domingo, 4 de novembro de 2012

“Lixo não existe”

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) vai transformar a maneira como a sociedade brasileira se relaciona com seus resíduos. Até 2020 o Brasil deverá ter toda a estrutura necessária para dar uma destinação adequada a qualquer resíduo sólido e até 2014 todos os municípios deverão eliminar completamente seus lixões e implantar aterros sanitários.
Neste contexto, as oportunidades vão desde a produção de adubo e energia até a reciclagem e capacitação técnica; é o que aponta o levantamento “Gestão de Resíduos Sólidos: uma oportunidade para o desenvolvimento municipal para a as micro e pequenas empresas”. Desenvolvido pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Mato Grosso do Sul (SEBRAE-MS) com o apoio do Fundo Multilateral de Investimentos (FUMIN), integrante do Grupo BID, o estudo alerta que o primeiro passo para que este mercado cresça é fazer com que exista consciência ambiental.
Campanhas, seminários, ações nos ambientes escolar e empresarial são fundamentais para inserir o tema no cotidiano da comunidade e constituem também oportunidades de consultoria para a criação e apresentação de treinamentos sobre resíduos sólidos com materiais didáticos para escolas, empresas, comunidades, órgãos públicos, entre outras.
O Brasil gera diariamente 183 mil toneladas de resíduos, mas apenas 405 municípios possuem estrutura para a coleta seletiva. Para reverter esta situação, a PNRS estabelece a responsabilidade compartilhada entre poder público, empresas e consumidores, o que segundo o Especialista do FUMIN Ismael Gílio, apresenta extraordinário potencial para as Alianças Público-Privadas. “Diferentemente de outras políticas públicas, a sustentabilidade envolve todo o ciclo produtivo, passando pela produção, comercialização, consumo e os resíduos, e, portanto, requer ativa participação entres os três setores: o público, o privado e o terceiro setor, sobretudo no nível municipal.”
Oportunidades identificadas
O estudo aponta grande espaço para aproveitamento do gás metano gerado em aterros sanitários, que pode ser convertido em eletricidade como forma de incrementar a eficiência energética local. A própria estruturação das instalações pode ser um bom negócio, considerando que 50% dos 5.564 municípios brasileiros ainda possuem lixões para a destinação dos resíduos sólidos.
Outro espaço para investimentos está no método da logística reversa, destinado a coletar e devolver resíduos específicos (aparelhos eletroeletrônicos, pilhas, baterias, pneus, lâmpadas fluorescentes, óleos lubrificantes, agrotóxicos) ao setor empresarial, e que é de responsabilidade dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes. O setor de agrotóxicos, por exemplo, já possui mais de 400 pontos de recebimento de embalagens nos 27 estados.
Para atender à logística reversa são necessários serviços de coleta, transporte, separação de materiais, armazenamento e retorno à cadeia produtiva. A instalação e administração de Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) ou Ecopontos deve estar prevista nos planos municipais e precisa de investimentos.
É neste contexto que emerge o papel da coleta seletiva, dos catadores e, e da reciclagem, um dos principais instrumentos da PNRS e uma das áreas com maior potencial de inclusão social e geração de renda, sobretudo com a formalização do trabalho dos catadores. Sem a reciclagem, a economia brasileira perde R$ 8 bilhões por ano.
Além dos PEVs e Ecopontos estão previstos na legislação e carecem de investimentos para suas construções e operação: Locais de Entrega Voluntária de Resíduos Recicláveis (LEVs); galpões de triagem de recicláveis secos; unidades de compostagem; áreas de triagem, transbordo e reciclagem de resíduos da construção e aterros sanitários de pequeno porte – todos, ambientes indispensáveis para a realização da coleta seletiva e trabalho dos catadores.
A aplicação de tecnologias para gerar energia a partir de dejetos de animais deve estar contemplada nos Planos Estaduais de Gestão de Resíduos Sólidos e demonstram grande potencial. Anualmente é gerado quase dois bilhões de metros cúbicos de material orgânico bovino, suíno e de aves, que pode ser transformado em biogás, vapor, combustível veicular, para caldeiras ou fogões, ou para abastecimento de gasodutos. Projetos em pequena e média escala estão gerando bons resultados na região sul.
As oportunidades de consultoria também são amplas, seja para os poderes públicos e setor privado para desenvolver estudos de viabilidade de implantação e execução de sistemas de logística reversa e coleta seletiva; seja para o planejamento, licenciamento e instalação de sistemas de aproveitamento dos gases gerados na disposição final dos resíduos sólidos.
Na indústria e comércio, a produção e comercialização de recipientes para separação dos resíduos sólidos nas residências e empresas, ferramentas e acessórios para compostagem, e outros equipamentos destinados ao aproveitamento energético de gases podem movimentar um mercado com potencial nacional e internacional. (ambienteenergia)

