segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Combustível fóssil terá auge de consumo em 2023

Combustível fóssil terá auge de consumo em 2023, diz consultoria.
Plataformas de petróleo na baía da Guanabara, no Rio de Janeiro.
O preço de referência global do petróleo atingiu sua máxima em quatro anos  dia 24/09/18. Mas os dias de preocupação com a oscilação do valor do combustível estão contados, segundo estudo da Carbon Tracker.
A consultoria calcula que a energia gerada por combustíveis fósseis no mundo deverá atingir seu pico máximo em 2023. A partir daí, passará a cair e dar lugar a fontes renováveis.
A transição é resultado, principalmente, de ganhos de eficiência energética (que vão reduzir o consumo total) e do barateamento das fontes renováveis (como a eólica e a solar), que nos últimos anos se tornaram competitivas em relação às fontes de origem fóssil.
Segundo o relatório, esse pico de consumo poderá variar entre 2020 e 2030 – a depender do ritmo de expansão das fontes renováveis e do crescimento da economia global.
A consultoria aponta quatro fases nesse processo: a primeira, que estaríamos vivendo atualmente, é a da inovação. Em seguida, vem o pico.
A partir de 2030, o cenário se inverteria: as fontes renováveis superariam as fósseis, e a mudança passaria a ser mais rápida até que, em 2050, na última etapa, mais de 50% da demanda global passaria a ser atendida por fontes limpas.
A essa altura, não apenas a geração elétrica terá sofrido uma mudança radical, mas também o consumo industrial (onde os combustíveis são usados, por exemplo, para aquecimento) e o transporte (com a expansão dos veículos elétricos), prevê o estudo.
Esse cenário já leva em consideração uma das principais limitações apontadas por especialistas à expansão das fontes eólica e solar: o fato de que são intermitentes, ou seja, dependem da disponibilidade de sol e dos ventos, que não são constantes.
Para Kingsmill Bond, analista da Carbon Tracker, isso só passará a ser um problema mais para frente, quando o consumo dos combustíveis fósseis já estiver em uma curva descendente. Ele diz que há uma tolerância mínima a essa intermitência.
“É possível ter até 20% da matriz elétrica com fontes intermitentes sem que haja problemas. O pico dos combustíveis fósseis vai acontecer quando a penetração das energias renováveis no mundo for de 14%, antes desse limite ser atingido”, afirma.
No entanto, esse movimento pode variar a depender do contexto regional.
No Brasil, por exemplo, há um risco de que essa transição provoque um efeito reverso, ou seja, provoque o aumento dos combustíveis fósseis e não sua queda, alerta Claudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil.
O motivo é que o país parou de investir em grandes hidrelétricas (principal fonte de energia no Brasil) e passou a priorizar outras fontes, como a eólica e a solar.
Para compensar a volatilidade dessas usinas movidas a ventos e sol, o país está colocando suas fichas nas usinas térmicas movidas a gás natural como forma de dar estabilidade ao sistema e não nas hidrelétricas.
O resultado é que o consumo de combustíveis fósseis, que sempre foi menor no Brasil do que em outros países, pode ganhar força nos próximos anos, diz Sales.
“Hoje há uma rejeição grande às hidrelétricas, por questões ambientais, indígenas. O Brasil ainda tem 150 MW de potencial para novas usinas desse tipo. Mais de 60 MW estão em reservas indígenas [o que torna as obras pouco prováveis], mas há um tanto que não está e que poderia ser perseguido”, afirma.
A transição para as fontes renováveis também deverá trazer um risco sistêmico ao setor de óleo e gás no longo prazo, que atualmente detém ativos que somam US$ 25 trilhões, segundo o estudo.
Para Bond, caberá às companhias acompanhar as inovações do mercado para garantir sua sobrevivência – movimento que já está em curso.
No último ano, têm crescido os anúncios de petroleiras que decidem investir em fontes renováveis, como usinas eólicas em alto-mar.
É o caso de gigantes do setor, como a anglo-holandesa Shell, a norueguesa Statoil e a francesa Total.
Algumas das empresas já anunciaram inclusive o interesse de investir nesse segmento dentro do Brasil – onde o potencial eólico é grande. A própria Petrobras tem buscado iniciativas nesse sentido.
O esforço pode mais que dobrar a participação da energia eólica e solar na matriz energética do Brasil até 2026, para 18%, segundo a EPE (Empresa de Pesquisa Energética). (biodieselbr)

