segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

O que esperar de 2013?

O ano de 2012 pode até não ter realizado, em sua plenitude, todas as políticas relacionadas ao desenvolvimento sustentável. Mas também é verdade que encaminhou e desenvolveu um pouco mais de cada uma dessas demandas (ou ao menos a maioria delas). Faltam poucas horas para o início de 2013, que marca o começo de um novo ciclo. O que podemos esperar?
2013 nasce sob a esperança de que os encaminhamentos feitos em 2012 venham a se tornar resultados concretos
O ano de 2012 pode até não ter realizado, em sua plenitude, todos os acordos e políticas relacionados ao desenvolvimento sustentável mundial. Contudo, também é verdade que encaminhou e desenvolveu um pouco mais cada uma dessas demandas (ou ao menos a maioria delas).
Faltam poucas horas para o início de 2013, que também pode marcar o começo de um novo ciclo. O que podemos esperar? O EcoD listou algumas das principais projeções na tentativa de projetar o que está por vir.
Fortalecimento do Pnuma
Considerado o maior evento da história sobre sustentabilidade, a Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável), realizada em junho de 2012, no Rio de Janeiro, conseguiu avanços importantes, a exemplo do engajamento da sociedade civil organizada com a causa e outros acordos. Um deles foi o fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que terá seu papel reforçado e ampliado.
A intenção é que a instituição consiga mais verba do organismo internacional, além de solicitar outros doadores para contribuições voluntárias.
A decisão também permite, a partir de 2013, a participação de todos os 193 países membros da ONU no Conselho do Pnuma, que atualmente é representado por 58 nações.
Desenvolvimento das energias renováveis deverá ser definido como uma das metas do desenvolvimento sustentável
Objetivos do desenvolvimnto sustentável
As metas a serem perseguidas pelos países para avançar nas áreas ambiental, política e social eram uma das grandes cartadas para a Rio+20. Os objetivos não foram definidos, mas ao menos o processo de elaboração foi anunciado. As metas deverão estar prontas até 2013, no intuito de entrarem em vigor em 2015, quando termina o prazo dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Dessa forma, os governos teriam até 2018 para cumprirem os ODS.
Cumprimentos dos acordos da Rio+20
Durante a Rio+20, em junho, empresas, instituições financeiras, universidades e governos locais firmaram 692 acordos, que deverão mobilizar, segundo a ONU, US$ 513 bilhões de dólares para as causas do desenvolvimento sustentável. Portanto, nada mais natural que esses compromissos comecem a ser honrados a partir de 2013.
Entre eles estão políticas que desenvolvam o empoderamento da mulher e a inclusão do tema sustentabilidade nos currículos de todas as instituições de nível superior do Brasil.
COP-18, em Doha, definiu a prorrogação do Protocolo de Kyoto, mas um novo acordo deverá ser elaborado
Reuniões para definir novo acordo climático
Em 2020, quando o Protocolo de Kyoto perder sua validade, os países pretendem pôr em ação um novo acordo, que estabeleça metas para todas as nações. Essa será a pauta da próxima grande reunião, que será em 2015, em Paris (França).
Antes disso, reuniões preliminares serão realizadas em 2013 e 2014 - a primeira delas está marcada para abril de 2013, em Bonn (Alemanha). O maior desafio dos negociadores será incluir os dois maiores poluidores do planeta: a China e os Estados Unidos.
Lembrança importante: a 19ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-19) será realizada em Varsóvia, na Polônia, em novembro. O país-sede europeu, extremamente dependente do carvão, dificultou as negociações em Doha (COP-18) e conta com a desconfiança da comunidade internacional quanto a capacidade de liderar o evento.
Código Florestal: votação dos vetos
O Congresso aprovou a medida provisória do Código Florestal Brasileiro em setembro de 2012. Porém, a presidente Dilma Rousseff anunciou nove vetos ao texto no dia 18 de outubro.
As alterações presidenciais resgatam o teor do governo para o texto, pois suspende trechos que beneficiavam os grandes produtores rurais e cria regras diferentes de recomposição nas margens de rios.
Segundo a lei, tais vetos deveriam ser votados pelo Congresso Nacional em um prazo de 30 dias, o que deixou de acontecer, porque a Casa tinha mais de 2.000 vetos para apreciar na fila. A celeuma, portanto, fica para 2013, ainda sem data definida.
