quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Brasil tem grande potencial em serviços para veículos elétricos

Brasil tem grande potencial em serviços para veículos elétricos, afirma ABB.
Venda de veículos eletrificados em 2017 foi de 1,1 milhão de unidades em todo o mundo.
Empresa estuda trazer centro de monitoramento de carregadores para o Brasil ao passo que o mercado local amadurece.
A multinacional suíça ABB está otimista com as perspectivas de novos negócios que o mercado brasileiro de veículos elétricos (VE) pode apresentar. Um dos motivos é a recém-iniciada construção de infraestrutura para recarga e prestação de serviços que o país abre ao passo que as vendas dos VEs avançam por aqui. A empresa vê no país um grande potencial de crescimento até por ser o maior país da região e o mais populoso. Contudo, ainda estamos atrás do Chile em termos de desenvolvimento.
Um dos sintomas é o anúncio no final de janeiro no qual a companhia fechou acordo para fornecer 20 carregadores rápidos para uma rede de postos de combustíveis chilena, a Copec formando a maior rede comercial instalada na América do Sul, conectando as cidades de Marbella e Concepción, cuja distância entre elas é de 700 quilômetros de distância e com projeto de expansão para chegar a mil quilômetros.
Os produtos fornecidos à empresa chilena são os mesmos disponibilizados ao Brasil, são 19 unidades com 50 kW de potência que podem carregar um veículo em 20 minutos e outro modelo de 175 kW cuja capacidade é de carregar um carro entre 8 e 10 minutos.
De acordo com o presidente da ABB nas Américas, Greg Scheu, o veículo elétrico é uma parte importante dentro da estratégia da companhia no ambiente de novas tecnologias que o setor elétrico vem vivenciando e passa pelo conceito de cidades inteligentes e pela expansão das renováveis intermitentes. “Para os veículos elétricos nos temos o e-mobility, como uma importante parte da estratégia da ABB. Colocamos junto a eletrificação da mobilidade, software em nuvem, internet, conectividade olhando para o futuro que é elétrico”, disse ele à Agência CanalEnergia.
Ele baseia seu entusiasmo com o futuro da mobilidade lembrando que diversas das marcas mundiais do setor elétrico já estudam ou anunciaram planos para entrar de vez nesse mundo, como a alemã Volkswagen em 2025. Mas cita ainda gigantes mundiais como a Audi, Porsche, Ford e outras.
“O mercado brasileiro está em seus estágios iniciais para a mobilidade elétrica, é naturalmente um país com grande oportunidade devido às perspectivas que apresenta”, comentou ele. No momento ele vê o mercado ainda restrito a um nicho de mais alto luxo, mas a tendência é de que esse mercado aproxime-se de valores mais baixos e assim o país veja uma maior popularização desses veículos.
“A tecnologia vem mudando rapidamente e mais montadoras estão chegando ao mundo dos VEs, mas no momento precisamos que a infraestrutura seja construída e para isso precisamos de diferentes atuações de empresas e de agentes públicos para que alcancemos um novo estágio para o mercado”, acrescentou ele.
A ABB, há uma base instalada de cerca de 350 carregadores de veículos elétricos. Apesar de estarmos atrás do Chile em termos comerciais, a maturidade do mercado nacional pode fazer com que a companhia nacionalize o centro de monitoramento desses equipamentos. Essa ação é apenas intermediada pela equipe local, sendo realizada na Holanda.
Regulamentação abre caminho para investimentos em recarga de veículos elétricos.
A empresa possui uma gama de produtos para o carregamento que inclui desde o chamado wallbox, de 4,6 kW que é instalado em residências até os de maior porte que chegam a 600 kW destinado a veículos pesados. Segundo Marcelo Vilela, gerente geral para Produtos de Eletrificação da ABB no Brasil, o monitoramento é apenas um dos serviços que podem ser oferecidos. A empresa, além de atender à norma básica que é padrão no mercado, afirma que disponibiliza ainda até 200 outras opções de parâmetros de monitoramento. Esses equipamentos, lembrou, estão inseridos na plataforma Ability da companhia que tem um alcance mais amplo no ambiente do setor elétrico.
