quarta-feira, 6 de março de 2013

Energia nuclear perde a preferência

Energia nuclear perde cada vez mais preferência no mundo
Caras e pouco rentáveis, usinas atômicas estão deixando de ser opção mesmo para países que têm dificuldade de buscar outras fontes. Tendência, comprovada por estudo, fortaleceu-se desde a catástrofe de Fukushima.
Uma fonte de energia limpa e vantajosa – assim eram tratadas as usinas nucleares no início da década de 1970. Na época, especialistas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) previam um futuro dourado para o setor. A previsão então era de que, até o ano 2000, o mundo disporia de entre 3.600 5.000 gigawatts em capacidade nuclear. No fim de 2012, no entanto, a cifra chegava a apenas 335 gigawatts – menos de um décimo do que se esperava.
A época áurea da energia nuclear ficou para trás. “A tendência de queda foi claramente acelerada pela catástrofe de Fukushima”, disse à Deutsche Welle o especialista Mycel Schneiderl, que documenta o desenvolvimento desse tipo de energia há 30 anos e publica o Relatório de Status da Indústria Nuclear Mundial.
Os números do relatório mostram como, aos poucos, foi-se desistindo da energia nuclear. Em 1993, 17% da demanda energética mundial eram fornecidos por 430 reatores. Em contrapartida, no final de 2012, somente 375 estavam em funcionamento, sendo responsáveis por 11% da necessidade global de energia.
Custo e risco altos
Hoje investe-se cada vez menos em novas usinas nucleares, especialmente por razões econômicas. Uma das maiores empresas energéticas da Europa, a alemã RWE, por exemplo, deixou de lado muitos projetos de novas usinas.
“Como empresa privada, para a RWE, a construção de novas usinas nucleares não é um modelo de negócios adequado, os riscos de custos são muito altos”, disse o estrategista-chefe da companhia,Thomas Birr, à Deutsche Welle.
Birr indicou as razões: “A energia nuclear é uma forma muito cara de se produzir energia. Ela possui um período de planejamento, aprovação e construção muito dispendioso. Caso hoje se decida construir, não importa em que lugar do mundo, é preciso no mínimo de 12 a 15 anos para se gerar receita.”
As agências de rating também avaliam a energia nuclear como um negócio arriscado, tendo baixado a nota de algumas empresas do setor nuclear nos últimos cinco anos. A Moody’s elogiou a decisão de empresas energéticas alemãs de desistirem da construção de novas usinas nucleares no Reino Unido e também avaliou positivamente o anúncio da Siemens de se retirar definitivamente dos negócios no setor.
Novas usinas só com ajuda estatal
De acordo com estimativas de Schneider, no mercado livre, novas usinas nucleares não são mais rentáveis. “Elas somente são concebíveis onde também existe a pretensão de se utilizar recursos estatais ou oferecer garantias, como no caso especial da China e, de forma limitada, também atualmente da Rússia.”