Califórnia decide proibir todos os combustíveis fósseis

Estado americano, que tem 40 milhões de habitantes (e a quinta maior economia do mundo), será 100% alimentado por energia limpa.
A Califórnia vai banir o uso de todas as fontes fósseis de energia até 2045. É o que determina a Lei SB 100 foi aprovada no final do mês passado pelo Legislativo e deverá ser sancionada pelo governador Jerry Brown.
O objetivo é ambicioso: a Califórnia tem quase 40 milhões de pessoas e, se fosse um país separado dos Estados Unidos, seria a quinta maior economia do planeta. Atualmente, 29% da eletricidade utilizada na Califórnia vem de fontes limpas – o triplo do que acontecia na década passada.
Califórnia decide proibir todos os combustíveis fósseis. Estado americano, que tem 40 milhões de habitantes (e a quinta maior economia do mundo), será 100% alimentado por energia limpa.
Haverá um período de transição, com metas progressivas de redução – em 2030, por exemplo, as emissões de CO2 já terão de ser 40% mais baixas. Analistas do setor de energia chegam a duvidar que a mudança seja exequível, principalmente porque a Califórnia tem apenas uma usina nuclear – e ela será desativada em 2025. Não há planos de construir novos reatores.
O Estado pretende usar energia solar e eólica. Um plano que apresenta complicações devido à natureza intermitente e imprevisível da geração em função de variações climáticas. Até o momento ainda não existe uma maneira economicamente viável de armazenar a eletricidade excedente que permita compensar em outros momentos.
Transito no sul da Califórnia/EUA.
Há, no entanto, testes em andamento. Em 2017, a Tesla instalou a maior bateria do mundo na Austrália para garantir a segurança no abastecimento de 1,7 milhão de pessoas. (biodieselbr)

sábado, 22 de setembro de 2018

Combustíveis fósseis atingirão pico de demanda na década de 2020

Transição energética desestabilizará setores inteiros e põe em risco trilhões de dólares investidos.
O rápido crescimento global das tecnologias limpas fará com que a demanda por combustíveis fósseis atinja o pico na década de 2020, colocando em risco trilhões de dólares de investidores que desconhecem a velocidade da transição energética, segundo um novo relatório da Carbon Tracker divulgado em 11/09/18.
A demanda por carvão, gás e petróleo está diminuindo porque o custo das energias renováveis e de baterias para armazenamento está caindo rapidamente, as economias emergentes estão optando pelo crescimento com base em energias limpas e as políticas governamentais estão sendo impulsionadas pela necessidade de cortar as emissões de gases de efeito estufa para controlar as mudanças climáticas e reduzir a poluição do ar.
Kingsmill Bond, estrategista de novas energias do Carbon Tracker e autor do relatório, disse: “Os anos 2020 serão a década dos picos de demanda por combustíveis fósseis, pois sucessivamente os mercados fósseis serão invadidos e dominados pela onda das energias renováveis. Isso levará inevitavelmente a trilhões de dólares de ativos perdidos em todo o setor corporativo e atingirá os petro-estados que não conseguem se reinventar”.
O estudo mostra que as energias solar e eólica substituirão todo o crescimento de combustíveis fósseis à medida que elas se expandem em um cenário de queda na demanda de energia. Como espera-se que a demanda global de energia cresça em 1-1,5% e a energia solar e eólica em 15-20% ao ano, a demanda por combustíveis fósseis atingirá o pico entre 2020 e 2027, provavelmente 2023.
Produtoras se preparam para o fim da era do petróleo.
O uso da gasolina cairá no longo prazo, preveem várias petrolíferas.
