quarta-feira, 28 de maio de 2014

Biodiesel no Brasil

O Brasil é um dos maiores produtores e consumidores de biodiesel do mundo e atualmente a legislação tornou obrigatório que o diesel venha com 5% de biodiesel.
O biodiesel no Brasil possui grande potencial de produção e consumo
O biodiesel é um biocombustível feito a partir de plantas (óleos vegetais) ou de animais (gordura animal) com a finalidade de substituir o óleo diesel usado em automóveis pesados como caminhões e ônibus.
O Brasil se encontra em uma região geográfica muito privilegiada, pois é um país tropical, com muita luminosidade, com uma temperatura média anual e muitos recursos hídricos que originam as mais variadas espécies vegetais que podem ser usadas para a produção de biodiesel, como o óleo de girassol, de amendoim, de mamona, de soja, de milho, de dendê ou palma, entre outros.
Atualmente, a maior parte do biodiesel produzido pelo Brasil vem da soja. Apesar de a soja possuir um dos menores teores de óleo por peso, ela apresenta outras vantagens para o seu cultivo, como o rápido retorno de investimento, pois o objetivo principal de seu plantio é a obtenção de ração animal. Além disso, ela pode ser armazenada por longos períodos de tempo, tem crescimento relativamente rápido e seu uso não é restrito a climas quentes ou frios.
Se dividirmos as regiões do país teremos que os tipos de matérias-primas mais usadas para a produção do biodiesel em cada uma delas são:
Norte: palma (dendê) e babaçu;
Sul, sudeste e centro-oeste: soja, girassol e amendoim;
Nordeste: mamona
O óleo de palma ou dendê não é recomendado para regiões frias do país, como o sul e sudeste, pois ele se solidifica a temperaturas relativamente baixas.
Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a produção e o consumo de biodiesel pelo Brasil são umas das maiores do mundo, sendo que em 2010 a produção anual foi de 2,4 bilhões de litros e uma capacidade instalada, no mesmo ano, para cerca de 5,8 bilhões de litros.
Apesar de possuir uma constituição bastante semelhante à do óleo diesel de petróleo, em virtude de suas elevadas densidade e viscosidade, o biodiesel ainda não pode ser inserido no motor movido a óleo diesel, são necessárias adaptações. Por isso, atualmente ele é utilizado sendo adicionado ao diesel de petróleo.
A mistura de óleo diesel e biodiesel é chamada de “BX”, onde “B” indica a mistura e o “X” corresponde à porcentagem em volume do biodiesel na mistura. Por exemplo, B2 quer dizer que a mistura corresponde a 2% de biodiesel e 98% de óleo diesel, já uma mistura que tem 5% de biodiesel e 95% de óleo diesel é chamada de B5, e assim por diante.
O Congresso Nacional aprovou a lei n° 11.097, em 13/01/2005, que tornou obrigatória a adição de 2% de biodiesel ao diesel (B2) até 2008. A Resolução n° 6/2009 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aumentou para 5% o percentual obrigatório de mistura de biodiesel ao óleo diesel. Tem ocorrido uma contínua elevação desse percentual e há metas para aumentá-lo gradativamente até 20%.
Desde 2006, roda pelas ruas do Rio de Janeiro o primeiro ônibus urbano brasileiro movido a biodiesel.
Todos estes incentivos servem para fortalecer a indústria nacional, diminuir a dependência ao diesel de petróleo, que em pequena parte ainda é importado, e melhorar a condição do meio ambiente, visto que ele é biodegradável, não tóxico, é praticamente livre de enxofre e aromáticos, bem como reduz substancialmente a emissão de monóxido de carbono e de hidrocarbonetos não queimados. (brasilescola)

