quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Insensata opção

Muito se tem falado e escrito pró e contra a opção do governo Lula/Dilma em reativar o Programa Nuclear, implicando assim na instalação de centrais nucleares no território brasileiro.
Os defensores desta tecnologia, identificados com setores da burocracia estatal, militares, membros da academia, grupos empresariais (empreiteiras e construtores de equipamentos), julgam que o Brasil não deve prescindir desta fonte de energia elétrica para atender a demanda futura, alegam ser vantajosa por ser barata e “limpa” por não emitir gases de efeito estufa. Afirmam não ser possível acompanhar o desenvolvimento científico-tecnológico, caso não se construa usinas nucleares. E por outro lado, minimizam o recente desastre ocorrido no complexo de Fukushima Daiichi, garantindo riscos mínimos, e mesmo a ausência deles, nas instalações brasileiras.
A primeira vista tais argumentos pareceria convincente, e poderiam até confundir os mais neófitos e menos desavisados cidadãos e cidadãs, que desejam o melhor para o país e para sua população. Mas a verdade dos fatos tem revelado que a opção pela energia nuclear atende somente a interesses inconfessáveis de alguns, em detrimento dos interesses da ampla maioria, resultando em mais problemas do que soluções.
É preciso entender de uma vez por todas, a grande vantagem comparativa do Brasil por possuir uma diversidade e abundância de fontes energéticas renováveis que não são encontradas em nenhuma parte do mundo, e que podem pela tecnologia atual, atender as necessidades energéticas atuais e futuras do país. Estas sim, desde que utilizadas de forma sustentável, podem contribuir para uma sociedade descarbonizada.
Afirmar que as usinas nucleares não emitem gases de efeito estufa é uma meia verdade. É certo que quando em funcionamento as usinas núcleo elétricas emitem desprezíveis quantidades destes gases. Mas lembremos que as centrais não funcionam sem o combustível nuclear. E este para ser obtido, passa por etapas e operações que são conhecidas como “ciclo do combustível nuclear”, que vão desde a extração do minério radioativo, sua concentração, enriquecimento, preparação das pastilhas de combustível, sua usina na geração de eletricidade, armazenagem do lixo radioativo produzido e o descomissionamento da usina, depois de atender sua vida útil. Em todas estas etapas e operações a produção de gases de efeito estufa é importante, e a quantidade varia muito em função da metodologia empregada para calcular, de 60 a 400 gCO2/kWh, como relatado por inúmeras publicações científicas. Por si só esta grande variação merece explicações e estudos mais conclusivos.
Relacionar a necessidade de instalação de usinas nucleares no país como sendo fundamental e imprescindível para acompanhar o desenvolvimento científico tecnológico na área nuclear é uma justificativa completamente fantasiosa, irreal e agride o bom senso. Ao invés de investir 10 bilhões de reais na construção de uma única usina, com baixo índice de nacionalização de seus componentes, poderia se construir reatores multi-propósito por 1 bilhão de reais cada unidade. Seriam muito mais úteis ao desenvolvimento e a soberania do país.
Minimizar os riscos das instalações nucleares é um atentado a inteligência de qualquer pessoa. Mesmo não divulgados são frequentes os vazamentos de materiais radioativos e problemas que ocorrem nas 442 usinas nucleares espalhadas em 29 países. Os desastres mais significativos nos últimos 20 anos, de Thernobyl, Three Mille Island e de Fukushima Daiichi, foram suficientes para alertar o mundo de quão é perigosa e dos riscos à vida que oferecem estas instalações.
E finalmente, os custos da energia elétrica produzida pelas usinas nucleares são mais caros que outras fontes, como a eólica e a hidráulica, e comparados ao das termoelétricas. Além de necessitarem de subsídios públicos, ou seja, repasse de enormes recursos financeiros do tesouro nacional disponibilizados para esta tecnologia; que acabam dificultando que investimentos sejam realizados em outras fontes energéticas como a solar, eólica, biomassa, pequenas centrais hidroelétricas, e no aproveitamento dos recursos energéticos encontrados nos oceanos. É certo também que com as novas regras de segurança impostas pós Fukushima, ainda mais caro ficará o custo da eletricidade nuclear.
Uma pergunta que não quer calar, diz respeito à negativa de muitas seguradoras em cobrir os acidentes nucleares, que em muitos países essa cobertura é atribuída ao Governo Federal. Se as companhias de seguro, especialistas em estimar os perigos de acidentes, não desejam arriscar seu dinheiro, por que se devem obrigar as pessoas a arriscarem suas vidas?
No mínimo é insensata esta opção energética adotada pelo governo brasileiro, que deve ser mais discutida com transparência. Daí estar junto à imensa maioria da população que tem se manifestado contrária a construção de usinas nucleares em território nacional, fortalecendo o coro: Energia nuclear? Não obrigado. (ambienteenergia)

Alemanha cortará uso da energia nuclear?

