quinta-feira, 4 de junho de 2020

Não podemos perder o protagonismo dos biocombustíveis

Não podemos perder o protagonismo dos biocombustíveis, diz Adriano Pires.
Enquanto o mundo tem 14% de fontes renováveis na matriz energética, o Brasil se destaca com mais de 40%. Para atingir esta saudável liderança, o estímulo ao desenvolvimento e uso dos biocombustíveis foi e é fundamental.
Verificamos nos últimos meses, antes da crise do coronavírus, um importante crescimento da participação do etanol hidratado como combustível para os veículos do Ciclo Otto e o percentual de biodiesel na mistura com o diesel fóssil vem crescendo ano a ano, atingindo 12% em março de 2020.
A crise que estamos enfrentando tem dois fatores que devem ser entendidos e tratados de formas distintas. A pandemia da covid-19 provocou uma forte redução na demanda mundial dos combustíveis líquidos, devido ao isolamento social recomendado pela OMS, e a reação da Arábia Saudita, aumentando a sua oferta de petróleo, a ação feita pela Rússia, de não reduzir a sua produção.
Isso causou uma forte e brusca queda nos preços internacionais do petróleo bem como de seus derivados. A explicação principal seria a tentativa de inviabilizar a produção de shale nos Estados Unidos e mesmo a produção dos biocombustíveis.
Os dois fatores citados acima estão, também, provocando no Brasil uma forte queda na demanda pelos combustíveis líquidos. O consumo de etanol está caindo algo como 45% em linha do que está ocorrendo no ciclo Otto (gasolina e etanol).
“A indústria brasileira de etanol e biodiesel dificilmente irá resistir a esta crise. Portanto, são necessárias ações urgentes para que a indústria consiga passar por essa tormenta”.
Seria favorável ao setor, o aumento da alíquota da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide-Combustíveis) para a gasolina. Isso ajudaria na competitividade no presente do etanol frente a gasolina e estaríamos criando um colchão para usar quando os preços do petróleo voltassem a crescer.
Outra medida, possível, seria a criação de uma linha de financiamento do BNDES atrelada ao programa federal RenovaBio, de forma a garantir ao menos a manutenção dos investimentos em produtividade.
Também seria bem-vindo uma warrantagem da produção de abril e maio, com 6 bilhões de litros para serem vendidos em dois anos e financiamento do governo como garantia de estoque para tirar o excesso de produção do mercado.
A ausência de medidas em auxílio aos biocombustíveis pode acometer, ainda neste ano, um pedaço relevante dos mais de 1 milhão de empregos do setor no interior do Brasil. Em função do novo cenário, a meta de comercialização de 28,7 milhões de Créditos de Descarbonização (CBios) do RenovaBio em 2020, deveria ser revista.
Uma nova meta precisa ser definida antes de 27 de abril, data originalmente prevista para início da comercialização de CBios. No entanto, o novo volume precisa de aprovação do comitê do RenovaBio e no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), procedimento que pode se estender por cerca de 90 dias.
Caso essa indefinição não atrapalhe o início da comercialização, cria-se uma alternativa positiva aos usineiros. A venda de CBios pode representar certo alívio às empresas que estão com dificuldades financeiras e, os valores reduzidos podem ser atrativos às distribuidoras.
Ainda há grande incerteza sobre a evolução da pandemia de coronavírus e as restrições necessárias para conter a propagação. O que é certo é que teremos nas próximas semanas e meses uma grande volatilidade do preço do barril de petróleo.
Cortes de produção futura acontecerão, mas com a queda abruta da demanda no presente os preços continuarão baixos. Portanto, é preciso que medidas concretas sejam tomadas para que o setor de biocombustíveis se fortaleça e consiga resistir a crise.
Esta proposta, que vem sendo discutida e apoiada pelos diversos agentes que atuam na cadeia de suprimentos dos combustíveis líquidos, permite que:
- Petrobras continue com sua política de preços alinhada ao mercado internacional;
- Preserva a viabilidade do mercado de biocombustíveis;
- Favorece a criação de ambiente de negócio com atratividade para realização de investimentos, inclusive a venda de parte das refinarias da Petrobras;
Para viabilização do uso, imediato, da Cide, (sem noventena) o Congresso precisa aprovar uma PEC em regime de urgência, podendo ser avaliada a possibilidade de ajuste no PIS/Cofins até o efetivo uso da Cide. E mais adiante a troca do PIS/Cofins pela Cide.
Não podemos perder o protagonismo na transição energética mundial. O governo e o Congresso, entendendo a gravidade da situação, precisam agir com celeridade.
Adriano Pires é sócio fundador e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE); com mais de 30 anos de atuação, ele tem mestrado em planejamento energético pela UFRJ e doutorado em economia industrial pela Universidade Paris XIII. (biodieselbr)

