segunda-feira, 4 de julho de 2016

Expansão de energia solar esbarra na falta de tecnologia

Expansão de energia solar fotovoltaica esbarra na falta de tecnologia nacional
A avaliação é do estudo “Energia Solar no Brasil: Situação Atual, Perspectivas e Recomendações”, elaborado pelo Comitê de Energia da Academia Nacional de Engenharia (ANE)
A energia solar fotovoltaica representa atualmente 0,02% da matriz elétrica brasileira, conforme dos dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). A aposta do governo para mudar esse cenário tem sido os leilões de energia, onde o País já conseguiu aproximadamente 15 gigawatts (GW) vendidos nesse setor. A estimativa da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) é que até a próxima década o Brasil possa gerar 60 GW de potência instalada apenas com a fonte solar fotovoltaica.
O alto custo de compra e instalação de painéis fotovoltaicos, no entanto, tem sido um dos maiores entraves para a disseminação do uso da energia solar no Brasil. Segundo especialistas do setor, o valor pode chegar a R$ 50 mil em uma residência média, ou seja, de até quatro moradores. A carga tributária elevada torna a fonte uma das mais caras do mercado. Além do custo, a dificuldade de expandir o uso também está ligada à dependência da importação de painéis fotovoltaicos. Hoje, o País não tem tecnologia ou insumos necessários para desenvolvê-los.
A avaliação é do estudo “Energia Solar no Brasil: Situação Atual, Perspectivas e Recomendações”, elaborado pelo Comitê de Energia da Academia Nacional de Engenharia (ANE). Segundo o pesquisador e coautor do estudo, Eduardo Serra, o Brasil possui uma infraestrutura “quase nula” de fabricação de energia solar fotovoltaica. No País, fábricas de módulos fotovoltaicos ainda estão sendo instaladas nas regiões Nordeste e Sudeste, com capacidade de produção estimada entre 20 e 400 megawatts por ano (MWp/ano).
“Durante muito tempo vamos depender de importação de painéis fotovoltaicos. Uma das razões é porque para produzi-los é preciso ter silício de grau solar. Apesar de o Brasil ser um dos maiores detentores, nós só fabricamos aqui em grau metalúrgico. É uma tecnologia cara e poucos países a fabricam”, informou Serra.
O pesquisador ressaltou a necessidade de considerar a inexistência de unidades de produção de silício grau solar no País, pois a produção de módulos fotovoltaicos precisa ter um volume compatível com o que está sendo contratado nos leilões. Com a ausência de políticas de desenvolvimento tecnológico, ele não visualiza uma independência brasileira nesse campo. “Todos os módulos instalados nas futuras usinas, projetados para os próximos anos, certamente usarão painéis importados e inversores importados”, apontou.
Para o Brasil conseguir uma autonomia de produção da cadeia solar fotovoltaica, Serra defende a capacitação de mais profissionais de nível superior, com conhecimentos necessários das tecnologias da energia solar. Dessa forma, eles atuariam em pesquisas básica e aplicada, criando projetos de engenharia e transferência de tecnologia de materiais e equipamentos utilizados.
“Isso demora, mas em hipótese nenhuma significa que não se deva fazer, porque não podemos desmoralizar a tecnologia nacional. Para isso, tem que ter gente sendo formada, pesquisando, para criar toda a infraestrutura que permita que a tecnologia entre e permaneça”, avaliou.
No exterior
Um país que tem desenvolvido a tecnologia em larga escala é a China. Ela possui os insumos e o conhecimento necessário para estabelecer sua cadeia produtiva. O país produz 60% dos módulos fotovoltaicos no mundo, com uma capacidade acumulada instalada de 137,7 GW. Segundo Eduardo Serra, o preço de painéis fotovoltaicos na China e demais países asiáticos, abastecidos pelo mercado chinês, pode ser três vezes menor que o encontrado no Brasil.
Outras formas
O estudo avalia também o cenário de outras formas de geração de energia solar, como a por aquecimento d’água e a termossolar. A primeira opção, atualmente, tem seu uso mais intensivo nas regiões Sul e Sudeste do País, de forma residencial, para substituir o consumo do chuveiro elétrico. O estudo aponta que os custos iniciais mais elevados de instalação, em relação ao chuveiro, “representam uma barreira a ser vencida pela possibilidade de retorno a ser obtido em prazo mais longo.”
Já a termossolar não possui sistemas instalados no Brasil. Mesmo com uma grande vantagem em relação à fotovoltaica, por possibilitar uma geração firme de energia por períodos longos de baixa insolação por radiação direta, a tecnologia não está disponível no País. O estudo destaca que, potencialmente, “o custo da energia elétrica gerada pode ser menor com o desenvolvimento da tecnologia.” (ecodebate)