Segundo ele, a China é atualmente o único país a investir maciçamente em novos reatores. Após a catástrofe em Fukushima, houve uma pausa na construção, mas hoje estão de novo em andamento os canteiros de obras de 29 novos reatores. No entanto, também muito mais dinheiro está sendo investido em usinas de energias renováveis, assinala Schneider, para descrever a situação no gigante asiático.
“Antes mesmo de Fukushima já era investido cinco vezes mais em energias renováveis do que em energia nuclear. Em 2012, só os parques eólicos vão produzir, provavelmente, mais energia do que as usinas nucleares”, explica.
Uma das razões para a tendência global de queda da energia nuclear está também na ascensão das energias renováveis. Os custos de geração de energia eólica e solar caíram nos últimos anos, tornando-se muito mais baratos que a energia nuclear. Além disso, instalações eólicas, solares e de biogás são planejadas e construídas num espaço curto de tempo.
De acordo com estimativas de Schneider, mundialmente, entre 2004 e 2011, foram investidos 120 bilhões de dólares em energia nuclear. Somente no ano de 2011, os investimentos em energias renováveis somaram 257 bilhões de euros, mais do que o dobro. E a tendência, principalmente em direção à energia eólica e solar, deve se acelerar ainda mais nos próximos anos.
Política com falta de informação
Apesar dos altos custos e dos riscos, alguns governos mantêm os planos de expansão nuclear. Schneider avalia que os motivos para tal estão na falta de informação e de alternativas. Em países como Reino Unido e Polônia, ele diz ver poucas possibilidades de que, ali, novas usinas nucleares sejam construídas e, sobretudo, concluídas, porque “esses projetos não são competitivos”. Segundo Schneider, essa opinião também é compartilhada pela companhia energética estatal polonesa, mas os políticos fazem pressão nesse ponto.
Também a líder da bancada do Partido Verde no Parlamento Europeu, Rebecca Harms, observa a dificuldade de se construir novas usinas nucleares. Ela considera o esforço do Reino Unido e de outros países da União Europeia (UE) de promover financeiramente novas usinas com tarifas pré-estabelecidas como uma prova da falta de rentabilidade de centrais nucleares. No entanto, Harms afirma não ver uma maioria dentro da UE para a implantação de tal exigência.
Reator de Olkiluoto, na Finlândia: três vezes mais caro que planejado
Mesmo na França, onde a energia nuclear é amplamente usada, Schneider vê as coisas mudando. “Não haverá novas construções num futuro próximo”, afirma.
O presidente francês, François Hollande, anunciou que vai reduzir a participação da energia nuclear na matriz energética do país de 75% para 50% em 2025. A agência estatal de energia acredita que, até 2030, 34 dos 58 reatores serão desligados na França.
Atualmente, em média, a idade dos reatores é de 27 anos em todo o mundo. Com uma vida útil de quatro décadas, muitos reatores serão desligados nos próximos 20 anos. De acordo com Schneider, o número de novos reatores continuará caindo, juntamente com a produção de energia atômica. Em 2030, ainda segundo as previsões do especialista, a participação a parcela nuclear da energia produzida no mundo vairá dos atuais 11% para menos de 5%. (EcoDebate)

