domingo, 24 de abril de 2011

Renováveis: A outra energia possível

Você os vê despontar em todos os lugares quando viaja nas rodovias da capital para Munique e o Sul, ou para Hannover ou para o Oeste: com o seu zumbido humilde, as pás dos grandes moinhos eólicos rompem o silêncio da zona rural alemã. Em todos os lugares, nas pequenas casas dos ricos bávaros ou nos grandes palácios pré-fabricados ao estilo soviético que o oeste de Berlim herdou do comunismo, você vê os painéis fotovoltaicos.
A energia renovável voa na Alemanha. Não só na Bolsa, em que, nas últimas horas, os títulos da Solarworld, Q-Cells, Nordex ou do banco de energias limpas da Siemens registraram um salto de 20% a 40%. Você a vê por trás de todos os cantos, tornou-se um fator constitutivo do cotidiano. A Alemanha conservadora de Angela Merkel, que diz “na dúvida, somos a favor da segurança” e para por pelo menos três meses sete dos seus 16 reatores, é também a potência economia que, mais do que qualquer outra, se lançou a pensar e projetar estrategicamente o mundo novo da energia.
“A política ecológica é a política do futuro, também para a economia”, explicou o ministro do Ambiente Norbert Roettgen, democrata-cristão como a chanceler. Os dados oficiais do seu gabinete, que nem as empresas nem os “verdes” contestam, falam claramente: a eficiência no uso das matérias-primas na economia alemã aumentou 46,8% entre 1994 e 2009, isto é, no mesmo período em que o PIB crescia 18,4%. Os custos do sistema econômico da Alemanha caíram 100 bilhões de euros. Justamente enquanto, paralelamente, o percentual de energia nuclear produzida caía de 27,3% em 1991 para uma cifra em torno dos 20% (até o fechamento dos sete reatores, decidido nesta terça-feira), e o das renováveis voava no mesmo arco de tempo de 3,2 para 17%. E só de 2004 a 2009 duplicou.
“O desligamento das sete centrais, decidido pelo governo, não deveria produzir contragolpes nem para a economia, nem para o consumidor, nem um aumento de tarifa, nem problemas de produção de eletricidade”, explica Aribert Peters, da União dos Consumidores de Energia: depois da reviravolta de Merkel sobre a energia nuclear, os mercados, segundo ele, apostam em preços estáveis. Talvez tenham as suas razões: não esperem militantismo para o meio ambiente ou desejo de prados floridos na Bolsa de Frankfurt.
Para o sistema da Alemanha, explicam Dietmar Edler e Marlene O’Sullivan, em um relatório para o instituto econômico DIW, as energias renováveis alternativas tornaram-se um negócio. Assim como com as BMWs e as Mercedes, com os Airbus e os Eurofighters, aqui também o “made in Germany” é o melhor no mercado. De 2007 a 2009, os investimentos nas energias renováveis passaram de 11,4 para 20,4 bilhões de euros. O faturamento do setor, incluindo as exportações, está em 21 bilhões de euros. Portanto, em três anos, cresceu quase 40%. Também durante o 2009 da grande crise econômica e financeira internacional.
Fundos públicos e desagravos fiscais ajudam o crescimento. Uma produção de energia elétrica confiada em 100% nas renováveis é possível até 2050, diz o ministério de Roettgen, e o governo colocou o objetivo de chegar a 80%. “A maioria da centro-direita deveria fazer mais e não só fechar centrais antes de eleições difíceis”, nota Baerbel Hohn, uma das mais ouvidas líderes dos “verdes”. Mas esconde apenas a satisfação sobre como a centro-direita e o establishment estão assumindo os valores constitutivos do movimento ecológico.
Consenso transversal não declarado, em nome dos números: enquanto os reatores nucleares alemães dão trabalho, segundo Gruenen, a cerca de 30 mil pessoas, os ocupados no setor das renováveis aumentou de 277 mil em 2007 aos cerca de 340 mil atuais. E continuarão a crescer longamente, antes que o setor se torne saturado como a siderurgia automobilística. “O adeus à energia nuclear poderá ser um processo longo – discutimos abertamente se serão precisos 10 ou 20 anos ou mais – mas é possível”, pensa o líder dos “verdes” europeus, Daniel Cohn-Bendit. (EcoDebate)

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Novo coquetel para produção de biocombustível

Pesquisadores testam novo coquetel para produção de biocombustível
Instituto de Física de São Carlos, da USP, quer otimizar processo de fabricação do etanol.
Uma pesquisa feita pelo Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC/USP) está desenvolvendo um coquetel para aumentar o aproveitamento da cana-de-açúcar na produção de etanol e utilizar novas matérias-primas no processamento de biocombustíveis.
De acordo com a Agência USP, o coquetel contém fungos que produzem enzimas e, uma vez injetado em biomassas específicas para a produção de combustíveis (como o bagaço de cana), torna-as mais maleáveis, o que otimiza a obtenção do etanol.
Segundo o coordenador da pesquisa, o professor Igor Polikarpov, no processo de produção de etanol a partir da cana, o caule da planta é cortado e transportado para a usina, onde será esmagado. Aproveita-se o líquido para a fabricação de açúcar e o resto é queimado. Mas é possível utilizar esse bagaço para obter etanol. “Por esse novo processo, pode-se aumentar a produção em pelo menos 150%”, explica.
As pesquisas também visam ao aproveitamento de biomassa geral, onde se incluem como matérias-primas gramíneas e galhos e folhas de árvores. “É claro que precisamos conservar as florestas, mas também é preciso pensar uma maneira de aproveitar aquilo que está jogado na natureza”.
O Brasil figura como um dos maiores produtores de etanol no mundo, ao lado dos Estados Unidos. Juntos, os dois países são responsáveis pelo abastecimento de 75% do consumo mundial do combustível. (revistagloborural)

