quarta-feira, 2 de agosto de 2023

MME aponta prioridades da transição energética brasileira

Baterias já são viáveis em projetos de geração distribuída solar para comunidades remotas.

Acesso a financiamento de baixo custo, arcabouço regulatório, estímulo a pesquisa, inovação e melhorias na estrutura tributária com o foco no mercado de carbono foram citadas por diretora da pasta.

Uma das frentes priorizadas pelo MME é a chamada descarbonização da Amazônia, não só pelo combate ao desmatamento e avanço do agronegócio, mas pela região ser basicamente atendida por geradores a diesel, numa proporção de 80%.

MME reforça protagonismo brasileiro na transição energética em reunião do G20

As políticas de universalização de acesso à energia limpa, o alto percentual de renováveis na matriz elétrica nacional e ações para promoção da eficiência energética foram os grandes destaques da participação do Brasil no encontro realizado na Índia.

O Ministério de Minas e Energia (MME) representou o Brasil na 2ª reunião do Grupo de Trabalho de Transições Energéticas (ETWG) do G20, agora sob a presidência da Índia, em 02 e 03/04/23. O grupo se reuniu na cidade indiana de Gandhinagar e debateu o desenvolvimento de políticas e estratégias para apoiar a transição global para fontes de energia limpas e sustentáveis.

A participação brasileira foi destaque em todos os debates, devido ao protagonismo nacional nos temas levantados pelas delegações dos países do G20. São eles: as lacunas tecnológicas e o financiamento de baixo custo para a transição energética; segurança energética e cadeias de abastecimento diversificadas; eficiência energética, transições industriais de baixo carbono e consumo responsável; combustíveis para o futuro e o acesso universal à energia limpa.

“São debates que permitem ampliar a cooperação internacional com a redução das emissões de gases de efeito estufa e ampliação do acesso de energia limpa, consideradas prioridades do Governo do presidente Lula. Com esse esforço conjunto, garantiremos uma transição energética justa, acessível e inclusiva, permitindo que ninguém seja deixado para trás neste importante processo”, destacou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, sobre a participação do Brasil neste GT do G20.

Um dos temas destacados foi a ampliação do uso de bioenergia para que os países possam atingir as metas climáticas de descarbonização. O diretor do Departamento de Informações e Estudos Energéticos, da Secretaria de Planejamento e Transição Energética do MME, Gustavo Masili, representou o país no evento e destacou a experiência brasileira nesse sentido.

“No Brasil, a bioenergia nunca foi deixada de lado. A bioenergia moderna e sustentável é a fonte de energia limpa mais importante em nosso país. Para ser preciso, corresponde a um terço da oferta total de energia. É uma das principais razões pelas quais temos, de longe, a matriz energética mais renovável de todas as grandes economias do mundo”, destacou Masili.

Na ocasião, foi proposta a formação da Aliança Global de Biocombustíveis, que recebeu amplo apoio dos países membros. Para o Brasil, este foi um passo importante para alcançar as metas de descarbonização, bem como promover um crescimento econômico social, especialmente em países em desenvolvimento, com a criação de empregos de alta qualidade nas regiões produtoras.

Ampliação das “tecnologias limpas”

Uma das prioridades do GT foi a implantação de tecnologias limpas, como a energia solar fotovoltaica e a energia eólica. Nesse sentido, o Brasil foi visto como um importante colaborador para as discussões do grupo e um potencial parceiro em futuras colaborações em questões de energia sustentável. Atualmente, mais de 85% da matriz elétrica é de fontes renováveis, como hidrelétrica, eólica e solar, o que a torna uma das matrizes mais renováveis do mundo.