Brasil elevará mistura de biodiesel no diesel

Brasil elevará mistura de biodiesel no diesel a partir de julho, diz indústria
O governo do Brasil elevará a mistura de biodiesel no diesel a partir de julho, de 5% para 6%, e depois o teor do biocombustível no combustível mineral subirá a 7% em novembro/14, disseram dois representantes da indústria em 26/05/14.
O aumento da mistura será realizado por medida provisória, em uma cerimônia que está sendo planejada para 28/05/14 no Palácio do Planalto.
Com uma mistura de 7%, o consumo de biodiesel no Brasil poderia subir dos cerca de 3 bilhões de litros atuais para 4,2 bilhões de litros ao ano, aliviando importações de diesel pela Petrobras. Ao mesmo tempo, reduz a capacidade ociosa da indústria de biodiesel e incentiva a produção de soja, principal matéria-prima do biocombustível no país.
O aumento da mistura vinha sendo discutido desde o ano passado, mas encontrava resistência no Ministério da Fazenda, que temia impacto inflacionário com a mudança.
"A Fazenda tinha essa preocupação inflacionária, parece que foi superada, não é exatamente o marco regulatório que o setor desejava, mas é uma notícia muito bem-vinda", afirmou o assessor econômico da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove), Leonardo Zilio, descartando impacto inflacionário da elevação da mistura.
Segundo ele, estudo de 2012 da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontou que, com uma mistura maior, o aumento no custo da cesta básica não chegaria a 20 centavos de real, enquanto um repasse do custo para o valor da passagem de ônibus, por exemplo, seria menor que 1 centavo de real, por hipótese.
Mas Zilio ressaltou que, desde a divulgação do estudo, o preço do biodiesel caiu e o valor do diesel mineral subiu, limitando ainda mais qualquer alta de custo. "O impacto agora é menos que 50% do que foi estimado."
O aumento da mistura ainda reduziria a necessidade de importações do combustível pela Petrobras, cujos resultados vêm sendo afetados por compras do diesel no exterior a valores mais altos que os de venda no mercado interno.
A título de comparação, o consumo adicional de 1,2 bilhão de litros de biodiesel, com a mistura de 7% em vigor durante um ano todo, o que só deve acontecer em 2015, representaria cerca de 10% do volume que o Brasil importou de diesel em 2013, segundo dados da indústria.
Se pode reduzir a importação de diesel, o Brasil reduzirá as exportações de soja em grão, cujo óleo responde atualmente por 75% da matéria-prima utilizada para a produção de biodiesel.
"Por outro lado, a mistura maior agrega valor à produção. Tende a exportar mais farelo de soja", afirmou ele, lembrando que da massa processada de soja 80% se transforma em farelo (utilizado na indústria de alimentação animal) e 20% em óleo, grosso modo.
O Brasil é o maior exportador global de soja, vendendo ao exterior cerca de metade da produção da oleaginosa.
O Brasil teve uma safra recorde de mais de 86 milhões de toneladas de soja na última colheita (2013/14), e poderia colher mais de 90 milhões de toneladas em 14/15, com plantio a partir de setembro, em condições normais de clima, segundo as primeiras estimativas.
Num cenário em que a totalidade do biodiesel adicional seja produzido a partir da soja, seriam necessários cerca de 8 milhões de toneladas para atender a mistura maior, segundo especialistas, pouco menos de 10% do volume da última colheita.
Procurada, a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto informou que há previsão de evento em 28/05, mas não deu detalhes. O Ministério de Minas e Energia não retornou imediatamente contato da Reuters sobre pedido de mais detalhes a respeito do texto da medida provisória.
Para o presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), Erasmo Battistella, o aumento da mistura vem num momento propício para a indústria, que trabalha com capacidade ociosa e boa disponibilidade matéria-prima.
"É uma vitória do setor não só pelo aumento, mas uma vitória sim do governo brasileiro de voltar a apostar nas energias renováveis. Para mim, esta é a grande vitória do anúncio desta semana", acrescentou Battistella. (reuters)