segunda-feira, 4 de março de 2013

Política energética, estratégia fora do tempo

Política energética brasileira: Uma estratégia fora do tempo
É difícil até de acreditar que estejam ocorrendo simultaneamente fatos tão esdrúxulos na área energética brasileira como os que têm sido estampados diariamente pela comunicação. Mas que refletem como estamos perdidos em nossa estratégia – ou falta dela – nesse setor vital. E como estamos perdendo um tempo e recursos que nos custarão muito caro.
Em meio às notícias sobre apagões e disputas de concessionárias com a área federal de energia, ficamos sabendo (Folha de S.Paulo,14/2) que o governo “prepara uma mudança” em que, “para não ficar tão dependente das hidrelétricas” e de eventuais baixas no seu sistema de reservatórios de água, vai pôr as usinas térmicas para funcionar ao lado das hidráulicas, “em um sistema híbrido ou hidrotérmico”. E isso poderá ser feito até com uso de carvão mineral ou de novos projetos de usinas nucleares.
Como? – perguntará o cidadão. Usinas a carvão não constituem o formato que mais poluentes emite, nesta hora de tanto temor com aquecimento da atmosfera e mudanças climáticas? Não são de energia muito mais cara até que a de turbinas eólicas, das quais temos muitas dezenas já implantadas e sem funcionar – porque o governo não constrói as linhas de transmissão? Não há térmicas a óleo diesel com custo de geração até dez vezes mais alto que o das as eólicas? Usinas nucleares não estão sendo desativadas na Alemanha, no Japão e em outros países, por causa da insegurança e da falta de destino para o lixo nuclear produzido em seus reatores?
Não é só. Informa-se também que agora, mais de duas décadas depois da construção da usina de Tucuruí, se decidiu construir (a que custo?) a linha de transmissão que afinal levará sua energia do Pará para o Amapá e o Amazonas – depois de esses Estados passarem décadas consumindo energia gerada pelo caro e poluente óleo diesel, para podermos destinar grande parte (a cada hora se fornece um número) da energia de Tucuruí a empresas de outros países produtoras de alumínio e ferro gusa. Parte delas foi fechada em sua origem e veio para cá exatamente para se beneficiar dos preços subsidiados da energia de Tucuruí. Agora não se sabe quanto custará a linha de transmissão rumo ao norte, que terá de partir de um ponto 300 quilômetros ao sul de Belém e cruzar grandes distâncias, depois de ultrapassar o Rio Amazonas (por cima? Por baixo? A que preço?).
Enquanto isso, informa a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) que, tal como já ocorreu em 2012, o atraso na construção de linhas de transmissão de energia impedirá que novos parques eólicos comecem a operar este ano (Folha de S.Paulo, 4/1) – e isso custará R$ 600 milhões mais aos consumidores. Porque as usinas eólicas construídas e que não podem operar recebem da mesma forma do governo, além de o consumidor pagar mais caro pela energia de termoelétricas. E isso quando as eólicas passaram a dominar os leilões de energia do governo federal em 2012 (10 de 12 projetos). Porque o preço médio da energia que fornecerão ficará em R$ 87,94 por megawatt/hora (MWh), mais barato até que o de hidrelétricas.
Trocar energia eólica por termoelétrica não condiz com as insistentes advertências que nos chegam de toda parte. Ainda há pouco um diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) disse no Fórum Econômico de Davos (mercadoetico, 12/2) que “as próximas gerações serão assadas, tostadas, fritas e grelhadas” se não formos competentes para lidar com as questões do clima. E o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Jim Yong Kim, acrescenta que “o aquecimento põe em risco o desenvolvimento de outros setores, inclusive o econômico”.
Mas nós seguimos agravando nosso déficit na balança comercial importando mais insumos energéticos, como petróleo, gasolina, diesel, querosene de aviação, até etanol. Enquanto isso, o presidente Barack Obama – apesar das contradições internas dos Estados Unidos nesse tema – coloca a questão do clima como um dos tópicos centrais de sua mensagem de início de mandato: “Os seres humano estão influenciando mudanças no clima de forma sem precedentes; em 50 anos a temperatura terrestre subirá 2 graus Celsius; as chuvas, 5%; o nível do mar, 8 polegadas; e as populações mais vulneráveis serão as pobres e indígenas”. Chegou a dar um ultimato ao Congresso: ou ele aprova um plano para reduzir as emissões, “ou a Casa Branca irá sozinha”. Segundo o presidente, “podemos acreditar que a supertempestade Sandy, a mais severa seca em uma década, os piores incêndios florestais são apenas coincidência. Ou acreditar no esmagador julgamento da ciência – e agir antes que seja tarde” (Reuters). É evidente que há e haverá contradições, com os Estados Unidos, enquanto isso, voltados para gigantescos projetos na área de combustíveis fósseis, especialmente os da extração em rochas de xisto e no Ártico. Mas não anulam as advertências.
No Brasil, “o governo está desmantelando o sistema elétrico”, diz Roberto D’Araujo, do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (Ilumina) – citado por Mário Osava em Inter Press Service (IPS), 8/2. Enquanto isso, os preços da energia dobraram desde 1995 e os subsídios aos combustíveis em geral chegaram a US$ 2 bilhões mensais. Nesse quadro, a Petrobrás, já às voltas com os graves problemas mencionados há pouco por sua presidente, não consegue discutir com a sociedade como será a polêmica exploração da camada pré-sal (que tem isso que ver com a retórica oficial do governo de reduzir as emissões e aceitar compromissos na área do clima?). Que tecnologias pretende utilizar? A que custos financeiros? E com que riscos ambientais, para os quais tem sido alertada? Quanto custaria o petróleo, sabidamente de alto teor de enxofre e problemática emissão? Quem o compraria, nessas condições?
E assim vamos, com grande parte do mundo (Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Japão, até a Arábia Saudita) caminhando a largos passos para as energias eólica e solar, enquanto por aqui ficamos enredados na confusão, nos apagões, em mais custos, etc. (EcoDebate)