Nova lei estabelece o fim dos lixões até 2014, mas municípios podem ter o prazo prorrogado
Política Nacional dos Resíduos Sólidos
Sancionada em 2010 e cujas principais metas começam a valer a partir de 2014, a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS) registrou avanços e fracassos em 2012.
O lado ruim é que apenas 10% dos municípios brasileiros entregaram, em tempo hábil, o Plano Nacional dos Resíduos Sólidos, uma exigência do governo federal para fazer os repasses de verba. Os prefeitos em falta alegaram falta de recursos e prazo curto para acabar com os lixões e implantar a coleta seletiva.
A tendência é de que o governo federal prorrogue as ações desses planos em 2013, a fim de oferecer mais tempo para os municípios de adequarem.
O lado positivo a se esperar, em relação a PNRS, é relacionado a logística reversa. A exemplo do que fez o setor de óleos lubrificantes em dezembro de 2012, os segmentos de embalagens (de forma geral), de lâmpadas, de medicamentos, de vidros e de resíduos eletroeletrônicos devem assinar acordo setorial com o governo federal e entidades representativas, a fim de os empresários se responsabilizem pela reciclagem.
Maracanã, que será inaugurado em 2013, terá usina de energia solar
Copa das confederações
Em junho de 2013 o Brasil sediará a Copa das Confederações, uma prévia da Copa do Mundo de 2014, que também será realizada aqui no país. Podemos esperar que o evento apresente uma série de iniciativas sustentáveis, como o "Passaporte Verde" para turistas que venham assistir aos jogos, desenvolvimento da mobilidade urbana nas cidades-sede, arenas que utilizarão energia solar (Mineirão, Maracanã, Mané Garrincha e Arena Pernambuco), entre outros fatores.
Mas, fica a dica: muito além de esperar é cada um de nós fazer a nossa própria parte por um mundo mais sustentável!
EcoDesenvolvimento.org - Tudo Sobre Sustentabilidade em um só Lugar. (ibahia)


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Feliz Natal

Feliz Natal a todos
Saber não é tudo, mas, temos que procurar a sabedoria em tudo.
É necessário fazer, porém, com calma, tranquilidade e serenidade para sempre agregar novos valores aos conhecimentos.
E para bem fazer, homem algum dispensará a calma e a serenidade, imprescindíveis ao êxito, nem desdenhará a cooperação, que é a companheira dileta do amor.
Vamos juntos transformar esse NATAL em REFLEXÂO, AMOR e PAZ na alma.
Nunca me esqueço de vocês, esteja eu onde estiver.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Em 10 anos carvão superará petróleo

Em 10 anos carvão, grande gerador de gases de efeito estufa, superará petróleo e será primeira fonte de energia
O carvão, grande gerador de gases de efeito estufa, se aproximará em cinco anos do petróleo como primeira fonte de energia mundial e pode superá-lo em dez anos, devido ao desenvolvimento acelerado dos países emergentes, considera a Agência Internacional de Energia (AIE) em um relatório publicado em 18/12/12.
“Graças a sua abundância e a uma insaciável demanda de eletricidade nos mercados emergentes, o carvão já representou cerca da metade do aumento da demanda mundial de energia na primeira década do século XXI”, ressalta a Agência Internacional de Energia (AIE), com sede em Paris.
O consumo de carvão em 2017 será de 4,32 bilhões de toneladas equivalentes ao petróleo, contra 4,4 bilhões de toneladas de petróleo. E em 10 anos superará o petróleo devido ao crescimento de mercados emergentes gigantescos, como China e Índia, segundo a AIE.
“A cota de carvão nas fontes de energia mundial segue progredindo a cada ano”, afirma a diretora da organização, Maria van der Hoeven.
Como resume a AIE, “o carvão é a China” e “a China é o carvão”. A China, que não para de inaugurar centrais elétricas de carvão, representou no ano passado 46,2% do consumo mundial deste combustível. A barreira dos 50% será alcançada a partir de 2014, o que significa que a China consumirá a partir deste ano mais carvão que todos os demais países do mundo juntos.
A importação de carvão crescerá de forma importante na América Latina, em particular no Brasil, onde as compras de carvão de coque aumentarão 45%, chegando a 20 Mtce (toneladas métricas equivalentes de carvão) em 2017, indica o relatório.
Além dos Estados Unidos, as importações do Brasil provêm de Moçambique e Colômbia, onde várias empresas brasileiras – Vale, entre elas – desenvolvem importantes projetos mineradores.
