quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Gerador desenvolvido no Brasil

Gerador desenvolvido no Brasil produz energia elétrica e torna a água do mar potável
Apesar de já terem acesso a alguns tipos de combustíveis limpos, como o gás natural e o etanol, diversas localidades no nordeste ainda padecem da falta de energia elétrica e de água potável. Uma tecnologia desenvolvida pela Vale Soluções e Energia (VSE) promete solucionar esses dois problemas sociais por meio de um gerador que produz energia elétrica suficiente para abastecer mais de mil casas e transforma qualquer tipo de água, como a do mar e de açudes, em água potável.
Denominada “central de poligeração de energia”, a tecnologia integra o principal projeto da empresa, chamado “Combcycle”, que visa criar centrais de produção de energia movidas a turbinas de gás à vapor com diversas aplicações. “Estamos fazendo, pela primeira vez no mundo, o casamento entre uma técnica de geração de energia com uma planta de processo químico que pode gerar água doce a partir da água salgada em uma única unidade”, disse o presidente da VSE, James Pessoa, na conferência que proferiu em 28/07/10, durante a 62ª Reunião Anual da SBPC – evento que a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência realizou até 30 de julho de 2010 no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal (RN).
Prevista para começar a ser comercializada no final de 2011 e para ser entregue em 2012, a central pode gerar até 50 Kw de energia elétrica de forma distribuída – ou seja, no próprio local, sem a necessidade de linhas de distribuição – e 40 mil litros de água potável. Para isso, basta ser abastecida por qualquer forma de combustível que gere calor, como gás natural, etanol e biodiesel, e qualquer tipo de água, a exemplo da salobra e a de rios e manguezais.
A máquina tem seis metros de cumprimento e possui um sistema de telemetria que possibilita que ela possa ser operada ao ar livre e remotamente por satélite, o que possibilita ver as condições de abastecimento, monitorar, fazer a manutenção e operar diversas unidades a partir de uma única unidade de operação. “Elas podem ser transportadas e instaladas de uma forma muito fácil e têm muito potencial de utilização no nordeste brasileiro e na África”, conta Pessoa.
Aplicações
– Outras aplicações da tecnologia é no tratamento de esgoto e efluentes industriais e na dessalinização da água do mar que, juntamente com os aquíferos salgados, concentra 97% do total da água disponível no planeta. Com a mini central de geração de energia, segundo Pessoa, é possível dessanilizar 50 mil litros de água potável por hora. “Ela representa um mecanismo efetivo para transformar a água do mar em água potável”, assegura.
Já no campo industrial, a tecnologia pode ser utilizada por companhias petrolíferas para aumentar a taxa de recuperação de petróleo em jazidas que apresentam produção decrescente. Segundo os especialistas na área, do total de óleo e gás encontrados nos poços de petróleo, as indústrias petrolíferas não conseguem extrair mais de 40% do volume por falta de tecnologias. E quanto mais pesado for o petróleo, como o encontrado no nordeste, principalmente em campos terrestres, mais difícil é sua recuperação.
Ao injetar continuamente vapor a 600º em um campo de exploração de petróleo, segundo Pessoa, a tecnologia permite que a temperatura média do campo aumente gradativamente e diminua a viscosidade do petróleo, possibilitando que ele seja extraído mais facilmente. “Essa tecnologia tem um enorme potencial de utilização pela Petrobras, que já está testando-a em uma mina de xisto – outra possível aplicação”, afirma. (EcoDebate)

Cooperação técnica em bioenergia

UNESP prepara cooperação técnica em bioenergia com Cuba
Desenvolver pesquisas para a produção sustentável de energia. Este é o objetivo do acordo de cooperação técnica que a Universidade Estadual Paulista (UNESP) e o Instituto Cubano de Pesquisa dos Derivados da Cana-de-Açúcar (ICIDCA) estão negociando. A parceria vai envolver itens como biomassa para bioenergia; produção de bioenergia; aplicação de biocombustíveis em motores; biorrefinaria; alcoolquímica e oleoquímica; impactos ambientais, socioeconômicos e sustentabilidade.
“Buscamos parceiros no desenvolvimento de tecnologias limpas para a produção de energia”, salientou a pró-reitora de Pesquisa, Maria José Soares Mendes Giannini. “Nosso foco é trabalhar os resíduos de forma sustentável, unindo especialistas das duas instituições.”, acrescenta a pró-reitora, que fez o anúncio no dia 10 de maio, durante o Fórum Internacional de Pesquisa em Energia, Meio Ambiente e Sustentabilidade.
Para a cooperação, os temas foram propostos pelo professor Nelson Ramos Stradiotto, do Instituto de Química, no campus de Araraquara. “Os eixos correspondem às divisões do Centro, o que nos permite ter a troca de saberes em toda a cadeia produtiva”, afirmou. “Nossa intenção é fortalecer o núcleo, criando um centro internacional de referência na área”, diz o professor, que coordena o Centro de Pesquisa de Bioenergia da Unesp.
A entidade integra o Centro Paulista de Pesquisa em Bioenergia, criado pelo governo estadual em dezembro de 2009, com participação das três universidades estaduais e da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). (ambienteenergia.com.br)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Colombari comprova vantagens do biogás

