terça-feira, 8 de março de 2022

Pesquisa identifica esgoto e combustível fóssil no ambiente da Antártica

Mesmo sendo um dos menores continentes da Terra — seus 14 milhões de km² representam menos de 3% da superfície terrestre —, a Antártica é um dos poucos ambientes ainda preservados do mundo e, por isso, serve como sentinela para as demais regiões do planeta.

Daí o alerta embutido em estudos recentes, publicados por um grupo de pesquisadores do Centro de Estudos do Mar (CEM) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que revelam o impacto da atividade humana na região da Baía do Almirantado, uma das mais movimentadas do continente antártico.

A consequência do aumento dessa interferência tem sido a ocorrência de elementos e substâncias associadas ao uso do petróleo e do descarte de esgoto.

A partir de amostras de sedimento marinho, coletadas pelos pesquisadores entre os anos 2000 e 2020, que refletem a variabilidade ambiental ao longo dos últimos 60 anos, os pesquisadores utilizaram três diferentes classes de biomarcadores químicos para evidenciar as possíveis mudanças ambientais que ocorreram naquele ambiente durante aquela escala de tempo. Os materiais foram estudados pela equipe do Laboratório de Geoquímica Orgânica e Poluição Marinha (LaGPoM), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Sistemas Costeiros Oceânicos da UFPR.

Os resultados foram publicados nas revistas científicas Marine Chemistry, Science of The Total Environment e Organic Geochemistry.

Um dos elementos analisados foi o fósforo. O fósforo tem origem natural no ambiente antártico, estando relacionado às alterações físicas das rochas e aos solos — abundantes em material orgânico produzido por aves —, mas também está presente no esgoto. Quando há atividade humana, há descarte de esgoto no ambiente e, consequentemente, os níveis de fósforo devem ser maiores do que os encontrados em períodos mais antigos, anteriores à presença frequente do homem na Antártica.

Sedimentos foram recolhidos na Baía do Almirantado, onde está localizada a estação antártica brasileira.

Conforme explica César de Castro Martins, coordenador da pesquisa, os cientistas levantaram os valores de base para o elemento fósforo em períodos pretéritos à presença humana na Baía do Almirantado e compararam esses níveis com dados atuais. Na península Keller, na baía, está localizada a Estação Antártica Comandante Ferraz, da Marinha Brasileira.

“Nossas amostras refletem períodos mais recentes e apontam valores mais altos de fósforo. Portanto, esse elemento pode ser usado para avaliar a transformação do ambiente marinho antártico nas condições de elevação de temperatura e de aumento de atividades humanas provenientes de pesquisa e de turismo”.

Os hidrocarbonetos alifáticos foram outra classe de biomarcadores investigada pela equipe. Essas substâncias podem ser encontradas em organismos marinhos e terrestres e também no petróleo.

“É um marcador orgânico capaz de refletir a utilização de combustíveis fósseis proveniente da atividade humana na Antártica”, afirma Martins. Novamente, as amostras de sedimento que refletem os últimos 60 anos foram utilizadas para análise.

A observação resultou em uma mistura de fontes que seriam a origem dos hidrocarbonetos alifáticos. Os pesquisadores entenderam que encontraram biomarcadores que retratam a variabilidade da produtividade marinha e o aporte continental, que pode ser resultado da mudança climática na região.

Aquecimento global parece contribuir para que resíduos do continente cheguem ao mar

Nessa avaliação, os pesquisadores notaram que, no período de 1975 a 1992, houve um aumento maior na concentração de alguns hidrocarbonetos, o que pode significar que a elevação da temperatura do planeta leva mais material continental para a região marinha da Antártica.

“Alguns organismos marinhos mais adaptados a essa condição de temperatura elevada tiveram maior abundância. Quando uma condição ambiental se altera, algumas espécies se adaptam e outras declinam, podendo chegar à extinção”, diz Martins.

Por último, em parceria com pesquisadores da Universidade de Bristol, do Reino Unido, os cientistas calibraram uma ferramenta geoquímica que permite o estudo da temperatura da superfície do mar em períodos anteriores aos contemplados por registros instrumentais. Segundo o professor, dados de estações meteorológicas na Antártica começaram a surgir a partir da década de 1940. Antes disso, não há como saber qual seria a temperatura da superfície do mar.