O carregamento de VEs vai trazer uma perspectiva de novos negócios mais amplos não somente para os veículos individuais. Um mercado interessante é o de transporte de passageiros e até mesmo de carga com carregadores rápidos no estilo pantográfico que aproveita paradas de veículos em pontos específicos para manter o nível das baterias em um patamar médio durante o dia, permitindo assim a adoção de um componente de menor porte e, consequentemente, mais leve, uma característica importante para os VEs.
A perspectiva de mercado é corroborada por um estudo lançado nesta terça-feira, 5 de fevereiro, pela Universidade Columbia (Estados Unidos) sob o título Carregadores de Veículos Elétricos na China e nos Estados Unidos (na tradução livre do inglês). A publicação aponta que à medida que essa indústria crescer nos próximos anos, uma melhor compreensão das abordagens feitas nos dois países alvo do estudo pode ajudar os formuladores de políticas, empresas e outras partes interessadas em ambos os países e em todo o mundo.
A publicação lembra que há cerca de 1,5 milhão de carregadores para veículos elétricos instalados globalmente. Apesar deste número, esse volume ainda é considerado como em seus estágios iniciais para a construção da infraestrutura deste novo mercado, que tende a crescer rapidamente nos próximos anos, ao passo que as vendas desses veículos avançam.
Estudo indica número de carregadores projetado para crescer rapidamente à medida que o estoque de veículos elétricos cresce. Esse desenvolvimento exigirá novos padrões de comportamento e modelos de negócios. Tanto na China quanto nos Estados Unidos, muitos tipos de empresas começaram a oferecer serviços de carregamento de veículos elétricos, com uma série de modelos e abordagens de negócios que se sobrepõem. A análise indica que um número crescente de parcerias está surgindo, envolvendo empresas de cobrança independentes, fabricantes de automóveis, concessionárias de serviços públicos, municípios e outros.
Veículos elétricos híbridos são vistos como uma excelente solução para a mobilidade sustentável.
E lembra que a indústria de carregamento de veículos elétricos é um setor altamente dinâmico com uma ampla gama de abordagens. “A indústria está emergindo dos seus primeiros passos com a eletrificação, a mobilidade como serviço e a autonomia do veículo interagem para produzir mudanças de longo alcance no transporte”, indicou a publicação. (canalenergia)

O futuro da mobilidade é elétrico?

Especialista na área de veículos híbridos e elétricos questiona alguns paradigmas e acredita que o Brasil deve criar seu próprio modelo.
Pressões ambientais, sobretudo na Europa, têm movimentado a indústria automotiva na direção do desenvolvimento de veículos menos poluentes. Lá fora, a questão assumiu caráter mandatório: alguns países já estabeleceram datas-limite para que não sejam mais comercializados automóveis com motores a combustão.
Enquanto isso, nosso País ainda carece de uma legislação específica, de regras mais claras e, principalmente, de um plano de ação para os próximos anos. Mas isso, na opinião de Ricardo Takahira, vice coordenador da Comissão Técnica de Veículos Elétricos e Híbridos da SAE Brasil, não é necessariamente uma desvantagem. “O cenário pode parecer negativo, mas pode até ser positivo. Nenhum país do mundo tem o privilégio de ter opções de biocombustíveis e de uma matriz energética que, mesmo com as crises hídricas, é 70 a 90% gerada por hidrelétricas – não temos necessidade de queimar carvão. Quem sabe um veículo híbrido flex ou híbrido a etanol pode gerar a eletrificação com biocombustível?”
Engenheiro eletricista pela FEI, Takahira soma mais de 30 anos dedicados à indústria automotiva, com passagens pela ABVE, Magneti Marelli, Continental, Visteon, Ford e SENAI. Atualmente, presta consultoria e integra diversas comissões técnicas, incluindo o grupo de trabalho em que atua junto ao Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e também é o chairman do 7º Simpósio de Veículos Híbridos Elétricos da SAE Brasil, programado para novembro deste ano. Suas ideias e observações sobre o tema podem ser conferidas na entrevista a seguir.