Os desafios que a Alemanha enfrentará para cortar a energia nuclear do país
Merkel está totalmente confiante, mas a indústria energética tem dúvidas sobre uma aposta tão grande. Como a Alemanha, a maior potência econômica europeia, deu as costas à energia atômica?
Mais diretamente, a decisão coube à chanceler Angela Merkel. Diferentemente de outros líderes mundiais, ela é cientista, com PhD em física.
Ela chegou à decisão importante de cortar a energia nuclear até 2022 após discutir o assunto certa noite tomando vinho tinto com o marido, Joachim Sauer, físico e professor universitário, em seu apartamento no centro de Berlim, de acordo com pessoas que passaram muitas horas debatendo a questão com ela, mas falaram apenas sob condição de anonimato.
A decisão de tirar a tomada da indústria de energia nuclear tem sido amplamente retratada como uma reviravolta súbita de Merkel. Após o desastre nuclear no Japão em março, o público alemão, que há muito se opunha à energia nuclear, pediu a mudança, e sua chanceler, conhecida por agir de acordo com os ventos políticos, acatou a ideia.
Mas os que conhecem Merkel descreveram sua mudança de opinião como algo mais próximo a um despertar. Interesses industriais e energéticos poderosos lutaram contra a medida, mas Merkel, segundo seus aliados, está pronta a levar a Alemanha para uma nova era, na qual a energia eólica e solar, além de um aumento em eficiência, podem ser desenvolvidas com rapidez suficiente para substituir a energia perdida com o fechamento das usinas nucleares.
A cientista da Alemanha oriental que chegou à política apenas após a queda do Muro de Berlim em 1989 pareceu ecoar parte do fervor daqueles tempos: apesar de a Alemanha não ser famosa por seus tsunamis, ou fortes terremotos, ela disse que os riscos de um acidente nuclear eram simplesmente enormes demais para serem controlados por humanos. Um desastre como o do Japão poderia voltar a acontecer em qualquer lugar. A segurança é mais importante.
Em contraste ao seu cuidado excessivo no resgate passo a passo da zona do euro, ela não mostrou hesitação alguma ao reverter sua decisão original de pouco tempo antes, no outono, de prolongar a vida das usinas nucleares da Alemanha.
Agora, ela comprometeu a maior economia da Europa, uma grande exportadora que precisa manter sua indústria competitiva, a fechar a fonte de quase um quarto de sua energia elétrica.
Na opinião de defensores da medida, como R. Andreas Kraemer, diretor do Instituto Ecológico, organização de pesquisa independente em Berlim, esta decisão “será histórica”.
Isso só se saberá daqui a anos. Mas realmente faz pensar nos grandes saltos que a Alemanha tende a dar, muitas vezes surpreendendo seus parceiros americanos e europeus.
Desde sua quase total destruição em 1945, a Alemanha conseguiu gerar o Wirtschaftswunder, ou milagre econômico, dos anos 50, aguentou protestos e terrorismo nos anos 60 e 70 enquanto deu à luz ao que hoje é conhecido como o mais poderoso Partido Verde da Europa e, nos anos 80, testemunhou novos protestos civis – desta vez na Alemanha Oriental – que derrubaram o Muro de Berlim.
Nos anos 90, a Alemanha suportou os enormes custos financeiros e psicológicos da reunificação, calmamente reconstruiu sua capital em Berlim e aparelhou sua política externa não apenas para dar garantias aos aliados do Ocidente sobre a reunificação, mas também para apoiar os antigos países comunistas do leste em seu esforço para se unir à União Europeia.
A decisão de pôr fim à energia nuclear faz parte dessa narrativa.
Norbert Roettgen, ministro de Meio Ambiente, disse recentemente que, se o país, com seus 80 milhões de habitantes, puder dar o salto para uma economia livre de energia atômica, então a Alemanha se tornará a primeira grande nação industrial a fazer a transição para a energia renovável e eficiente.
Ao admitir que existem desafios, ele insiste que as metas são alcançáveis e que a nova tecnologia vai dar à Alemanha novos mercados de exportação por décadas e torná-la um lugar ainda mais atraente para se fazer negócios.
A inovação, as tecnologias avançadas, o senso comum e as medidas eficientes em custo são o foco do que Roettgen chamou de política “ambientalmente sólida, amigável ao clima e em linha com princípios de mercado e de competição”.
“Na melhor tradição da engenharia alemã serão gerados novos produtos e tecnologias, novas oportunidades de exportação e, portanto, de emprego e crescimento”, disse ele.
Kramer, diretor do Instituto Ecológico, disse: “Acreditamos que podemos fazer isso. Nós dominamos a tecnologia e sabemos o que temos que fazer”.
Contra esse otimismo estão os quatro grandes fornecedores de energia da Alemanha, uma série de analistas e economistas que dizem que o governo não calculou os custos da medida. Em um país que sempre teve uma forte oposição à energia nuclear e agora tem um partido verde forte, Merkel talvez consiga apoio político, “mas não levou em conta os custos políticos e econômicos mais amplos”, disse Matthew Hulbert, especialista em energia em Clingendael do Instituto Holandês de Relações Internacionais.
O ministro da Economia, Philipp Roesler, diz que desligar a energia nuclear vai aumentar o custo de um kilowatt-hora de eletricidade em apenas 0,01 euro. Roettgen calcula o custo por casa durante a transição como mais ou menos uma xícara de café latte -2,5 a 3 euros (em torno de R$ 6 a 7)- por mês.