Energia solar atinge 2,5 gigawatts na geração distribuída no Brasil

Para o diretor da ANEEL, André Pepitone, avanço da modalidade mostra que regulação foi acertada.
O fato de o Brasil ter atingido em 13/04 a marca de 2,5 gigawatts (GW) de potência instalada em sistemas de microgeração e minigeração distribuída solar fotovoltaica em residências, comércios, indústrias, produtores rurais, prédios públicos e pequenos terrenos foi vista pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) como um resultado positivo das regulações do setor.
“O avanço dos sistemas fotovoltaicos em geração distribuída, que agora já ultrapassam os 2 mil GW de potência instalada, mostra como a ANEEL acertou ao regular esse tema”, disse ao Portal Solar o diretor-geral da ANEEL, André Pepitone.
“Foram os regulamentos da ANEEL, em 2012 e 2015, que permitiram que a tecnologia se expandisse, transformando os chamados “prosumidores” numa realidade no mercado brasileiro de energia, em processo semelhante ao que já foi observado em outros países onde essa prática também se desenvolve”, completou o executivo.
No entanto, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOAR), embora tenha avançado nos últimos anos, o Brasil – detentor de um dos melhores recursos solares do planeta – continua com um mercado ainda muito pequeno, já que possui 84,4 milhões de consumidores de energia elétrica e apenas 0,3% faz uso do sol para produzir eletricidade (pouco de mais de 200 mil conexões).
Na comparação com outros países, o Brasil possui entre 10% a 20% das conexões existentes em nações como Austrália, China, EUA e Japão, que já ultrapassaram a marca de 2 milhões de sistemas solares fotovoltaicos, bem como da Alemanha, Índia, Reino Unido e outros, que já superaram a marca de 1 milhão.
“Todavia, depois que passar a questão do isolamento pelo novo coronavírus, há uma boa perspectiva de melhorar este quadro no País, dado que o Governo Federal e o Congresso Nacional sinalizaram que pretendem desenvolver a geração distribuída a partir do sol”, aponta o presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR, Ronaldo Koloszuk.
“O próximo passo agora é construir um marco legal transparente, estável, previsível e justo, que desfaça a insegurança jurídica que paira sobre o mercado e que reforce a confiança da sociedade em um futuro com mais liberdade, prosperidade e sustentabilidade para os consumidores e a população”, acrescenta o CEO da ABSOLAR, Rodrigo Sauaia. (portalsolar)

Leroy Merlin economiza R$ 285 mil no ano com projeto de energia solar

Sistema fotovoltaico foi implantado em 20 lojas da rede varejista no Brasil.
A rede francesa Leroy Merlin adotou a energia solar para reduzir os gastos na conta de luz de suas lojas, em projeto realizado pela parceria com a GreenYellow. A ideia inicial, em 2017, era abranger apenas três unidades da rede. Com os resultados positivos alcançados ao longo do tempo, o contrato foi ampliado para mais 17 lojas, localizadas em 12 estados do país, permitindo uma redução de 23% (0,5 GWh) no consumo de energia, o que representa uma economia por loja de R$ 285 mil no período de um ano.
Segundo a Leroy Merlin, a experiência da equipe técnica da GreenYellow foi fundamental para o sucesso da operação. O serviço também incluiu a remodelação da iluminação na área de vendas, a revisão do funcionamento do ar-condicionado e automação dos sistemas. A implementação do sistema levou em média 30 dias, sem interferir no dia a dia da operação das lojas.
A economia de energia é garantida durante todo o contrato pela GreenYellow, por se tratar de um Contrato de Performance Energética, assim como a dos equipamentos instalados, reduzindo assim os custos de manutenção da loja, levando-se em conta que a vida útil do sistema gira em torno de 25 anos.
Leroy Merlin economiza 23% ao ano em energia com projeto da Green Yellow.
A gerente de arquitetura da Leroy Merlin, Letícia Mansur, destaca que uma das principais vantagens dessa parceria é o fato da rede varejista não precisar injetar capital para a realização das melhorias, já que esses custos, inicialmente, ficam por conta da GreenYellow, conforme o modelo de contrato. “Assim, o dinheiro que seria utilizado para fazer as mudanças pode ser investido em outras áreas da empresa”, afirma.
Após suprir a necessidade da Leroy Merlin de reduzir o consumo de energia, outras iniciativas que faziam parte do projeto foram colocadas em prática aumentando bastante a satisfação do cliente. Uma das ações, conforme explica Pierre-Yves Mourgue, diretor-presidente da GreenYellow, foi a adequação do projeto luminotécnico ao nível médio de 700 lux e padronização das temperaturas por área de vendas, a troca do parque instalado de iluminação, que já estava no final de sua vida útil, por um novo, bem como o upgrade no sistema de monitoramento da energia e do on/off de iluminação.
“O principal desafio do projeto tem sido adequar o nível de iluminância, que normalmente é de 350 a 400 lux, para 700 lux, e, ainda assim, obter redução de consumo de energia. Com os 23% de economia anuais alcançados, termos perspectivas de ampliar o contrato para mais seis lojas em 2020”, destaca o executivo. (portalsolar)

