Custo com vertimento
turbinável pode chegar a R$ 6/MWh até 2025.
Projeção da PSR aponta
concentração do curtailment em algumas usinas como desafio ainda maior, assim
como as discussões e diferenciações entre flexibilidade e serviços ancilares.
O chamado vertimento
turbinável, situação na quais usinas hidráulicas poderiam estar gerando energia
pela quantidade abundante de água passando por suas comportas, mas que não
acontece em consequência direta da inserção e sobrecontratação das renováveis complementares,
pode custar R$ 6 o MWh até 2025 e concentrado em alguns empreendimentos, o que
impõe um desafio ainda maior para o setor na visão da PSR.
Os dados trazidos em 30/03/23, pelo coordenador de projetos e consultor de assuntos
regulatórios da consultoria, Jairo Terra, mostram ser preciso a implementação
de um mecanismo que possa de fato revelar quais os custos das fontes eólica e
solar, que trazem um modelo de negócios em que os valores variáveis operativos
são tratados como nulos, além da discussão sobre qual é o verdadeiro custo das
hidrelétricas, o que varia muito de usina a usina.
“Tem UHE que prefere pagar ao
invés de deixar de gerar e comprometer de alguma forma suas máquinas”, comentou
o especialista durante o terceiro bloco de apresentações e debates do Workshop
PSR, evento promovido em parceria com o Grupo CanalEnergia/Informa Markets no
Rio de Janeiro. Ele também afirmou que o quadro técnico da PSR está
desenvolvendo diversos estudos envolvendo as temáticas de serviços ancilares,
flexibilidade e separação de lastro e energia, haja visto que muitos geradores
têm passado por situações críticas.
“Serviços ancilares hoje não
são remunerados e tem competido com a geração das usinas, como no caso do
suporte reativo, algo que deveria ser pago considerando o custo de oportunidade
e de disponibilização dos equipamentos de determinada maneira”, complementa,
citando um levantamento no qual avalia como ficaria a flexibilidade do sistema
sem hidrelétricas, com valores expressivos entre R$ 20/MWh a R$ 100/MWh.
Além do vertimento
turbinável, também chamado de curtailment, a apresentação apontou outras
problemáticas para a fonte, como falta de previsibilidade do tempo de
concessões, ausência de incentivos à eficiência, muito por conta da
regulamentação desenhada para o MRE, além das restrições operativas,
principalmente de cunho ambienta e social, e a falta de remuneração adequada
aos serviços prestados ao sistema. “Não há outro caminho que não o
aprimoramento regulatório”, ressalta. Os rumos para a fonte hídrica foram
tratados também recentemente em uma reportagem especial aqui da Agência
CanalEnergia.

Restrições operativas
impostas às hidrelétricas podem trazer prejuízos ao O&M das turbinas
(Cemig).
Novos mercados de capacidade,
serviços ancilares e flexibilidade
Uma tônica das apresentações
do começo da tarde foi a necessidade de definição e conceituação entre os novos
produtos, bem como a definição das necessidades do sistema e especificação dos
serviços de forma isonômica, no sentido de que a consagração virá daquele
recurso que prover melhor determinado serviço e de maneira menos onerosa.
“Temos que ver as necessidades
reais sob ponto de vista do sistema, mas precisamos definir o que é
flexibilidade, como um recurso disponível todo momento para o sistema ou
definir algum momento em que será provido especificamente”, resume Terra,
tecendo sua conceituação como a habilidade do gerador de seguir a carga líquida
do sistema.
Pelo lado da capacidade, são
pelo menos 7 GW de potencial de ampliação de usinas com espaços vazios para
novas turbinas a um custo muito baixo, além da repotenciação ao longo dos anos.
Já segundo o PDE 2032 serão necessários 5 GW para atendimento da ponta até
2028, o que segundo Jairo Terra exigiria um leilão de capacidade com as
hídricas ainda nesse ano, citando também as projeções da Empresa de Pesquisa
Energética (EPE) de 13 GW até 2031.

“Serão R$ 4,4 bilhões anuais
de investimentos para o mercado de potência a partir de 2028, com base e
atualização sob os preços ofertados no último leilão de reserva de capacidade”,
informa o especialista.
Questionado sobre a
competitividade entre térmicas e UHEs nos certames, Terra ressalta que para
essa comparação direta é preciso calcular a contribuição de potências das
hidrelétricas, do quanto tem de risco de não entregar a energia, e que faz
sentido a participação de eólicas e solares no leilão de capacidade cumprindo
os contratos conforme cada momento avaliado para o sistema, o que deve valer
para qualquer fonte.
Sobre serviços ancilares, o
especialista da PSR citou boas oportunidades com controle de frequência,
suporte de reativos e de auto restabelecimento de geradores, diretamente
proporcional ao maior incremento de renováveis intermitentes na matriz. Ademais
trouxe dados do Chile e Reino Unido, que gastam US$ 585 milhões e US$ 2 bilhões
respectivamente com o segmento, sendo importante trazer um regulamento que
remunere esse tipo de serviço no Brasil, que hoje pela lei recairia no
consumidor.

Por fim, os últimos destaques
do painel foram as perspectivas futuras do lastro de flexibilidade como um novo
produto a ser gerado e remunerado, e o resultado da enquete feita com o
público, sobre quais os serviços seriam mais interessantes para o sistema no
futuro, com 50% indo para flexibilidade, 25% para capacidade e 15% para os
serviços ancilares. (canalenergia)