terça-feira, 10 de abril de 2012

Aquele bem comum chamado Sol

Energia Solar: Aquele bem comum chamado Sol
Imperativo energético, do estudioso alemão Hermann Scheer, é um formidável documento sobre um modelo de produção energética alternativa ao petróleo, ao carvão e ao átomo. E que prevê uma gestão descentralizada e auto organizada pelos por indivíduos e pelas populações locais.
A vantagem competitiva alemã em comparação com a economia italiana – alguns a chamam familiarmente de spread – reside preponderantemente no formidável ativo da Alemanha nas trocas internacionais de bens e serviços, a diferença do passivo que caracteriza a Itália. Essa é a explicação em que insistem os mais renomados economistas (às vezes também de esquerda). E muitos sugerem de sair do atoleiro reconvertendo o sistema econômico e social do país para dispor de bens exportáveis, contendo mais inovação de produto, ou para produzi-los através de processos mais eficientes (leia-se: com demissões em massa).
Submissamente, sugerimos outra via. A de imitar a sério os alemães, mas na sua transição para as energias renováveis e ao contemporâneo abandono das energias fósseis, incluindo a nuclear. Esse caminho é o que um autor, um verdadeiro cientista político, Hermann Scheer, sociólogo, descreveu na íntegra em seu último livro, Imperativo energético, publicado no fim de 2011, nos Kyoto Books das Edizioni Ambiente (269 páginas). O tema está resumido nas frases que completam o título original: “100% renovável agora! Como realizar a completa conversão do nosso sistema energético”.
O advogado do verde
Scheer, saudado como “advogado do Sol”, “herói verde”, faleceu em outubro de 2010. O seu papel não foi apenas o de pensar o futuro “renovável” e escrever livros para explicá-lo e torná-lo familiar para os alemães e outros, na Europa e no mundo, mas também o de construir uma extraordinária obra de convicção, através de associações como Eurostar.
Scheer tornou realmente mais próximo e acessível o “seu” futuro, na ação de todos os dias, escrevendo livros, participando de congressos, proferindo conferências. Mas ele fez muito mais, trabalhando sem trégua na esfera política, utilizando no parlamento, no seu partido, o SPD, e também nas administrações das cidades e das Länder, todos os espaços permitidos. Em busca contínua de escolhas concretas, de leis para tornar o mundo “renovável” prático, vantajoso e convincente.
Imperativo energético está entre os trabalhos do seu último período e é, ao mesmo tempo, ciência, informação, política. Certamente, deve ser lido como um programa muito concreto para aqueles que continuarão a sua obra e se dedicarão à reconversão energética da sociedade ou, melhor, à revolução social praticada através da mudança de paradigma energético.
A energia de origem solar deve substituir totalmente e o mais rápido possível aquela que hoje é utilizada, que é quase inteiramente de origem fóssil. Para Scheer, não há mediações possíveis, os atrasos tornam-se intoleráveis, não se pode aceitar compromissos, soluções confusas. As grandes empresas tradicionais do gás, do petróleo, elétricas, incluindo o átomo, mostram agora, em grande parte, uma atitude tolerante com relação às energias renováveis. É falso. Fingir dar espaço às novidades é uma medida que permite se mostrar na moda, serve para dar uma demão de verniz de elegância a um mundo energético ainda e sempre dominado pelas energias fósseis.
Scheer rejeita essa atitude complacente. O modelo renovável não deve e não pode ser apenas uma variante, um enchimento, nem a oferta de uma área de descanso gratuito e de tempo indeterminado para desenvolver experimentos com toda a calma, à espera que as energia fósseis se esgotem.