A AIE, uma organização vinculada à OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), “espera que a demanda de carvão aumente em todas as regiões do mundo”, com a exceção notável dos Estados Unidos, onde o desenvolvimento do gás de xisto provocou uma forte queda do preço do gás, que torna o carvão muito menos competitivo.
Mas o carvão é uma energia muito poluente. “Apenas uma concorrência feroz de um gás a baixo preço permite reduzir a demanda de carvão”, adverte a AIE. “Europa, China e outros países devem tomar nota disso”, acrescenta.
No entanto, o declive do carvão nos Estados Unidos gerou um “boom” das exportações americanas, especialmente em direção à Europa. Consequência: a tonelada de carvão na Europa passou de 130 dólares a tonelada em março de 2011 a 85 dólares em maio de 2012.
Por isso, embora o velho continente permaneça com objetivos ambientais ambiciosos, muitos países estão retomando o carvão como fonte de energia. No primeiro semestre de 2011, Espanha, Alemanha e Reino Unido produziram menos eletricidade a partir do gás – energia mais limpa – e mais a partir do carvão, destaca a AIE.
Hoje, o carvão já representa cerca de 28% de toda a energia consumida no mundo e é a primeira fonte de eletricidade, segundo a AIE.
A emergência desta energia também ocorre num momento em que os objetivos contra o aquecimento climático parecem ter passado para um segundo plano. “O resultado é que, sem restrição no consumo de carvão mediante políticas climáticas, a demanda e o CO2 seguirão aumentando”, adverte a organização. (EcoDebate)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Produção de Etanol: primeira ou segunda geração?

O etanol tem sido considerado uma alternativa para diminuir problemas ambientais e energéticos no mundo em razão da escassez e alta dos preços dos combustíveis fósseis e da poluição por eles causada. O Brasil encontra-se em uma posição privilegiada no que se refere à produção de etanol, por apresentar vantagens na tecnologia de produção, possibilidade de liderança na agricultura de energia e mercado de biocombustíveis sem ampliar a área desmatada ou reduzir a área destinada à produção de alimentos. Além disso, a matriz energética brasileira já é um exemplo de sustentabilidade, pois enquanto a média mundial é o uso de apenas 14% de fontes renováveis, o Brasil utiliza 46,8% dessas fontes.
Nesse cenário, tecnologias capazes de melhorar o desempenho da produção no setor agroenergético ganham importância fundamental no país. Esse aumento de produção, do ponto de vista de processamento industrial, pode se dar de duas formas: por aperfeiçoamentos das tecnologias para produção de etanol de primeira geração, a partir da sacarose da cana; ou pelo desenvolvimento científico e tecnológico de produção do, etanol lignocelulósico (chamado de segunda geração), produzido a partir da celulose e hemicelulose.
Apesar de a produção de etanol a partir da sacarose ser um processo bem estabelecido no Brasil, com os menores custos, a maior produtividade e o melhor balanço energético do mundo, ainda há espaço para crescimento e redução de custos. Existem ainda diversas possibilidades de investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação para o aperfeiçoamento da produção de etanol a partir do caldo da cana, elevando-se os rendimentos de conversão e a produtividade global do processo.
Entretanto, para evitar que se atinja o limite da oferta ou venha a ocorrer a competição pelo uso da terra para a produção de biocombustíveis e de alimentos, é necessário investir no desenvolvimento de tecnologias de segunda geração para produção de etanol. A estimativa é de que o aproveitamento do bagaço e parte das palhas e pontas da cana-de-açúcar eleve a produção de álcool em 30 a 40%, para uma mesma área plantada. As demais matérias-primas para as quais se buscam tecnologias de processamento, tais como capim-elefante, braquiárias, panicuns e árvores de crescimento rápido podem representar alternativas competitivas e eficientes para locais onde não se cultiva ou cultivará cana-de-açúcar.
A combinação das rotas de primeira e segunda gerações na produção de etanol de cana-de-açúcar permitirá obter maior quantidade de combustível sem aumentar o volume de matéria-prima cultivada nem a área plantada, mas, em consequência, ter-se-á menor disponibilidade de bagaço para geração de energia elétrica. No momento em que a tecnologia de segunda geração estiver em escala comercial, as usinas seguirão a lógica do mercado, voltando sua produção para eletricidade ou etanol, de modo semelhante ao que ocorre com a destinação do caldo, que a depender das condições produz mais etanol ou mais açúcar.