Luz para Todos

Sobre a questão do acesso universal à energia limpa, foi ressaltado o sucesso brasileiro com um dos maiores programas globais de inclusão e acesso à energia elétrica: o Luz para Todos. Criado em 2003, no governo do presidente Lula, o programa oferece 100% de cobertura de energia elétrica em áreas urbanas e 98% em áreas rurais. O representante do MME, Gustavo Masili, afirmou aos participantes que o exemplo brasileiro pode ser replicado no mundo, em que quase 733 milhões de pessoas ainda não tem acesso à eletricidade.

“Trata-se de um dos maiores programas globais de inclusão e o Brasil está empenhado em trabalhar ao lado do G20 para fornecer esse exemplo de acesso universal à energia limpa e justa”, destacou Masili. Também foi compartilhada a experiência do programa em levar fornecer energia renovável para famílias em áreas remotas da região da Amazônia.

Eficiência Energética

Sobre a eficiência energética, por exemplo, foram ressaltadas as políticas como a Lei Nacional de Eficiência Energética para estimular o desenvolvimento tecnológico, tornar produtos e serviços mais eficientes e preservar o meio ambiente. Também foram compartilhadas experiências do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) e o Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), que têm como foco a promoção da eficiência energética no setor industrial, um dos mais intensivos em energia do país.

Para o Brasil, a eficiência energética é uma das prioridades, uma vez que é instrumento de segurança energética, que traz previsibilidade, planejamento e racionalidade no uso de um recurso energético.

Mais sobre a ETWG

A 2ª reunião do Grupo de Trabalho de Transições Energéticas (ETWG) do G20 contou com a participação de mais de 100 delegados de países membros do G20, 10 países convidados especiais e 14 organizações internacionais. Os participantes também avançaram nas negociações para que o G20 apresente roadmap para financiamento de baixo custo para a transição energética em países em desenvolvimento e para colaboração em minerais críticos. Uma reunião ministerial do G20 está programada para ser realizada na cidade de Goa em julho deste ano, onde devem ser apresentadas as metas definidas a partir das reuniões do GT. (gov.br)

O que é uma smart city e como ela pode transformar a vida urbana

Conheça o conceito de cidade inteligente (smart city), seus benefícios e desafios.

As cidades estão passando por uma transformação acelerada em todo o mundo, impulsionadas pela inovação tecnológica e pela busca por soluções mais eficientes e sustentáveis. Entre os termos cada vez mais presentes no vocabulário urbano, destaca-se o conceito de “smart city” ou “cidade inteligente“. Mas afinal, o que realmente define uma smart city e quais são suas características?

Uma smart city é muito mais do que apenas uma cidade com uma infraestrutura tecnológica avançada. É um ecossistema urbano que integra tecnologias de informação e comunicação (TIC) e dispositivos físicos conectados à rede da Internet das Coisas (IoT) para otimizar a eficiência das operações e serviços da cidade, ao mesmo tempo em que busca se conectar de forma mais efetiva com os cidadãos.

Uma das principais características de uma smart city é a coleta de dados específicos por meio de diferentes métodos eletrônicos e sensores espalhados pela cidade. Esses dados são utilizados para gerenciar ativos, recursos e serviços de forma mais eficiente, resultando em uma melhoria geral nas operações urbanas. Desde a gestão do tráfego até o uso de energia, os dados coletados permitem que as cidades tomem decisões mais embasadas e implementem soluções mais eficientes.

Além disso, uma cidade inteligente busca utilizar a tecnologia para promover a interação entre os funcionários municipais, os cidadãos e a infraestrutura urbana. Isso inclui a possibilidade de monitorar em tempo real o que está acontecendo na cidade e como ela está evoluindo, permitindo uma resposta mais rápida e eficaz aos desafios urbanos. As TIC também são utilizadas para melhorar a qualidade dos serviços urbanos, reduzir custos, aumentar a interatividade com o governo e promover o engajamento cívico.