Como anda a “corrida” pela mobilidade elétrica? Levando-se em conta as legislações europeias que determinam menor emissão de poluentes.
É exatamente como foi colocado na pergunta: a exigência é ambiental e o atendimento às regras é da indústria. Ou seja, em conferências como a COP-21, COP-22 ou como a Rio+20, são definidos limites e prazos e isso faz com que a indústria tenha que se adequar para continuar vendendo produtos. Até 2030, talvez 30% da frota do mundo tenha que ser zero ou baixa emissão – por “zero”, entende-se elétrico, enquanto o “baixa” seria o híbrido.
Falando do mundo, vários países já definiram uma data para não poder mais comercializar veículos a combustão. Começou com a Noruega, que tem um percentual alto de sua frota elétrica, mas não tem nenhuma montadora. Mas depois da Noruega, veio a Alemanha, a França – e, ao todo, já são dez países. Os locais onde estão localizados os centros de desenvolvimento das montadoras de primeira linha acabam tendo que focar suas engenharias para atender as questões de mercado da indústria. E tem algo ainda mais significativo e ambicioso que é não deixar circular (veículos a combustão) e alguns países já estão tentando definir uma data para isso.
Esta seria uma política industrial: primeiro se exige um produto que atenda tecnicamente à exigência, que é o zero emissão e, se fizer toda a “lição de casa”, ganha um “prêmio”, que seria a renovação de toda a frota. Com isso, o volume vai amortizar todos os anos de investimento em pesquisa e desenvolvimento.
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Como você classificaria o Brasil nesse contexto?
No Brasil, ainda estamos em uma fase de definição, pois não temos uma política específica. Em 2017 acabou o Inovar-Auto (Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores), e ainda não tivemos a publicação do Rota 2030, que seria a política industrial seguinte. Nesse âmbito, foi criado um grupo de trabalho específico para veículos híbridos e elétricos e, dentro dele, há alguns subgrupos para estudar as questões da política pública, das baterias, da infraestrutura, da capacitação da mão de obra, de regulamentação. O Brasil está atrasado, mas não está de olhos fechados. A própria indústria, junto com especialistas, está ajudando a desenhar essas novas políticas.
O que é preciso para o País ficar bem posicionado frente a esta nova tendência?
Regras claras e definição. Tem uma coisa bastante estratégica: se não fizermos nada, corremos o risco de sermos um mercado consumidor de tecnologias ‘novas’ obsoletas. O que seria isso? Por exemplo, um veículo a combustão já tem data para deixar de existir na Alemanha sem que seus custos de ferramental e componentes tenham sido devidamente amortizados. Se o nosso País não tem uma legislação clara, o que vai acontecer? Eles vão mandar esse veículo para cá, porque eles ainda poderiam vender por aqui.
O cenário pode parecer negativo, mas pode até ser positivo. Nenhum país do mundo tem o privilégio de ter opções de biocombustíveis e de uma matriz energética que nós temos. Mesmo com as crises hídricas, de 70 a 90% de nossa energia é gerada por hidrelétricas – não temos necessidade de queimar carvão. Quem sabe um veículo híbrido flex ou híbrido a etanol pode gerar a eletrificação com biocombustível?
Não temos que acompanhar o mundo, temos que entender qual a melhor solução para o Brasil. Nossa extensão territorial e nossas condições climáticas são diferentes. Para ficarmos bem posicionados, é preciso ter uma posição clara das regras, mas também olhar para o umbigo e ver todas as possibilidades.
E qual seria o melhor caminho, na sua opinião?
Esse produto (carro elétrico) é muito dependente de infraestrutura. Como eu vou recarregar meu carro se eu moro em um apartamento, por exemplo? Tem muita coisa a ser trabalhada e talvez essa questão de consumo individual não seja a prioridade.