Aumento do uso de biodiesel

Aumento do uso de biodiesel é o destaque do Jornal O Globo
Cada vez mais próximo do anúncio oficial do aumento do teor de biodiesel no diesel pela presidente Dilma Rousseff, os grandes veículos de imprensa começam a tomar conhecimento. Hoje o jornal O Globo colocou como principal destaque em sua capa, o aumento da mistura de biodiesel da próxima semana, sem marcar um dia exato.
Com o título “Para socorrer Petrobras, governo vai ampliar para 7% mistura de biodiesel no diesel” a matéria coloca a Petrobras como razão principal para a decisão de aumentar o uso obrigatório de biodiesel. Diferentemente do apurado por BiodieselbrBR, o texto do O Globo coloca a chegada do B7 para setembro e não novembro. Segundo o jornal, a Medida Provisória traria o B6 em julho e o B7 em setembro.
O aumento para B7 em setembro seria uma excelente surpresa para o setor, que conviveu nas últimas semanas com rumores de que não haveria aumento para 7% este ano.
Veja abaixo o texto completo do jornal O Globo:
Para socorrer Petrobras, governo vai ampliar para 7% mistura de biodiesel no diesel.
Colheita no Paraná: governo quer elevar a produção de biodiesel para aliviar o déficit na ‘conta petróleo’
A presidente Dilma Rousseff deve assinar na próxima semana uma medida provisória para aumentar, de 5% para 6%, a mistura do biodiesel ao óleo diesel vendido nas bombas, a partir de julho. A MP deve prever também a elevação do percentual para 7% em setembro. O objetivo principal da medida é estimular a fabricação do produto renovável no país, ajudando a Petrobras a reduzir as importações de diesel fóssil e o déficit na chamada “conta petróleo”.
Estimativas do setor compartilhadas pelo governo indicam que o aumento da mistura de 5% para 7% reduzirá em 1,2 bilhão de litros ao ano as importações de diesel do país, uma economia anual de US$ 1 bilhão para o caixa da Petrobras. A média mensal de importações de diesel no ano passado foi de 827 milhões de litros, mas em janeiro deste ano o volume importado foi recorde e chegou a 1,25 bilhão de litros. O governo tem segurado o preço dos combustíveis, para evitar repercussão na inflação. E a Petrobras, em seu relatório de maio, indicou uma perda de 30% do seu lucro líquido.
Renováveis estão estagnados
Levantamento inédito do Ministério de Minas e Energia mostra que a produção e o consumo efetivos de combustíveis renováveis no Brasil — biodiesel, álcool anidro e etanol — estão estagnados desde 2010. Neste período, a demanda por combustíveis saltou 14%, mas como não há produção nacional suficiente para atendê-la, a Petrobras teve de importar gasolina e diesel para suprir o mercado.
A favor da medida também pesa o aspecto ambiental, já que estimulará o uso de combustível limpo e renovável para substituir os fósseis. Cada ponto percentual a mais de biodiesel na mistura do diesel é equivalente ao plantio de cerca de 7,2 milhões de árvores, revela relatório “Benefícios ambientais da produção e do uso do biodiesel”, do Ministério da Agricultura, de outubro de 2013.
As principais matérias-primas utilizadas para a fabricação do biodiesel no Brasil são: óleo de soja (quase 70% do total); gordura bovina; óleo de algodão; óleo de fritura usado; gordura de porco; e óleo de frango.
A decisão de ampliar a participação do biodiesel no óleo vendido para os veículos tem amparo técnico no governo já há algum tempo, a partir da experiência internacional. Caminhões que circulam em outros países com motores similares têm tido bom aproveitamento em termos de potência e emissões com a mistura de 7%, conhecida como B7. A adoção do percentual maior como norma nacional esbarrava, porém, na percepção de que mais biodiesel na mistura tornaria o óleo mais caro na distribuição, pressionando a inflação. Entretanto, na conjuntura atual, o diesel importado já está cerca de 20% mais caro do que o biodiesel produzido no Brasil.
Um estudo feito recentemente pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) serviu para remover as resistências do Ministério da Fazenda à medida, pois mostrou que o aumento de produtividade do agronegócio e a ociosidade das usinas para produção de biodiesel — atualmente em 61% do seu potencial — tornam a mudança da mistura praticamente neutra em relação ao impacto no IPCA.
Mistura passou a ser obrigatória em 2008
Apesar de o anúncio ocorrer quase às vésperas de abertura do 37º Leilão de biodiesel, previsto para junho, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) já está preparada para fazer as alterações necessárias e adotar a mistura de 6%.
— Temos praticamente certeza de que (a assinatura) vai ocorrer na semana que vem, porque em junho precisa ser realizado o leilão, para que o biodiesel possa começar a ser comercializado em julho. O edital foi lançado pela ANP com a mistura de 5%. A MP precisa ser publicada para que o edital seja modificado — explicou o presidente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Odacir Klein.
A mistura obrigatória do biodiesel para 6% e 7% vai aumentar dez anos depois do lançamento do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), quando o combustível foi introduzido na matriz energética brasileira, tendo como foco a inclusão social e o desenvolvimento regional. Apesar de começar a ser produzido em dezembro de 2004, a mistura do biodiesel somente passou a ser obrigatória a partir de 2008 em todo o país, com 2%. Depois foi ampliado para 5% em janeiro de 2010, antecipando em três anos a meta estabelecida pela Lei nº 11.097, de 13 de janeiro de 2005.
Nesse período, o governo teve de adotar uma série de ajustes para evitar o entupimento em motores com a maior oxigenação dos combustíveis pelo aumento da proporção do biodiesel. De lá para cá, a especificação mudou e houve maior cuidado com o manuseio do produto, o que, na avaliação de agentes de governo, assegura uma migração gradual dos 5% para 7% sem grandes percalços.
— O governo está assumindo essa responsabilidade — disse uma fonte a par das medidas.
O setor, segundo Klein, tem capacidade para uma mistura de até 10%, mas ele destaca que “não dá para exigir do governo um aumento de 100%” (em relação aos 5% atuais). E lembra que há dois anos vinham reivindicando o aumento do teor da mistura. O governo aceita debater um aumento ainda maior, mas com estudos técnicos que comprovem a eficiência. (biodieselbr)