Avião movido a energia solar inicia voo transatlântico

Avião movido a energia solar inicia voo transatlântico
Aeronave decolou de Nova York para perigosa travessia transatlântica de quatro dias.
Solar Impuse 2 decola de NY e iniciou voo transatlântico.
O avião decola de Nova York rumo ao voo transatlântico
O avião Solar Impulse 2 iniciou em 20/06/16 uma perigosa travessia transatlântica, após decolar em Nova York, na 15ª etapa de uma volta ao mundo inédita usando o sol como único combustível para promover as energias renováveis.
Às 2h30 de Nova York (3h30 em Brasília), o príncipe Alberto de Mônaco, onde está o centro de controle de operações da travessia, deu autorização ao piloto suíço Bertrand Piccard para decolar do aeroporto John F. Kennedy.
Piccard poderá ter apenas breves momentos de sono durante as 90 horas da viagem, que deve terminar no aeroporto espanhol de Sevilha.
"É a primeira vez que decolo do JFK", declarou em uma transmissão ao vivo feita no avião, enquanto subia para o céu escuro.
Após quase oito horas de voo, o piloto publicou no Twitter: "7% do voo transatlântico já concluído! #Europa, está pronta para o regresso do #Si2 ao continente?"
Piccard, 58 anos, se alterna com o compatriota André Borschberg, 63, no comando do Solar Impulse 2, um avião de quatro hélices movidas pela energia fornecida por suas 17.000 células fotovoltaicas instaladas nas asas.
"Desta vez sou eu que estou na cabine, mas voamos juntos", disse Piccard ao colega antes de entrar no avião, que só pode transportar um tripulante por vez.
Com o peso de um carro e uma envergadura de 72 metros, a aeronave voa a uma velocidade que geralmente não passa de 50 km/h, mas que pode dobrar com uma exposição direta ao sol.
Por ser leve (1,5 toneladas), o Solar Impulse 2 é muito sensível às turbulências.
Atrasos e problemas técnicos
O avião realiza sobre o Atlântico a 15ª etapa da sua volta ao mundo, iniciada em 9 de março de 2015 em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
Depois de pousar em Sevilha, o Solar Impulse 2 ainda deverá concluir o último terço da viagem de 35.000 quilômetros, atravessando a Europa e o Oriente Médio até voltar ao seu ponto de partida.
Em sua etapa mais longa, o Solar Impulse 2 voou 118 horas de Nagoya (Japão) até a ilha americana do Havaí.
O piloto André Borschberg foi o responsável por conduzir a aeronave durante essa longa etapa, de 6.437 quilômetros, sobre o Pacífico ocidental.
Até agora o avião atravessou a Ásia (com escalas em Mascate, Ahmedabad e Varanasi, na Índia; Mandalay, na Birmânia; Chongqing e Nankin, na China; e Nagoya, no Japão), o Pacífico (com escala no Havaí), e os Estados Unidos (com escalas em San Francisco, Phoenix, Tulsa, Dayton, Lehigh Valley e Nova York).
No Havaí, teve que fazer uma longa escala técnica de quase 10 meses para consertar algumas baterias, danificadas na primeira etapa do voo sobre o Pacífico, que durou cinco dias entre Nagoya e a ilha americana.
Os pilotos se revezam em uma pequena cabine despressurizada de 3,8 m3, que reúne equipamentos de alta tecnologia, e respiram através de tanques de oxigênio.
A cabine é revestida com uma espuma isolante que permite enfrentar as temperaturas extremas durante o voo, que variam entre 40 e -40°C.
Solar Impulse 2, pilotado por Bertrand Piccard, decola do aeroporto Kalaeloa, no Havaí, em imagem de arquivo de 21 de abril.
Construído na Suíça, o Solar Impulse 2 foi levado à Abu Dhabi em janeiro de 2015 em um avião de carga.
A viagem total deveria ter durado cinco meses, de março a agosto de 2015, mas problemas com o clima levaram a vários atrasos entre as etapas. (yahoo)