Eu acredito bastante em transporte público, em ter mais ônibus elétricos por meio de mecanismos de licitação: os operadores, para continuarem, precisarão ter um percentual mínimo. O uso urbano é o que faz sentido, por vários motivos: a eficiência na estrada do veículo elétrico ou híbrido é muito baixa, o que acaba expondo a questão da autonomia. As eficiências do carro elétrico aparecem quando roda em ciclo urbano porque, ao frear, ele pode regenerar a energia térmica.
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Como as montadoras estão se preparando e quais os principais desafios?
No Brasil, é importação. Não tem ninguém desenvolvendo um carro elétrico. Se for para desenvolver um carro híbrido a etanol, pode ser que faça sentido. Por isso, volto a falar dos biocombustíveis, que seriam uma condição a favor, pois o carro elétrico depende de uma infraestrutura. Se eu fosse comprar um carro elétrico, alguém teria que me dar energia e só pode comercializar alguém autorizado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
Nossa cota ainda é muito pouco significativa: temos menos de 10 mil veículos, sendo que 90% desse total é híbrido. Para o segmento de autopeças, por exemplo, 50 mil seria um volume mínimo para que pudéssemos pensar em localização (produção local). Com esse baixo volume de importação, ficamos sujeitos ao câmbio. Além disso, os veículos elétricos lá fora têm outros subsídios. Em São Paulo (SP), por exemplo, o veículo híbrido é isento de rodízio e paga só 50% do IPVA, mas isso ainda é muito pouco em relação aos incentivos que esses carros recebem lá fora.
Até pouco tempo, o Imposto de Importação era de 35%, agora baixou para zero no puro elétrico e vai de 4 a 7% no híbrido, dependendo da eficiência energética. Agora há uma discussão sobre o IPI, que hoje é de 25%. Então os baixos volumes não são suficientes para que qualquer montadora aqui no Brasil pense sequer em localização. É preciso chegar a outro patamar para que se possa fazer a transição tecnológica.
Na sua opinião, como será o cenário em termos de produção dos carros híbridos, elétricos e autônomos? Haverá uma maior tendência por carros híbridos em um primeiro momento?
Além desses, eu acrescentaria uma categoria de veículos chamados ‘conectados’, que é a mais importante. Mas, com certeza, haverá uma maior tendência para o híbrido (não plug-in). Há o veículo elétrico a bateria (BEV, em inglês); o veículo elétrico híbrido (HEV, em inglês) e o veículo elétrico híbrido plug-in (PHEV, em inglês). Para que seja plug-in, é preciso ter infraestrutura. Se estiver na rua e acabar a bateria, como faz? Mesmo que seja uma recarga super-rápida, demora pelo menos uma meia hora.
No Brasil, 90% dos carros são do tipo HEV, e eles nem têm tomada para recarregar. Lá fora, há versões do tipo plug-in. Aqui, além de ser híbrido não plug-in, quem sabe não teremos um híbrido flex. Há uma montadora que já anunciou que trará esse veículo para o Brasil e já existe um protótipo com uma calibração feita para o etanol. Haverá um rodando na USP, em São Paulo (SP), e outro na UnB, em Brasília (DF).
E o que seria o carro ‘conectado’? Há alguma relação com o autônomo?
O carro conectado proporciona uma sinergia. No carro elétrico, é preciso saber aonde você quer ir e, se não tiver bateria, saber onde estão os pontos para você recarregar. Para isso, é necessário ter uma conectividade. Por exemplo, eu não quero chegar em um ponto de recarga onde já há outro veículo sendo abastecido, porque não leva o mesmo tempo que encher um tanque.
Aí existe outra ideia que é a de se criar um local em que se possa fazer a troca da bateria: deixar a que está sem carga e pegar uma totalmente carregada. Seria o mesmo modelo de um botijão de gás. Isso talvez seja uma solução porque, até pouco tempo, o custo da bateria era cerca de 60% do preço do veículo. Se tivesse alguma forma de esse preço ser desvinculado do custo do carro, ainda que com essa desconfiança de a bateria não durar tanto quanto o próprio veículo, poderia ser vantajoso.
