossa má gestão/uso dos recursos energéticos.
Mas conta aí então, quais impactos estamos falando?
A lista é grande, mas alguns valem ser comentados:
No bolso. Esse é simples e todo mundo conhece! A dor no bolso. Energia é algo que pagamos bastante para ter acesso e os preços têm subido constantemente acima da inflação nos últimos 5 anos. Se você faz parte do nosso mailing, já deve estar até cansado de ler aquela seção de aumento de tarifas. É tão comum que praticamente virou um elemento obrigatório em toda newsletter que escrevemos. Normalmente quando a dor no bolso aumenta é que passamos a nos preocupar mais com a maneira que consumimos (tanto dentro de casa como dentro do comércio e indústria).
Recursos
Ações de eficiência energética são ótimas na economia de recursos. Muitas empresas consideram energia um custo fixo em seus processos produtivos, mas sabemos muito bem que não deveria ser assim. Cada produtinho criado tem sua lista de materiais certo? Lembra daquele pãozinho da padaria lá em cima? Além de fermento, farinha, etc, a energia é um elemento que deve aparecer na hora de se pensar nos insumos de produção. Quanto mais uma empresa produz, mais energia ela deve consumir. Conhecemos algumas empresas no Brasil que têm trabalhado para conseguir desagregar o custo de energia em cada um de seus produtos, especialmente nos setores de plásticos e alimentícios. Exatamente igual o exemplo do pãozinho, você acha que a empresa mais preparada do mercado de alimentos é uma indústria que sabe exatamente quantas unidades de energia são necessárias para fabricar um único pacote de cada salgadinho ou a outra que não faz ideia e só paga suas contas e pronto? A que monitora o consumo energético além de poder precificar seus produtos perfeitamente, consegue também acompanhar indicadores e buscar sempre maior eficiência. É comum a CUBi atender clientes deste tipo, para ajudar nessa desagregação inteligente.
Infraestrutura
Toda vez que a matriz energética do país precisa ser expandida é necessário dinheiro e pode ter certeza que ele vai sair do bolso de todo mundo que acessa a rede elétrica. Um sistema mais eficiente energeticamente significa menores necessidades de expansão e, portanto, menores investimentos pagos pelos nossos bolsinhos.
Meio Ambiente
Na mesma linha do anterior, menores necessidades de expansão da matriz são sempre menos agressivas ao meio ambiente. Todo tipo de geração de energia tem seu impacto. As queridas renováveis também, cada qual no seu elemento, então no final do dia, o melhor mesmo é não precisar criar tantos ativos de geração quanto precisaríamos caso a eficiência energética não fosse algo existente.
Estou convencido! Como ser mais eficiente?
Tive um professor de políticas energéticas nos EUA que adorava ficar perguntando para as pessoas: “Qual é a fonte mais barata de energia” e ficava se divertindo enquanto todos quebravam a cabeça discutindo se a energia solar era mais barata, a dos ventos, a geotérmica, a nuclear e por aí vai. A resposta dele era sempre: “A mais barata é aquela economizada”. Talvez seja meio estranho de pensar assim, mas ele tem razão, se a energia já foi gerada e vai ser desperdiçada, então se o seu esforço fizer com que não haja desperdício e que você então possa usá-la de outra maneira, maravilhoso! Lógico que em alguns casos, é necessário investir recursos para conseguir ser mais eficiente, mas mesmo assim, podemos calcular se realmente vale a pena ou não investir esses recursos.
Só para termos uma ideia, várias empresas empregam números diferentes, mas hoje podemos considerar que a energia economizada é importante e que é possível atribuir um preço para ela. Esse preço basicamente indica o custo necessário para conseguir economizar uma parcela de energia que teria outro preço caso fosse gerada. Se ficou confuso, vai um exemplo: a mesma ABESCO dali de cima, calcula que no quesito eficiência são necessários US$ 31 para economizar 1 MWh, enquanto para gerar esse mesmo MWh seria necessário quase 4 vezes esse valor. A matemática por trás dessas estimativas pode variar bastante, mas uma coisa podemos dizer com propriedade, tanto na indústria como nos comércios, muito se pode melhorar no quesito eficiência e de desperdícios e que não requer investimentos financeiros em máquinas novas ou coisas super complexas.