sábado, 2 de março de 2013

Aumento de risco de câncer em Fukushima

OMS constata aumento de risco de câncer na região de Fukushima
Moradores das áreas mais afetadas teriam risco adicional de 4% a 7% de contrair doença, segundo último relatório da organização. Especialistas criticam estimativas e dizem que alerta é exagerado.
Os moradores das áreas mais afetada pelo acidente na usina nuclear de Fukushima, dois anos atrás, têm um risco maior de desenvolver certos tipos de câncer, afirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS) em relatório divulgado nesta quinta-feira (28/02).
O terremoto seguido de tsunami, que devastou a instalação nuclear de Fukushima em 11 de março de 2011, provocou a morte de aproximadamente 19 mil pessoas e fez com que aproximadamente 160 mil deixassem as suas casas.
"A principal preocupação identificada neste relatório está relacionada aos riscos específicos de câncer, ligados a locações particulares e fatores demográficos", afirmou a diretora de Saúde Pública e Meio Ambiente na OMS, Maria Neira. "Uma seleção de dados por idade, sexo e proximidade com as instalações mostra realmente um maior risco de câncer para aqueles que estavam localizados nas partes mais contaminadas."
Terremoto seguido de tsunami causou destruição de reatores
Perigo para crianças
A OMS disse ainda que o risco futuro de desenvolver câncer de mama entre as crianças do sexo feminino expostas, bem como o risco de desenvolver leucemia entre as crianças do sexo masculino, também parece ter aumentado, embora em menor escala. De forma geral, as pessoas vivendo na região mais afetada tiveram um risco adicional de 4% a 7% de desenvolver qualquer tipo de câncer.
No Japão, o risco de adquirir câncer para os homens é de cerca de 41%, enquanto esse risco para as mulheres é de 29%, no decorrer das vidas. Para aqueles mais afetados pela radiação após Fukushima, a possibilidade de contrair câncer aumentaria em um ponto percentual, informou a OMS.
"Trata-se de aumentos proporcionais bem pequenos", disse Richard Wakeford, da Universidade de Manchester, um dos autores do relatório. No entanto, os especialistas estão bastante preocupados com um aumento dos casos de câncer de tireoide, especialmente em crianças.
Câncer de Tireoide
Após o desastre de Tchernobil, em 1986, por volta de 6 mil crianças expostas à radiação desenvolveram câncer de tireoide, porque muitas beberam leite contaminado. No Japão, no entanto, isso foi monitorado de perto e, de qualquer forma, leite não está entre as preferências alimentares das crianças japonesas.
De qualquer forma, nas áreas mais contaminadas, a OMS estimou que, entre crianças do sexo feminino, há um risco 70% maior de desenvolver câncer da tireoide ao longo da vida. A tireoide é o órgão mais exposto à concentração de iodo radioativo, e as crianças são consideradas especialmente vulneráveis.
Em seu relatório de 166 páginas, a OMS diz esperar que, num raio de 20 quilômetros das instalações nucleares, as taxas de câncer de tireoide entre as meninas expostas à radiação devam ser de até 1,25%. Segundo a OMS, o risco normal de câncer de tireoide no decorrer da vida de uma pessoa do sexo feminino que vive na região é de 0,75%.
Dezenas de milhares de pessoas tiveram de deixar suas casas
Críticas de especialidades
Alguns especialistas afirmam, no entanto, que prever um aumento do risco de câncer na região de Fukushima é algo surpreendente e dizem acreditar que a baixa dose de radiação recebida pelos afetados não foi suficiente para comprovar um aumento dos riscos de contrair a doença.
"Com base na dose de radiação recebida pelas pessoas, não há razão para pensar que possa haver um aumento dos casos de câncer nos próximos 50 anos", disse Wade Allison, professor emérito de física da Universidade de Oxford, que não esteve ligado ao relatório da OMS.
Gerry Thomas, professora de patologia molecular no London Imperial College, uma das universidades de ciências mais renomadas do mundo, acusou a OMS de exaltar o risco de câncer.
"É compreensível que a OMS queira errar para o lado da cautela, mas relatar aos japoneses sobre um risco pessoal insignificante não é de grande ajuda", afirmou. A professora disse que o relatório usou estimativas de doses de radiação inflacionadas, já que não levou em conta a rápida evacuação das pessoas em Fukushima.
A OMS concluiu em seu estudo que, para a população japonesa em geral, os riscos de saúde previstos são muito baixos. Também fora do Japão, segundo o texto, não há previsão de aumento de risco de saúde devido à catástrofe. (dw.de)

