quarta-feira, 8 de abril de 2020

Inviável prazo de 10 anos para fim de carros a combustão

ANFAVEA considera inviável prazo de 10 anos para fim de carros a combustão.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA) considera inviável o prazo de 10 anos para que seja extinta no País a venda de carros movidos a gasolina e diesel, como prevê projeto aprovado nesta quarta-feira pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
O projeto de lei, de autoria do senador Ciro Nogueira (PP-PI), argumenta que a gasolina e o diesel são responsáveis por um sexto das emissões de dióxido de carbono na atmosfera e afirma que já há soluções tecnológicas para substituí-los, como os biocombustíveis e os carros elétricos. Aprovado pela CCJ, o texto segue para a Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado.
Para a ANFAVEA, que apresentou um posicionamento ao Broadcast por meio da assessoria de imprensa, o prazo de 10 anos é curto para que a meta seja cumprida. A associação acredita que, antes disso, é necessário haver um debate sobre o tema, que envolva, principalmente, a capacidade da matriz energética brasileira de dar conta de uma frota eletrificada.
A entidade lembra, ainda, que o Congresso aprovou recentemente o Rota 2030, programa do governo que estabelece metas de eficiência e emissões até 2034. Já há, portanto, alguns prazos que as montadoras perseguem. Segundo o projeto aprovado no Senado, a venda de carros movidos a gasolina e diesel seria proibida a partir de 01/01/2030. E a circulação seria proibida a partir de 2040.
Em outubro, o diretor técnico da ANFAVEA, Henry Joseph Junior, chegou a ir à CCJ para explicar as razões da inviabilidade da proposta. Sem êxito na comissão, a associação pretende enviar novamente o seu corpo técnico para argumentar contra o projeto na CMA. (biodieselbr)

Venda de veículo a gasolina ou diesel pode ser proibida no Brasil em 2030

Daqui a 10 anos será proibida a venda de veículos novos movidos a combustíveis fósseis, como gasolina ou diesel. É o que estabelece projeto de lei que institui uma política de substituição de automóveis movidos a combustíveis fóssil a partir de 01/01/2030, aprovado em 12/02/20 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Os veículos movidos a biocombustíveis, como o etanol, ou os carros elétricos continuarão liberados.
O PLS 304/2017, que segue agora para votação na Comissão de Meio Ambiente (CMA), determina ainda que a partir de 2040 ficará proibida a circulação de qualquer automóvel de tração automotora por motor a combustão. São abertas, no entanto, algumas exceções à regra. Pelo projeto, automóveis de coleção, veículos oficiais e diplomáticos ou carros de visitantes estrangeiros poderão continuar circulando no país, ainda que usem combustíveis fósseis.

Segundo o autor da proposta, senador Ciro Nogueira (PP-PI), outros países estão tomando decisões semelhantes. O Reino Unido e a França querem proibir a venda de veículos movidos a combustíveis fósseis a partir de 2040, a Índia, a partir de 2030, e a Noruega, já em 2025. Ele afirma que esse tipo de veículo é responsável por um sexto das emissões de dióxido de carbono na atmosfera, gás proveniente da queima de combustíveis fósseis e importante agente causador do efeito estufa, que leva ao aquecimento global.
Ciro sustenta que já se encontram disponíveis soluções tecnológicas que permitem o enfrentamento dessa questão. As principais são os automóveis movidos a eletricidade, carregados pelas tomadas da rede elétrica, como já ocorre em outros países, e, sobretudo no Brasil, os automóveis movidos a biocombustível.
O relator, senador Fabiano Contarato (Rede-ES), observa que a reorientação do mercado de uma cadeia produtiva insustentável é permitida pela Constituição.
“Segundo nossa Lei Maior, a ordem econômica tem como princípio, entre outros, a defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação”, aponta no relatório. (biodieselbr)

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Executivos e empresários avaliam impactos regulatórios da geração distribuída no País

