terça-feira, 30 de novembro de 2010

Energia eólica terá banco de dados

O mercado de energia eólica ganhará uma boa referência. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) informou que receberá, a partir de fevereiro de 2011, as primeiras informações do banco de dados de geração eólica. Segundo a entidade, a solução será montada a partir da implementação dos parques eólicos negociados nos leilões de energia de dezembro de 2009 e agosto de 2010.
O banco de dados permitirá um inventário do potencial brasileiro de produção de energia dos ventos, permitindo, entre outros benefícios, a análise integrada do comportamento comum entre a geração eólica e a geração hidrelétrica. Via internet, os investidores repassarão, quinzenalmente, médias de medição efetuadas a cada 10 minutos. As informações que farão parte desse monitoramento agregam os seguintes dados: velocidade e direção dos ventos, temperatura local, umidade relativa do ar e pressão atmosférica.
O primeiro dos 71 parques negociados no Leilão de Reserva de 2009 fará o envio dos dados à EPE a partir de 16 de fevereiro de 2011 – cada parque começará a enviar as informações seis meses antes da entrada em operação. A EPE se reuniu em 8 de novembro de 2010, com os responsáveis técnicos dos parques eólicos vencedores do leilão de 2009. (ambienteenergia)

Prêmio a uma solução de baixo custo

Energia eólica: prêmio a uma solução de baixo custo
O estudante Eduardo Façanha de Oliveira, da Universidade Federal do Ceará, recebeu em 18 de novembro de 2010, o prêmio Jovem Cientistica, que teve como tema “Energia e Meio Ambiente – Soluções para o Futuro”, na categoria Estudante do Ensino Superior. Ele venceu a premiação com a pesquisa “Conversor estático de baixo custo e alto rendimento para sistemas eólicos de pequeno porte”. A solução, que pode carregar baterias ou ser interligada à rede elétrica, é apropriada para residências e estabelecimentos de pequeno porte, garantindo a redução no uso de eletricidade.
O conversor projetado por Eduardo é destinado a sistemas de pequeno porte. Para carregar baterias, oferece uma potência de 350 watts, semelhante à de alguns aparelhos de som. O sistema interligado à rede elétrica de um quilowatt permite zerar a conta de energia elétrica de uma residência típica de classe média, durante a maior parte do ano. Nas duas formas de uso, o conversor procurar extrair a máxima energia disponível no vento e a torna compatível com o uso de aparelhos domésticos.
O aspecto econômico do aparelho elaborado pelo estudante se observa nas duas versões: ao ser usado na recarga de baterias, o conversor dispensa o uso de energia elétrica e, quanto interligado à rede elétrica, as turbinas movidas pelo vento geram parte da eletricidade, o que reduz o consumo de energia da rede.
Eduardo, que cursa o último ano de Engenharia Elétrica na Universidade Federal do Ceará, explica que em centros urbanos, a existência de edifícios cria corredores de vento com velocidades variadas. Por isso, nesses locais, os aerogeradores mais adequados são os de eixo vertical, que são independentes da direção e intensidade dos ventos, operam em alturas reduzidas e produzem menos ruído.
Ainda pouco utilizada em meio urbano, a energia eólica tem nas cidades um mercado promissor. Para atender a essa demanda, Eduardo já está expandindo seu projeto, em parceria com um fabricante nacional de turbinas eólicas, para desenvolver sistemas aplicáveis a ambientes urbanos.
Os vencedores da XXIV edição do Prêmio Jovem Cientista receberam a premiação das mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em cerimônia no Palácio do Planalto. Este ano, os vencedores são dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Ceará, Tocantins, Maranhão e Distrito Federal. (ambienteenergia)

