quarta-feira, 22 de março de 2023

Integração com Argentina inclui gás, offshore e hidrelétricas binacionais

Compromissos assumidos pelos 2 países na viagem do presidente Lula ao país vizinho envolve biocombustíveis, hidrogênio, eólica, solar e lítio.

O financiamento pelo BNDES de parte de um gasoduto que poderá abastecer o Brasil com o gás argentino no futuro, em substituição à produção da Bolívia, foi um dos pontos tratados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na viagem à Argentina. A discussão sobre integração energética é parte da agenda de Lula com o presidente Alberto Fernandez, e inclui não apenas o gás, mas o desenvolvimento de projetos de exploração de energia offshore e de potenciais hidrelétricos binacionais.

Os dois governos incluíram entre os compromissos assumidos a criação de um grupo de trabalho para aprofundar as discussões sobre a integração energética bilateral. Há a intenção de promover um mercado de energia sul-americano, com aumento do intercâmbio de gás natural, de gás liquefeito de petróleo (GLP) e de energia elétrica entre os dois países.

A agenda conjunta prevê também ações de incentivo a cadeias e complexos produtivos, com ênfase em biocombustíveis, hidrogênio, hidroeletricidade e energia eólica e solar, além da cadeia de lítio. A ideia é reativar o comitê técnico responsável pelos estudos relacionados a empreendimentos hidrelétricos binacionais em trechos do Rio Uruguai e de seu afluente Peperí-Guaçú.

A cooperação bilateral e projetos conjuntos para usos pacíficos da energia e da tecnologia nucleares fazem parte da estratégia conjunta nessa área. Foi destacada ainda a aliança estratégica dos dois países nas negociações sobre mudança do clima, com o apoio argentino à candidatura da cidade de Belém/PA a sede da COP 30, em 2025.

Gasoduto

Lula confirmou em 23/01/23, a participação do banco brasileiro no financiamento da segunda parte do gasoduto Néstor Kirchner. A primeira fase da instalação foi concluída, e os argentinos buscam recursos para contratar o segundo trecho, de cerca de 500 km, que ligará os campos de óleo e gás da região de Vaca Muerta até San Jerónimo. Em uma fase futura, o gasoduto poderá chegar ao Brasil.

Os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e da Economia argentino, Sergio Massa, também trataram do tema em entrevista coletiva em Buenos Aires. Questionado sobre o financiamento, quando o Brasil tem amplas reservas de gás do pré-sal e reinjeta grande parte do insumo, Haddad destacou o potencial de geração de energia limpa no continente e deixou claro que o Brasil pode usar tanto o gás do pré-sal quanto o de Vaca Muerta.

Massa explicou que o segundo tramo do gasoduto deverá abastecer parte do litoral e o norte argentino. Há sobras, segundo ele, que podem ser usadas na construção de um ramal para trazer gás para o Brasil. O ministro lembrou ainda que o gás da Bolívia está em declínio, o que afetará o atendimento futuro aos dois países. (canalenergia)

CPFL Energia investe R$ 40 milhões em tecnologias de hidrogênio verde

CPFL Energia pretende investir R$ 40 milhões em tecnologias de hidrogênio verde.
CPFL Energia lança Plano ESG com metas até 2030.

Entre os destaques está a descarbonização, com meta de ser carbono neutro a partir de 2025.

Plano ESG da companhia com metas até 2030 mostra descarbonização e geração de energia 100% renovável.

Grupo CPFL Energia divulgou recentemente um novo plano de sustentabilidade, governança e responsabilidade social (ESG) para 2030 que prevê investimentos de cerca de R$ 40 milhões em projetos de tecnologias de hidrogênio verde. O objetivo do plano é contribuir para a transição energética do país, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa e aumentando a eficiência energética.

Além disso, a companhia pretender ser carbono neutro (a partir de 2025) e gerar energia 100% renovável, o que contribuirá para a redução de 35% das emissões totais em relação à média histórica. Até 2030, o portfólio de geração de energia será 100% renovável. Hoje, a CPFL já com uma estrutura de hidrelétricas (UHEs, PCHs e CGHs), usinas de biomassa e parques eólicos que já contribuem com esse perfil de emissões e pretendem estudar a viabilidade de tecnologias de hidrogênio verde para o negócio.