sábado, 2 de julho de 2016

Relatório de aquecimento solar de Agência Internacional de Energia

Agência Internacional de Energia divulga relatório anual de aquecimento solar
Brasil, mais uma vez, ocupa posição de destaque; cenário mundial apresenta retração pela primeira vez
A Agência Internacional de Energia (IEA) divulgou em 01/06/16 seu relatório anual Solar Heat WorldWide, edição de 2016 (base 2014), que reúne informações de m² de coletores solares térmicos instalados por tipo, energia produzida, contribuições ao meio ambiente de emissões evitadas, dentre outros dados do desempenho do setor de 61 países. O Brasil, mais uma vez, foi referência no estudo, ocupando a 3ª posição em capacidade instalada adicionada no ano com novos 1.009 MWth (Mega Watts Térmicos), e a 5ª no ranking mundial com 2.712 MWth, dado que considera os coletores solares térmicos em operação nos últimos 25 anos. A contribuição do setor brasileiro ao meio ambiente em 2014 foi de 2,5 milhões de toneladas de emissões evitadas de CO2.
Os 61 países incluídos no relatório representam 4,5 bilhões de pessoas, cerca de 63% da população mundial. A capacidade instalada nesses países é estimada em 95% do total do mercado de aquecimento solar global.
A América Latina, capitaneada pelo Brasil, mostra ser hoje o País mais constante e dinâmico de todas as regiões econômicas apuradas. O mercado brasileiro é dominante, mas também os mercados mexicano e chileno estão sendo responsáveis por números positivos em um crescimento considerável nos últimos 6 anos consecutivos. Em 2014, estes mercados juntos somaram um crescimento de 8,1%. “Estes números mostram o potencial do nosso mercado e a relevância da produção brasileira no cenário mundial”, comenta Amaurício Gomes Lúcio, presidente do DASOL – Departamento Nacional de Energia Solar Térmica da ABRAVA – Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento.
Dos dez maiores mercados de 2014, o Brasil (+4,5%), a Índia (+7,0%), os Estados Unidos (+0.9%), o México (+18,2%) e a Grécia (+19,1%) apresentaram crescimento. Já a China (–17,6%), a Turquia (–0,8%), a Alemanha (–9,8%), a Austrália (–21,1%) e Israel (–13,4%) sofreram retração.
De acordo com o relatório, no fim de 2014, o segmento acumulava uma capacidade de 410,2 GWth (Giga Watts Térmicos) de energia, em 586 milhões de metros quadrados de área instalada de coletores solares em operação. A vasta maioria concentra-se na China (289.5 GWth) e Europa (47,5 GWth), que juntas representam 82,1% do total da capacidade instalada.
O restante da capacidade é distribuída entre Estados Unidos e Canadá (18,0 GWth), Ásia – à exceção da China (10,7 GWth), América Latina (10,0 GWth), Oriente Médio (6,6 GWth), Austrália e Nova Zelândia (6,2 GWth) e África Subsaariana (1,3 GWth). Entre os tipos de coletores instalados em 2014, os fechados somam 22,1% (geralmente aplicações sanitárias – banho), à vácuo 71,1% (geralmente aplicações industriais e altas temperaturas) e os abertos 6,3% (destinados à piscinas).
A pesquisa revela ainda que no ano de 2014 foi adicionado ao parque instalado a capacidade total de 46,7 GWth, correspondentes a 66,7 milhões de coletores solares, número que representa um decréscimo nas instalações de 15,2% comparado ao ano anterior. É a primeira vez que este declínio é observado de acordo com os dados disponíveis sobre o ano de 2015. “Acreditamos que este decréscimo se deve principalmente à desaceleração do mercado chinês, que representa um grande percentual da tecnologia no cenário mundial. Mas de maneira geral, este nosso segmento tem muito potencial por se tratar de energia limpa e vinda de uma fonte abundante que é o sol, especialmente nos países tropicais, que têm uma insolação forte e que tem muito espaço de mercado”, diz Lúcio.
A produção de energia de todos os sistemas de aquecimento solar instalados nos 61 países em 2014 foi de 335 TWh (Tera Watt hora). Isso corresponde a uma economia de 36,1 milhões de toneladas de petróleo e 116,4 milhões de toneladas de emissões evitadas de CO2, com enorme contribuição ao meio ambiente.
Em 2014, 94% da energia produzida por sistemas de aquecimento solar no mundo foi destinada especialmente ao uso doméstico, sistemas de pequena escala unifamiliares (68%) e aplicações maiores para condomínios, hotéis, escolas (27%). O aquecimento solar de piscinas representou 4% do total.
O número de empregos gerados pelo setor em 2014, incluindo produção instalação e manutenção, alcançou os 730.000 postos.
No período de 2000 a 2015 a capacidade térmica global dos coletores abertos e fechados em operação cresceu de 62 GWth (89 milhões m2) em 2000 para 435 GWth (622 milhões m2) em 2015. A produção energética saltou de 51 TWh em 2000 para 357 TWh em 2014.
A capacidade total estimada em coletores instalados para o final de 2015 está estimada em 435 GWth ou 622 milhões m2. Isso corresponde a um rendimento de 357 TWh anuais, o que é equivalente a 38,4 milhões de toneladas de petróleo e 123,8 milhões de toneladas de emissões evitadas de CO2.
As novas instalações de 2014 foram divididas em coletores planos com 8.6 GWth (12.3 milhões m2), tubos a vácuo 36.3 GWth (51.9 milhões m2), coletores abertos 1.6 GWth (2.3 milhões m2) e combinados (abertos e fechados) 0,08 GWth (0.11 milhões m2).
Sobre o DASOL
O DASOL – Departamento Nacional de Energia Solar Térmica da ABRAVA representa oficialmente, em todo o Brasil, o setor de aquecimento solar de água com o objetivo de promover, divulgar e desenvolver a adoção da energia solar térmica.
Desde 1992, apoia a formação de uma rede de atuação composta por empresas (fabricantes, revendas, instaladoras, consultorias e projetistas), instituições, universidades, órgãos do governo, ONGs e cidadãos em busca do desenvolvimento sustentável do Brasil através da aplicação e utilização responsável de energia solar térmica. Os programas e atividades da entidade têm abrangência em todo o Brasil, alguns deles desenvolvidos junto à Eletrobras/Procel e ao Inmetro, e estão acessíveis a todos que de alguma maneira utilizam a energia solar térmica de forma eficiente e como solução para geração de energia. (ecodebate)