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Economizar energia com o Horário de Verão

Como economizar mais energia com o Horário de Verão
O Horário de Verão, que entrou em vigor em 21/10/12 nas regiões Sul, Sudeste e do Centro-Oeste, pode ser um bom aliado para a economia de energia elétrica. Além de contar com dias mais longos e a consequente redução no consumo e nos gastos mensais, condomínios, edifícios residenciais e comerciais podem reduzir o consumo em pelo menos 30% a partir do uso adequado do sistema de iluminação em áreas comuns, como escadas, corredores, garagem e hall de entrada.
“Quando se fala em uso racional da energia, o principal item a ser considerado é a iluminação. Medidas simples como a troca de luminárias e centrífugas de ar-condicionado proporcionam um resultado significativo. Quanto mais antigas e obsoletas forem as instalações do edifício, maior será a economia.”, explica Alexandre Reis, engenheiro eletricista da Divisão de Estudos de Inventário e de Viabilidade e Eficiência Energética de Furnas.
Exemplo bem sucedido do uso racional da energia, o edifício-sede de Furnas, empresa geradora e transmissora de energia, implantou recentemente um protótipo de iluminação eficiente, pioneiro no Brasil, nas suas instalações em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro. Medições realizadas após a implantação dessa tecnologia em ambientes do escritório central mostraram a redução de, aproximadamente, 50% no consumo de energia, que pode chegar a uma economia de 40 MWh/ano. As ações que vêm sendo implantadas na empresa desde 1999 já reduziram o custo de eletricidade em R$ 925 mil por ano, o equivalente a 38,6% do gasto total.
A experiência na sede de Furnas virou referência e, em maio de 2012, a companhia assinou um acordo de cooperação técnica com o Ministério de Minas e Energia (MME) para criar um projeto de eficiência do sistema de iluminação do edifício onde funcionam o MME e o Ministério de Turismo, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.
Algumas dicas de economia para aplicação em condomínios: Lâmpadas: As lâmpadas fluorescentes consomem bem menos energia do que as incandescentes. Um exemplo é a lâmpada fluorescente de 40 Watts, que ilumina mais do que uma incandescente de 100 Watts, com consumo inferior, e ainda possui vida útil dez vezes maior. Quando o ambiente não permitir a instalação das fluorescentes comuns, é aconselhável a troca das lâmpadas incandescentes por “fluorescentes compactas”, que são projetadas para utilização no próprio soquete comum, sem a necessidade de modificar a luminária.
Minuterias e sensores de presença: Existem dois tipos básicos de minuterias: as coletivas (para vários andares) e as individuais (para cada andar). Para maior economia, o ideal é substituir o sistema coletivo pelo individual, instalando sensores de presença. Os sensores de presença proporcionam o acendimento automático das luzes quando ocorrer movimento no ambiente, desligando-se automaticamente quando o local for desocupado. Em geral, podem ser usados em corredores, escadarias e áreas comuns do edifício.
Por já se tratar de sistemas bastante econômicos, não é recomendável o uso de minuterias e sensores de presença com lâmpadas fluorescentes. O constante “acende e apaga” reduz muito a vida útil desse tipo de lâmpada.