Mas a indústria nuclear, liderada pela E.On, Vattenfall, RWE e EnBW, diz que será o setor privado, particularmente as empresas de energia, que terá que pagar pela mudança para fontes renováveis e outras, como gás natural e até uma dúzia de usinas de carvão. “Não estamos falando de bagatela, mas de centenas de bilhões de euros”, disse Jürgen Grossmann, diretor executivo da RWE.
Do outro lado da equação, o governo vai deixar de pagar por subsídios nucleares que, de acordo com o Greenpeace, totalizaram cerca de 200 bilhões de euros (em torno de R$ 480 bilhões), desde que a Alemanha Ocidental começou a pesquisar e desenvolver a energia nuclear nos anos 50. Os subsídios do ano passado foram de 4,1 bilhões de euros, de acordo com um estudo recente por uma organização de pesquisa ambiental independente, a Orçamento Verde da Alemanha (Forum Oekologisch-Soziale Marktwirtschaft).
Outro fator é a possibilidade de a Alemanha, que já recebe mais de um terço de seu gás natural da Rússia, ficar ainda mais dependente. Merkel, contudo, rebateu esse ponto quando se encontrou com o presidente Dmitri A. Medvedev e outras autoridades russas em julho. Quando o vice-primeiro-ministro russo, Viktor A. Zubkov, que também é diretor da Gazprom, estatal que monopoliza a exportação de gás natural, abertamente apreciou a perspectiva de vender mais para a Alemanha, a chanceler respondeu friamente: “Vamos esperar e ver”.
Claramente, algo grande terá que mudar. A Alemanha importa quase 60% de sua energia, de acordo com a Agência de Energia Internacional.
Fontes renováveis como vento e energia solar atualmente perfazem apenas 17% da matriz elétrica alemã. O governo prevê que essa quantia praticamente dobre até 2020, chegando a 80% em 2050.
Também estão nos planos uma ampla expansão da rede nacional para transmitir a eletricidade da costa norte, onde há muito vento, e do sul, onde a energia solar é mais abundante, para as principais áreas industriais, onde está a maior parte da demanda. De acordo com a Agência de Energia Alemã, entre 1.500 km e 3.600 km de novas linhas de alta voltagem terão que ser instalados até 2020, financiados pelos operadores da rede.
As estimativas de custo variam amplamente, dependendo da tecnologia usada, mas a agência estimou que linhas básicas de transmissão padrão custariam 950 milhões de euros por ano, durante sete anos. A transmissão de alta voltagem em corrente contínua custa mais que o dobro disso.
Algumas grandes empresas estão preocupadas. A produção industrial, que é geralmente intensiva em energia, é responsável por 28% da economia alemã, comparada com 22% nos EUA. A maior empresa de produtos químicos do mundo, Basf, usa tanto gás natural em suas fábricas quanto toda a cidade de Berlim.
A Alemanha já tem custos altos de energia em relação a outras partes do mundo, disse Michael Grabicki, porta-voz da Basf. “A indústria alemã tem que permanecer competitiva”, disse.
Por contraste, muitas das pequenas e médias empresas operadas por famílias, as chamadas Mittelstand, que formam o esqueleto da economia da Alemanha, estão animadas com a perspectiva de desenvolver novas tecnologias e talvez quebrar o monopólio das quatro grandes empresas de energia.
“Esta é uma grande chance para nós”, disse Christian Albrink, diretor regional da Soleg, que comercializa aquecimento solar para residências e a indústria. “O governo vai precisar de nervos fortes para promover suas políticas.”
As grandes empresas de energia não estão aceitando a mudança em silêncio. Em abril, a RWE entrou com uma ação contra a decisão de Merkel de fechar sete das usinas nucleares mais antigas imediatamente.
Grossmann, diretor da RWE, disse que a medida de Merkel provocaria a falta de mais de 100 terawatts-hora de eletricidade, cerca de 17% do consumo total. Ele disse que isso teria que ser compensado por importações de países como a França e a República Tcheca e pela construção de novas usinas a carvão ou gás que, diferentemente da energia nuclear, produzem gases de aquecimento global.
Claudia Kemfert, especialista em energia do Instituto Alemão para Pesquisa Econômica (Diw Berlim) e professora de energia e sustentabilidade da Hertie School of Governance em Berlim, disse que o carvão já era responsável por 42% das necessidades de eletricidade da Alemanha. “O governo ainda tem que explicar como vai pôr fim à energia nuclear e mesmo assim reduzir as emissões de CO2”, disse ela.
O governo admite que o gás natural e as usinas de carvão vão continuar a ter um grande papel na matriz energética do país. Afinal, elas são capazes de prover muita energia a qualquer tempo –diferentemente do sol e do vento, ao menos com as atuais tecnologias de armazenagem. O governo, estabeleceu um fundo especial de 5 bilhões de euros, por meio do banco estatal KfW, para financiar a construção de fazendas eólicas no mar. E também pretende construir instalações de armazenamento de energia renovável -outra despesa.
Ao mesmo tempo, as empresas e residências alemãs estão sendo instadas a aumentar seus esforços para poupar energia. Há planos para os próximos três anos de fornecer subsídios para ajudar a modernizar as moradias e tirar a indústria automobilística –um símbolo do poder da engenharia e da exportação alemã- do petróleo e para o desenvolvimento de carros elétricos. (EcoDebate)