No entanto, o termo “smart city” ainda é bastante amplo e aberto a diferentes interpretações. O grau de inteligência de uma cidade varia de acordo com várias características, tais como: uma infraestrutura baseada em tecnologia, iniciativas ambientais, transporte público eficaz e altamente funcional, planos urbanos confiantes e progressistas, e a capacidade das pessoas de viver e trabalhar dentro da cidade utilizando seus recursos.

Segundo o Cities Motion Index, um ranking elaborado pelo IESE Business School da Espanha, existem 10 critérios que definem uma cidade inteligente:

1) Capital humano: refere-se à capacidade de atrair e reter talentos em diferentes áreas, bem como ao nível de educação e cultura da população.

2) Coesão social: refere-se ao grau de coexistência entre grupos de pessoas com diferentes rendas, culturas, idades e profissões, bem como à qualidade dos serviços públicos de saúde, assistência social e segurança.

3) Economia: refere-se ao desenvolvimento econômico sustentável do território, com base na inovação, no empreendedorismo e na produtividade.

4) Meio ambiente: refere-se à gestão dos recursos naturais e à redução dos impactos ambientais da atividade humana, como emissão de gases de efeito estufa, poluição do ar e do solo e geração de resíduos.

5) Governança: refere-se à transparência, à participação e à colaboração entre os diferentes atores públicos e privados que atuam na cidade, bem como à eficácia e à eficiência da administração pública.

6) Planejamento urbano: refere-se ao desenho e à organização do espaço físico da cidade, levando em conta aspectos como densidade populacional, uso do solo, infraestrutura básica e acessibilidade.

7) Projeção internacional: refere-se à capacidade da cidade de se conectar com outras cidades e regiões do mundo, por meio de redes de cooperação, intercâmbio cultural e atração de investimentos.

8) Mobilidade e transporte: refere-se à facilidade de deslocamento das pessoas e das mercadorias dentro e fora da cidade, por meio de modais diversos, integrados e sustentáveis.

9) Capital social: refere-se ao nível de confiança, solidariedade e engajamento dos cidadãos com a cidade e entre si.

10) Tecnologia: refere-se ao uso das TIC para facilitar a comunicação, a informação e a prestação de serviços na cidade.

Algumas cidades que se destacam nesses critérios são Nova York (EUA), Londres (Reino Unido), Paris (França), Helsinki (Finlândia), Singapura (Singapura), Tóquio (Japão) e Seul (Coreia do Sul). No Brasil, São Paulo é a cidade mais bem colocada no ranking do IESE Business School.

O sucesso de uma smart city depende da colaboração entre os setores público e privado. Enquanto o governo local desempenha um papel fundamental na criação e manutenção de um ambiente baseado em dados, muitas vezes é necessária a colaboração com empresas para fornecer a tecnologia e a expertise necessárias. Além disso, os analistas de dados desempenham um papel crucial, avaliando as informações coletadas pelos sistemas da smart city e encontrando soluções para problemas e possíveis melhorias.

Benefícios das cidades inteligentes

Os benefícios das cidades inteligentes são diversos e abrangem diferentes áreas, como mobilidade, segurança, saúde, educação e cultura. Algumas das vantagens de se viver em uma cidade inteligente são:

– Maior eficiência no transporte público, com sistemas integrados que permitem o planejamento de rotas, o monitoramento do tráfego e a redução de emissões de poluentes.

– Maior segurança pública, com câmeras de vigilância, iluminação inteligente e sensores que detectam situações de risco e alertam as autoridades competentes.

– Maior qualidade na saúde, com hospitais conectados que facilitam o acesso aos dados dos pacientes, o diagnóstico e o tratamento de doenças, além de dispositivos vestíveis que monitoram os sinais vitais e enviam alertas em caso de emergência.

– Maior acesso à educação e à cultura, com escolas equipadas com recursos digitais que estimulam o aprendizado interativo e personalizado, além de plataformas que oferecem cursos online e conteúdos culturais diversificados.

– Maior sustentabilidade ambiental, com sistemas de gestão de resíduos, energia e água que promovem o consumo consciente e a economia circular.