terça-feira, 2 de junho de 2020

Os 20 maiores parques solares fotovoltaicos do mundo

China, Índia e EUA, lideram a tabela dos países que possuem os maiores parques solares do mundo!
Com os preços desta tecnologia a baixar, os países tendem a aumentar ainda mais as suas capacidades de produção de energia a partir do sol. Prevê-se que durante este ano de 2020 haja uma maior concorrência, preços mais baixos, e mais energia livre de subsídios.
A China irá ser um dos grandes responsáveis por estas mudanças no setor, devido à mudança de política anunciada em maio de 2018, que fez com que o último trimestre de 2019 tivesse uma recuperação!
É que o consumo global de energia em 2018 será abaixo das previsões. Apenas 85.2GW de novas instalações, quando a previsão era de 103,5 GW, muito abaixo dos 100GW instalados durante o ano de 2017.
Durante o ano de  2020, o objetivo passa por alcançar um recorde superior aos 120 GW de nova capacidade instalada!
20 maiores parques solares fotovoltaicos do mundo
Deixando as previsões para trás, os três mercados com mais quintas fotovoltaicas são a China, EUA e Índia. Estes 3 fornecem o total de 70% do consumo mundial de energia solar.
Uma posição consolidada no ranking dos 20 maiores parques solares fotovoltaicos do mundo! Onde encontramos vários projetos destes 3 países.
1 – Parque Solar Desert Tenger (1500 MW) – CHINA
É o maior parque solar do mundo. Construído no início de 2012, terminado em 2015, só se ligou à rede um ano depois.
Parque Solar – Desert Tenger – China
Cobre uma área de 1200km2, produz um total de 1547MW e é gerido pela National Grid Zhongwei Power Supply Co.
2 – Parque Solar Kurnool Ultra Mega (1000 MW) – ÍNDIA
Foi a 28 de abril de 2018 que o parque solar Kurnool Ultra Mega foi ligado à rede. Tem 900MW de capacidade de produção, mas quando estiver terminado terá um total de 1000MW.
Parque Solar – Kurnool Ultra Mega Solar Park – Índia
3 – Parque Solar Datong (1000 MW) – CHINA
O parque solar Datong na China foi o primeiro projeto solar a ter êxito neste país. Faz parte do programa estatal que promoveu a indústria da energia solar.
A operar desde junho de 2016, com um total de 1000MW!
Parque Solar – Datong – China
4 – Parque Solar Longyangxia Hydro (850 MW) – CHINA
É uma quinta híbrida, produzindo eletricidade a partir da água e do sol. Foi ligada à rede em setembro de 2018.
Parque Solar – Longyangxia Hydro – China
5 – Parque Solar PV Villanueva (830 MW) – MÉXICO
O maior projeto solar fotovoltaico da América Latina, localizado em Viesca, México. Tem uma capacidade total de 830MW de potência, foi concluído em março de 2018.
Parque Solar – Villanueva – México
6 – Parque Solar Rewa Ultra Mega Solar (750 MW) – ÍNDIA
Capacidade instalada de 750MW, terminado em julho de 2018. É um dos maiores parques solares na Índia e o sexto maior a nível mundial.
Parque Solar – Rewa Ultra Mega Solar – Índia
7 – Parque Solar Kamuthi (650 MW) – ÍNDIA
Parque solar Kamuthi está localizado na Índia, com capacidade de geração próxima de 650MW, foi terminado em setembro de 2018.
Mas desde junho que já estava ligado à rede com os primeiros 350MW!
Parque Solar – Kamuthi – Índia
8 – Parque Solar Bhadla (620 MW) – ÍNDIA
O parque solar Bhadla vai possuir uma capacidade de 2225 MW, mas de momento apenas tem 620 MW.
Ainda está em desenvolvimento, esperando-se que seja terminado para 2020!