O desejo do consumidor não é o carro elétrico ao preço que está, mas ele pagaria mais caro por um carro autônomo e/ou conectado. E não estou me referindo ao que ‘dirige’ sozinho. Há diferentes graus de autonomia: o carro que estaciona sozinho, por exemplo, tem autonomia nível 3. Há modelos disponíveis no Brasil que podem ter o chamado “chaveirinho”.
Para quem mora em apartamento e precisa estacionar em vagas super apertadas, basta sair do carro, apertar o touch screen no chaveiro e ele ‘entra’ sozinho na vaga. Por esse conforto e pela conectividade de ter o Waze em uma tela de 7 polegadas, o consumidor está disposto a pagar. Já para ter um carro elétrico, apenas com o apelo da sustentabilidade, eu tenho minhas dúvidas.
Colheitadeiras ainda não são 100% sustentáveis, mas de acordo com o Salão de Veículos Elétricos, poderiam ser.
E como os fornecedores da indústria automotiva convencional estão se preparando para a crescente diminuição da demanda por produtos e serviços ligados a motores de combustão interna?
Eu não posso citar nomes, mas há dois tipos de indústrias: um que está perguntando ‘quanto tempo temos?’, no intuito de se preparar, e outro que está perguntando ‘quanto tempo vai demorar?’, pois já tem uma solução e só está esperando a hora certa. O primeiro tem que mudar o portfólio, se não, estará “morto”. O segundo tem uma solução lá fora, mas se transferir muito cedo, ele “mata” o feijão com arroz que gera o faturamento atual e ainda não vai faturar com o novo portfólio.
Então, é super estratégico. Mas, sem uma definição clara de política, como fazer? Por exemplo, se hoje eu faço um motor a combustão V8, eu posso me organizar e fazer um motor de dois tempos a etanol e colocar em um carro elétrico em uma versão que hoje se chama range extended, e que gera uma autonomia extra para a bateria.
Quais são as principais preocupações no que diz respeito aos usuários e às cidades?
Nós não temos esse conceito de qualidade de mobilidade urbana. Para ônibus, não depende da escolha do cidadão, mas de uma política pública do gestor de transporte.
Por exemplo, a SPTRANS (de São Paulo, SP) soltou uma licitação, que tinha prazo de consulta pública até o último dia 25 de março. O texto não diz explicitamente que é um veículo elétrico, mas que deveria atender à PL 300/2017 (Nota: o Projeto de Lei propõe dez anos para que a frota seja substituída por uma com combustível menos poluente). Não sei como os operadores irão responder. Mas essa é uma das possibilidades e faz todo o sentido, a meu ver. Não é preciso mudar todos os ônibus, mas a cada dez que estão em serviço, no primeiro ano, é possível ter pelo menos um de ‘tecnologia limpa’. Esse ônibus custaria mais que o dobro do que o movido a biodiesel, mas o impacto com relação às emissões, ao ruído e também à recuperação de energia no “anda e para” do trânsito faz com que seja mais interessante.
É preciso contabilizar também outros ganhos que são intangíveis como o fato de que, talvez, a população não vá tanto ao médico por problemas respiratórios ou não fique com problemas de audição, sem contar as doenças profissionais que o motorista deixaria de sofrer.
Outra questão são os aplicativos de transporte privado (tais como Uber, Cabify e 99, entre outros). Pode ser que surja uma regulamentação mais para frente que obrigue que tenham um carro de alta eficiência e baixa emissão e, como o motorista não tem mais necessidade de ter a posse do carro, pode ser que ele utilize o veículo de uma locadora. Essa economia circular, compartilhada, é uma questão cultural. O brasileiro gosta muito de carro, mas pode mudar de hábitos se houver um aumento do congestionamento, por exemplo. Talvez ele deixe o carro para o fim de semana, no uso com a família. Mas creio que não seja uma mudança para esta geração, talvez para a próxima.
O Renault Zoe estava disponível para test-drive durante o Salão de Veículos Elétricos.
Em termos de tecnologia, o que vem sendo produzido mundial e nacionalmente em termos de eletrificação da mobilidade? Qual o status dessa tecnologia – pronta para ser usada, ou muita coisa ainda em fase de testes?