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Energia eólica: tendência de alta

A expansão da matriz brasileira via geração eólica será um dos temas do 12º Encontro Internacional de Energia da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que acontece nos dias 15 e 16 de agosto, em São Paulo. Projeções de mercado indicam que a capacidade instalada brasileira oriunda desta fonte chegará a 5,3 GW já em 2013, fruto de investimentos estimados em mais de 25 bilhões, de acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeolica).
No mês de junho, o país atingiu a marca de 1 GW instalados, capacidade proveniente de 51 parques instalados em nove estados. Ainda neste ano, mais 36 usinas devem entrar em operação no Brasil, segundo a associação.
Em 2010, o mundo investiu US$ 211 bilhões em energias renováveis e o Brasil, US$ 7 bilhões – quase metade do montante aplicado pela América Latina -, de acordo com relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O levantamento apontou uma queda da participação brasileira em relação ao ano anterior, em decorrência da, ainda fragmentada, consolidação do setor de biocombustíveis. (ambienteenergia)

Leilão exclusivo de energia eólica

Leilão exclusivo de energia eólica poderia reduzir preço para o consumidor
O presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Ricardo de Maya Simões, vê com “muita apreensão” os próximos leilões de energia A-3 (com início de suprimento três anos após a contratação) e de reserva, programados para os dias 17 e 18 deste mês.
“O governo colocou todas as fontes [nos leilões] para competir, e nós entendemos que deveria haver um leilão exclusivo para [a energia] eólica”, disse à Agência Brasil. Um total de 240 projetos de parques geradores eólicos foi habilitado para os leilões, correspondendo a uma oferta de 6.052 megawatts (MW) de energia.
De acordo com Simões, 6 mil MW de potência instalada geram competição suficiente para não comprometer a modicidade tarifária. “[Eles] proporcionam a existência de um mercado que precisa se expandir, para consolidar essa atração de investimentos e de fabricantes de aerogeradores e componentes [para o fornecimento] de energia eólica que estão vindo para o Brasil por causa dos leilões.”
Segundo o presidente da Abeeólica, essas indústrias estão se instalando no Brasil porque veem o país como uma janela de oportunidades, uma vez que nos mercados tradicionais, como a Europa e os Estados Unidos, há retração da demanda. Em contrapartida, o Brasil contratou 4 mil MW entre dezembro de 2009 e agosto de 2010.
Simões destacou a necessidade de consolidação desses investimentos. “Estamos preocupados com a consolidação do setor [eólico], das indústrias e desses empregos. Então, a gente defende que o leilão deveria ser exclusivo para [energia] eólica, por isso, estamos apreensivos com a concorrência, notadamente com o gás natural.”
Ele acredita que um leilão específico para energia eólica poderia resultar em redução de preço para o consumidor final. “Vamos tomar como exemplo o leilão de 2009. Ele teve um deságio gigantesco e era exclusivo para energia eólica. Existe uma concorrência no próprio setor que proporciona a queda de preço.”
Realizado em dezembro de 2009, o primeiro leilão de energia eólica no Brasil obteve preço médio do megawatt de R$ 148,39. O valor foi 21,5% inferior ao teto fixado pelo Ministério de Minas e Energia.