Evento organizado pela ABSOLAR debate novo marco legal do segmento.
Embora o mercado de energia solar viva um momento de crescimento exponencial, com previsão de acrescentar uma potência de 4GW somente este ano, somando geração distribuída e centralizada, atraindo quase R$ 20 bilhões de novos investimentos no período, ainda existe certa atenção para o potencial de mercado a partir de 2021, dependendo do que for decidido no Projeto de Lei (PL) em debate atualmente no Congresso Nacional, além do próprio processo de revisão da Resolução Normativa 482 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), também em curso no País.
Durante evento REN 482: o que vem por aí”, organizado pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), que debateu o futuro da geração distribuída (GD) no Brasil, ocorrido no dia 6 de fevereiro, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), empresas e especialistas do segmento avaliaram que, devido esse empasse, que deve durar até o primeiro semestre deste ano, quando termina o prazo de revisão da resolução pela Aneel, o mercado solar estará um pouco mais rigoroso em relação futuros investimentos.
Um Projeto de Lei, de autoria do deputado Lafayette de Andrada (Republicanos-MG), que propõe estabelecer novas regras para consumidores da geração distribuída, está prestes a entrar em tramitação da Câmara dos Deputados. Elaborado em conjunto com o setor, o projeto também teve apoio do Presidente da República, Jair Bolsonaro, seguido pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, e deve tramitar em regime de urgência.
No projeto, está sugerido algo parecido com a alternativa 1 da proposta original da Aneel, que é bem mais branda em relação à taxação, em contraponto à alternativa 5, que foi colocada para debate pelo regulador, em outubro passado.
Segundo Harry Neto, gerente de vendas da WEG e conselheiro da ABSOLAR, o mercado tinha grandes planejamentos, inclusive a abertura de filiais em outras regiões, mas se assustou com a proposta da Aneel em 2019 e o planejamento sofreu certa instabilidade. “Outro ponto que observamos foi o aumento do interesse por baterias. Quanto mais a Aneel querer taxar o uso da rede, mais rápido é a curva de queda de preço da bateria. Isso quer dizer que se o cenário for muito extremo, quem tiver mais possibilidade vai apostar em bateria e, assim, se isolar da rede”, avaliou.
Ele acredita que a concessionária deveria ser “amiga” do consumidor, com iniciativas para mantê-lo na rede. “Se a opção for migrar para o sistema isolado, é provável que haverá um custo maior para os demais consumidores”, destacou.
Para Daniel Pansarella, gerente da Trina Solar no Brasil e membro do conselho fiscal da ABSOLAR, o setor de módulos teve um boom devido ao crescimento da GD, mas, no final do ano, foi observada uma desconfiança no País por parte dos investidores internacionais com a proposta de mudança regulatória. “A proposta da Aneel passou para os investidores insegurança jurídica. Agora, é preciso uma regulamentação sólida, justamente para não prejudicar empregos e investimentos no setor solar no País”, disse.
Segundo Camila Ramos, diretora da CELA (Clean Energy Latin America) e vice-presidente de financiamento da ABSOLAR, em 2019, a proporção de projetos financiados cresceu bastante, com mais de 60 linhas destinadas à GD. “Os bancos comerciais melhoraram significativamente as linhas de financiamento para o setor, possibilitando a alavancagem de projetos e a competitividade, devido ao menor custo da tecnologia e o aumento da eficiência”, explicou.
“Uma mudança abrupta da regulação impactaria negativamente essa economia ao consumidor de GD e levaria um tempo para bancos se adaptarem às novas regras e taxas, considerando que é preciso todo um estudo para analisar taxa de risco, gatilho, entre outros fatores, e isso inibiria o investimento”, acrescentou.
Rodrigo Marcolino, sócio da Axis Renováveis e conselheiro geral da ABSOLAR, avalia que, no campo do desenvolvedor de projetos, uma regulação instável prejudicaria muito a rentabilidade, impactando na redução de projetos.
A proposta em elaboração, avalia Marcolino, ainda não é tão positiva quanto o cenário de alternativa zero, como é hoje. “Mas lembrando que no passado teríamos a alternativa 5 (taxação de cerca de 60%), ainda sem a possibilidade de direitos adquiridos, seria mais grave. Agora, um novo marco regulatório que está sendo desenvolvido pelo setor é uma vitória. Estamos num período delicado, mas o que temos de proposta ao mercado é bastante positiva”, ressaltou. (portalsolar)