Segundo o estudo, a transição afetará diretamente as empresas que compõem até um quarto dos índices de ações e dos mercados de dívida, atingindo os setores bancário, de bens de capital, de transporte e automotivo. Os países exportadores de combustíveis fósseis sofrerão. A Rússia é um dos 12 países onde as rendas de combustíveis fósseis representam 10% ou mais do PIB.
Kingsmill Bond disse: “A demanda por combustíveis fósseis vem crescendo há 200 anos, mas está prestes a entrar em declínio estrutural. Setores inteiros terão dificuldades para fazer essa transição e terão que enfrentar quedas nos preços, maior competição, reestruturação, ativos ociosos e redução do mercado”.
As indústrias estabelecidas geralmente viram a demanda atingir o pico quando o concorrente ainda era muito pequeno, em torno de 2% a 3% das vendas totais. Por exemplo, a demanda por eletricidade térmica na Europa atingiu o pico em 2007, quando as energias renováveis representavam apenas 3% da oferta total. Como a demanda caiu após a crise financeira e as renováveis aumentaram sua participação de mercado, a indústria foi forçada a amortizar US $ 150 bilhões em ativos.
“Temos visto um padrão similar em muitas transições de energia, desde eletricidade, carvão e carros nos últimos anos até cavalos e luzes a gás no passado. A demanda para quem já está estabelecido chega ao auge cedo e os investidores dessas empresas perdem dinheiro cedo”, afirmou o estrategista.
Grande parte da indústria de combustíveis fósseis parece cega para esse risco. A BP, a OPEP e a IEA não esperam a demanda máxima por combustível fóssil até outra geração ou mais. No entanto, alguns analistas, como a DNV GL, prevêem o pico de demanda por combustíveis fósseis na década de 2020.
O relatório conclui que o ponto de inflexão para a demanda por combustíveis fósseis virá quando as tecnologias desafiadoras de energia solar e eólica representarem cerca de 6% do fornecimento total de energia e 14% do fornecimento global de eletricidade – muito abaixo dos níveis de penetração em muitos países da Europa.
Bond identifica três fatores que impulsionam a transição energética.
A importância das instituições para a transição energética brasileira.
1. Os custos de energia solar fotovoltaica, eólica e de baterias de armazenamento estão caindo rapidamente e agora eles podem competir com os combustíveis fósseis sem subsídios. Os custos caíram em torno de 20% para cada duplicação da capacidade e espera-se que isso continue. Até 2020, as energias renováveis serão mais baratas do que os combustíveis fósseis em todas as principais regiões do mundo, de acordo com a Agência Internacional de Energia Renovável.
2. Os mercados emergentes estão impulsionando o crescimento da demanda por energia e escolhendo fontes renováveis ao invés de combustíveis fósseis. Eles têm menos infraestrutura de combustíveis fósseis já estabelecida, maior dependência de energia, mais poluição e desejam aproveitar as oportunidades que as renováveis têm a oferecer. China e Índia já estão escolhendo energia solar e eólica em vez de combustíveis fósseis. A China ultrapassou os Estados Unidos como o maior implantador de capacidade solar e eólica em 2012 e carros elétricos em 2016. A AIE prevê que 27% do crescimento da demanda de energia nos próximos 25 anos virão da Índia e 19% da China.
3. A política governamental está apoiando essas tendências. “A necessidade de limitar as emissões de carbono, o desejo de respirar ar limpo e a busca pela independência energética significam que a pressão regulatória global sobre a indústria de combustíveis fósseis só aumentará”, disse Kingsmill Bond.
(canalenergia)