O suinocultor José Carlos Colombari, de São Miguel do Iguaçu, comprova como o investimento em energia renovável impulsiona os negócios no campo. Ele está praticamente dobrando sua produção, graças ao saneamento ambiental e à economia de energia proporcionada pelo aproveitamento do biogás para o abastecimento de eletricidade em sua granja.
Colombari é um dos pioneiros do autoabastecimento energético no país e sua propriedade – a Granja Colombari – faz parte da Plataforma Itaipu de Energias Renováveis. Ele gera sua própria energia desde 2006 e, desde janeiro de 2009, está ligado à rede pública (Copel).
Agora, Colombari está aumentando seu plantel, que no início era de 3 mil cabeças de suínos, para 5 mil unidades, o que lhe permitirá aumentar a renda como produtor rural e como produtor de energia. Para dar conta desse incremento, ele já aposentou o antigo gerador, de 50 KVA, e adquiriu um novo, de 100 KVA. Também foi construído um novo biodigestor, para comportar o acréscimo na produção de dejetos. Essa infraestrutura (gerador + biodigestor) foi contemplada com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), num financiamento de R$ 150 mil.
“Tenho oito anos para pagar, mas com o retorno esperado para esse investimento seria possível liquidar tudo neste ano mesmo”, comemora o produtor. “Como a gente consegue fazer o tratamento ambiental dos dejetos, é possível aumentar a quantidade de animais e a produção de carne, além de ter mais biogás para a geração de energia e também para a geração de créditos de carbono”, resume.
Hoje, Colombari tem um plantel de 4.200 suínos. Chegará a 5 mil nos próximos 90 dias, com o término da construção do último barracão. A partir de então, o novo gerador (considerando uma média de funcionamento de 16 horas por dia e de 25 dias por mês) deverá produzir de 32 mil a 35 mil kilowatt-hora/mês. Como o consumo da propriedade é de 7 mil a 7,5 mil kilowatt-hora, a granja venderá cerca de 25 mil kW-h mensais.
A venda de energia vai proporcionar uma renda mensal de aproximadamente R$ 3.500,00. Mas esse não é o único benefício proporcionado pelo sistema adotado por Colombari. Além de se autoabastecer de energia e da renda com o comércio do excedente, ele economiza outros R$ 1 mil por mês com a produção de biofertilizante (subproduto do processo de geração do biogás).
O biofertilizante é aplicado sobre as pastagens, que crescem duas vezes mais rápido. Enquanto em um sistema normal de rotação de pastagem o boi retorna para o mesmo local após 35 dias, com a fertirrigação, isso ocorre a cada 18 dias. O sistema ainda incrementa a produtividade: enquanto a pecuária de corte registra uma média de 1 ou 2 animais/hectare (nacional) ou de 4 a 5 animais/hectare (regional), a Granja Colombari maneja 10 animais/hectare. No total, são 300 bois/ano na propriedade.
Biogás – Colombari faz parte de uma nova economia rural, que vem demonstrando o quanto a energia gerada através do biogás é estratégica para o Brasil. Ele se beneficiou do novo cenário proporcionado pelas normativas 390 e 395 de 2009 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que autorizam a Geração Distribuída a partir do biogás no Brasil. Com a resolução, qualquer distribuidora de energia elétrica de todo o país pode comprar eletricidade produzida por biodigestores.
Isso ocorreu a partir de quatro anos de estudos realizados no Oeste do Paraná, pela Itaipu e demais parceiros da Plataforma Itaipu de Energias Renováveis com a implantação de unidades de demonstração de diversos portes, todas usando biogás de efluentes e resíduos orgânicos de suínos, bovinos de leite, frigorífico de aves, e uma estação de tratamento de esgotos urbanos. E foi na Granja Colombari que o programa mostrou sua viabilidade técnica, econômica e ambiental.
A Itaipu vem fomentando o desenvolvimento dessa cadeia em diversas frentes, tais como o estímulo à utilização de tecnologias desenvolvidas na região (como no caso do empreendedor Pedro Kohler, que criou um biodigestor que será empregado no Condomínio de Agroenergia da Agricultura Familiar, em Marechal Cândido Rondon); através de estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental de projetos de Geração Distribuída na região Oeste do Paraná; e através do incentivo à capacitação, como o primeiro curso de Engenharia das Energias Renováveis, abrigado na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) e cujas aulas já começaram. (ambienteenergia)