Vários especialistas defendem a ideia de que, no momento, o Brasil precisa mais de energia elétrica do que de combustíveis líquidos, e que a utilização de bagaço para produção de etanol não seria benéfica, visto que o país sofreu, há pouco tempo, uma restrição no desenvolvimento econômico e social devido ao racionamento de energia elétrica. Entretanto, é imprescindível que o país mantenha sua liderança mundial no campo dos biocombustíveis e garanta produção suficiente para atendimento da demanda nacional e parte de demanda externa. Para isto, é necessário que se somem esforços de melhoria do processo atual e que se estabeleça e implante a produção de etanol lignocelulósico.
Se o objetivo for elevar os índices de produção de etanol, o país obteria mais benefícios, a curto prazo, investindo no melhoramento do processo de produção a partir do caldo da cana. Entretanto, para que o país continue a ter vanguarda nesta área, tanto em produção como disponibilização de tecnologias, é necessário que possa dominar também o conhecimento de novas rotas de produção e o emprego de novas matérias-primas. (embrapa)

Do bagaço ao posto

No Brasil, Petrobrás, Raízen e GraalBio lideram a disputa pelo etanol de segunda geração, feito de resíduos da cana. A produção comercial do biocombustível no País deve começar no fim de 2013
É possível que neste momento esteja a caminho da Europa ou dos Estados Unidos um contêiner abarrotado de bagaço ou de palha de cana-de-açúcar. O envio desse tipo de material para o exterior se intensificou nos últimos meses num claro sinal de que a indústria do etanol está prestes a passar por uma revolução. Pelo menos 700 toneladas de bagaço e de palha deixaram o País no último ano para ser alvo de pesquisa e testes em laboratórios estrangeiros.
É a reta final de uma corrida tecnológica para tirar do papel a produção industrial do etanol celulósico, feito não com a parte comestível da cana-de-açúcar, mas com os resíduos dela. Esse combustível, chamado de segunda geração, pode ser produzido também com restos de madeira, sabugo de milho ou palha de trigo - e qualquer outra matéria-prima que tenha celulose na sua composição. Além de ser um combustível menos poluente, ele não compete com os alimentos - daí vem grande parte de seu prestígio.
Por mais de quatro décadas, cientistas do mundo inteiro se desdobraram para desenvolver em laboratório uma tecnologia que convertesse a celulose presente na fibra das plantas em açúcar que, por sua vez, pudesse ser fermentado e transformado em etanol. Já na década de 70, quando o governo federal criou o Programa Nacional do Álcool (Proálcool), falava-se na possibilidade de produzir o combustível com restos de madeira, o que já era estudado em países como a Austrália.
Em tubos de ensaio, esse processo já funciona há muito tempo, mas até agora nunca foi testado em escala comercial. Em 2013, tudo leva a crer que o cenário será outro. A estimativa é de que em um ano, três fábricas estejam em operação no mundo - uma delas na cidade de São Miguel dos Campos, a 60 quilômetros de Maceió.
No centro dessa movimentação estão gigantes farmacêuticas, bioquímicas e petroleiras, como a BP, a americana Dupont, a holandesa DSM, e a dinamarquesa Novozymes. No Brasil, Petrobrás, Raízen e a novata GraalBio, do empresário Bernardo Gradin, ex-sócio da família Odebrecht, também estão nessa corrida. "É um mercado que está borbulhando e que vai chamar a atenção nos próximos meses, com o anúncio de novas parcerias e o início da operação de novas unidades", diz Alfred Szwarc, consultor de emissões e tecnologia da União da Indústria de cana-de-açúcar (Unica).
No mês passado, a norte-americana Kior deu a largada para essa nova era na produção de biocombustível de segunda geração. Ela iniciou a produção comercial de gasolina e diesel feitos a partir de uma espécie de madeira comum no sul dos Estados Unidos. Com capacidade para produzir 40 milhões de litros por ano, a fábrica tem entre seus clientes a FedEex e a Chevron.
Mas a pioneira na produção de etanol de segunda geração deve ser uma italiana. A M&G, maior fabricante de PET do mundo, investiu US$ 200 milhões numa planta localizada na cidade de Crescentino, no norte da Itália, com capacidade para produzir até 76 milhões de litros por ano. Segundo a assessoria de imprensa da companhia, a operação deve começar ainda nesta semana, com a etapa de pré-tratamento de matéria-prima que, nesse caso, é a palha do trigo.