Energia limpa alimentará setores industriais sujos do mundo

O crescimento da energia limpa pode alimentar um dos setores industriais mais sujos do mundo.
Um homem carrega cobalto não refinado perto de uma mina no sudeste da República Democrática do Congo.
Uma das ironias da transição para a energia limpa é que teremos que minerar muita porcaria da Terra para fazer isso. De maneira similar aos nossos computadores e celulares, turbinas eólicas e painéis solares são dispositivos de alta tecnologia, cuja produção também demanda um punhado de metais e minerais espalhados por toda a tabela periódica— e por todo o planeta também.
Isso inclui elementos que, hoje, vem de partes do mundo com governos instáveis ou onde a fiscalização precária leva à exploração de mão de obra e à violência. Um relatório recente alerta que a transição para a energia limpa pode fomentar novos conflitos pela mineração de minerais raros, cobalto, lítio e uma série de outras matérias-primas muito necessárias, a menos que as empresas e os governos tomem medidas proativas para evitar que isso aconteça.
Muitos desses materiais serão difíceis de substituir em larga escala. Nós precisamos de metais de terras raras, por exemplo, para produzir os poderosos ímãs das turbinas eólicas modernas, enquanto a alta densidade de energia do lítio para baterias o torna a escolha preferida para montadoras de veículos elétricos. Até aperfeiçoarmos a reciclagem desses minerais, a principal opção continua sendo minerá-los.
“Este relatório foi estimulado por conversas sobre o papel da mineração em uma transição para uma economia de baixo carbono”, diz a coautora do documento, Clare Church, do Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável. “Nós notamos que havia um vácuo no que diz respeito às discussões sobre governança.”
Para começar a preencher essa lacuna, o relatório identifica 23 principais metais e minerais necessários para construir a infraestrutura verde de amanhã, incluindo turbinas eólicas, painéis solares, veículos elétricos e baterias, cuja demanda deve “crescer exponencialmente até 2050”.
Os autores mapearam reservas de mineração estabelecidas para metais críticos e cruzaram com informações sobre a fragilidade e a corrupção dos Estados, como forma de identificar potenciais pontos de conflitos.
O resultado disso?
“Reservas significativas” de todos os 23 metais verdes e minerais cruciais estão localizados em potenciais zonas de conflito, concentradas na América do Sul, na África Subsaariana e no Sudeste Asiático.
Alguns desses locais, como a República Democrática do Congo, já foram alvos de um escrutínio internacional por causa de violações de direitos humanos no setor de mineração, incluindo o uso de trabalho infantil forçado em minas de cobalto.
Além disso, espera-se que as reservas de cobalto do país — estimadas em 50% do total global — se tornem ainda mais importantes no futuro, já que empresas como Apple e Samsung, que usam este metal em seus smartphones, competem com a demanda de setores emergentes, com a indústria de baterias de íons de lítio.
Zimbábue, lar de uma das maiores reservas de lítio do mundo, deve testemunhar um grande aumento da extração do mineral nos próximos anos, o que traz preocupações sobre futuros abusos de direitos humanos, como já aconteceu nas minas de diamantes no país.
A mineração de metais de terras raras — atualmente concentrada na China, onde algumas comunidades já pagam a conta tóxica — deve crescer junto com a demanda no setor de energia eólica. E a lista segue adiante.
Reservas globais de cobalto (verde brilhante) e de metais de terras raras (verde escuro) mapeadas em países codificados por cores pelo seu “índice de fragilidade”, com cores mais quentes indicando um estado mais frágil e propenso a conflitos.
Nada disso é surpresa para David Abraham, membro sênior do Instituto para a Análise da Segurança Global e especialista em indústrias de metais raros. “O conflito pode chegar a qualquer lugar”, diz ele ao Gizmodo, acrescentando que toda vez que cavamos depósitos de fácil acesso, isso cria escassez adicional, o que pode incentivar as empresas a se voltarem para fontes mais sombrias.
De modo geral, a questão já está no radar da indústria de tecnologia, afirma Abraham, e empresas como a Apple adotaram medidas para garantir suas cadeias de suprimentos.
Church espera que este relatório estimule o setor de tecnologia limpa a se antecipar aos problemas futuros da cadeia de suprimentos. Isso inclui recomendações tanto para o setor privado quanto para o setor público ajudarem a tornar a transição de energia verde mais justa, como maior transparência na cadeia de suprimentos, mais cooperação com as minas artesanais de pequena escala e reforço e ampliação das regulamentações existentes, como as leis 3TG da União Europeia — 3TG significa tin (estanho), tungsten (tungstênio), tantalum (tantálio) e gold (ouro); essas leis existem para garantir que a extração desses minerais na República Democrática do Congo não incentive conflitos armados.
Não há dúvidas de que uma transição de energia limpa precisa acontecer para evitar os piores impactos das mudanças climáticas. Vamos torcer para que isso não aconteça às custas de alguns dos trabalhadores e regiões mais vulneráveis ​​do mundo. (gizmodo)

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Mercado de certificados para renováveis deve disparar em 2019