Um combustível alternativo ao diesel

O Centro de Estudos da Consultoria do Senado publicou estudo sobre a “A utilização de óleo vegetal refinado como combustível – aspectos legais, técnicos, econômicos, ambientais e tributários”, desenvolvido pelos consultores Ivan Dutra Faria, Marcus Peixoto, Paulo de Morais e Rapahel Borges Leal de Souza. Além de reunir informações sobre o uso do óleo vegetal refinado como combustível, o trabalho aborda a viabilidade e conveniência de sua utilização, e defende a consolidação de um marco legal sobre o tema.
Ao traçar um cenário e perspectivas para o uso desta solução energética, o estudo aborda pontos como aspectos físico-químicos e ambientais dos combustíveis; as fontes de óleos vegetais e a produção de oleaginosas no Brasil e no mundo; as tecnologias disponíveis; aspectos econômicos do seu uso como combustível, destacando potencial de financiamento via mercado de créditos de carbono, por exemplo; aspectos ambientais; e aspectos tributários.
Apesar de já ser previsto em antigos programas governamentais e testado com sucesso no Brasil e no exterior, o estudo conclui que ainda existe uma lacuna na legislação brasileira, não abordando a possibilidade do uso do óleo vegetal refinado como combustível em relação ao diesel. Entre as vantagens, o trabalho destaca o menor custo em relação ao biodiesel e ao diesel; a redução das emissões de poluentes; não precisar de alta tecnologia para fabricação; e possibilitar a produção em comunidades isoladas. (ambienteenergia)

Pesquisa da USP testa catalisador ácido

Pesquisa da USP testa catalisador ácido reaproveitável para produzir biodiesel
Catalisador dispensa tratamento para matérias-primas do biodiesel
Pesquisa realizada no Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP testou com êxito a utilização de um novo tipo de catalisador para a produção de biodiesel, baseado em compostos ácidos. O catalisador testado pelo químico Guilherme Tremiliosi pode ser recuperado e reaproveitado em novos processos de produção de biodiesel. A substância também pode ser adicionada a um maior número de matérias-primas do que o catalisador básico, sem a necessidade de serem tratadas antes da reação.
O catalisador utilizado é o ácido fósfo-tungstíco, sob um suporte de ormosil (abreviação de “organically modified silicates”, silicatos organicamente modificados), um material híbrido, orgânico e inorgânico. “Ele foi testado em óleo de soja com alto índice de acidez, que apresenta grandes dificuldades para seu emprego na produção de biodiesel”, ressalta o químico. “O objetivo era obter um rendimento satisfatório na reação entre óleo, etanol e catalisador, que gera o combustível.”
Atualmente, a produção de biodiesel no Brasil utiliza catalisadores básicos e homogêneos, que não podem ser reaproveitados. “O catalisador ácido permite maior versatilidade no uso de matérias-primas, sem necessidade de tratamento prévio, como sobras de óleo de cozinha ou óleos de plantas oleaginosas não comestíveis, como o crambe”, conta o químico.
No experimento, o rendimento obtido chegou a 60% (ou seja, 60% do óleo utilizado se transformou em biodiesel), ainda abaixo do nível mínimo considerado ideal pelas indústrias, que é de 95%. “Além da reação ter sido realizada em laboratório, não houve ajustes nos parâmetros do processo reacional”, observa o químico.
Reaproveitamento
Segundo Tremiliosi, o catalisador ácido tem potencial para chegar a 99% de rendimento. “Para chegar a esse nível, serão necessárias novas pesquisas para aprimorar a interação entre o ácido e ormosil”, avalia. “Ao mesmo tempo, é preciso otimizar os procedimentos envolvidos na reação.”
Ele explica que devido ao fato de o catalisador ácido ser heterogêneo, ele pode ser regenerado. “Por filtração, ele é separado do biodiesel e reaproveitado em novos processos reacionais”, descreve. “O catalisador básico em contato com a água produz sabão, que é muito difícil de ser separado do combustível.”
O catalisador ácido também permite o uso de etanol que não seja totalmente anidro (sem moléculas de água). Tremiliosi afirma que a pesquisa não estimou os custos de produção do catalisador, mas que a possibilidade de reaproveitamento pode gerar uma redução. “Além disso, há a perspectiva de utilização com uma gama maior de matérias-primas”, acrescenta.
De acordo com o pesquisador, as matérias primas utilizadas no ormosil são produzidas no Brasil, mas não em grande escala. “Caso o catalisador ácido seja utilizado para a produção de biodiesel, existe a possibilidade de adaptar o volume de produção para atender o processo de produção do combustível”, afirma o químico. (EcoDebate)