Ao contrário, Scheer é movido pela urgência. Não está apenas convencido de que as energias fósseis estão esgotando rapidamente, muito mais perto do que se pensa e que, por isso, será preciso abrir mão delas o quanto antes. Elas devem ser eliminadas hoje, por serem prejudiciais por causa da poluição que determinam, por causa dos desastres naturais crescentes e pelo aquecimento global que provocam.
Portanto – ele tem certeza disso – quanto antes nos libertarmos delas, melhor. Ou, melhor, essa é a única via para permitir um futuro para a humanidade, é um imperativo categórico se quisermos não só sobreviver, mas também continuar sendo humanos. Nesse sentido, deve ser proibido qualquer compromisso. A energia não pode coexistir com a fóssil, com as suas redes extensas por toda a parte.
Uma rede pequena e flexível
A energia solar e a fóssil são modelos totalmente alternativos, inclusive de um ponto de vista econômico. Não há capital suficiente para ambos. Uma verdadeira política de desenvolvimento para as energias renováveis implica que os fundos disponíveis para a energia sejam todos postos à disposição para esse projeto, excluindo qualquer outra escolha. Nem um centavo a mais, nem um metro quadrado a mais de território para a expansão da energia de petróleo, carvão, gás, nuclear. As suas redes, as suas gigantescas plantas chegaram ao fim. Não devem ser revitalizadas com novos capitais, com mais espaço, com reedições de concessões administrativas. Ao contrário: é preciso finalmente calcular de verdade a economia da energia fóssil, não ignorando os custos postos em cima das comunidades às escondidas. Só assim então a comparação econômica vai se tornar aceitável e se poderá julgar se os custos efetivos da energia tradicional são ou não mais altos do que os incentivos à energia solar.
Atualmente, a mídia proclama que estes últimos têm custos exorbitantes nas contas, mas na maioria das vezes as contas provêm diretamente dos escritórios de estudos das companhias elétricas e semelhantes e, portanto, são pouco confiáveis. Os interesses vitais das companhias energéticas são defendidos sem equívocos.
Scheer não conseguiu conhecer a escolha do governo alemão de fechar inteiramente o capítulo da energia nuclear até 2022. Ele certamente teria apreciado a sua direção geral, mesmo criticando quaisquer compromissos a mais. A sua atitude – como ilustra no livro – sempre era pragmática sobre as formas e as táticas, uma vez estabelecidos os termos gerais da questão, a certeza ética de jamais confundir os fins com os meios, contanto que, finalmente, permanecesse sempre fixo o objetivo final, o Sol, que nunca deveria ser posto em discussão ou alcançado às pressas.
O que une entre si as energias fósseis, incluindo também a variante dos reatores nucleares, é a necessidade de dispor de redes extensas ao máximo. O objetivo ao qual as companhias fósseis tendem é a SuperGrid, a rede de todas as redes, como se disséssemos o monopólio de todos os monopólios energéticos. Ela contrasta em máximo grau com a SmartGrid, a rede inteligente, a rede democrática que Scheer indica como modelo e como objetivo a ser alcançado.
A energia deve ser, por assim dizer, feita em casa, para evitar que se dependa de produtores fósseis, patrões dos seus carvões e dos patrões das redes, aqueles cujos governos de todo o mundo se inclinam como fossem realmente os reis dos territórios atravessados.
A energia que é necessária nasce de uma mistura de tudo o que existe, a partir da cultura, do conhecimento da história e de química e física, e depois o Sol, o vento, os resíduos agrícolas, a água. A economia obtida com os materiais projetados para os novos edifícios e as novas máquinas, feitas de modo a se consumir o mínimo possível. Tudo isso e o dinheiro necessário para avançar na pesquisa de máquinas, sistemas, materiais cada vez mais adaptados a capturar a força do Sol serão em breve suficientes para cobrir todas as exigências energéticas dos seres vivos em uma área determinada.