OMS alerta para aumento de câncer em Fukushima

OMS alerta para aumento de risco de câncer perto da central de Fukushima
Especialistas apontam para possível surgimento de câncer de tireoide entre as mulheres e crianças.
O acidente nuclear de Fukushima, no Japão, aumentou relativamente o risco de câncer nas zonas mais afetadas, perto da central, considera um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgado nesta quinta-feira (28/2) em Genebra. O estudo deduz que o acidente de Fukushima, ocorrido em 2011, "não deve significar nenhum aumento perceptível dos riscos para a saúde no exterior do Japão", acrescenta o relatório.
Os especialistas consideram neste documento de 166 páginas que, em um raio de 20 km ao redor da central acidentada por um violento terremoto seguido de um tsunami, o risco de câncer de tireoide entre as mulheres e as crianças chega a 1,25%, acima do índice comum, de 0,75%. Em 1986, depois do acidente de Chernobyl, na Ucrânia, foi detectado um aumento considerável do número de casos de câncer de tireoide entre as crianças.
"A primeira preocupação identificada neste relatório envolve os riscos específicos de câncer vinculados à região e a fatores demográficos", explicou María Neira, diretora da OMS para a Saúde e o Meio Ambiente. "Uma análise dos dados, baseada na idade, no sexo e na proximidade em relação à central mostra um risco maior para aqueles que estavam nas zonas mais contaminadas. Fora destas zonas, incluindo a cidade de Fukushima, não se espera nenhum aumento de risco de câncer", afirmou Neira.
A OMS insiste no relatório na necessidade de fazer um acompanhamento durante anos das populações mais expostas, e de vigiar os alimentos e o meio ambiente. Para os operários que trabalham na estabilização da central, há "um aumento do risco" de leucemia e de câncer de tireoide e de outro tipo, acrescenta a OMS. (correiobraziliense)

OMS alerta para risco de câncer no Japão

Após acidentes nucleares no Japão, OMS alerta para risco de câncer
Usina de Fukushima, após o desastre nuclear
Às vésperas de o acidente radioativo da Usina Nucelar de Fukushima Daiichi, no Japão, completar dois anos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta para a possibilidade do aumento da incidência de câncer, principalmente tumores na tireoide. As ameaças ocorrem para quem vive em áreas próximas à usina, no Nordeste do país. Em relação aos trabalhadores de Fukushima, também há a preocupação com os riscos de leucemia.
Os vazamentos e as explosões na usina ocorreram em meio ao terremoto seguido por um tsunami, em 11 de março de 2011. Segundo especialistas, os acidentes radioativos no Japão foram considerados mais graves do que o desastre nuclear de Chernobil, na Ucrânia, em 1986. O terremoto seguido de tsunami deixou 15.868 mortos e 2.848 desaparecidos.
No relatório da OMS, de 166 páginas, os especialistas dizem que o risco de câncer na tireoide nas mulheres e crianças registrou um aumento de 1,25% – até então a média era 0,75% – em um raio de 20 quilômetros ao redor da usina. Em 1986, após o acidente de Chernobil, na Ucrânia, foi registrado aumento de casos de câncer de tireoide nas crianças.
“Um exame dos dados, com base na idade, no sexo e na proximidade da área onde está a usina, mostra um risco mais elevado para aqueles que estavam nas regiões mais contaminadas. Fora das áreas, incluindo na prefeitura de Fukushima, não é esperado qualquer aumento do risco de câncer”, disse a diretora para Saúde e Ambiente da OMS, Maria Neira. (EcoDebate)