Desafios das cidades inteligentes

Os desafios das cidades inteligentes também são variados e exigem a participação de diferentes atores, como governos, empresas, organizações sociais e cidadãos. Alguns dos obstáculos para a implementação das cidades inteligentes são:

– Alto custo de infraestrutura e manutenção dos equipamentos e sistemas tecnológicos necessários para a operação das cidades inteligentes.

– Falta de padronização e interoperabilidade entre as diferentes plataformas e soluções tecnológicas utilizadas nas cidades inteligentes.

– Risco de violação da privacidade e da segurança dos dados dos usuários dos serviços e aplicativos das cidades inteligentes.

– Falta de inclusão digital e social dos segmentos mais vulneráveis da população, que podem ficar excluídos ou marginalizados dos benefícios das cidades inteligentes.

– Falta de conscientização e engajamento dos cidadãos sobre o papel que eles desempenham nas cidades inteligentes, tanto como usuários quanto como produtores de dados e informações.

As cidades inteligentes são uma tendência global que pode trazer muitas oportunidades e melhorias para a sociedade. Uma cidade inteligente vai muito além da tecnologia. Ela busca utilizar a tecnologia como uma ferramenta para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, promover a sustentabilidade e a eficiência dos serviços urbanos, e criar uma interação mais próxima entre a cidade, seus habitantes e sua infraestrutura.

É um conceito em constante evolução que promete transformar o futuro das cidades e moldar a forma como vivemos e nos relacionamos com o ambiente urbano. (ecodebate)

O que fazer com os rejeitos radioativos nas ‘Cidades nucleares’?

Os principais impactos socioambientais provocados pela política nuclear do Brasil estão relacionados principalmente à extração e ao processamento para obtenção do urânio, e outros elementos químicos pesados de interesse comercial.

A mineração produz grande quantidade de rejeito nuclear, termo técnico para designar lixo nuclear ou lixo atômico. As usinas nucleares também produzem grande quantidade de lixo. Sem dúvida, este é o grande problema. O que fazer com os rejeitos radioativos?

Países que operam ou que operaram usinas nucleares não encontraram locais seguros e definitivos para armazenar os rejeitos produzidos após o uso do combustível nuclear. Atualmente o lixo produzido está armazenado em locais provisórios, pois o armazenamento permanente é uma questão não resolvida. Restando assim uma herança maldita para as gerações futuras.

No Brasil, existem municípios/territórios onde os riscos a impactos relacionados à exposição à radiação são maiores que outros, pois abrigam atividades nucleares. Caso o material radioativo seja exposto ao meio ambiente (vazamento de água radioativa, de gases extremamente tóxicos, …) afetará a saúde das populações próximas e os ecossistemas.

Os conflitos, neste caso, estarão relacionados ao vazamento de materiais tóxicos e radioativos, à contaminação (água, ar e solo), ao aumento do câncer em populações diretamente atingidas, aos depósitos de rejeitos em locais inadequados e inseguros, além da necessária remoção forçada das pessoas de suas habitações. A disputa pelo uso da água entre a mineração do urânio e para o consumo humano/animal/produção é outro elemento importante. Por exemplo, no sertão cearense esta disputa poderá ocorrer em breve, caso a mina de Santa Quitéria inicie seu funcionamento.

Verifica-se que 11 municípios em 6 Estados estão nesta situação de ter atividades nucleares, ou mesmo receber rejeitos. Tudo sob a responsabilidade das Indústrias Nucleares do Brasil (INB).

Em São Paulo, Minas Gerais e Bahia a mineração de urânio deixou um rastro de contaminação, sofrimento, abandono, irresponsabilidade e morte. Os mais atingidos foram os que estavam na linha de frente, os trabalhadores e trabalhadoras, e suas famílias. Moradores mais próximos das minas, e aqueles que tiveram contato direto com material radioativo, sofrem as consequências da contaminação.