Parque Solar – Bhadla – Índia
9 – Parque Solar Pavagada (600 MW) – ÍNDIA
O parque solar Pavagada tem uma capacidade de 600MW e foi conectado à rede em janeiro de 2018. Mas irá ser ampliado até possuir 2GW de capacidade.
Quando terminado, será o maior parque solar do mundo.
Parque Solar – Pavagada – Índia
10 – Parque Solar Star Solar Farm I & II (600 MW) – EUA
O parque solar Star Solar Farm I & II com capacidade de 600 MW e está localizado próximo de Rosamond na Califórnia.
Foi finalizado em junho de 2015, sendo o quarto maior parque solar em termos de capacidade instalada, com 1,7 milhões de painéis solares.
Parque Solar – Star Solar – EUA
11 – Parque Solar Copper Mountain (550 MW) – EUA
Capacidade instalada de 550 MW, que foi terminado no ano de 2017. Localizado no estado de Nevada.
Parque Solar – Copper Mountain – EUA
12 – Parque Solar Desert Sunlight (550 MW) – EUA
Localizado no deserto do Mojave, tem cerca de 8,8 milhões de painéis solares. Foi terminado em 2015, com uma capacidade de 550 MW!
Parque Solar – Desert Sunlight – EUA
13 – Parque Solar Topaz Solar Farm (550 MW) – EUA
Entrou em funcionamento em 2014, altura em que era a maior do mundo. Tem um total de 9 milhões de painéis solares, com potência de 550 MW!
Parque Solar – Topaz Solar Farm – EUA
14 – Parque Solar Huanghe Hydropower Golmund (500 MW) – CHINA
Tem capacidade de 500 MW, e começou a ser construído em 2009, tendo sido inaugurado em 2011. Ainda se espera expansão até 1000 MW!
Parque Solar – Huanghe Hydropower Golmund – China
15 – Parque Solar Mount Signal Solar (450 MW) – EUA
O parque solar fotovoltaico Mount Signal está localizado a oeste de Calexico, e será um dos maiores parques solares do mundo.
Começou a ser construído em 2012, tendo sido conectada à rede em 2014.
Espera pela próxima fase, para concluir em 2020 e ficar com um total de 1000MW!
Parque Solar – Mount Signal Solar – EUA
16 – Parque Solar NP Kunta Ultra Mega (400 MW) – ÍNDIA
Teve início em 2016, com apenas 200MW, sendo que ficou com capacidade total no início deste ano 2018.
E ainda irá ter nova fase que a levará até aos 1500MW em 2020!
Parque Solar – NP Kunta Ultra Mega – Índia
17 – Parque Solar Mesquite Solar Project (400 MW) – EUA
Projeto solar que quando terminado terá 700MW, mas ainda está longe disso. Já está em funcionamento desde 2013, e desde 2016 que está a operar na capacidade máxima.
Parque Solar – Mesquite Solar Project – EUA
18 – Parque Solar Quaid-e-Azam (400 MW) – Paquistão
Tem o nome do fundador do Paquistão, e é uma realidade com mais de 400MW de potência.
O interessante neste projeto, é que esta região é banhada pela luz solar durante 13 horas ininterruptas. O que é excelente para a produção de energia fotovoltaica!
Parque Solar – Quaid-e-Azam – Paquistão
19 – Parque Solar Nigxia Yanchi Fase I (380 MW) – CHINA
O parque Solar Nigxia Yanchi Fase I foi inaugurado em junho de 2018 pelo maior grupo de investidores chineses.
A primeira fase está assim concluída, mas irá ser dado inicio à próxima fase com o objetivo de produzir mais de 2000 MW!
Parque Solar – Nigxia Yanchi Fase I – China
20 – Parque Solar Charanka (345 MW) – ÍNDIA
Charanka é o segundo maior parque solar fotovoltaico na Índia! Construção iniciada em 2010, e terminada em 2012. Na altura era a quinta solar mais importante do mundo.
Parque Solar – Charanka – Índia (portal-energia)