segunda-feira, 26 de maio de 2014

O mito da independência energética nos Estados Unidos

"Capitalism is torpedoing our prosperity, killing our economies, threatening our children. It must be re-engineered, root and branch” (Nafeez Ahmed – 9 April 2014)
("Capitalismo é torpedear a nossa prosperidade, matando as nossas economias, ameaçando nossas crianças. Deve ser re-engenharia, raiz e ramos")
Os defensores do excepcionalismo americano e a indústria petrolífera propagam a ideia de que os Estados Unidos vão ser a nova potência energética do século XXI (“Saudi America”) e vão ficar livres da importação de petróleo do Oriente Médio. Consequentemente, ficariam livres dos problemas políticos da instável região e poderiam voltar a ser a única superpotência mundial. Diante da crise da Ucrânia, os setores nacionalistas e a indústria do gás de xisto defendem a exportação de gás para a ex- República Soviética, como se os EUA estivessem com enorme disponibilidade de combustíveis fósseis.
Porém, dados da Administração de Informação de Energia (U.S. Energy Information Administration – EIA) mostram que as importações de energia realmente diminuíram nos últimos anos, desde o pico de importação de 2005, mas o saldo negativo deve ficar acima de 30% até 2040.
A importação líquida de petróleo cru estava em torno de 10 milhões de barris por dia (mbd) até 2007 e caiu para cerca de 7 milhões de barris dia em 2013. Só para ter uma ideia a produção brasileira foi de cerca de 2 milhões de barris dia em 2013. Ou seja, os EUA ainda importam mais de 3 vezes toda a produção brasileira de petróleo cru. Portanto, a importação está diminuindo, mas está longe de chegar à independência energética.
Para os próximos anos, espera-se uma diminuição na produção relativa de energia nuclear, carvão mineral e petróleo cru. O que deve ter crescimento na matriz energética são as energias renováveis (solar, eólica, etc) e o gás natural.
Mas o otimismo da EIA pode não se concretizar, pois o ritmo de produção de gás em 2013 diminuiu muito e existem diversas análises mostram os limites da produção do gás de xisto. O geólogo americano, Art Berman, especialista em combustíveis fósseis, disse: “Eu vejo o xisto mais como uma festa de despedida do que uma revolução”. “É o último suspiro” (dos combustíveis fósseis). Steve Andrews diz que o gás e o petróleo de xisto podem ser o ouro de tolo do mundo da energia.
A produção de gás de xisto é altamente danosa para o meio ambiente e tende a aumentar o stress hídrico. O processo de fraqueamento (fracking) exige a utilização de grande quantidade de água e, em geral, provoca a degradação dos lençóis freáticos. O processo de extração do gás de xisto não é totalmente conhecido, uma vez que as empresas tratam seus detalhes como segredo industrial. Por exemplo, junto com a água pressurizada, também é bombeada uma série de substâncias químicas cuja composição exata não é divulgada – ela incluiria, por exemplo, ácidos como os usados em lavagem de piscinas, anticorrosivos, redutores de atrito e agentes químicos que facilitam a saída dos fluidos. Além disso, outros pontos ainda pouco dimensionados podem causar grandes danos ambientais, além da enorme quantidade de água necessária para a exploração do gás.
Na verdade, os Estados Unidos e o mundo vão ter que enfrentar o Pico do Petróleo e o aumento do preço da energia nos próximos anos. Quanto maior for a elevação do preço dos combustíveis fósseis maior será a crise econômica mundial e maiores serão as manifestações populares contra o consequente aumento do desemprego junto com a elevação dos preços dos alimentos. O sonho da independência energética pode se transformar no pesadelo da escassez de energia barata e um aprofundamento da estagnação secular que deve prevalecer no século XXI. (ecodebate)