O plano também inclui o compromisso de avaliar 100% dos fornecedores críticos em critérios de sustentabilidade e atingir pelo menos 85% dos gastos com empresas que apresentam práticas avançadas em sustentabilidade. O investimento de mais R$ 140 milhões em programas de eficiência energética em hospitais públicos e filantrópicos também está entre os compromissos.

O presidente do grupo, Gustavo Estrella, afirma que o plano ESG 2030 da CPFL Energia traz novas diretrizes e estratégias para que possa fornecer energia sustentável, acessível e confiável em todos os momentos.

E em todas as operações, o grupo busca a menor pegada ambiental, mantendo altos padrões de qualidade e eficiência. O avanço no uso consciente dos recursos naturais, com ações estruturadas de ecoeficiência em suas instalações, fortalece ainda mais as diretrizes de atuação visando conservar e potencializar o impacto positivo líquido na biodiversidade. (canalenergia)

segunda-feira, 20 de março de 2023

Copa Energia e Aggreko utilizam GLP para gerar energia elétrica

Copa Energia e Aggreko formam parceria para utilizar o GLP para geração de energia elétrica.
Pesquisa feita em parceria com a UFMS busca abrir uma nova frente no mercado de geração de energia no país.

A Copa Energia, distribuidora de GLP da América Latina, e a Aggreko, empresa de fornecimento de serviços de energia, anunciaram parceria no Brasil. Após mais de um ano trabalhando na validação junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), as empresas receberam aprovação para atuar em parceria com a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) em pesquisa que estuda o uso do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), também conhecido como “gás de cozinha”, como combustível em um gerador de energia a gás.

De acordo com as empresas, o projeto de Geração de Energia tem como objetivo avaliar a eficiência energética e economicidade de um grupo motor gerador (GMG) alimentado por GLP, que vai gerar energia elétrica tanto no modo off grid (sem conexão à rede de distribuição) como no modo on grid (conectado à rede de distribuição). O experimento será realizado no período de maior consumo da rede, fornecendo energia elétrica para a universidade. Com previsão de início de operação para o primeiro trimestre de 2023, agora começa a fase de montagem estrutural.

Objetivo da pesquisa é produzir dados técnicos e científicos que possam promover a abertura do mercado para novos usos do GLP.

Parceria entre Copa Energia, Aggreko e UFMS vai instalar na universidade uma central de GLP conectada a um gerador.

Copa Energia instalará na UFMS uma central de GLP conectada a um gerador, o qual foi especialmente desenvolvido para o projeto pela Aggreko. Gerador utilizou as especificações do GLP do Brasil, com potência de 85 Kw e será ligado à rede de abastecimento da concessionária local. A técnica, segundo a empresa, permite que a energia gerada seja direcionada para qualquer parte da universidade. Acompanhamento contínuo será feito pela UFMS, Copa Energia e pela ANP, validará desde a instalação até a qualidade de geração.

Geração de energia com gás liquefeito de petróleo é discutida para o trimestre de 2023, Brasil ainda importa GLP.

Projeto teve início em abril/2022 e agora entra na fase da montagem do GMG. Após o fim do projeto, o equipamento será inteiramente doado pela Aggreko à Agência de Internacionalização e Inovação (Aginova) da UFMS. O objetivo desta pesquisa é produzir dados técnicos e científicos que possam promover a abertura do mercado para novos usos do GLP no Brasil, neste caso, com a geração de energia elétrica mais limpa e sustentável. (canalenergia)

Parceria de cooperativas do PR visa expansão ao H2 Verde

Parceria receberá financiamento do projeto H2Uppp ao valor de mais de €$ 2 milhões e atenderá mais de 300 cooperados.