domingo, 28 de novembro de 2010

Energia solar: uma solução para milhões

As primeiras obrigações solares térmicas no mundo já estão em vigor há mais de 30 anos. Estas obrigações em geral se constituem de disposições e normativas legais que impõe a instalação de sistemas de aquecimento solar nas edificações urbanas.
A obrigação está geralmente ligada à construção de novas construções ou de obras de reforma e, portanto, é de responsabilidade dos construtores e dos usuários assegurar e garantir que o sistema de aquecimento solar seja instalado de acordo com os requisitos técnicos específicos que costumam variar de legislação para legislação. Encontram-se a;inda muitas obrigações solares térmicas que estão relacionadas com a regulamentação térmica ou de eficiência energética de edificações.
O número de cidades, regiões e países que estão lançando mão das obrigações solares térmicas vem crescendo a cada ano e hoje mais de 150 milhões de pessoas na Europa vivem em regiões onde o aquecedor solar é um item obrigatório nas novas edificações. Fora da Europa, as obrigações solares também vem se disseminado como por exemplo no Uruguai, México, cidades da China, etc.
No Brasil, a obrigação legal é realidade na maior cidade do país, São Paulo e em Natal, capital do Rio Grande do Norte, e dezenas de municípios vem trabalhando em prol desta diretiva. Em nosso inconsciente, o termo obrigação nem sempre é benvindo, mas é importante lembrar que hoje como se projetam nossas casas e edifícios nós somos literalmente obrigados a utilizar a energia elétrica ou o gás, dois energéticos muito importantes, mas que não deveriam ser destinados ao aquecimento integral de água em nosso país, onde o Sol é tão abundante e disponível. O Sol no Brasil, com a tecnologia já disponível, pode prover mais de 70% das necessidade anuais de água quente das edificações.
O aquecimento solar pode desempenhar um papel chave na redução das emissões, na maior disponibilização da matriz de energia elétrica brasileira e principalmente na melhoria da qualidade de vida de seus cidadãos. Cabe lembrar que a energia solar térmica tem uma relação custo-benefício comprovada, sendo amplamente utilizada no mundo, onde mais de 280 milhões de metros quadrados de coletores solares já estão instalados.
Alguns outros argumentos convincentes para que nenhum edifício seja construído sem a energia solar térmica:
- a energia solar é inesgotável e facilmente disponível;
- o calor é produzido livre de emissões e no local de sua utilização (geração distribuída);
- os coletores solares podem ser esteticamente integrados à edificação e facilitam o conceito de planejamento urbano sustentável;
- a energia solar gera segurança no abastecimento de energia, novos empregos verdes e crescimento econômico.
A priori, a energia solar só não está mais disseminada porque nenhum grupo econômico descobriu como ser dono do Sol e, portanto, a energia solar é taxada inclusive com pretensões científicas de inviável e cara. Pergunte-se o que você quer para o futuro de sua cidade e tente enxergar os benefícios que o amplo uso do Sol nos traria. (ambienteenergia)

Energia solar: PE terá fábrica de placas

Pernambuco abrigará a primeira fábrica de painéis de geração de energia solar das Américas. Em 11 de novembro de 2010, o governador em exercício, João Lyra Neto, o presidente da Eco Solar do Brasil, Emerson Kapaz, e diretores da empresa suíça Oerlikon – que fornecerá a tecnologia e os equipamentos – , assinaram um protocolo de intenções para a construção de uma unidade no Parque Tecnológico de Pernambuco (Parqtel), no Recife.
Atualmente, existem apenas 13 fábricas desse gênero no mundo em países do leste europeu e da Ásia como China e Taiwan. O investimento é de R$ 500 milhões. Segundo Kapaz, o Banco do Nordeste do Brasil financiará 70% do valor, enquanto o fundo de investimentos europeu FXX Corporate aportará cerca de R$ 100 milhões. “Há ainda interesse de uma grande empresa brasileira e de um fundo de investimentos americano em participar do negócio”, garante.
A fábrica terá capacidade anual de produzir 850 mil painéis fotovoltaicos – responsáveis pela captação e armazenagem da energia solar. Um diferencial da nova tecnologia adotada pela Eco, chamada de “filme fino” é que as placas são feitas de material 100% limpo, mais eficiente e mais barato. “Pernambuco se sente muito feliz em sediar mais um investimento de vanguarda, com tecnologia de ponta, para produzir não só para o Nordeste e o Brasil, mas para o mercado mundial”, afirmou João Lyra Neto.
O número de empregos gerados é bastante significativo. Cerca de 400 postos de trabalho serão abertos durante as obras de construção da unidade, que começam em 60 dias. Outros 250 trabalhadores serão necessários para a sua operação, em 2012. Além desses, 1.300 homens irão atuar na instalação das placas.
Segundo Kapaz, além da logística, fez diferença para a escolha da empresa o forte desenvolvimento de Pernambuco, puxado pelo Complexo Portuário de Suape. “A estrutura e o potencial de Suape foram um diferencial. Mas esse é um pontapé inicial. A demanda vai ser muito grande, o Brasil ainda não descobriu sua força nesse setor”, disse, explicando que a produção pernambucana deverá ser exportada para os EUA, Chile, Peru e Argentina.
O uso dos painéis é abrangente. Vai de residências, estabelecimentos comerciais, bancos, supermercados, até grandes empresas. Uma placa – com tempo útil de vida de 25 anos – deve sair inicialmente em torno de R$ 320 e tem capacidade para armazenar até 150 watts. Para uma casa com quatro pessoas, por exemplo, seriam necessárias seis placas. A economia de energia ficaria em torno de 30%.
Também prestigiaram a cerimônia realizada no gabinete do governador no Palácio do Campo das Princesas, o secretário de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, Anderson Gomes, a secretária de Desenvolvimento Econômico em exercício, Danielle Duca, e o presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper), Jenner Guimarães. (As informações são do governo de Pernambuco) (ambienteenergia)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Veículo elétrico: solução da academia