Liderança na produção de biocombustíveis na AL

Brasil, Argentina e Colômbia lideram produção de biocombustíveis na América Latina
Brasil, Argentina e Colômbia são os únicos países latino-americanos a figurarem entre os principais produtores de bioetanol e biodiesel do mundo, segundo um estudo entregue em 29/03/11 pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal).
Segundo o organismo das Nações Unidas, os biocombustíveis podem ser elaborados com uma ampla gama de produtos agrícolas e florestais. Desde 2000, a produção no mundo cresceu a um ritmo anual de 10%, totalizando 90,187 bilhões de litros em 2009. Desse total, 82% corresponde a bioetanol e 18% a biodiesel, especifica o documento regional sobre economia dos biocombustíveis.
O Brasil é o segundo produtor de bioetanol do mundo, com 33,2% de participação no mercado, atrás dos Estados Unidos, responsáveis por 54,7% da produção mundial, segundo dados de 2009.
Em relação ao biodiesel, a Argentina é o segundo produtor mundial, com 13,1% do mercado, também depois dos Estados Unidos, que lideram com 14,3%. O Brasil fica em quinto lugar, com 9,7% de participação, acrescenta o estudo da Cepal.
A pesquisa aborda as políticas e regulamentações dos países em relação aos biocombustíveis, às oportunidades e aos riscos associados e os vínculos com o ambiente e a segurança alimentar. O documento também alerta governos que queiram começar a produzir: é preciso realizar análises profundas sobre o potencial do país e identificar os possíveis impactos ambientais e sociais, assim como os vínculos com a segurança alimentar. (revistagloborural)

Biocombustível suprirá 27% das necessidades

Biocombustível pode suprir 27% dos transportes até 2050
Uso em ampla escala pode reduzir emissão de CO2, mas produção precisa ser mais barata e eficiente.
A participação dos biocombustíveis na matriz energética dos transportes pode subir de 2% neste ano para 27% em 2050 se a eficiência do processo de produção for melhorada, segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE).
Os biocombustíveis feitos a partir de amido, açúcar e oleaginosas podem substituir volumes significativos de diesel e querosene de aviação, produzidos a partir de combustíveis fósseis, além de evitar a emissão de uma enorme quantidade de dióxido de carbono anualmente, se usado em ampla escala.
Atingir o nível de 27%, no entanto, exigiria 100 milhões de hectares de plantações, o que gera um grande desafio quando se leva em consideração a competição por terrenos e matérias-primas resultante da demanda crescente por alimentos e fibras, segundo o relatório da AIE.
Para que o prognóstico seja cumprido, as tecnologias de produção de biocombustíveis precisam ser mais eficientes, mais baratas e sustentáveis. A agência estima que esses combustíveis renováveis poderão competir em termos de preço com os fósseis até 2030. (revistagloborural)

Princípios dos produtores de biocombustíveis

Estudo pede que europeus devem exigir princípios éticos de produtores de biocombustíveis
Usina de etanol nos EUA
A adoção de metas de uso de biocombustíveis por parte dos países europeus vem estimulando práticas antiéticas e a expansão ”rápida e insustentável” da produção mundial de biocombustíveis.
Essas são as conclusões de um estudo realizado ao longo de 18 meses pela entidade britânica Nuffield Council on Bioethics.
A União Europeia e a Grã-Bretanha possuem uma série de metas de promoção de biocombustíveis, como, por exemplo, a Diretiva de Energia Renovável da Comissão Europeia de 2009, que especifica que fontes de energia renovável devem responder por pelo menos 10% de todo o petróleo e diesel utilizado na União Europeia, em 2020. Já os britânicos determinaram que 5% de todo o combustível de transporte do país devem provir de fontes renováveis até 2013.
Mas o estudo afirma que as metas europeias e nacionais de produção de biocombustíveis devem ser substituídas por ”uma estratégia mais sofisticada baseada em alvos específicos”.
De acordo com o documento, as metas que substituíram as atuais devem “levar em conta a proteção dos direitos humanos e do meio ambiente, a realização de avaliações detalhadas sobre emissões de gases poluentes, a adoção de princípios de comércio justo e de esquemas de acesso e compartilhamento de benefícios”.
Princípios
Segundo o Nuffield Council on Bioethics, ”a União Europeia deveria dar apoio e assessoria a países que se esforcem para certificar que os biocombustíveis que produzem seguem tais princípios”.
O documento se debruçou ainda sobre três modelos de produção de combustíveis renováveis – o brasileiro, o americano e o malaio.
Em relação à produção brasileira, por exemplo, o documento afirma que o programa de produção de etanol a partir da cana de açúcar, ”apesar de saudado por muitos como um dos mais bem-sucedidos programas de biocombustíveis em larga escala, vem sendo criticado por contribuir para o desmatamento em áreas de habitats ricos, levando a um declínio da biodiversidade”.
O texto afirma ainda que há preocupações com o fato de a produção de etanol no país estar por vezes ligada a abusos contra os direitos dos trabalhadores.
Em relação ao modelo americano de produção de etanol – feito a partir do milho – o documento lembra que ele foi parcialmente responsável pelo aumento do preço de milho e outros grãos em países em desenvolvimento. E também que há controvérsias quanto ao fato de este modelo de produção ser ou não menos poluente do que combustíveis fósseis. (EcoDebate)