Scheer, por outro lado, não mostra nenhuma intenção de eliminar o automóvel privado. Certamente, não será para sempre o meio de transporte mais inteligente e livre. O futuro saberá fazer melhor. Os automóveis, todos os automóveis, também deverão ter uma transição muito próxima para a eletricidade. Os longos percursos serão possíveis com baterias capazes, já disponíveis industrialmente, e com estações de recarga, alimentadas por redes inteligentes à beira das estradas e das rodovias. Será uma série de redes locais, capazes de interagir quando necessário, mas todas com uma forte marca comunitária e local.
Em geral, os municípios deverão retomar a posse das suas redes e gerenciar diretamente com as próprias forças e sob o impulso dos cidadãos a água, os resíduos, a energia, os transportes. Assim, se tornará necessário um caminho inverso à linha atual, perceptível também na Alemanha, de privatização com passagem para grandes grupos acionistas dos serviços públicos locais.
Conta mais a rede local ou a eliminação imediata das energias fósseis?
Renovável e de curto alcance
“Imperativo energético” não foge desse dilema, ou, melhor, o enfrenta com ardor no caso de Desertec. Esse é um programa de exploração de plantas solares termodinâmicas e eólicas, nos desertos, as primeiras, e ao longo das costas atlânticas da África, as segundas, para produzir energia elétrica a ser canalizado para a Europa de modo a cobrir – em um ano ainda não especificado – uma fração importante da necessidade energética europeia. Um programa intrigante, capaz de convencer além das companhias financeiras e os gigantes energéticos da Alemanha e de meia Europa, também uma parte dos ambientalistas. Mas não Scheer. E a oposição ao Desertec é uma das passagens mais significativas do livro.
O Desertec é muito caro, bilhões de euros. Não é possível fazer nada melhor, usando esse capital, com as renováveis de curto alcance, tanto na Europa como na África? De um ponto de vista técnico-científico, Scheer indica as perdas de potência em um sistema de transmissão tão longo. Ele mostra depois o perigo político, além de econômico, que um sistema tipo Desertec pode gerar e a sua afinidade com aqueles sistemas elétrico-fósseis tradicionais, que deveriam ser substituídos: rigidez extrema, fragilidade, problemas de segurança. Razão pela qual o Desertec acabaria invertendo a intenção de libertar as populações dos vínculos energéticos fósseis, substituindo-o por outros vínculos não menos graves. E afastando-se de qualquer perspectiva democrática, essencial na pesquisa de Scheer.
Abre-se o confronto fundamental: há uma energia renovável, solar, que também é local, cidadã, cresce nos telhados e ao longo dos muros, é controlável de perto, é sempre substituível, pode ser consertada, é fácil de mudar e de melhorar, sem interromper o serviço, não custa muito, ou, melhor, torna-se concorrencial se for deixada viva e ao mesmo tempo não se facilita a hipótese energética contrária: um bem comum, em suma, para o qual se devem construir, dia após dia, as condições. Um modelo de sociedade em que todas as pessoas são “obrigadas” a discutir, a escolher um modelo de vida, a elaborar um projeto comum para alcançá-lo: para fazer, um dia após o outro, a democracia.
Por outro lado, há uma energia poderosa, de amplo alcance, governada de longe, inalcançável pelos usuários que parece (parecia) responder às exigências dos engenheiros, mas que, na realidade, responde desde sempre às exigências das finanças e dos poderes mais fortes. “Eu tenho a resposta”, dizia Hermann Scheer. “Agora, cabe a vocês”. (EcoDebate)