A potência eólica instalada no Brasil é, atualmente, 1 gigawatt (GW) ou o equivalente a mil MW. Até 2013, esse número deverá evoluir para 5 mil MW, em função dos leilões, disse Simões. Ele observou que o resultado dos leilões da próxima semana poderá levar a um crescimento ainda maior da capacidade instalada projetada.
Os investimentos previstos pelo setor eólico alcançam R$ 25 bilhões até 2013. (EcoDebate)

Participação da energia eólica na matriz nacional

Participação da energia eólica na matriz nacional pode chegar a 15% em 2020
A participação da energia eólica (dos ventos) na matriz energética brasileira, que hoje está em 0,8%, deverá atingir 7% em 2020, conforme prevê o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDEE), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Ricardo de Maya Simões, considera o número modesto.
Segundo ele, o setor pode ter participação, em 2020, de 15% na matriz energética. Para isso, de acordo com Simões, é necessária a realização de leilões exclusivos, além da busca do domínio tecnológico. “Com leilões exclusivos, você obtém ganhos de escala para que, quando os mercados tradicionais, como a Europa e Estados Unidos retomarem, você tenha uma indústria consolidada, para poder manter a competição dessa fonte.”
Para o predidente da Abeeólica, a tecnologia não está consolidada no país. “O Brasil precisa dominar essa tecnologia”. Com esse objetivo, a entidade está trabalhando na construção de uma rede de pesquisas que irá culminar na criação de um centro de pesquisas de energia eólica. Para isso, foi contratada a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). A instituição fará um estudo sobre como deverá ser essa rede.
No final de setembro, a associação promoverá uma reunião da qual participarão os vários segmentos interessados no projeto: governo, fabricantes, institutos de pesquisa. O objetivo é tentar viabilizar a rede de pesquisas ainda este ano, para definição posterior do centro de energia eólica. Simões acredita que o centro iniciará as operações entre 2012 e 2013. Ainda não está decidido, também, se o modelo de gestão do centro será público, privado, ou misto, envolvendo uma parceria pública privada (PPP). “Vai depender de como evoluirá essa rede de pesquisa.”
No final deste mês, será iniciada, no Rio de Janeiro, a segunda edição da Brazil Wind Power, congresso e feira do setor eólico promovido pela Abeeólica e pelo Conselho Mundial de Energia Eólica. O evento reunirá os principais executivos e autoridades do setor, além de fabricantes instalados no país e representantes da comunidade científica, para debater questões como a sustentabilidade, o meio ambiente e energias renováveis.
Ricardo Simões avaliou que a tendência é de expansão das energias renováveis no mundo, com destaque para a eólica. Ele acredita que os países têm de se preocupar com a sua independência energética.
“Não é bom ter o preço da energia variando ao sabor do mercado de commodities [produtos primários com cotação internacional], como o petróleo e o gás natural.” Ele acrescentou que, à medida que existe uma preocupação mundial com o aquecimento global e a não emissão de gases de efeito estufa, a energia eólica “tem um destaque natural de ocupar cada vez um espaço maior na matriz de energia do mundo”.
Além das regiões Nordeste e Sul, onde é mais forte a presença de ventos e, em consequência, de usinas eólicas, estudos que vêm sendo feitos poderão apontar, “em futuro breve”, o estado de Minas Gerais como um novo potencial a ser explorado, informou Ricardo Simões. (EcoDebate)