Da Secretaria de Comunicação da UnBJá imaginou chegar em casa e ligar o carro na tomada para “encher o tanque”? E dirigir pelas ruas sem aquela fumaça preta que contamina o ar e a poluição sonora vinda dos barulhentos motores? Pois essa é a realidade do carro elétrico, ideia que ganha cada vez mais espaço no mundo e no Brasil. O primeiro modelo genuinamente brasiliense deve ficar pronto em fevereiro. O veículo, batizado de BR 12v, é fruto da pesquisa de um grupo de estudantes da Faculdade UnB Gama.
A carcaça do modelo é de um Gurgel BR 800, primeiro carro criado e desenvolvido no Brasil, em 1988. Mas a tecnologia que vai dentro é de ponta. “Escolhemos adaptar o Gurgel por ter uma lataria mais leve, de fibra de vidro. Vamos retirar o motor antigo e inserir um novo, 100% elétrico”, explica o estudante Wagnei Lemes Martins, do 5º semestre de Engenharia Automotiva. Ele e outros nove alunos são orientados no projeto pelo professor Rudi Henri Van Els.
Cálculos e desenhos do BR 12v já estão prontos. O motor, que deve chegar até o fim do ano, será importado da Alemanha com recurso do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “Infelizmente, o motor ainda não é fabricado no Brasil”, explica o professor Rudi. A expectativa é que o Gurgel recapeado, e sem uma gota de gasolina, ganhe as ruas no início de fevereiro de 2011.
18 Baterias – O BR 12v contou com uma dose da improvisação tipicamente brasileira para sair do papel. A bateria usada nos carros elétricos que já circulam pela Europa, Estados Unidos, Índia e China, – de íons de lítio, semelhante às dos celulares – ainda não pode ser comercializada no Brasil por falta de legislação sobre o seu descarte. “O jeito foi usar as baterias convencionais para botar o carro em movimento”, diz Wagnei. Ao todo, nada mais nada menos que 18 baterias – pesando 4,2 kg cada – serão usadas no modelo da UnB.
Seis delas ficarão junto com o motor. As outras 12 serão acomodadas sob o banco de trás. “A bateria de lítio fornece até 15 vezes mais energia do que a convencional”, observa Wagnei. “Mas esse é só o primeiro passo. A ideia é que o carro seja um laboratório e que outros alunos possam aprimorar a tecnologia empregada ao longo dos anos”, incentiva. Por conta do peso das baterias, o motor com 15 cavalos de potência do guerreiro BR 12v só poderá carregar o motorista e um passageiro por vez.
Esqueça os postos de gasolina e o sobe desce do preço do combustível. O BR 12v será abastecido na tomada. “A cada 6h de carga o tanque está cheio e pronto para rodar até 45 km”, conta Wagnei. Segundo os pesquisadores, a vida útil das baterias é de aproximadamente quatro anos e a conversão de energia elétrica em mecânica no BR 12v chega aos 90% (na combustão é de 30%). “Estamos estudando num modo de realimentar a bateria quando o carro estiver na banguela”, adianta.
O possante, que chega aos 80 km/h, também é sinônimo de economia. Apesar de ainda não terem sido feitos cálculos precisos sobre os gastos para manter o modelo, a equipe garante que vale muito a pena para o bolso. “Calcula-se que ter um carro elétrico em casa eleve em cerca de 10% o consumo de energia por mês em uma residência comum”, diz Wagnei. Todo tipo de ruído também desaparece no modelo elétrico. “Teremos que fazer um sistema luminoso para indicar a troca de marcha”.
Na opinião do professor Rudi, a mudança é uma questão de tempo. “A tecnologia já não é um entrave, mas é preciso vontade política”, aponta. Segundo o especialista, o carro elétrico não se tornará uma realidade no Brasil enquanto não houver incentivos para a fabricação de peças no país. “As taxas de importação são altíssimas. Para ele se popularizar será preciso baratear o processo”, observa Rudi, destacando ainda a questão da sustentabilidade em torno da redução das emissões de gases poluentes.
Natureza – O apelo ambiental pela substituição dos carros convencionais pelos elétricos faz sentido. “Hoje estima-se que 23% das emissões de CO2, (gás causador do efeito estufa) venha dos carros a combustão”, conta o professor Carlos Gurgel. Especialista do Departamento de Engenharia Mecânica da UnB, ele ainda destaca as melhorias na qualidade de vida das grandes cidades. “Boa parte dos problemas respiratórios, que geram altos gastos para o Estado, vem da péssima qualidade do ar”.
Por outro lado, o pesquisador alerta para a alta demanda de energia elétrica que seria necessária para “abastecer” os veículos. “Imagina todo brasileiro plugando o carro na tomada para recarregar as baterias. Seria necessário inaugurar várias hidrelétricas, o que acarretaria em um alto impacto ambiental”. Gurgel ainda alerta sobre o mito de que os carros elétricos não poluem. “O processo de fabricação, que também gera impacto e poluição, é praticamente o mesmo. Sem falar no descarte das baterias”.
Polêmicas à parte, o pesquisador da UnB Cristiano Vaz ressalta a importância do debate. “É uma ideia interessante diante da pressão pela quebra de paradigmas energéticos no século XXI”. No entanto, o engenheiro, que não acredita na consolidação do carro elétrico no Brasil nos próximos 10 anos, alerta para a necessidade de preparar o terreno para receber o modelo. “Podemos trocar seis por meia dúzia. É preciso planejamento para assegurar o acesso e evitar um colapso energético”.
Você sabia?
O Itaipu, primeiro carro elétrico brasileiro, foi produzido pela Gurgel Motores em 1974.