Até agora, já foram anunciados cerca de 60 plantas de biocombustível de segunda geração (2G) no mundo - apenas 17 são comerciais e o restante é para testes. No Brasil, estão quatro desses projetos de escala industrial. Por enquanto. Com apenas 2% da terra arável ocupada por plantações de cana-de-açúcar, clima favorável e matéria-prima abundante, o País é um dos lugares mais cobiçados quando o assunto é etanol de segunda geração. "O mundo está olhando para Brasil nesse momento", diz Szwarc. "Temos mais biomassa do que qualquer outro lugar do planeta." Há dois meses, ele visitou uma planta-piloto da suíça Clariant, na Alemanha, e descobriu que a empresa já faz testes com o bagaço de cana-de-açúcar. A maior produtora americana de etanol de milho, a Poet, também já sonda o mercado brasileiro. E a DSM, que é sócia da Poet no projeto de uma planta comercial de etanol de segunda geração nos Estados Unidos, e fornece leveduras para o processo de fermentação, também afirmou que pretende desenvolver uma planta no Brasil.
Na vanguarda. Embora tenha chegado por último nesse mercado, a GraalBio tem tudo para ser a pioneira por aqui. Com investimentos de R$ 300 milhões, dos quais 70% devem ser financiados pelo BNDES, a empresa espera iniciar a produção em dezembro do ano que vem na unidade de São Miguel dos Campos, em Alagoas. A planta terá capacidade para produzir 82 milhões de litros de etanol celulósico por ano. "A meta é ter mais quatro plantas até 2017 e se consolidar como um dos maiores produtores do mundo", diz o presidente Bernardo Gradin.
Ex-presidente da Braskem, ele entrou nesse negócio depois de deixar a sociedade com a família Odebrecht em função de uma disputa societária em 2010. A ideia surgiu de uma conversa com o pesquisador da Unicamp Gonçalo Pereira e o amigo Alan Hiltner no restaurante da universidade. Gradin queria associar inovação à uma matéria-prima que o Brasil tem em abundância. Produzir etanol e bioquímicos usando como fonte a cana-de-açúcar acabou sendo um caminho óbvio. O esboço do plano foi desenhado pelos três num guardanapo manchado de café que Gradin guarda até hoje.
O modelo de negócio da Graal é baseado numa engenhosa estrutura de alianças, que integra toda a cadeia produtiva: desde as usinas de primeira geração de etanol, de onde virá a matéria-prima, até os fornecedores de tecnologia. Os contratos foram firmados de modo que cada um dos parceiros é responsável pelo sucesso do elo seguinte da cadeia.
A primeira parceria foi firmada com a M&G (aquela que está para começar a operação na Itália). É na planta-piloto dessa empresa, na Europa, que estão sendo realizados os testes para o início da produção em dezembro do ano que vem. A M&G forneceu o equipamento para a fase de pré-tratamento do bagaço e da palha da cana-de-açúcar. Da Novozymes, vieram as enzimas que vão converter as fibras de celulose em açúcar e da DSM, a levedura geneticamente modificada que fará a fermentação.
Com essas associações, a Graal pulou as etapas de laboratório, planta-piloto e planta-demonstração que costumam anteceder a produção comercial. No mercado, concorrentes e especialistas dizem que partir direto para a produção em escala pode comprometer o início da operação, já que qualquer ajuste pode exigir grandes intervenções. "Os riscos são maiores? Com certeza. Mas eles são inerentes ao pioneirismo. As vantagens de ser o primeiro também são muitas", diz Gradin.
Mais comedida, a Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, deve iniciar a produção de 40 milhões de litros de etanol celulósico em Piracicaba em julho de 2014. A engenharia está sendo desenvolvida em conjunto com a Iogen, parceria que foi herdada da associação com a Shell. A meta da Raízen é integrar o processo de segunda geração a algumas das 24 usinas de primeira geração que já estão em operação. Juntas, elas têm capacidade de produzir 2 bilhões de litros de etanol e 4 bilhões de toneladas de açúcar por ano. "O que queremos é produzir mais etanol na mesma capacidade instalada", diz João Alberto Abreu, diretor de bioenergia e tecnologia da Raízen. "O objetivo é aumentar em 50% a produção."
A primeira planta, de Piracicaba, vai consumir R$ 206 milhões em investimentos. A missão de colocá-la em operação está com Eduardo Calichman, diretor de processos industriais da Raízen, de 39 anos. Em janeiro, ele se muda com a mulher e o filho para acompanhar os testes com o bagaço da cana na planta da Iogen, no Canadá. "Já mandamos 400 toneladas de biomassa para lá de navio", conta. "Os canadenses ainda estão se acostumando com as dimensões do nosso mercado." Daqui um ano e meio, Calichman volta ao Brasil para colocar a unidade de Piracicaba para funcionar.