Bateria é uma dependência do mundo, não é um problema só do Brasil. Assim como a eletrônica, que foi para a Ásia, e todo mundo perdeu o bonde. Agora eles são tão competitivos que ninguém consegue tirar isso de lá. Motor, por exemplo, nós temos a WEG aqui, em Jaraguá do Sul (SC) e eles estão produzindo motor para ônibus, mas talvez não consigam entrar no lobby do carro leve. Já a fábrica da MAN, em Resende (RJ), conseguiu fazer um caminhão elétrico, em parceria com a WEG. Trata-se de uma inovação de primeiro mundo, feita no Brasil.
Então, não estamos tão mal, pois temos engenharia e know-how. Talvez a gente não tenha oportunidades e nem a segurança de fazer um investimento tão alto quando, na verdade, não existe mercado ainda. Com relação à usinagem, existe um certo receio também. Por exemplo: o alumínio é usinado, mas a fibra de carbono não é. E como as baterias e os motores começam a pesar muito no carro, o aço começa a ser substituído por materiais mais técnicos e mais leves. Isso quando a bateria não acaba sendo parte do chassi.
A Urbano apresentou o conceito de carro compartilhado no Salão de Veículos Elétricos.
Em sua opinião, o que precisa ser feito para que haja um impulso nesta ­produção?
Primeiro, uma certeza de volume. Ninguém vai mexer um dedo, se não tiver forecast de volume, mesmo a usinagem funciona desse jeito. As políticas públicas devem ser definidas. Talvez uma data-limite para se atingir determinada eficiência energética. É isso o que nós, enquanto grupo de trabalho (GP7) estamos buscando para os veículos híbridos e elétricos. Ainda não há uma homologação específica que diferencie o carro elétrico. E, com relação à política fiscal, talvez os critérios mudem quando houver uma frota maior acumulada. (omundodausinagem)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Por que uma matriz energética diversificada e verde é importante?

Ambientalistas, cientistas e a Organização das Nações Unidas (ONU) afirmam uníssono: as mudanças climáticas são um grande risco para a manutenção da vida humana na Terra e que a queima de combustíveis de origem fóssil é a maior de suas causas.
Em uma conferência sobre a ação climática realizada em maio de 2018, o secretário-geral da ONU, António Guterres, ressaltou que o aquecimento global é a maior “ameaça existencial” para a humanidade. Não é à toa que a entidade estabelece a energia como um de suas maiores áreas de ação. O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 7 (ODS 7), cujo objetivo é “assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos”, serve de base para o fomento de alternativas energéticas sustentáveis ambiental, social e economicamente.
De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a queima de combustíveis de origem fóssil é responsável por aproximadamente 80% das 40 bilhões de toneladas de dióxido de carbono que a ação humana emite para a atmosfera anualmente. E além disso, relata a Organização Mundial da Saúde (OMS), a poluição gerada afeta a saúde de mais de 80% dos habitantes das regiões urbanas do planeta.
“Investimentos em infraestrutura limpa e verde precisam ser feitos em escala maior em todo o mundo”, afirmou Guterres. “Para tanto, precisamos de lideranças do ramo das finanças e investimentos, e que governos locais, regionais e nacionais decidam por grandes planos de infraestrutura nos próximos anos.”
E uma das nações que lidera esse movimento é exatamente aquela que mais polui: a China.
China: de vilã a ativista ambiental
Segundo levantamento da McKinsey Global Institute, a demanda mundial por energia está em lenta curva de queda. No entanto, na China, a necessidade de abastecer suas indústrias que fornecem produtos para todo o mundo só faz este índice crescer. Hoje, 23% de toda energia global é consumida pelos chineses – os Estados Unidos, em segundo lugar, consomem 16%. Se a tendência atual se mantiver, em 2035, a China será responsável por 28% do consumo mundial de energia, ou seja, mais de um quarto do total.