No Ceará, a resistência da sociedade é que não se repita a triste e trágica realidade encontrada, onde a mineração já foi explorada. No Rio de Janeiro, vazamentos de material radioativo das usinas nucleares são denunciados, e movimentos sociais de Angra dos Reis lutam pela desativação das 2 usinas em funcionamento, e de uma terceira em construção.

Em Goiás, o desastre com o césio 137, considerado o “maior desastre radiológico do mundo”, produziu uma grande quantidade de resíduos. Este episódio acabou desnudando a dificuldade de responder rápido a uma situação de vazamento de material radioativo em área urbana, a fragilidade dos órgãos de fiscalização, e a falta de planejamento da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

Na identificação das “cidades nucleares”, três grandes fontes de rejeitos radioativos foram levadas em conta: os rejeitos produzidos pela exploração de minerais radioativos no país que remonta aos anos 40 do século passado, a extração e concentração de urânio na mineração, e o “lixo” produzido pelas centrais nucleares em funcionamento.

A exploração mais antiga de minerais radioativos foi realizada por uma empresa privada, responsável pela prospecção de jazidas, e tratamento físico-químico da areia monazítica. Única fonte de urânio no país na época, antes do funcionamento da mina de Poços de Caldas (MG); a Usina de Santo Amaro-USAM, funcionou por mais de 50 anos no bairro do Brooklin, na zona sul da cidade de São Paulo, e teve suas atividades absorvidas pela atual INB.

Utilizava um processo de extração de minerais pesados e terras raras, a partir de areia monazítica. O subproduto deste processo, conhecido como “Torta II”, é um fosfato contendo metais pesados de terras raras. Este rejeito – herança radioativa da Nuclemon (empresa absorvida pela INB), com a desativação da usina – acabou sendo enviado para outras unidades da INB.

O rejeito da USAM está armazenado, ao menos 20%, na Unidade de Estocagem de Botuxim (UEB), no Sítio São Bento, em Itu (SP), em uma área de proteção ambiental. Outra parte, em torno de 5%, está na zona sul de São Paulo, bairro de Interlagos, na Unidade de Descomissionamento de SP (UDSP). Os 75% restantes na Unidade de Descomissionamento de Caldas (UDC).

Considerado como o primeiro complexo minero-industrial no Brasil, para a produção de concentrado de urânio, a mina de Caldas (MG), vizinha a Poços de Caldas (MG), funcionou até 1995, quando ocorreu a paralisação definitiva da lavra e tratamento do minério. Seu passivo ambiental consiste de grandes quantidades de rejeitos e resíduos radioativos oriundos, principalmente, da mineração e das atividades industriais. Além do rejeito da USAM, ambos municípios abrigam o lixo da usina local desativada, armazenado em galpões e em barragem de rejeito.

No município de Caetité (BA), está a Unidade de Concentração de Urânio (URA), administrada pela INB. Também é um local de mineração, desde 1999, ocupando uma área de 1.700 hectares. Desde o início da mineração deste campo uranífero várias manifestações da sociedade civil, sindicatos, ONGs, Igrejas têm questionado a atuação da INB, com denúncias comprovadas de irregularidades administrativas, acidentes de trabalho, indícios de contaminação ambiental das águas subterrâneas, aumento de doenças cancerígenas. Ilegalidades e irregularidades nunca devidamente apuradas e esclarecidas.

No Rio de Janeiro, município de São Francisco de Itabapoana, na praia de Buena, fica a Unidade de Descomissionamento de Buena (UDB). Atualmente suas atividades se restringem a recuperação e comercialização do que sobrou do processo de separação dos minerais pesados (ilmenita, zirconita, rutilo e monazita) da usina de beneficiamento de areia monazítica, cujas reservas estão esgotadas. Neste território existe um aumento da radiação pela concentração das terras raras, o que leva os moradores e trabalhadores a um convívio maior com risco de contaminação tóxica e radioativa.