Placas solares produzem simultaneamente energia e água potável

Novo sistema utiliza placas solares para produzir energia e água potável ao mesmo tempo.
Placas solares já é uma realidade em todo o mundo para a geração de energia limpa, mas um novo sistema poderá fazer delas também uma solução para a escassez de água potável.
Criado por cientistas da Universidade de Ciência e Tecnologia Rei Abdullah, na Arábia Saudita, o sistema utiliza placas tradicionais, as mesmas encontradas em kit energia solar residencial, para purificação da água em conjunto com a geração de energia elétrica.
Para isso, a invenção utiliza a parte da energia solar que se perde na conversão elétrica de placas fotovoltaicas na forma de calor.
Apesar dos avanços da tecnologia e dos ganhos em sua eficiência elétrica, boa parte da luz que atinge um painel solar ainda é convertida em calor ao invés de energia, o qual pode prejudicar o seu desempenho.
O sistema híbrido desenvolvido pelos cientistas sauditas utiliza então esse calor para a destilação e purificação da água, seja ela do mar ou de locais contaminados, sem impactar a geração elétrica do painel.
Publicado na revista científica Nature Communications, o artigo explica o sistema como uma combinação de células solares comerciais em conjunto com um dispositivo de destilação por membrana de vários estágios, que separa as moléculas de água das impurezas.
Instalado na parte de trás da célula solar e selado por espumas de poliuretano para prevenir a perda térmica, o dispositivo utiliza o calor residual da geração elétrica para evaporação da água em cada estágio de destilação.
O artigo afirma que o dispositivo pode produzir água limpa de forma estável para atender aos padrões estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a uma taxa superior a 1,64 kg/hora por m².
Ao mesmo tempo, as células continuam a gerar eletricidade com 11% de eficiência, mesma taxa observada sem o uso do dispositivo, afirmaram os cientistas.
Em teoria, o artigo mostra que se toda a capacidade solar de 1 Terawatt (TW) prevista para ser instalada no país até 2025 fosse equipada com esse dispositivo ela poderia produzir cerca de 4 bilhões de m³ de água potável por ano.
Essa produção poderia ser ainda maior caso os sistemas utilizassem células solares especialmente projetadas, uma vez que os painéis são fabricados de forma a dispersar o calor gerado.
Embora já existam sistemas de dessalinização e purificação de água alimentados por placas solares, a invenção dos cientistas sauditas pode trazer mais sustentabilidade para esses projetos por unir esse objetivo com a geração elétrica.
“O benefício indiscutível é a cogeração altamente eficiente de água limpa e eletricidade em um único dispositivo ao mesmo tempo na mesma terra”, afirmaram os cientistas. (ecodebate)

Geração Distribuída triplicará em 2020

Geração Distribuída deve triplicar em 2020 com acréscimo de 3,4 GW de potência.
Segundo ABSOLAR, o setor pode gerar 120 mil novos empregos este ano.
A energia solar no Brasil deve apresentar um crescimento exponencial em 2020. Segundo projeções da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), somente a geração distribuída a partir da fonte corresponderá a cerca de R$ 16,4 bilhões de investimentos e um acréscimo de 3,4 gigawatts (GW) de potência este ano, um aumento de 170% frente ao total acumulado até 2019, com 2 GW. 
 Ao incluir a geração solar centralizada, o setor deve acrescentar uma potência de aproximadamente 4GW no País, gerando cerca de R$ 20 bilhões de novos investimentos no setor. Os dados foram apresentados pela entidade durante o evento “REN 482: o que vem por aí”, que discutiu o futuro da geração solar distribuída (GD) no Brasil, dia 6 de fevereiro, em São Paulo.
Segundo a ABSOLAR, o resultado do setor vai contabilizar mais de 120 mil novos empregos este ano, uma média de 332 postos de trabalho criados por dia. No caso específico da geração centralizada (composta por projetos de usinas de grande porte), o segmento adicionará 0,6 GW, gerando R$ 3,3 bilhões de novos investimentos. No total acumulado, a GC deve somar 3,1 GW de potência acumulada.
Rodrigo Sauaia, CEO da ABSOLAR, aponta, no entanto, que carro-chefe para o crescimento do setor solar nesse ano será a geração distribuída. “A perspectiva de curto prazo para o setor é animadora. Devemos aproveitar a potência gigantesca do nosso mercado neste ano”, disse.
Sauaia acrescentou ainda que a fonte será responsável pela arrecadação de mais de R$ 5 bilhões em impostos e tributos neste ano, já descontadas perdas com energia elétrica. “Somos uma alavanca de novos recursos ao poder público”, afirmou.
Até 2016, o mercado solar avançava pela geração distribuída em especial. “Apesar de ocorrerem os primeiros leilões em 2013, esses projetos só começaram a entrar em operação em 2017. Assim, de 2012 até 2016, o mercado solar fotovoltaico brasileiro avançava pela GD. Entre 2017 e 2019, começaram a entrar os grandes projetos das usinas centralizadas, que também se destacaram nos investimentos nos empregos e no crescimento do nosso setor”, explicou o CEO da ABSOLAR.
Em 2020, o mercado de energia solar deve atingir uma potência acumulada de 8,5 GW entre geração distribuída e geração centralizada, com 250 mil empregos. “Os números do nosso setor são impressionantes”. (portalsolar)