Cooperação Brasil/Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável e a empresa alemã Mele Gruppe de Torgelow anunciaram parcerias com cooperativas no Paraná para atuar no mercado de H2 Verde.  O acordo é com a Cooperativa de Energias Sustentáveis (Ambicoop) e a Cooperativa de Energias Renováveis e Saneamento Rural (Coopersan) e além do insumo vale também para seus derivados.

A parceria receberá financiamento do projeto H2Uppp e visa converter o gás metano dos resíduos animais em energia sustentável. Ela envolve a produção de hidrogênio verde a partir da utilização do esterco de porco. A capacidade total de produção estimada é de cerca de 275 toneladas de derivados de hidrogênio verde por dia. O projeto está presente em 17 países, entre eles o Brasil, e prevê investimento total de €$ 2,3 milhões.

A parceria possibilitará a redução do uso de fertilizantes minerais e certificação de bem-estar animal para os 332 cooperados. Além disso, os rejeitos animais deixarão de ser descartados na natureza, evitando a contaminação dos lençóis freáticos da região. E toda a demanda de energia para o processo de eletrólise será suprida por sistemas fotovoltaicos e hidrelétricos. O biogás produzido será processado em metanol, derivado de hidrogênio, com a adição de hidrogênio verde. A capacidade total de produção é de cerca de 88 mil toneladas/ano.

Paraná de olho no hidrogênio verde

Atento a esse movimento do mercado, o Governo do Paraná, por meio do Sistema Estadual de Agricultura (Seagri), trabalha na elaboração de uma política pública de aproveitamento de forma intensiva de dejetos agropecuários com vistas à produção de biogás e biometano e foco no hidrogênio verde.

Uma das estratégias é preparar o Paraná para ser um dos ambientes brasileiros mais propícios à produção do energético. A nova política que estimulará o biogás e o biometano pretende ampliar os benefícios e estímulos tanto pela tributação incentivada como pela subvenção às taxas de juros dos financiamentos rurais. Isso possibilitará que produtores, agroindústrias e cooperativas agropecuárias tenham atrativos para instalar biodigestores em suas respectivas propriedades.

Política pública em discussão terá sua primeira versão apresentada até fevereiro/23. Depois, passará por análise e discussões com o setor produtivo e suas instituições, sendo aperfeiçoada durante março/23. A previsão do anúncio oficial está entre 18 e 20/04/2023, durante o Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, que ocorrerá em Foz do Iguaçu. (canalenergia)

sábado, 18 de março de 2023

Itaipu manterá vertedouro aberto até o final de janeiro/23

Vertedouro de Itaipu deve continuar aberto até o fim de janeiro/2023.

Medida é necessária para escoar o excedente de água não usado para geração de energia e manter a segurança da barragem.
Itaipu Binacional

O vertedouro de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR), na fronteira do Brasil com o Paraguai, deve permanecer aberto até pelo menos o fim de janeiro/23. A previsão da Diretoria Técnica se baseia nas condições hidrológicas do rio Paraná e no atual panorama no cenário de geração de energia. As comportas da calha esquerda foram abertas em 14/01/2023, com previsão inicial de duração de dez dias.

A medida é necessária para escoar o excedente de água não usado para geração de energia e manter a segurança da barragem. Outras hidrelétricas do Sistema Interligado Nacional (SIN) também passaram a verter nos últimos dias, como no complexo Belo Monte (Rio Madeira) e nas bacias dos rios São Francisco e Rio Grande. A elevação do nível do reservatório destas usinas foi causada pelo aumento das chuvas, associado ao incremento da geração pelas fontes fotovoltaica e eólica.

Após escassez recorde, hidrelétricas começam a abrir as comportas.

Depois de 15 meses fechadas, as comportas dos vertedouros da usina hidrelétrica Itaipu Binacional, foram reabertas em 14/01/23.

De acordo com comunicado da geradora, em 18/01/23, foram abertas as comportas do vertedouro da usina de Porto Primavera, em Rosana (SP), instalada no Rio Paraná, a montante (acima) de Itaipu. A última abertura do vertedouro de Itaipu ocorreu em 23/01/21, portanto, há mais de um ano. (canalenergia)