Garagem e hall de entrada - Em alguns casos, a garagem concentra o maior gasto de energia elétrica do condomínio. Recomenda-se o uso de lâmpadas fluorescentes neste local, desligando-se parte da iluminação durante o período de menor uso e, se possível, aproveitando a iluminação natural. Se o disjuntor da garagem for único, deve-se efetuar uma redistribuição desta ligação, adaptando-se vários disjuntores para acendimento parcial das luminárias. No hall de entrada, onde as luzes ficam acesas durante toda a noite, basta desenroscar ligeiramente as lâmpadas, para se conseguir a redução da iluminação, sem prejudicar a estética do ambiente. Pintar as paredes com cores claras também reduz a necessidade de muitas lâmpadas acesas.
Fuga de energia: É um fenômeno causado por emendas na fiação, fios desencapados e aparelhos defeituosos, que pode causar desperdício de energia elétrica. É recomendável a procura de um eletricista de confiança para a verificação da existência do problema no condomínio. Elevadores: Em edifícios de até 30 apartamentos, deve-se deixar um dos elevadores desligado permanentemente. Isto proporciona uma economia de 50% da energia consumida na oferta deste serviço.
Nos prédios com mais de 30 unidades, a recomendação é o desligamento de um dos elevadores nos seguintes horários: das 10 às 18 horas e das 22 às 6 horas. Nesse caso, a economia cai para aproximadamente 25%. Existem sistemas do tipo “agrupado”, possuindo apenas uma botoeira de chamada para dois elevadores. Nesse caso, o sistema já é econômico, não sendo aconselhável o desligamento do elevador.
Outra boa opção é o “sinalizador de elevador preso”, que aciona um sinal sonoro se alguém estiver retendo o elevador com a porta aberta. Deve-se estimular também a maior utilização das escadarias, para subir ou descer poucos andares. Esta prática, além de economizar energia, faz bem à saúde.
Dicas de economia doméstica - Os condicionadores de ar são os campeões de consumo de energia, gastando em média 240 kWh por mês se permanecer ligado oito horas por dia. Enquanto o ar condicionado consome 240 kWh, um circulador de ar gasta em média gasta 24 kWh, ou seja, dez vezes menos. “É importante regular adequadamente o termostato, mantendo a temperatura desejada constante”, recomenda Reis.
Alguns eletrodomésticos, como geladeiras, freezers, aparelhos de ar-condicionado, motores, coletores solares e lâmpadas têm consumo medido por centros de pesquisas do Governo Federal. Os mais eficientes ganham o Selo Procel. Na hora da compra, o consumidor deve priorizar esses modelos.
Confira as dicas de economia doméstica: Roupas e tênis não devem ser colocados atrás da geladeira, pois isso aumenta o consumo de energia;
· Se você desligar o chuveiro enquanto ensaboa o corpo e o cabelo, isso reduzirá o consumo de energia (no caso de chuveiro elétrico) ou de gás (quando o sistema for a gás) e também de água;
· Ao utilizar o ferro, passe de uma só vez o maior número de peças possível e deixe o aparelho na temperatura indicada pelo fabricante para cada tipo de tecido;
· Quando for jantar ou fazer um lanche, retire todos os ingredientes de uma única vez da geladeira. O abre-e-fecha faz com que o aparelho trabalhe mais para manter a temperatura e aumente o consumo de energia;
· Troque as lâmpadas incandescentes pelas fluorescentes, as quais gastam 60% menos energia;
· Utilizar monitor e TV do tipo LCD também ajuda bastante na economia;
· O standby também é um vilão da conta de luz, pois ele utiliza entre 15% a 40% de energia. Por isso, a dica é desligar diretamente nos aparelhos ou na tomada quando não estiverem em uso;
· Uma boa opção na hora de estudar é o uso da iluminação dirigida (spots), que torna o ambiente mais agradável e consome menos do que a tradicional luz central;
· Por fim, antes de comprar um equipamento, escolha eletrodomésticos de baixo consumo energético, que possuam preferencialmente o Selo Procel de Economia de Energia. (ambienteenergia)