Energia solar vira pesadelo alemão

Depois de torrar €100 bi em subsídios, país conclui que a energia solar é a mais ineficiente de todas as fontes renováveis e tenta reduzir o prejuízo.
Considerada um dos principais símbolos da economia verde, o uso da energia solar mudou a paisagem da Alemanha - um dos países mais entusiastas na adoção desse tipo de energia renovável.
Só falta uma coisa nos 1,1 milhão de painéis solares espalhados pelos campos e telhados de residências de norte a sul do país: luz solar. Faz semanas que o sistema gera pouca ou nenhuma eletricidade.
Como é comum no inverno, os dias são curtos, o tempo está ruim e o céu, encoberto.
Para evitar apagões, a Alemanha teve de importar temporariamente eletricidade gerada em usinas nucleares na França e na República Checa e até colocou em operação uma velha usina movida a petróleo na cidade austríaca de Graz.
Nas próximas semanas, o governo alemão pretende decidir como tratará a energia solar no futuro. A chanceler Angela Merkel sempre apregoou as "oportunidades de exportação", desenvolvimento, tecnologia e empregos do setor. Agora, porém, membros de seu próprio staff o estão chamando de poço sem fundo de dinheiro.
As operadores de usinas solares e proprietários de casas com painéis solares nos telhados consumiram mais de € 8 bilhões (US$ 10,2 bilhões) em subsídios em 2011, mas a eletricidade que geraram constituiu apenas 3% do suprimento total de energia. E os consumidores já se queixam de ter de pagar o segundo preço mais alto de eletricidade da Europa.
Pela Lei da Energia Renovável da Alemanha, cada novo sistema que se conecta à rede se qualifica a 20 anos de subsídios. Cálculos do Instituto de Pesquisas Econômicas da Renânia do Norte- Westfália (RWI) indicam que os sistemas incorporados à rede em 2011 custarão aos consumidores de eletricidade cerca de € 18 bilhões em subsídios nos próximos 20 anos.
"Somando todos os subsídios concedidos até agora, já superamos o nível de€100 bilhões", diz Manuel Frondel, do RWI. Para uma família média, isso significaria uma despesa adicional de cerca de € 200 anuais, além do custo real da eletricidade.
Erro. A energia solar tem o potencial de se tornar o erro mais caro da política ambiental alemã.
Ela é de longe a mais ineficiente entre todas as fontes de energia renovável, apesar de receber os maiores subsídios.
Lobistas da energia solar gostam de ofuscar o público com números sugestivos sobre a capacidade do setor. Por exemplo, eles dizem que todos os sistemas instalados juntos poderiam gerar uma produção nominal de mais de 20 gigawatts, ou duas vezes mais energia que a que está sendo produzida atualmente pelas usinas nucleares alemãs ainda em operação.
Mas isso é pura teoria. Os sistemas de energia solar só podem operar no pico de sua capacidade quando otimamente expostos aos raios do sol (1.000 watts por metro quadrado), em um ângulo ótimo (48,2 graus) e com a temperatura de módulo solar ideal (25C) - em outras palavras, sob condições que dificilmente existem fora de um laboratório.
De fato, todos os sistemas de energia solar alemães reunidos produzem menos eletricidade do que a de duas usinas nucleares. E mesmo esse número está atenuado, porque a energia solar em um país quase sempre nublado como a Alemanha precisa ter o suporte de usinas elétricas de reserva. O resultado é uma estrutura duplicada, cara e basicamente desnecessária.
É o reverso da energia eólica.
Pelo mesmo custo, o vento fornece no mínimo cinco vezes mais eletricidade que o sol, ao passo que as usinas hidroelétricas geram seis vezes mais energia.
Mesmo as usinas de biomassa produzem três vezes mais energia do que a tecnologia solar.
Esse rendimento fraco em termos de produção de eletricidade faz com que, de quebra, a energia solar não colabore muito para a redução das emissões de dióxido de carbono, especialmente se comparada a outros possíveis programas a serem subsidiados.
Para evitar a produção de uma tonelada de CO2, a Alemanha gasta €5 para isolar o teto de um prédio velho, investe €20 numa nova usina elétrica movida a gás ou aplica €500 num novo sistema de energia solar.
Os benefícios para o clima são os mesmos nos três casos. Para Hans-Werner Sinn, do Instituto de Pesquisa Econômica (Ifo), de Munique, a energia solar é um "desperdício de dinheiro às expensas da proteção climática".
Decadência. Em meio a tanto prejuízo, não surpreende a participação cada vez menor da Alemanha no campo da energia solar.
Em 2004, o país abocanhava uma fatia de 69% do setor global de painéis solares. Em2010, essa participação caiu para 20%. A antiga gigante do setor, Solarworld, está passando por dificuldades.
Solon e Solar Milennium, outrora consideradas empresas modelo, encerraram suas atividades.
As fabricantes alemãs do setor investiram no ano passado somente 2% a 3% das receitas em pesquisa e desenvolvimento, em comparação com uma média de 6% no setor automotivo e 30% no campo da biomedicina. Enquanto isso, os concorrentes chineses oferecem sistemas de qualidade equivalentes a preços muito menores.
Para estancar a sangria de euros, o governo pretende estabelecer um limite para os subsídios ao setor. Uma nova expansão ficaria limitada a 1.000 megawatts este ano, ou seja, 6.500 megawatts a menos do que em 2011. Outra proposta em estudo prevê eliminar da lei que contempla as energias renováveis a concessão de subsídios para o setor de energia solar.
Assim, os provedores de energia devem ser obrigados a fornecer uma quota de eletricidade verde, mas não é especificado em detalhes o que eles deverão fazer para atender tal quota. Isso estimularia a concorrência para a oferta da melhor tecnologia.
A vantagem em relação ao atual sistema é nítida: o dinheiro não mais seria investido em locais onde os maiores subsídios são pagos, mas onde uma maior quantidade de eletricidade verde pode ser gerada.
Custo-benefício
6 vezes mais energia que a solar é quanto as usinas hidroelétricas geram, pelo mesmo custo; já a energia eólica fornece cinco vezes mais eletricidade que a solar
€ 500 é quanto a Alemanha gasta em energia solar para evitar a produção de 1 tonelada de CO2; para o mesmo fim, o país gasta € 20 numa usina a gás. (rio-negocios)