Diferentes linhas de ação em eficiência energética para uma empresa
Existem algumas maneiras diferentes de atacar os problemas de eficiência energética, mas note que daqui para frente as coisas vão começar a se misturar, tanto a eficiência energética quanto a redução do consumo também. Existe certa discussão de onde se acaba um e onde começa o outro, mas aqui na CUBi nós gostamos de juntar tudo e colocar no bolo de potencial de eficiência energética. Existem 3 linhas principais que podem gerar aumento da eficiência energética nas empresas.
Tecnologias: essa é menina dos olhos que vemos por aí, o mercado em geral busca elementos nessa categoria, mesmo que muitas vezes não seja o que precisam. Dos 3 itens talvez seja o mais palpável, por isso as pessoas gostam tanto de se apoiar nessa linha. A categoria é para produtos ou serviços que tragam maior eficiência a um processo. Exemplos: no escritório, a escolha de um ar condicionado com selo do PROCEL. O produto com nota A será mais energeticamente mais eficiente que uma nota C. Na indústria existem casos bastante corriqueiros em que a decisão tomada nem sempre é a melhor. Existem motores elétricos, por exemplo, que irão trabalhar 24 horas por dia nas indústrias que serão instalados. Alguns destes irão ter um custo de energia nos primeiros meses até maior do que o próprio custo da aquisição do motor, ou seja, o preço pago na hora de comprar o motor pouco vai importar no custo final do ativo quando considerado toda a sua vida útil. Mesmo que situações assim sejam corriqueiras, muitos compram motores elétricos apenas considerando o seu custo inicial. Tecnologias mais eficientes podem trazer altos ganhos/economias, tudo depende de um estudo prévio para uma melhor tomada de decisão.
Controle: as ações de controle são muitas vezes deixadas de lado, por vários motivos dentre as empresas. Elas podem incluir desde ações muito simples sem sofisticação alguma até tecnologias mais avançadas (que acabam se mesclando com o item de tecnologias anterior), estão incluídos aqui os softwares de gestão de energia. O importante é que exista controle e acompanhamento do consumo da empresa e seus ativos. Primeiro porque energia é um custo variável e muita vezes representativo (alguns comércios e indústrias chegam a possuir energia elétrica como seu segundo maior gasto na estrutura de custos). Segundo porque a frase é válida: só conseguimos gerenciar o que medimos. Ter o conhecimento de quanto se consome, onde se consome e quando se consome pode ser um poderoso recurso que vamos falar no tópico a seguir. Conseguir fazer um acompanhamento fino de consumo também cria a possibilidade de criar e acompanhar indicadores, melhorias, problemas e muito mais. Conhecimento e controle energético de um processo produtivo têm o potencial de derivar muitas outras ações para várias áreas. 
Podemos dar um exemplo interessante que temos aqui na CUBi. Uma vez fomos contratados por uma empresa que não possuía controle algum sobre seu consumo energético, apenas acompanhava as faturas de energia. Fomos chamados para avaliar seus principais consumos, com a suspeita de que o ar condicionado era o pior deles. A preocupação era tanta que há poucos anos todo o maquinário de condicionamento de ar tinha sido substituído por um mais eficiente, mas como as contas de energia ainda estavam altas, resolveram investigar.  Depois de um tempo de monitoramento, descobrimos o contrário do esperado, que o ar condicionado era responsável por menos de 5% do consumo de toda a empresa. A descoberta não só foi o contrário do que a empresa esperava, mas também trouxe questões complicadas sobre a troca passada do equipamento que havia sido caro. O payback que haviam desenhado “esperando” que o ar condicionado compusesse de 40% a 50% da conta fazia sentido. Com o consumo real na casa de 5%, o projeto se mostraria inviável financeiramente. Infelizmente, a empresa só descobriu isso anos depois de ter feito esse mau investimento.