Em Resende/RJ está a Fábrica de Combustível Nuclear (FCN), onde se processa o enriquecimento isotópico de urânio, a reconversão (gás-sólido), a produção de pastilhas e a montagem do combustível que abastece os reatores das usinas nucleares. Nesta unidade da INB circula material altamente radioativo e perigoso à vida humana e ao meio ambiente. E, logicamente, os moradores deste município estão sujeitos aos perigos decorrentes do vazamento de material radioativo ao meio ambiente. Conhecidos já ocorreram quatro vazamentos dentro da FCN, em julho/2009, em janeiro/2010, em julho/2011, e em março/2023.

No município de Goiânia (GO) aconteceu o que ficou conhecido como o “maior desastre radiológico do mundo”, em 13/09/987. Foi rompido o lacre de um aparelho abandonado de uma clínica de radioterapia, que continha uma pequena quantidade (19 mg) em pó do elemento radioativo césio 137. Após a descontaminação, foi necessário construir um depósito para abrigar estes resíduos (grande quantidade de terra extraída dos locais onde circulou o material radioativo, objetos pessoais das vítimas, etc). O local escolhido, a cerca de 20 km do centro de Goiânia, foi o município de Abadia de Goiás (GO) no Parque Telma Ortegal. O denominado Depósito Definitivo está sob o controle institucional da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) representado pelo Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste (CRCN-CO/CNEN).

E no município de Santa Quitéria (CE), a 270 km de Fortaleza, poderá ser a maior mina de exploração de urânio no país, em pleno semiárido cearense. Em 2004 foi feita a primeira tentativa para explorar esta mina. Depois de 10 anos novamente a tentativa de obter o licenciamento ambiental. E agora em 2023, o IBAMA, entre outros órgãos públicos sucumbiram às pressões e concederam as licenças. A proposta do consórcio Santa Quitéria é retirar fosfato (reservas de 8,9 milhões de toneladas) e urânio (80 mil toneladas) da fazenda Itatiaia, por duas décadas. Pode-se neste caso prever que os níveis de radiação no local e arredores aumentarão. Crescerá substancialmente a probabilidade de contaminação do solo, do ar, dos lençóis freáticos, aumentando os problemas de saúde da população.

Outra atividade nuclear, importante geradora de grandes quantidades de rejeitos, são as usinas nucleares que se prestam a produzir energia elétrica. Duas usinas, Angra I e Angra II, localizadas em Angra dos Reis (RJ) produzem grande quantidade de subprodutos do combustível irradiado nos reatores nucleares em funcionamento. Os resíduos estão armazenados em locais provisórios, ambos dentro da central nuclear de Angra: a Unidade de Armazenamento Complementar a Seco (UAS), e no interior das Piscinas de Armazenamento.

Como relatado em inúmeras audiências públicas, encontros, estudos e manifestações independentes, o lixo atômico produzido está hoje armazenado em situação provisória, precária, e, em alguns casos, com vazamentos de material tóxico, radioativo para o meio ambiente. Situação que coloca em risco de morte pessoas e o meio ambiente.

Verifica-se também, que muitos dos municípios que abrigam empresas da INB têm uma relação conflituosa com a estatal. Uma relação marcada pelo desrespeito, e pela falta de transparência quando os assuntos são de interesse da comunidade. Mentiras e promessas não cumpridas, geraram desconfiança entre as partes ao longo do tempo.

Diante das situações mostradas nas “cidades nucleares” a discussão, e mesmo a tomada de decisão sobre a nuclearização do país (https://www.ecodebate.com.br/2023/04/19/usinas-nucleares-exigem-um-debate-serio-e-necessario/), com o aumento das atividades de mineração do urânio, e com a implantação de novas usinas nucleoelétricas, gerando mais e mais rejeitos, não deve ficar restrita a um pequeno grupo de interessados e interesseiros em simplesmente fazer negócios. Deve, sim, estar embasada nos interesses maiores da população.