Solar: incentivo fiscal para usuários

Tramita na Câmara dos Deputados projeto que concede incentivos fiscais a quem utilizar energia solar em residências e empreendimentos. O projeto de lei 2562/11, do deputado Irajá Abreu (PSD-TO), prevê que os contribuintes poderão deduzir do imposto de renda devido, até o ano de 2020, parte das despesas com a aquisição de bens e serviços necessários ao uso de energia solar.
O objetivo da proposta é aumentar a utilização da energia solar, reduzindo seu custo e estimulando a energia renovável. Sujeito à apreciação conclusiva, o projeto foi distribuído às comissões de Minas e Energia; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
A dedução prevista, com base na tabela do imposto de renda para pessoa física, tem os seguintes limites: de 100% entre R$ 1.499,16 e 2.246,75; de 75% entre R$ 2.246,76 e 2.995,70; de 50% entre R$ 2.995,71 e R$ 3.743,19; de 25% acima de R$ 3.743,19. Esses valores deverão ser reajustados conforme a atualização da tabela do imposto de renda.
No caso da pessoa jurídica, a dedução é de 100% para a empresa de pequeno porte; de 75% para a empresa regida pelo Supersimples; de 50% para a empresa regida pelo lucro presumido; e 25% pela regida pelo lucro real. As instalações que empreguem energia solar para aquecimento de água ou geração direta de energia deverão ser inspecionadas pelas distribuidoras de energia locais. (ambienteenergia)

domingo, 8 de abril de 2012

Caminhão elétrico

Atração do estande da Itaipu Binacional, um caminhão movido a energia elétrica será apresentado na AveSui América Latina, evento realizado em conjunto com a Feira Biomassa & Bioenergia e a AveSui Reciclagem Animal entre os dias 2 e 4 de abril de 2012 em São Paulo (SP). De acordo com gerente da Assessoria de Mobilidade Elétrica Sustentável de Itaipu, Celso Novais, o caminhão é um protótipo que faz parte do Projeto Veículo Elétrico (VE), que foi desenvolvido em parceria com a empresa automotiva Iveco.
Novais explica que o veículo foi projetado para atender a demanda do produtor rural para o transporte de cargas pesadas de uma forma ecologicamente correta. “O caminhão já é utilizado para serviços dentro da Itaipu com sucesso”, destaca o gerente.
Movido por três baterias, este protótipo é carregado em energia bivolt e tem o consumo de 21,2 kw/h, resultando em 63 kw/h. “Este valor corresponde a R$ 30 na conta de energia, para cada 8 horas de recarga”, pontua Novais. “Com a carga completa, o veículo percorre aproximadamente 120 km e tem capacidade para transportar 2,5 toneladas de carga”. Novais afirma que o veículo elétrico é considerado uma alternativa 100% ecológica, por não produzir gases poluentes e utilizar energia limpa, de baixo custo e renovável. “Carregar as baterias do caminhão custa, no Brasil com tarifa residencial e todos os impostos incluídos, o equivalente a R$ 20,00”, enfatiza o gerente da Itaipu. “Trabalhando com a pior hipótese, o consumo de energia será de R$38,00”.
Oportunidade
Conhecer a tecnologia da Itaipu Binacional e o Projeto Veículo Elétrico (VE) pode ser uma oportunidade para o produtor de aves e suínos que reaproveitam os dejetos dos animais para gerar energia. “Existe a possibilidade de os produtores movimentarem suas frotas com a eletricidade produzida pelos dejetos ou ainda com o próprio biogás embarcado, garantindo maior economia na produção avícola e suinícola”, acredita Novais. (ambienteenergia)

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Acidente nuclear em Fukushima foi muito pior