Greenpeace aponta que uso da energia solar gera 4.000 empregos

Estudo do Greenpeace aponta que uso da energia solar pode gerar quase 4.000 empregos.
O estudo “Alvorada – Como o incentivo à energia solar fotovoltaica pode transformar o Brasil”, divulgado nesta semana pela ONG Greenpeace, apontou que se os governos municipais, estaduais e federal adotassem medidas para incentivar o uso de energia solar, quase 4 milhões de empregos poderia ser criados, gerando R$ 11,3 bilhões em impostos e adicionando R$ 561,5 bilhões à economia brasileira até 2030.
Os dados do estudo ainda apontam que cerca de 8,8 milhões de casas ou comércios chegariam a 2030 tendo suas próprias placas para geração de energia solar nos telhados.
A responsável pela Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil, Bárbara Rubim, afirma que “todas as medidas levantadas no estudo são factíveis e de responsabilidade dos governos municipais, estaduais e federal. Está nas mãos do poder público permitir que os sistemas de energia fotovoltaica se tornem mais atrativos para a população e esse estudo mostra quais as melhores saídas para isso”.
Uma das principais chaves para incentivar e popularizar ainda mais a energia solar é a redução de impostos sobre o setor. O estudo afirma que apesar da perda de recursos ocasionada pela redução, isso seria compensado depois, com a criação de empregos, a aceleração econômica e o consequente aumento na arrecadação de impostos que isso geraria. (ambienteenergia)

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Quanta energia solar você pode gerar?