Com a matriz energética baseada principalmente em queima de carvão mineral, a China é quem mais sofre com as consequências da poluição. Um estudo produzido por pesquisadores dos Estados Unidos, Canadá, China e Índia mostrou que, só em 2013, 5,5 milhões de pessoas morreram em todo o mundo em decorrência dos problemas de saúde causados pela poluição – 1,6 milhões deles, chineses. “Globalmente, a poluição do ar é o quarto maior fator de mortalidade mundial, e é de longe a principal causa ambiental de doenças”, disse Michael Brauer, professor da Universidade da Colúmbia Britânica, em conferência.
O país mais populoso do mundo – hoje com 1,3 bilhão de habitantes – então iniciou uma revolução verde em sua matriz energética. Em 2017, o governo federal chinês anunciou o investimento de US$ 360 bilhões em energia renovável até 2020 e desistiram de construir 85 novas usinas de carvão. Apenas no primeiro ano do programa, o aporte financeiro foi de US$ 126,6 bilhões e a própria ONU reconheceu o esforço chinês na produção de energia solar: dois anos antes do prazo, o país já ultrapassou seu objetivo de gerar 105 gigawatts a partir de módulos fotovoltaicos – suficiente para alimentar 30 milhões de residências.
Esse conjunto de ações, além de oferecer contrapartida ambiental, aumenta o interesse do mercado de energia no país. De acordo com a consultoria EY, o mercado de energia chinês é o mais atrativo do mundo.
Energias alternativas fazem crescer a economia e o mercado de trabalho
A ONU Meio Ambiente afirma que hoje, 20% da energia consumida globalmente é proveniente de fontes renováveis – e este índice cresce rapidamente. A entidade prevê que em dez anos as matrizes energéticas limpas podem se apresentar já mais baratas do que os combustíveis fósseis e que, até 2050, 100% da energia mundial seja origem limpa.
O relatório produzido pela entidade aponta que os interesses da indústria de energia convencional, baseada em queima de combustível fóssil, é um dos principais entraves para que as fontes renováveis alcancem os 100%, sobretudo nos EUA, Japão e África. No entanto, o relatório indica também que, durante três anos seguidos, a economia global cresceu 3%, mas as emissões de gases nocivos relacionadas ao setor energético diminuíram.
De acordo com o relatório, How technology is reshaping supply and demand for natural resources, produzido pelo McKinsey Global Institute, essa é uma tendência para o futuro. O uso menos intensivo da energia e o aumento da eficiência energética podem ter um impacto de 40% a 70% na produtividade global durante os próximos 20 anos.
Energias renováveis podem turbinar também o mercado de trabalho. Para a Organização Internacional do Trabalho (OIT), ao menos 24 milhões de novos postos de trabalho serão criados no mundo até 2030 se as políticas certas para promover uma economia verde forem implementadas – sendo 2,5 milhões deles somente em setores de geração de energia.
Segundo o relatório Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo 2018: Greening with Jobs, produzido pela mesma entidade, atividades sustentáveis já empregam 1,2 bilhão de trabalhadores. “A economia verde pode permitir que milhões de pessoas superem a pobreza, além de proporcionar condições de vida melhores para a atual geração e também para futuras. Esta é uma mensagem de oportunidade muito positiva em um mundo de escolhas complexas”, disse a diretora-geral adjunta da OIT, Deborah Greenfield, em comunicado.
Energias alternativas no Brasil
O mesmo documento produzido pela OIT aponta que a América Latina será uma das maiores beneficiárias das políticas voltadas à energia verde. “Na América Latina e no Caribe, pelo menos 1 milhão de empregos serão gerados como resultado do uso de energias renováveis, maior eficiência energética em imóveis e maior demanda por carros elétricos, e outras tecnologias de mudança no padrão de consumo para combater as mudanças climáticas”, afirmou Guillermo Montt, da OIT, em comunicado. (abril)

Torre de energia híbrida aproveita o potencial do vento e do sol

Uma invenção do Oeste do Paraná é algo inédito na América Latina. Uma torre de energia híbrida: que aproveita o potencial do vento e do sol para gerar energia. A torre utiliza ainda um minério que promete mudar a área energética.  De longe já dá para enxerga-lá. Quem passa pela BR 277, na saída para Curitiba, nota esta estrutura diferente no pátio da Fundetec, são 14 metros de altura, resultado de 5 anos de pesquisa. 