Economia de energia

O horário de verão, que começou em 21/10/12 nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e mais o estado da Bahia, trará uma diminuição da demanda de energia nos horários de pico entre 5% e 5,5%, dando maior estabilidade ao sistema elétrico, mas não representará redução da conta de luz para o consumidor.
A avaliação é do professor Reinaldo Castro Souza, do Departamento de Engenharia Elétrica do Centro Técnico Científico da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (CTC-PUC-Rio).
O professor explicou, em entrevista à Agência Brasil, que a ideia do horário de verão é aproveitar a iluminação solar e diminuir o uso da iluminação artificial. Quanto mais próxima a pessoa está do Hemisfério Sul, mais luz solar tem. O contrário ocorre para quem se encontra próximo ao Equador.
No verão, a ponta do sistema elétrico tende a ficar muito carregada no horário que se estende das 18 horas às 21 horas, principalmente no horário de pico, quando a iluminação pública é ativada e as pessoas vão para suas casas, ligam a televisão e aparelhos de ar condicionado. “A demanda de energia é muito alta nesse período”. Com o horário de verão, não há a coincidência de uso de energia, principalmente de iluminação pública, destacou Reinaldo Castro Souza.
Para os consumidores residenciais, considerados de baixa tensão, o professor explicou que nenhuma melhora na conta, em termos financeiros, é percebida durante o horário de verão. Os consumidores continuam usando energia, mas apenas deslocam esse uso. “Você apenas está ajudando o sistema elétrico brasileiro e o Operador Nacional do Sistema (ONS) a não ter que ligar termelétricas e fazer altas manobras para gerar mais energia”.
Para o sistema, segundo Souza, verifica-se uma redução da demanda. “Há uma queda, nesse período mais crítico, em torno de 5% da demanda. A potência demandada pelos consumidores vai ser menor nesse horário de ponta. As estimativas ao longo dos anos são em torno de 5% a 5,5% de redução de demanda. Mas o consumo praticamente fica o mesmo, principalmente para os consumidores de baixa tensão”. Ressaltou, porém, que a diminuição da demanda é registrada somente nos dias quentes, quando a luminosidade natural é forte. Nos dias nublados e com chuva, a diminuição é zero.
O professor da PUC-Rio disse que para a indústria e o comércio, dependendo da tarifa que têm contratada com a distribuidora, pode haver algum ganho porque vão estar economizando nesse horário de ponta.
Souza insistiu que para a massa de consumidores de baixa tensão essa economia inexiste. O benefício para o consumidor consiste em ter um sistema com menor risco de desabastecimento. “Você passa a ter uma confiabilidade melhor. Ou seja, há mais chances de o seu fornecimento não ter interrupções. A qualidade da energia melhora”, disse. (ambienteenergia)

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Novo material transforma calor em eletricidade

Termoeletricidade: Novo material transforma calor em eletricidade
Uma equipe de cientistas desenvolveu um material termoelétrico apresentado como o mais eficiente do mundo para transformar calor desperdiçado em eletricidade, uma inovação que abre novas perspectivas para as energias renováveis.
O princípio da termoeletricidade consiste em reciclar o calor perdido, por exemplo no cano de escapamento dos carros, em eletricidade.
Mas o procedimento até agora tropeçava na ineficácia dos materiais termoelétricos.
O novo material desenvolvido pelos pesquisadores da Universidade de Northwestern (Evanston, Estados Unidos) e apresentado em 19/09/12 em artigo [High-performance bulk thermoelectrics with all-scale hierarchical architectures] na revista britânica Nature permitirá transformar entre 15% e 20% do calor residual em eletricidade útil.
Os campos de aplicação são variados e incluem a indústria pesada (refinarias, usinas de carvão ou de gás) ou automotiva.
Químicos, físicos, engenheiros mecânicos e outros especialistas colaboraram para a fabricação deste novo material, que faz uso de nanoestruturas, e tem como base o telúrio de chumbo (PbTe), um semicondutor utilizado pela primeira vez para fornecer energia renovável, termoelétrica, para as missões lunares Apolo. (EcoDebate)

Aerogerador brasileiro

Um aerogerador totalmente fabricado no Brasil está prestes a ter suas primeiras máquinas montadas, em Suape (PE). Trata-se de um projeto da Impsa Wind (multinacional argentina da área de produção de energia renovável), com financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) no total de R$ 100 milhões.
O aerogerador (gerador integrado ao eixo de um cata-vento, que converte energia eólica em energia elétrica) IWP-100 é único do gênero feito no País. O projeto começou em 2009 e foi totalmente desenvolvido no Brasil, incluindo o desenvolvimento da tecnologia básica e da estrutura tecnológica. O aerogerador tem capacidade de 2 MW, com rotor de 100 metros de diâmetro e pode operar com velocidades de ventos que variam de 4 até 22 metros por segundo. (ambienteenergia)