Painéis solares no bairro de Brooklyn, Nova York/USA.
Veja quanta energia solar você pode gerar (e quanto ganharia com isso)
O que é? O incentivo fiscal é uma das formas de promover a produção de energia limpa nos imóveis. Em 7 de outubro, o governo federal decretou que os consumidores que produzem uma parcela da energia que usam estão isentos do PIS-COFINS, um imposto cobrado na conta de luz. Aqui você fica sabendo o quanto isso desonera quem produz energia e quais as ferramentas disponíveis para calcular os custos e a economia gerada pela produção autônoma por meio de painéis solares.
Minha casa, meu teto solar
A energia foi um recurso determinante para o crescimento das grandes cidades e nós já abordamos essa relação entre núcleos urbanos e quilowatts aqui no Outra Cidade.  A produção descentralizada de energia limpa é uma das alternativas para tornar os espaços urbanos menos vulneráveis a falhas no complexo sistema de distribuição que transporta esse recurso das usinas para o consumidor final. A possibilidade de ampliar o número de pequenos produtores é um passo importante para tornar os municípios mais sustentáveis e menos dependentes desses sistemas. A desoneração de um imposto é pequeno passo rumo a autonomia energética, mas não deixa de nos aproximar de um futuro com mais energia “caseira”.
O pagamento dos tributos PIS- COFINS sobre energia elétrica equivalia a ceder 10% da energia produzida em casa para o fisco. Somado ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), a proporção desses impostos sobre a produção autônoma era de 30%. O governo federal aboliu a cobrança do PIS-COFINS, mas cabe aos governos estaduais determinar que os pequenos geradores também se tornem isentos do ICMS.
Em abril, uma mudança no convênio que determina a cobrança de ICMS sobre os pequenos produtores permitiu que os estados tornassem essas pessoas isentas da taxa. O convênio modificado ganhou a adesão dos estados de São Paulo, Pernambuco, Goiás, Rio Grande do Norte e Minas Gerais, enquanto outros optaram por continuar cobrando o tributo.
Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) se todos os estados optassem pela desoneração do ICMS sobre a conta de quem produz parte de sua própria energia, o país teria 55% a mais de sistemas instalados em 2023 em comparação a um cenário no qual continuasse valendo o convênio anterior.
Ser ou não ser um pequeno gerador
Se você se animou com a isenção da taxa PIS-COFINS e está pensando em começar a produzir pelo menos um pouco da energia que consome, algumas ferramentas podem te a ajudar a calcular se vale a pena bancar a instalação de painéis solares. Uma delas é o Solidariza, que mapeia colaborativamente o potencial de produção de energia solar no país.
Solariza calcula o potencial de produção de energia e a economia resultante da instalação de painéis solares.
Usando as imagens de satélite do Google Maps, o Solariza permite que você escolha um imóvel e calcule a porcentagem útil do telhado, o potencial de geração de energia, o custo do sistema e quanto dinheiro seriam possíveis economizar durante a sua vida útil, estimada em 25 anos. Como o objetivo 6 milhões de residências nas quais quilowatts poderiam ser produzidos de maneira limpa, o site funciona como um game, você estima a produção de uma construção e se torna um “solarizador”. Quem acumular mais telhados “solarizados” ganha os painéis e o serviço de instalação dos mesmos em sua residência.
O número de 6 milhões de casas foi escolhido porque elas teriam o potencial de produzir juntas a mesma quantidade de energia das usinas termelétricas de Piratininga (SP), Candiota (RS), e as usinas nucleares Angra 1 e 2. Logo, elas poderiam produzir de maneira limpa e descentralizada o que as usinas produzem de forma suja e concentrada.
O calculo feito pelo Solariza não considera fatores externos como árvores e nuvens que podem fazer sombra sobre os painéis fotovoltaicos. Logo, a estimativa resultante dos cálculos feitos pela ferramenta pode representar variações para mais ou para menos em relação a quantidade de energia que seria produzida pelo sistema instalado.
Medições mais precisas são feitas pelo Google Sunroof, por exemplo, que também ajuda a estimar quanta energia poderia ser produzida no topo dos imóveis usando o sol como fonte. Por meio da modelagem 3D, o site calcula quanto espaço o telhado possui para a instalação dos painéis solares. Outros dados analisados são: a posição do sol ao longo do ano, o tipo de cobertura nublada e a temperatura usual da vizinhança. Além disso, o mapeamento considera a quantidade de sombra resultante das construções próximas.
Google Sunroof considera elementos externos para calcular o potencial energético de sistemas fotovoltaicos.
A quantidade de elementos levados em conta resulta em um cálculo mais preciso, mas atualmente a ferramenta só está disponível para as cidades americanas de Boston, San Francisco e Fresno. Nesses municípios, a incidência de raios solares não é tão abundante quanto aqui no Brasil e as chances das casas não recebam luz suficiente para compensar a instalação do sistema são maiores. Considerando todos esses fatores, é feita uma estimativa do número de horas aproveitáveis de luz do sol que o telhado selecionado terá durante o ano. O Google tem planos de expandir o Sunroof para que esses cálculos possam em todo o território dos Estados Unidos.
Conta de luz X conta do painel solar
Linhas especiais de crédito, liberação do uso do fundo de garantia e leis que determinem a instalação de painéis solares em novas construções são algumas das formas possíveis de transformar o potencial brasileiro de produção de energia solar em lâmpadas acesas, celulares carregados e banhos quentes.  Ainda assim, a desoneração é um bom começo para incentivar proprietários de imóveis a se tornarem pequenos geradores aumentando a autonomia, diminuindo os custos e reduzindo o impacto ambiental para produção da energia elétrica. (outracidade)