Comportamento: Outro item muito pouco valorizado em geral por empresas, mas que pode trazer resultados muito mais altos do que o esperado, são as mudanças de processo ou comportamentais. Um ponto bastante positivo e que gostamos de explorar aqui na CUBi é o fato de que através de novos processos e mudanças no comportamento, as empresas podem obter ótimos resultados com investimentos ínfimos se em comparação com a implementação de novas tecnologias, por exemplo. As ações comportamentais muitas vezes ocorrem quando as empresas passam a utilizar sistemas de controle como os indicados acima e faz sentido que passem a ver oportunidades ao entender melhor seu consumo dentro do processo. Os exemplos que temos aqui na CUBi são variados também, mas por exemplo, não é incomum encontrarmos linhas industriais onde o consumo “fora do horário produtivo” chega na casa do 40%. Isso significa que 40% do consumo de uma linha produtiva ocorre em momentos que a empresa não está gerando valor, portanto, pode ser considerado desperdício. Muitos desses casos ocorrem porque os operadores foram almoçar e deixaram máquinas ligadas, ou no final de turno, esqueceram de colocar as máquinas em hibernação, ou algumas já precisam sofrer manutenção, e por aí vai. São ações simples, que o operador já sabe fazer, mas o processo não estressa que o façam sempre, e por isso, ocorre o desperdício. Esse desperdício vai refletir na eficiência do sistema como um todo e a empresa vai pagar por cada kWh desperdiçado.
Essas foram só algumas linhas de ações que podem ser tomadas dentro das empresas e explicadas de maneira didática. Muitas vezes para encontrar e depois aproveitar melhorias em eficiência energética, as empresas fazem um combinado de várias linhas. O ideal é sempre tentar colocar números reais na ponta do lápis, para que seja possível avaliar quanto vai custar para economizar aquele kWh (ou MWh ou o que seja). O caminho mais natural usualmente é:
Entender o processo produtivo e conhecer bem os seus usos de energia;
Iniciar ações simples e caseiras de controle com faturas de energia, planilhas de excel, documentação de máquinas, etc. Aprender os termos básicos sobre energia e sua gestão. Logo ao engatinhar nessas ações, as dificuldades vão naturalmente aparecer.
Com as necessidades e dificuldades melhor compreendidas, iniciar a busca por um sistema mais robusto de gestão de energia que atenda os pontos de interesse e que o sistema caseiro não consiga atuar. Aqui é possível encontrar desde sistemas simples e antigos até sistemas mais avançados que automatizam o trabalho de processamento de dados, esse é o caso da CUBi, à partir daqui é onde atuamos com nossos clientes.
Com um sistema de controle implementado, indicadores podem ser criados para acompanhar processos e principalmente tornar visíveis as oportunidades de melhoria em eficiência energética. Cria-se o potencial de saber exatamente quanto cada mudança ou melhoria pode retornar de benefício financeiro antes mesmo de fazê-la (para não cair em problemas como o caso do ar condicionado que comentei acima).
Com essas informações reais sendo processadas rapidamente e oportunidades sendo geradas, chega a hora de se iniciar as melhorias. As comportamentais costumam vir primeiro, pois são mais baratas e trazem resultados rápidos. As melhorias em tecnologia costumam seguir e usualmente necessitam de investimentos mais altos. Desde que haja um estudo antes para demonstrar que a troca de tecnologia irá trazer benefícios reais, a chance de valer a pena é muito grande. Se o problema são os recursos financeiros para fazer as trocas, vale procurar uma ESCO, empresas que têm dinheiro e capacidade para implementar os projetos. Quando esse é o caso com nossos clientes, nós mesmos trazemos parceiros especializados para auxiliar.
Com todas essas ações rolando, nada é mais importante do que seguir firme com seu sistema de controle/gestão de energia, porque é nele que serão identificadas e monitoradas as melhorias sendo implementadas. O controle se torna mais importante do que nunca porque agora é a hora de mostrar que o esforço investido em um sistema de gestão de energia, mudanças comportamentais e novas tecnologias está trazendo benefícios palpáveis para as pessoas, áreas e a empresa como um todo.
Caso haja problemas com algumas dos sistemas implementados, a equipe de gestão de energia deverá estar mais do que apta para avaliar os indicadores negativos e buscar a causa raiz do problema. Melhorias em comportamento, por exemplo, trazem resultados rápidos, mas necessitam de um trabalho contínuo, senão as melhorias vão sendo perdidas.
Por último, ter certeza que o sistema de gestão será continuamente usado pela empresa, gerar cases de sucesso (para servir de embasamento na hora de pensar em novos projetos) e compartilhar com os resultados com o mercado e stakeholders. Afinal, sem dúvida foi um esforço grande para trazer a empresa a um patamar de eficiência, então é justo que o mercado a reconheça como tal. (cubienergia)