Energia solar e eólica podem se complementar

Como a energia solar fotovoltaica e eólica podem se complementar.
Energia fotovoltaica e eólica se complementa para atender a variação diária na carga do Sistema Interligado Nacional.
A maioria das fontes de geração de energia elétrica do país não apresenta variação substancial na potência ao longo do dia, exceto as gerações fotovoltaica e eólica. Nestas duas há diferença substancial entre o máximo e mínimo de geração durante o dia e entre os dias, em função da energia disponível pelo sol e vento, respectivamente.
Para a energia solar fotovoltaica essa variação é óbvia, pois há incidência de radiação solar apenas durante o fotoperíodo, aumentando entre o nascer do sol e o meio dia astronômico do local onde está instalado o equipamento, e redução até o pôr do sol.
Essa curva de geração pode sofrer alterações em função da latitude, do uso ou não de seguidor solar e da inclinação e alinhamento do telhado em relação à linha leste-oeste. Considerando-se os dados médios do mês de janeiro de 2020 (Figura 1), a geração fotovoltaica no Brasil inicia ao redor da 5h no horário de Brasília, atinge seu pico às 12h e se encerra às 18h, formando uma curva assintótica.
A geração de energia eólica, por sua vez, depende da velocidade do vento, uma vez que os equipamentos dispõem de dispositivos para se posicionar perpendicularmente à direção deste, visando o melhor aproveitamento de sua energia. Conforme dados médios do mês de janeiro de 2020 (Figura 1), a menor geração eólica no Brasil ocorre ao redor das 10h da manhã, aumentando até ao redor das 21h e reduzindo novamente até as 10h do dia subsequente.
Figura 1. Produção média horária de energia fotovoltaica e eólica no mês de janeiro de 2020 (Fonte: Organização Nacional do Sistema, ONS).
Assim, se considerarmos cada fonte individualmente, a variação no potencial de geração ao longo do dia não atende à variação de demanda de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN). Contudo, se considerarmos a soma da energia gerada por essas duas fontes, na proporção da geração no mês de janeiro de 2020, há uma similaridade muito grande entre a variação na geração e na carga do SIN nos dias úteis desse mesmo mês (Figura 2), quando a demanda é maior.
Observam-se apenas pequenos desvios em relação à curva de carga, com maior produção do que a demanda no início da manhã e menor do que a demanda no final da tarde. O déficit no final da tarde poderia ser atendido com a instalação de fazendas fotovoltaicas mais a Oeste do território nacional ou utilizando-se os telhados voltados para essa direção nas instalações residenciais, o que resultaria em atraso da curva de geração em relação à atual.
Isso pode ser exemplificado numa unidade de geração distribuída localizada em Florianópolis/SC com telhado voltado para Oeste, onde o pico de produção ocorre ao redor das 14h (Figura 3), apontando para um atraso de 2h em relação ao meio-dia local. Adicionalmente, nesse local e exposição solar o período de maior geração ocorre entre 13 e 15h, coincidindo com o período de maior demanda no SIN.
Figura 2. Soma da produção média horária de energia fotovoltaica e eólica no mês de janeiro de 2020 e carga média e máxima horária do Sistema Interligado Nacional nos dias úteis do mesmo mês (Fonte: Organização Nacional do Sistema, ONS).
Figura 3. Curva de geração de energia fotovoltaica em um dia de insolação plena (09/03/2020) em uma unidade de geração distribuída com exposição oeste, situada em Florianópolis/SC, nas coordenadas geográficas 27º35’51”S e 48º30’43”O (Fonte: o autor).
Os resultados apresentados demonstram que, somadas, as gerações fotovoltaica e eólica atendem à variação na demanda de energia no Sistema Interligado Nacional ao longo do dia.
Assim, desde que ajustada a proporção de geração por cada uma delas, estas fontes complementariam com segurança a geração pelas fontes que não apresentam variação significativa ao longo do dia, em função de sua ampla distribuição no território nacional, contemplando as variações locais e regionais de disponibilidade de radiação solar e de vento, que são as fontes de energia para esses sistemas. (portal-energia)