É inconcebível que em um país democrático, cujo atual presidente afirma a importância da participação popular nas grandes decisões, nos destinos do país, somente um pequeno (mas poderoso) grupo de lobistas, os “nucleopatas”, imponham a nação uma tecnologia cara, suja e perigosa.

Heitor Scalambrini Costa é físico pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), mestre em Ciências e Tecnologia Nuclear pelo Departamento de Energia Nuclear da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), doutor pela Universidade de Aix-Marselha-Laboratório de Fotoeletricidade/Comissariado de Energia Atômica da França, professor aposentado da UFPE. Ativista Ambiental e Membro da Articulação Antinuclear Brasileira. (ecodebate)

domingo, 30 de julho de 2023

Fontes de Energias Renováveis

As fontes de energias renováveis possuem ciclos de renovação sustentáveis na escala de tempo humana, ou seja, podem ser utilizadas por meio de recursos naturais que estão disponíveis de forma contínua e não se esgotam.
Energias renováveis ou energias alternativas.

O que é energia renovável e não renovável?

 Energia renovável: Utiliza recursos naturais que são encontrados de forma ilimitada na natureza, como exemplo do sol e vento.

 Energia não renovável: Utiliza como matéria prima recursos naturais que são limitados na natureza, como por exemplo o petróleo e o carvão mineral.

Quais são os 7 tipos de energia renovável?

Existem sete tipos principais de energia renováveis utilizadas dentro da matriz energética dos países ou como fontes com possibilidades de atuação complementar no abastecimento energético, conforme descrito a seguir.

Energia Solar

Energia renovável proveniente da luz e do calor do sol, sendo uma excelente fonte sustentável para a geração de eletricidade e para o aquecimento de água.

Energia Eólica

É a energia obtida pelo movimento do ar (vento), sendo uma abundante fonte de energia renovável, limpa e disponível em todos os lugares.

Energia Hidrelétrica

Também chamada de energia hidráulica ou hídrica, provém do aproveitamento da energia potencial e cinética dos rios, com a transformação em energia elétrica por meio das turbinas e geradores presentes na instalação.

Energia das Marés

Usina de energia de Maremotriz de La Rance, França.

Conhecida também como maremotriz, esta energia renovável é proveniente das correntes do mar e oscilações das marés.

Energia Geotérmica

Planta de energia geotérmica na Islândia.

Piscina de águas quente naturais em El Médano, na cidade de são Clemente no Chile, onde a temperatura das águas gira entre 30°C e 47°C, podendo em alguns pontos chegar a atingir 80°C ou mais.

Vapor quente saindo de águas termais naturais.

Para a geração de energia geotérmica são necessárias perfurações no solo mais profundas, no interior do planeta Terra, para se alcançar as camadas de rochas quentes denominadas de magma, que contém a presença de vapor.

Energia da Biomassa

Proveniente da decomposição de diversas fontes de matéria orgânica, como por exemplo as plantas, madeiras, resíduos agrícolas, restos de alimentos e até mesmo do lodo e do lixo.

Energia do Hidrogênio

Exemplificação de moléculas de hidrogênio.

Conhecida como uma solução promissora em descarbonizar a economia global, principalmente como um combustível e fonte intermediária de geração de energia, devido a sua abundância e possibilidades de utilização.

Qual a importância e benefícios do uso de fontes de energia renovável?

A priorização de fontes de energia renovável em longo prazo pode ser um importante aliado na proteção dos efeitos e intensidades das mudanças climáticas, bem como, pode ajudar a reduzir a emissão dos gases de efeito estufa.

Qual a fonte de energia renovável mais usada no Brasil?

A fonte de energia renovável mais utilizada no Brasil é a energia hidrelétrica, em função das características de relevo e maior abundância de rios com potencial energético.