Diferente daquelas hélices que estamos acostumados a ver em torres de energia eólica, esta torre tem três hastes com pás que giram conforme a intensidade do vento. A maior geração de energia vem mesmo do movimento do ar, mas ela ainda tem um bônus: a torre é híbrida, então também tem placas que captam a energia do sol. A ideia é oferecer uma alternativa energética mais eficiente do que os sistemas energéticos já existentes e se tornar uma opção de energia para consumidores intermediários, como as indústrias.
 A invenção ainda está passando por alguns ajustes, mas já está cheia de curiosos ansiosos para ter um exemplar. A torre deve se tornar algo comercial nos próximos meses e já tem um mercado enorme aguardando por ela. (tarobanews)

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Mobilidade elétrica: a nova realidade global

Diante de algumas definições internacionais para o impedimento da comercialização de veículos diesel, com repercussões no aumento de vendas dos veículos híbridos e elétricos no mundo, vale a pena o Brasil refletir sobre o que realmente tem acontecido no planeta e analisar como tem reagido e se preparado frente ao novo cenário mundial, sobretudo, alguns meses depois da publicação do programa Rota 2030 (MP843).
Parece que o País finalmente acordou para o que acontece internacionalmente, embora o mundo não esteja mudando tão a passos largos como se esperava, em vista das projeções dos especialistas de mercado de veículos movidos à eletricidade.
Os brasileiros já testemunham o aumento da oferta e do uso de ônibus e caminhões elétricos, cenário que já aponta por onde certa massificação pode acontecer.
Os desafios são grandes em toda a parte principalmente ao se tratar da frota puramente elétrica, que necessita de infraestrutura de recarga.
Governos e indústrias apostam no desenvolvimento do conceito de mobilidade elétrica.
Com subsídios em vários países, veículos leves crescem também à medida que as condições são criadas para modelos de negócios de uso compartilhado, situação normalmente relacionada a veículos elétricos mais caros, porém com vantagens em emissões e, principalmente, em uso contínuo com o menor custo por quilometro rodado.
Especialistas da indústria já se preocupam com a capacitação da mão de obra para esta transição, outros apostam que a mudança já começou com primeiros resultados de faturamento.
Somado a isto, o hidrogênio e outras formas de produção de energia elétrica também começam a sair do papel.
No cenário nacional, um plano de eletromobilidade poderia ter o mesmo efeito que o RenovaBio ou plano de energia?
Os patamares de pesquisa e desenvolvimento podem crescer com chamadas temáticas como as da ANEEL?
Ou a comparação com políticas públicas europeias podem ajudar o Brasil a entender o processo de popularização dos veículos elétricos pelo mundo?
Não somos a Noruega, nem tampouco a China, então qual receita serve para o Brasil?
A boa notícia é que modelos lançados no Exterior não demoram tanto para vir ao Brasil.
Resta somente saber quando a cadeia será verticalizada com volumes maiores e quais são esses volumes para viabilizar uma localização com investimentos.
Veículos elétricos americanos ou asiáticos, quais sistemistas têm a melhor estratégia para a introdução dos veículos elétricos no País?
Ainda não se pode esquecer dos biocombustíveis.
Existem ainda muitas dúvidas, mas algo é certo: o Brasil tem quem faça como Lucas Di Grassi, piloto de Formula-E e Stock Car, além de CEO da Roborace, a primeira plataforma de motorsport autônoma do planeta.
Um exemplo para os universitários que também constroem veículos elétricos do zero com orçamentos bem curtos, mas que já conquistaram prêmios valiosos no Exterior, em preparação para a era da eletromobilidade.
Mobilidade elétrica se tornou a maior tendência mundial da indústria automotiva e governos lideram essa agenda, ao promoverem projetos com veículos elétricos no transporte público, com o objetivo de reduzir custos, ruídos, poluentes e de contribuir para a melhoria da qualidade de vida nos centros urbanos. (mecanicaonline)