domingo, 26 de junho de 2011

Bioenergia no bolso do brasileiro

Os preços do etanol e da gasolina comum tiveram queda na última semana de maio enchendo o bolso do brasileiro com dados otimistas. Isto, segundo o Levantamento de Preços da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Bicombustível (ANP) que é aplicado semanalmente.
Segundo a pesquisa, no Brasil o preço médio da gasolina comum (que contém 25% de etanol anidro) foi de R$ 2,82 por litro, apresentando uma redução de 1,68%. Já o preço médio de revenda do etanol hidratado no país caiu 4,58% no mesmo período, e passou para R$ 1,99 por litro.
Na cidade de São Paulo, a queda dos preços médios de revenda foi  de 4 % para o etanol e 0,94% para a gasolina. E de acordo com o Ministério de Minas e Energia, a tendência para as próximas semanas é que os preços mantenham-se em queda, tanto para a gasolina quanto para o etanol hidratado, devido ao início da safra da cana-de-açúcar.
O etanol provém da cana-de-açúcar e é utilizado como combustível automotivo em duas versões: álcool hidratado (em carros a álcool ou flex) e álcool anidro (adicionado à gasolina na proporção de 25%). O primeiro tipo possui 7% de água na mistura enquanto o segundo no máximo 0,7%.
Atualmente além de consumidor o Brasil é exportador de etanol. Em 2005 estimava-se que a área ocupada pela plantação e produção de cana-de-açúcar era equivalente a 5,8 Mha, segundo a Food and Agriculture Organization (FAO) e que a exportação correspondia a 15% da sua produção.
Para especialistas, tanto a produção quanto a exportação do etanol contribuem para uma mudança de consciência, para a sustentabilidade e para a colocação do Brasil entre os primeiros com relação ao desenvolvimento de pesquisas sobre bioenergia.
Para Marcos Silveira Buckeridge que é coordenador do Programa de Bioenergia (Bioen) da FAPESP e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol, a cana-de-açúcar ainda é uma alternativa viável ao bolso do brasileiro e ao meio ambiente.
O pesquisador é otimista afirmando que o uso da cana-de-açúcar ainda é pouco explorado, pois 1/3 dela é utilizado como fonte energética, restando assim 2/3 de possibilidades para estudos do bagaço e da palha, por exemplo.
O Brasil é um dos líderes mundiais quanto à produção de bionergia. “A matriz energética no mundo é dominada pelo petróleo, não que no Brasil não o seja, mas possuímos a distribuição mais sustentável do mundo com relação à bioenergia, e grande parte dela devido ao bioetnol”, afirma Marcos.
De acordo com o Anuário Estatístico Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis 2010, em dezembro de 2009 o bicombustível era produzido essencialmente por óleo de soja (111,31 mil m³), seguido de sebo (30,04 mil m³), óleo de algodão (8,96 mil m³) e outras matérias primas como óleos de mamona palma, amendoim, girassol e nabo forrageiro, e óleos e gorduras residuais.
Outro substituto do petróleo, além do etanol, é o hidrogênio. Para o Centro Nacional de Referência em Energia do Hidrogênio (Ceneh) apesar do custo ser mais elevado do que o petróleo, o hidrogênio é abundante e sua combustão só gera água, não agredindo o meio ambiente. Para os defensores do seu uso, o que o difere dos demais é a não emissão dos gases do efeito estufa. (EcoDebate)

Maior mistura de biodiesel no Brasil

Abiove vê folga para maior mistura de biodiesel no Brasil
Com a safra de soja batendo recordes e com perspectivas de a produção crescer novamente na nova safra (2011/12), a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) avalia que o Brasil teria folga para ampliar a mistura de biodiesel no diesel em meio a investimentos crescentes no setor.
Atualmente, cerca de 80 por cento do biodiesel produzido no Brasil é feito a partir de óleo de soja --a mistura atual é de 5%  de biodiesel no diesel.
"Do ponto de vista da oferta, poderia aumentar para 5 a 6 milhões de toneladas (a produção de óleo para biodiesel), hoje está em torno de 2,5 milhões", declarou Carlo Lovatelli, presidente da Abiove, à Reuters, em um intervalo do seminário Perspectivas para o Agribusiness 2011 e 2012, promovido pela BM&FBovespa e pelo Ministério da Agricultura.
"Não haveria aperto na oferta de matéria-prima", acrescentou.
Ele disse ainda que a indústria tem direcionado mais os investimentos para ampliar a capacidade de produção de biodiesel, como é o caso de recentes anúncios da Bunge e da Cargill, além das novas unidades de empresas menores, o que deve possibilitar eventual aumento da mistura, se o governo assim decidir.
Ao comentar uma redução na capacidade ociosa da indústria de soja de 35 para cerca de 25% no último ano, ele declarou que o biodiesel tem sido fundamental.
"O biodiesel está ajudando, passou a ser um negócio expressivo do setor... novas fábricas estão sendo inauguradas," disse, ressaltando que o a indústria não deixou de fazer óleo para a alimentação.
"Não estamos deixando de fazer comida, estamos fazendo os dois", declarou.
Para Lovatelli, diante dos bons preços no mercado internacional, o Brasil pode continuar ampliando a sua produção.
Questionado sobre o tamanho da nova safra, ele afirmou: "71 a 72 milhões de toneladas, mas com viés para subir."
A safra que o Brasil terminou de colher há pouco está estimada pela Conab em pouco mais de 73 milhões de toneladas. Mas analistas avaliam que a área plantada na nova temporada poderá crescer, permitindo um aumento da produção se o clima também colaborar. (noticiasagricolas)