Até lá, é provável que outras operações também já estejam em andamento, como a da Petrobrás. "Estamos confiantes em começar a produzir no primeiro semestre de 2015", diz Miguel Rossetto, presidente da Petrobrás Bionergia. Com nove usinas que produzem 1,3 bilhão de litros de etanol de primeira geração por ano, a estatal vem estudando novas tecnologias de produção desde 2004. Em oito anos, investiu R$ 20 milhões. E para os próximos quatro multiplicou por 15 o orçamento.
Em junho, a estatal chegou a produzir 80 mil litros de etanol 2G em parceria com uma empresa americana para abastecer 40 veículos que fizeram o transporte dos participantes da Conferência Rio+20. Rossetto não soube dizer quanto custou o litro desse combustível. "Ainda não chegamos ao preço ideal, mas estamos muito próximos disso", afirma. Ele não descarta novas parcerias com empresas do setor. "Tenho dialogado com todos os players desse mercado", diz Rossetto. "Nessa etapa, não há competidores, mas muita colaboração."
Com um modelo de negócio diferente dos demais, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) adotou uma saída para entrar no mercado de etanol de segunda geração que o coloca ao mesmo tempo como potencial parceiro e competidor. Ele está desenvolvendo uma tecnologia própria que é complementar à da usina de primeira geração e pretende licenciá-la aos usineiros ou a qualquer outra empresa que queira explorar esse negócio.
O CTC começou a estudar o etanol celulósico em 2007 quando ainda era um centro de pesquisa, sem fins lucrativos, ligado à Copersucar. Em 2011, o centro passou por uma reestruturação interna e se tornou uma S.A.. A partir de agora, seus serviços serão vendidos ao mercado e para as 150 usinas associadas - inclusive o etanol de segunda geração, que se tornou uma de suas principais apostas para se provar como empresa. A planta de demonstração, com capacidade para produzir até 4 milhões de litros por ano, começa a funcionar em meados de 2013. "Etanol celulósico é mais velho do que andar para frente", diz Gustavo Leite, presidente do CTC. "O desafio é produzir a um custo competitivo, porque o nome desse jogo é custo."
Competitividade. Os coquetéis de enzimas e os micro-organismos geneticamente modificados estão entre as variáveis que mais encarecem o etanol de segunda geração. Aqui no Brasil, o setor trabalha com um número mágico: para ser competitivo, o combustível precisa ter um custo inferior a R$ 1 por litro - que é o custo do etanol de primeira geração. Sem chegar nesse valor, a produção comercial não é economicamente viável. Por isso, a produção em escala comercial levou tanto tempo para se tornar realidade.
No Brasil, as condições são ainda mais difíceis. Embora o País tenha saído na frente no desenvolvimento do etanol de primeira geração, nos últimos anos a indústria da cana viu sua produtividade despencar por falta de investimento. "O milho americano está 15 anos à frente da cana brasileira", diz Gustavo Leite do CTC.
Em 2006, o País perdeu o posto de maior produtor de etanol para os Estados Unidos e, dois anos depois, a crise financeira mundial deu uma rasteira definitiva no setor. Projetos de ampliação foram cancelados e, com a escassez de cana, a produção de açúcar foi privilegiada. Soma-se a isso o fato de que o preço da gasolina na bomba está praticamente congelado há anos.
Já os Estados Unidos incentivam fortemente a produção de biocombustível de segunda geração com subsídios, empréstimos e uma série de outros programas, o que inclui o comprometimento do governo de comprar 136 bilhões de litros de biocombustível 2G até 2022. Só nos chamados "grants", um incentivo a fundo perdido, o governo americano aplicou em torno de US$ 2 bilhões em nove anos.
No Brasil, a carteira do BNDES até pouco tempo não passava de R$ 100 milhões para o desenvolvimento da indústria de etanol de segunda geração. Neste ano, o banco criou um programa para financiar projetos de inovação no setor sucroalcooleiro, o PAISS: 35 planos de negócios foram aprovados, num valor de R$ 3 bilhões. Por que demorou tanto? "Porque o Brasil passou muito tempo na confortável posição de ser o produtor de etanol mais barato do mundo", disse Artur Yabe, gerente do departamento de biocombustíveis do BNDES. "Agora, a produtividade está caindo e a gente precisa se mexer." (OESP)