sábado, 24 de maio de 2014

Renováveis e os períodos de hidrologia desfavorável

Renováveis dão grande contribuição ao sistema em períodos de hidrologia desfavorável
Perspectivas e desafios para o desenvolvimento das fontes alternativas serão debatidos no Enase 2014.
Apesar de não serem consideradas geração de base, como as hidrelétricas e as termelétricas, as fontes renováveis - eólica, biomassa, solar e PCHs -, são importantes para a otimização da operação do sistema e contribuem em períodos de hidrologia desfavorável, como o atual. Élbia Melo, presidente-executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica, conta que a fonte é complementar às hidrelétricas uma vez que os menores índices pluviométricos no Brasil ocorrem no período do ano quando os melhores ventos são observados, contribuindo, assim, na preservação de água nos reservatórios.
"Em 2012, no submercado Nordeste, a fonte eólica foi responsável por um aumento do nível de armazenamento dos reservatórios de 1,22%. Em 2013, no Sul, os parques eólicos foram responsáveis por poupar em 4,6% o nível dos reservatórios e, no Nordeste, em 0,2%. Os percentuais parecem pouco representativos, porém, ao considerar que, por enquanto, a fonte eólica contribui com somente 3% da capacidade de geração na matriz, esse índice se torna bem mais atrativo", comentou Élbia.
Leonardo Calabró, vice-presidente executivo da Cogen, também ressalta a importância da solar e da biomassa em períodos como o que o país está vivenciando atualmente. Ele diz que os empreendimentos de energia solar podem ser instalados em curto espaço de tempo quando comparado com outras fontes, contribuindo rapidamente para o balanço energético do sistema interligado e para diminuir a necessidade de despacho de usinas térmicas com custo elevado. "A cogeração a biomassa também pode contribuir muito para a otimização da operação do sistema, considerando que o período de geração coincide com a estação seca", apontou.
Já as PCHs, apesar de também serem impactadas pela hidrologia e terem reservatórios pequenos, o fato de estarem localizadas em diferentes regiões do país faz com que sua geração média anual seja relativamente estável. Charles Lenzi, presidente da Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa, diz que existem atualmente 462 PCHs em operação no país que representam 3,62% da matriz elétrica brasileira. "Estes empreendimentos estão espalhados por todo o território nacional e assim, localizados em diversas bacias hidrográficas", comentou.
A expectativa de contratação de fontes renováveis nos próximos anos também é positiva. Lenzi conta que existem hoje 173 PCHs outorgadas, mas que ainda não iniciaram a construção, representando 2.254 MW de capacidade instalada. Em termos de projetos básicos existem 669 projetos em fase de análise e aprovação na Aneel e aguardando licenciamento ambiental, que somam 7.139 MW. "Em vista das atuais circunstâncias, da sinalização de que é preciso diversificar nossa matriz elétrica, de forma a buscar além da modicidade tarifária, a segurança e a confiabilidade de suprimento, acredito que nos próximos cinco anos voltaremos a ser considerados como uma fonte importante na expansão da nossa matriz e estimo um volume de contratação importante de nova capacidade instalada", apontou Lenzi.
No caso das eólicas, a ABEEólica calcula que até 2018 estarão instalados 13.814 MW da fonte. Élbia salienta que a eólica está escalada para participar de todos os certames neste ano, e a expectativa é que, assim como em 2013, a fonte tenha um excelente desempenho em todos os leilões a serem realizados em 2014. "Espera-se que esse ano haja novamente um contratação de mais de 2 GW. Para o A-3 já foram disponibilizadas as quantias de potência habilitadas e mais uma vez a eólica é lider", frisou.
Para este ano também existe a expectativa de contratação da fonte solar, inserida no leilão de Reserva que deverá ocorrer no segundo semestre do ano. Como um produto separado, a fonte tem chances de ser viabilizada no certame. "Os preços tetos serão diferenciados por fonte e para a energia solar deverá ser estabelecido um valor entre R$ 200/MWh e R$ 210/MWh", analisou Calabró, da Cogen. Para a cogeração o cenário já não é tão otimista. O executivo afirma que o desenvolvimento da cogeração entre 2014 e 2019 dependerá muito das ações do governo. "A Cogen apresentou ao longo de 2013 propostas de ajustes regulatórios necessários para fomentar a geração distribuída, em especial a cogeração a gás e a cogeração a biomassa", declarou.
Os desafios para o desenvolvimento das fontes renováveis nos próximos cinco anos serão debatidos no Enase 2014, que acontecerá nos dias 6 e 7 de maio, no Rio de Janeiro. O evento é promovido pelo Grupo CanalEnergia em parceria com 17 associações do setor elétrico. (canalenergia)