Bioeletricidade: dá para ser bem maior

A premente necessidade de aumento da oferta de eletricidade e as maiores limitações à construção de grandes reservatórios de água impõem a busca por fontes alternativas para produção de energia elétrica. Entre as opções existentes, a eletricidade gerada a partir da biomassa da cana-de-açúcar revela-se uma opção interessante, pois, além de renovável, é produzida de forma distribuída e próxima aos centros consumidores. Além disso, em razão de a colheita de cana ocorrer no período seco da Região Centro-Sul, a biomassa canavieira ainda se apresenta como fonte complementar ao parque hidroelétrico brasileiro, conferindo maior capacidade de geração de energia justamente no período de menor oferta hídrica.
Apesar das vantagens econômicas e ambientais, o potencial de utilização da biomassa de cana ainda é pouco aproveitado. Entre as diversas causas possíveis, podem-se citar a difi culdade de conexão das centrais térmicas à base de cana à rede de distribuição, a fragilidade econômico-fi nanceira e a inexperiência em operar no setor elétrico de determinadas usinas. O objetivo central deste artigo é identifi car, por meio de pesquisa de campo que envolveu mais de 200 unidades sucroenergéticas, quais os fatores que, segundo a ótica das usinas, mais contribuem para inibir o investimento na cogeração de energia elétrica.
O artigo, à luz do diagnóstico proporcionado pela pesquisa de campo, são discutidas oportunidades de fomento que colaborem para mitigar os entraves apontados pela pesquisa e, com isso, estimulem um melhor aproveitamento do potencial elétrico do setor sucroenergético. (ambienteenergia)

Biocombustíveis para avião

Biocombustíveis para avião: solução em alta
Assim como em uma série de outros setores, o de aviação também busca uma alternativa energética mais limpa. As iniciativas na busca de um maior uso de combustível renovável começam a ganhar o mercado. Uma delas envolve o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que aprovou uma cooperação regional para colaborar com instituições públicas e privadas em análises e estudos para o desenvolvimento de uma indústria de bioquerosene para aviação, utilizando diferentes matérias primas local.
Segundo o BID, a iniciativa financiará serviços de consultoria, geração de conhecimento, material de divulgação e seminários sobre uso e produção sustentável de bioquerosene para demonstrar sua viabilidade no setor de aviação da ALC, e para potencial exportação. Uma primeira atividade esperada a receber apoio desta cooperação é a aplicação de normas de sustentabilidade e o desempenho em termos de emissões de gases de efeito estufa ao longo do ciclo de vida do uso e produção de bioquerosene, a partir de uma ou mais matérias primas (cana de açúcar, pinhão manso, dendê, entre outros a serem definidos).
“Este novo mercado para biocombustíveis presenta excelentes perspectivas devido ao forte componente ambiental associado as pressões contra as mudanças climáticas a nível mundial, e por contar com o apoio e motivação de praticamente todos os protagonistas do mercado de querosene de aviação, fato não comumente notado nos mercados de etanol e biodiesel”, indica Arnaldo Vieira de Carvalho, Líder da equipe de projeto do BID que desenvolve esta iniciativa.
No Brasil, o Instituto Nacional de Tecnologia (INT) e o Instituto Militar de Engenharia (IME) desenvolvem novas rotas para bioquerosene de aviação. As duas entidades são parceiras em dois pedidos de patentes, que tornam mais próxima essa realidade, com tecnologias inéditas. Ao contrário da maioria dos outros estudos, que usam o etanol de cana-de-açúcar ou oleaginosas usadas também para produção de biodiesel, esses trabalhos utilizam biomassas que não entram na esfera alimentar, tais como cascas de frutos cítricos.
Com os dois pedidos de patentes dos novos processos catalíticos em mãos, o grupo busca agora o apoio de empresas ou setores da aviação civil ou militar, para realização de testes de campo. O bioquerosene tem algumas caraterísticas que tornam seu controle de qualidade mais rigoroso que o de outros biocombustíveis. Primeiro, tem fator de risco muito elevado, pois a maioria dos combustíveis tende a congelar nas baixíssimas temperaturas das altitudes a que os aviões são submetidos.
Assim como o querosene de aviação tradicional, o biocombustível precisa ter o mesmo ponto de congelamento em níveis inferiores a essas temperaturas. Esses parâmetros já foram testados em laboratório com sucesso. Resta agora apoio de empresas para o teste em aviões. É preciso garantir o funcionamento das turbinas, sem falhas, o que requer um combustível com elevado grau de qualidade. (ambienteenergia)