Investigação revela que danos do acidente nuclear de Fukushima são piores do que se imaginava
Os danos ao núcleo de pelo menos um dos reatores que foram afetados pelo derretimento na usina nuclear de Fukushima Daiichi podem ser bem piores do que se imaginava, o que gerou novas preocupações quanto à estabilidade da usina e complicou gravemente a limpeza pós-desastre, mostrou uma investigação interna recente.
Os resultados da investigação, divulgados nesta semana pela operadora da usina, também lançam dúvidas quanto à declaração do governo japonês de três meses atrás, de que o local devastado está agora sob controle.
Durante a crise que se seguiu ao poderoso terremoto e tsunami em março de 2011, tanto a operadora da usina, a Tokyo Electric Power, ou Tepco, quando o governo foram acusados de minimizar os perigos representados pelo derretimento dos reatores nucleares. Revelações subsequentes de que o evento era de fato mais grave do que eles divulgaram prejudicaram muito sua credibilidade, a ponto de quase qualquer declaração das autoridades hoje ser vista como suspeita pelo desconfiado público japonês.
Os sistemas de refrigeração essenciais da Fukushima Daiichi foram destruídos nos primeiros estágios da crise no ano passado. Os núcleos de urânio dos seis reatores da usina logo derreteram, rachando as paredes de contenção e desencadeando um vazamento massivo de radiação.
Três reatores foram mais tarde balançados por explosões de hidrogênio, que destruíram suas paredes externas.
O que aconteceu foi um esforço frenético para manter as partes internas dos reatores inundadas com água refrigerada para evitar que seus núcleos se superaquecessem novamente. Funcionários da Tepco disseram anteriormente que a operação estava tendo sucesso, e as barras de combustível danificadas foram submersas em água de forma segura.
Mas, no início desta semana, um exame num dos reatores mostrou que o nível da água no núcleo estava bem mais baixo do que os níveis estimados anteriormente, gerando temores de que restos quebrados das barras de urânio podem não ter sido completamente submersos e correm o risco de aquecer novamente.
A água refrigerada no reator número 2 da usina estava a apenas 60 centímetros do fundo do recipiente de contenção do reator, uma estrutura em forma de copo que envolve as barras de combustível. Isso foi bem abaixo do nível de dez metros estimado por funcionários quando o governo declarou que a usina estava estável em dezembro.
Os níveis baixos de água também geram preocupações de que a água radioativa possa estar vazando para fora do reator mais rápido do que se imaginava, possivelmente para uma parte do reator conhecida como câmara de supressão, e para uma rede de canos e câmaras sob a usina – ou para o oceano. No reator número 2, os trabalhadores ainda bombeiam 9 toneladas de água por hora para manter o núcleo refrigerado.
A investigação também revelou que os níveis atuais de radiação dentro do recipiente de contenção estão em 72,0 sieverts, o suficiente para matar uma pessoa em questão de minutos, bem como provocar mau funcionamento do equipamento eletrônico.
Kazuhiko Kudi, professor de engenharia nuclear na Universidade Kyushu no sudoeste do Japão, disse que agora há suspeitas de que o combustível nuclear não tenha sido adequadamente resfriado. E se algumas partes do combustível continuam acima da água, há risco de que ele possa aquecer e derreter novamente. Isso poderia desencadear um aumento perigoso na pressão dentro do recipiente de contenção, e fazer com que mais radiação escape do reator, disse ele.
Os altos níveis de radiação complicariam muito o trabalho para localizar e retirar o combustível danificado e a desativação dos seis reatores da usina – um processo que deve levar décadas.
“Com níveis de radiação extremamente altos, precisaríamos desenvolver equipamentos que possam tolerar alta radiação”, disse Junichi Matsumoto, um executivo da Tokyo Electric Power, em 03/04/12.
Para medir os níveis de água dentro do recipiente de contenção no reator número 2, funcionários vestidos com roupas de proteção inseriram um endoscópio equipado com uma minúscula câmera de vídeo, termômetro, dosímetro para medir radiação e um instrumento para medir o nível da água.
Dois outros reatores que foram muito danificados – o 1 e o 3 – podem estar em condição ainda pior. Explosões de hidrogênio destruíram as paredes externas desses reatores, e funcionários acreditam que mais combustível nuclear passou para o recipiente de contenção no reator número 1 do que nos outros.
Especialistas também se preocupam com um quarto reator que não estava funcionando na época do acidente, mas que representa um risco por causa do grande número de barras de combustível nuclear usadas guardadas num tanque refrigerador. O reator número 4 também foi atingido por uma explosão de hidrogênio nos primeiros dias da crise, possivelmente por conta do hidrogênio que vazou no reator da unidade adjacente número 3.
As barras de combustível usadas no reator número 4 representam uma ameaça particular, dizem os especialistas, porque elas ficam desprotegidas do lado de fora do recipiente de contenção da unidade. A Tokyo Electric está correndo para fortificar a parede externa destruída do reator e para manter o tanque cheio de água. Mas se um problema também surgir com o resfriamento do combustível usado, a usina pode correr o risco de outro vazamento colossal de radiação, dizem os especialistas.
Os muitos tremores subsequentes que continuam atingindo a região de Fukushima também são uma fonte de preocupação.
“A usina continua em um estado precário”, disse Kudo da Universidade Kyushu. “Infelizmente, tudo o que podemos fazer é continuar bombeando água dentro dos reatores e esperar que não tenhamos nenhum outro grande terremoto.” (EcoDebate)