A matriz energética de um país é o conjunto de fontes disponíveis no país usadas para captar, distribuir e utilizar energia para os setores comercial, industrial e residencial. A matriz energética mundial é formada em sua maioria por recursos não renováveis, como o petróleo e o carvão mineral.

No Brasil, as fontes de energia mais usadas são as renováveis. Com grande destaque para a hidrelétrica, a grande base de nossa matriz energética. Em 2019 do Balanço Energético Nacional Interativo, 64,9% da energia consumida no Brasil foi de fonte hidráulica.

Brasil usa 83% de fontes renováveis para a produção de energia, enquanto a média mundial é de 25%. Além de mais sustentabilidade, isso também gera menos custos de operação para as usinas que escolhem a energia renovável. (ambientes.ambientebrasil)

Fontes renováveis respondem por 91,4% da energia gerada até abril/23

O número superou o resultado médio apurado para o mesmo período do ano passado, da ordem de 87,8% para energias renováveis.
Dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico/ ONS, divulgados em 26/05/23 revelam que, no período de janeiro a abril de 2023, as demandas de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) foram atendidas prioritariamente por fontes renováveis.

A geração hidráulica, eólica e solar somada respondeu por 91,4%, na média, da energia elétrica distribuída pelo SIN à população brasileira. O número superou o resultado médio apurado para o mesmo período do ano passado, da ordem de 87,8%. 

Os percentuais foram de 91% em janeiro, 92,6% em fevereiro e 92,4% em março. Em abril, essas três fontes somadas registraram 89,4%. O percentual por fonte indica que, entre os meses de janeiro a abril, a média de fontes renováveis atingiu 77,2% para a geração hidráulica, 11,5% para eólica e 2,7% para a geração solar.

Brasil pioneiro em energias renováveis

De acordo com o diretor-geral do ONS, Luiz Carlos Ciocchi, os números atestam que o Brasil tem capacidade elevada de geração de energia limpa, em comparação com outros países.

“O sistema elétrico brasileiro já é sustentado por fontes renováveis que também oferecem segurança energética, isto é, conseguem atender plenamente às demandas de carga e potência”.

O diretor-geral destacou que os resultados são reflexo não só do bom aproveitamento de recursos, “como também da ampliação do número de usinas, o crescimento das fontes renováveis, notadamente eólica e solar, assim como os bons resultados de Energia Armazenada (EAR) aferidos no período úmido de 2022/2023″.

Geração de energia elétrica a partir de fonte renovável é recorde em 2022.

92% do total de eletricidade produzida no Brasil vieram de hidrelétricas, eólicas, solares e de biomassa.

Números

Os dados divulgados mostram, ainda, que, em abril deste ano, a Energia Armazenada (EAR), ou seja, a capacidade de gerar eletricidade pela força das águas, nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, registrou 86,2%, superando em 19,7 pontos percentuais o resultado de igual período do ano passado (66,5%). Esse foi o melhor resultado para o mês desde 2011 (87,8%).

As indicações de EAR no Sudeste/Centro-Oeste para o final de outubro de 2023 estão entre 73,4%, no cenário inferior, e 88%, no superior. O ONS esclareceu que, mesmo que se confirme a estimativa mais baixa, será a melhor EAR para o subsistema ao final do mês de outubro em toda a série histórica, iniciada em 2000.

O SIN apresenta projeção similar, com a possibilidade de atingimento do patamar mais alto de EAR ao final de outubro, com perspectivas variando entre 70,4% e 81,6%.

As fontes de energias renováveis possuem ciclos de renovação sustentáveis na escala de tempo humana, ou seja, podem ser utilizadas por meio de recursos naturais que estão disponíveis de forma contínua e não se esgotam.

O ONS é o órgão responsável pela coordenação e pelo controle da operação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN) e pelo planejamento da operação dos sistemas isolados do país, sob a fiscalização e regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

(planetacampo)