O biocombustível e a fome

Todos nós temos consciência de que as reservas de petróleo são finitas. Segundo analistas e especialistas nesta área, existe ainda petróleo para os próximos 40 anos dentro dos padrões de consumo atual (75 milhões barris/dia), que em termos de tempo é extremamente exíguo. Por outro lado, o que nos choca é pensar que a natureza levou milhões, talvez bilhões de anos fermentando nas entranhas da terra para se transformar neste precioso líquido que a civilização dos anos recentes está transformando tudo em fumaça ou em produtos que levarão centenas de anos para serem digeridos novamente pela mesma mãe natureza.
Pelo conceito do “sino” de Hilbert, já alcançamos a curva superior em termos de reservas. A não ser que descobertas surpreendentes façam mudar este quadro, a civilização do petróleo está chegando ao seu fim, isto é, durou apenas trezentos anos. Diante deste quadro da extinção próxima do petróleo, o homem se atira desesperadamente, em furar a barriga de nossa mãe terra, cada vez mais profunda na busca deste precioso líquido.
Com os preços do petróleo acima de US$ 100,00 o barril, começou tornar-se viáveis outras alternativas de energia onde uma delas é o da biomassa. No desespero, para não dizer despreparo ou falta de visão das elites políticas, se lançam naquela alternativa que esteja mais próxima, ou seja, solução de curto prazo: Biocombustível. A natureza nos oferece miríades de possibilidades neste campo, principalmente aqueles que para consumo humano são tóxicos, que poderiam ser opções valiosas como o óleo de mamona e de tungue entre outras.
A insanidade do ser humano, na busca de lucros imediatos, encontrou a solução justamente naqueles produtos nobres de consumo enérgico humano que são a cana de açúcar, o milho, oleaginosas comestíveis (soja) etc. Ou seja, estamos desviando a energia do ser humano, para uso em fins industriais e mais particularmente em combustível para automóvel. Diante deste absurdo, toda a cadeia alimentar do ser humano, pela lógica de mercado, os preços irão para as nuvens. É fácil raciocinar que milhões (talvez bilhões) de seres humanos serão sacrificados, pela força dos preços de mercado a morrerem de fome, para que outros milhões possam andar impunemente de automóveis ou adquirindo bens para satisfazerem seus sonhos e prazeres lúdicos.
Sem perda de generalidades com outras fontes de energia mais barata e menos poluente, a busca alternativa dos chamados biocombustíveis, tem se revelado como uma oportunidade de eficiência promissora, se os atuais preços do petróleo no mercado continuarem em ascensão, mas que tenhamos ao mesmo tempo superprodução de alimentos.
A grande questão está centrada no fator ambiental. O raciocínio é obvio, se a produção de alimentos for desviada para o combustível, teremos (talvez) um preço para estes mais barato, mas em contra partida o preço dos alimentos serão elevados a níveis socialmente insuportáveis. Haverá assim uma população reduzida com os confortos da civilização contra um exército de miseráveis de pires na mão. Em outros termos, o fosso entre ricos e pobres (ou miseráveis) será simplesmente humilhante. Jacques Diouf presidente da FAO, alerta para os biocombustíveis como o maior responsável pelo aumento geral dos preços dos alimentos no mundo, embora não seja a única, diante das catástrofes climáticas que estamos presenciando.
Se por outro lado, for explorado outras fontes para combustível de massa biológica não consumível pelo ser humano, veremos grandes áreas devastada para seu plantio comprometendo cada vez mais a biodiversidade. A não ser que tenhamos bom senso de explorar imensas áreas de deserto em todo o mundo com a utilização da tecnologia hoje disponível em termos agrícola.
Estamos diante do paradoxo do petróleo, embora as quantidades sejam limitadas que leva a condição de extinção, ele jamais será consumido totalmente em decorrência do efeito mercado. Ou seja, a medida do esgotamento das reservas o preço assumirá valores tão elevados, onde neste caso outras formas de energia serão utilizadas, de sorte que as reservas jamais serão esgotadas. (EcoDebate)