Perspectiva é de que volume transacionado no ano que vem pode alcançar 3 milhões unidades ante as 570 mil comercializadas de 2013 a 2017, aponta Instituto Totum.
A mudança na regra do protocolo GHG que passou a valer a partir desse ano no Brasil deverá elevar o volume de transações envolvendo os certificados de energia renovável (REC) a um novo patamar de grandeza. A estimativa do Instituto Totum é de que o volume transacionado possa chegar a 3 milhões de certificados em 2019, um montante três vezes maior do que o estimado para 2018, que por sua vez é quase o dobro do acumulado dos últimos quatro anos.
O protocolo é uma ferramenta utilizada para entender, quantificar e gerenciar emissões de gases de efeito estufa e que foi originalmente desenvolvida nos Estados Unidos, em 1998, pelo World Resources Institute (WRI). Está no Brasil há 10 anos e somente agora foi aberto às empresas que participam desse programa reportarem a compra de energia por este programa que visa a redução de emissão de gases de indústrias que aderiram ao protocolo.
De acordo com Fernando Lopes, diretor presidente do Instituto Totum, são três os segmentos que podem adquirir os certificados de energia renovável no Brasil. Os dois primeiros respondem por um menor volume em relação ao atribuído ao do programa GHG Protocol no Brasil. Um deles é o de prédios verdes que buscam se enquadrar na certificação LEED e suas regras. O segundo é de empresas que participam do RE 100 de empresas que buscam 100% de sua demanda por fontes renováveis.  Nesse grupo estão 145 empresas multinacionais sendo que um terço dessas tem operações no Brasil e buscam esses RECs localmente.
O executivo relatou que no Brasil são 140 empresas que aderiram ao GHG Protocol e que sozinhas respondem por 12% do consumo de energia. E como foi possível abrir essa opção de reportar ao programa com a compra de RECs a demanda começou a crescer exponencialmente este ano. A estimativa do Totum é de que este ano sejam verificadas a transação de 1 milhão de RECs ante 570 mil no acumulado dos quatro anos anteriores.
“A abertura a empresas do GHG Protocol é o principal motivo para vermos o aumento da comercialização desses RECs.  No ano passado, das 140 empresas apenas 11 reportaram emissões para a compra de energia renovável e esperamos que para 2019 mais ou menos um terço desse universo que reponde por 12% do consumo de energia no Brasil façam seu report, indicando que pode ser superada a marca de 3 milhões de RECs”, afirmou Lopes.
De acordo com as regras do programa um certificado equivale a 1 MWh de energia renovável. Então, explicou Lopes, como essas indústrias possuem elevado nível de consumo a quantidade de certificados que demandam é elevada. “Em muitos casos uma indústrias apenas pode responder por 100 mil, 200 mil RECs, mesmo com poucas empresas temos o aumento significativo do volume que é transacionado”, acrescentou.
O custo do REC varia de R$ 1,50 a R$ 6 e depende da fonte de energia gerada e da chancela que é exigida, como por exemplo, quando há a necessidade de baixo impacto ou boa relação com a comunidade onde a usina está inserida. Essa é uma característica mundial para os certificados, aqui é chamado de REC Brazil. O valor, comentou Lopes, e incluído no valor da energia que o consumidor deve adquirir, sendo ele agente no mercado livre ou mesmo no mercado regulado e esse certificado deve estar lastreado à injeção dessa energia no grid.
“O valor dessa energia é de cerca de 1% a 2% a mais que a empresa já paga em seu contrato de fornecimento. Ele terá que adicionar esse valor para ter a garantia documentada de que esta consumindo um produto renovável”, comentou ele. “Aqui no Brasil os volumes ainda são pequenos, mas por exemplo, na Europa ou nos Estados Unidos são da ordem de 600 milhões de certificados por ano. Para a empresa que vende a energia é um acréscimo de receita”, avaliou.
No Brasil estão cadastrados no programa 136 empreendimentos, sendo 136 eólicos, oito hídricos – sendo seis ou sete PCHs -, dois a biomassa e outros dois solares. Esse número está em crescimento, relatou Lopes. Até porque há essa perspectiva de expansão com o GHG Protocol. São 10 novos geradores para registrarmos nos próximos 30 dias. Esse registro, continuou, é rápido, em 15 dias é possível participar do programa para a geração de RECs.
Por aqui, disse o executivo do Instituto Totum, o mercado é ascendente, mas ainda longe dos dois exemplos citados anteriormente. Isso porque no país as iniciativas de adesão são voluntárias, enquanto nas outras duas geografias já há um mercado regulado para os RECs, bem como a existência dessa ação voluntária.
Cronologia
O REC Brazil foi lançado há cinco anos com o apoio das associações fundadoras a Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel) e Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) e gestão do Instituto Totum. No ano seguinte, 2014, o Programa foi oficialmente aceito pela Certificação Internacional LEED, que atesta a sustentabilidade de edifícios comerciais e residenciais em todo o mundo.
Em termos institucionais, o Programa passou a ter apoio formal da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) em 2016. Ao final do mesmo ano, o REC Brazil foi formalmente reconhecido e incorporado ao sistema de rastreamento global do IREC Standard.
A partir de 2016, o País passou a integrar o grupo de países que segue o padrão internacional I-REC. O I-REC é uma plataforma internacional de transações que permite aos consumidores adquirirem o certificado de uma energia de fonte renovável rastreada para compensar as emissões pelo consumo de energia de origem fóssil ou de difícil comprovação de origem. Com isso, apontou, é possível alcançar metas de aumento de energia renovável para grandes empresas energointensivas, sem a necessidade de investimento em geração de energia própria.
A preocupação das empresas e dos consumidores brasileiros em utilizar energia limpa e contribuir para a redução das emissões de gases poluentes na atmosfera fez disparar no ano passado a demanda por Certificados de Energia Renovável, os chamados RECs (na sigla em inglês). (abraceel)