Antártica sumirá se todo combustível fóssil da Terra for queimado.

Todo o gelo da Antártida derreteria se queimássemos o petróleo e o carvão ainda disponíveis no planeta e, consequentemente, o mar se elevaria 58 metros, inundando a costa de todos os continentes. (ecodebate)

domingo, 6 de março de 2022

Galp fala em expandir presença em renováveis no Brasil

Galp busca novas oportunidades de investimento em energia solar e eólica no Brasil.

Parceira da Petrobras em exploração e produção de petróleo, empresa portuguesa tem dois projetos fotovoltaicos no país.

CEO da Galp, Andy Brown, afirmou em entrevista em Lisboa que a empresa busca oportunidades no Brasil, para expandir sua presença em fontes de geração renováveis. Outubro/2021 a petroleira portuguesa anunciou a aquisição de 2 projetos solar fotovoltaicos na Bahia e no Rio Grande do Norte, que somam em torno de 600 MW de capacidade instalada.

O executivo destacou que a Galp quer uma posição também no mercado de gás no país, mas procura diversificar o portfólio com a aposta em renováveis, em um mercado que Brown considera rico em oportunidades e atrativo a investimentos. Ele destacou ainda a capacidade do país na produção de hidrogênio.

Petrolífera portuguesa Galp fecha compra de projetos de energia solar na BA e no RN.

A empresa está há duas décadas no Brasil, e na ultima década, lembrou o executivo, investiu cerca de US$5 bilhões na exploração e produção de petróleo, aumentando significativamente sua participação nesse mercado, em parceria com a Petrobras. Andy Brown participou em 14/02/22, de reunião com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que também teve um encontro com o CEO da EDP, Miguel Stiwell de Andrade.

Em entrevista ao lado do presidente da Galp, Albuquerque disse que o país tem crescido em novas fontes de energia, especialmente solar e eólica, que representam em torno de 20% da matriz elétrica. Essas fontes, segundo ele, terão crescimento expressivo até o final da década, passando a ter uma participação de aproximadamente 40% da matriz.

Galp busca novas oportunidades de investimento em energia solar e eólica no Brasil.

Galp vai adquirir e desenvolver 2 projetos solares com uma capacidade combinada de cerca de 600 MW, com objetivo de reduzir a pegada de carbono.

“E nesse papel a Galp também dará uma importante contribuição ao desenvolvimento da energia renovável no Brasil”, destacou o ministro. Ele passou por Portugal a caminho da Rússia para apresentar o planejamento energético brasileiro dos próximos dez (PDE) e 30 anos (PNE), assim com as oportunidades de investimentos. (canalenergia)

sexta-feira, 4 de março de 2022

As empresas que mais produziram biodiesel em 2021

Produção de biodiesel avança 9% em 2020, mesmo com pandemia e reduções temporárias da mistura obrigatória.

Participação do óleo de soja cresce em relação a 2019.
Cinco maiores grupos empresariais do segmento foram responsáveis por mais de 45% do volume de biodiesel produzido.

As empresas no topo do setor de biodiesel abocanharam um naco maior do mercado no último ano. De acordo com dados compilados da plataforma BiodieselDATA, os 5 maiores grupos empresariais do ramo responderam por aproximadamente de 45% de todo o volume de biodiesel fabricado.

Os maiores produtores de biocombustível no mundo – 2019 – Segundo o British Petroleum (BP) Statistical Review of World Energy.

Trata-se de uma mudança substancial no share do setor. Nos quatro anos anteriores, a participação dos cinco maiores produtores praticamente não variou, ficando numa faixa que foi de 40% (2017) até 41,6% (2018).

Esse avanço acontece principalmente sobre a participação do grupo intermediário – reunindo do 6º ao 15º colocados – cujo share recuou para 40,3%, uma perda de quase 5% em relação ao percentual que detinham cinco anos atrás.

Cresce a produção de biodiesel no Brasil

Em cinco anos, a quantidade de biodiesel produzida aumentou 57,5%. A soja se consolida como a matéria-prima mais utilizada.

Embora tenham visto sua fatia recuar mais de 1,5 pontos percentual entre 2020 e 2021, sua participação mais recente – 14,6% – está em linha com os resultados dos últimos anos. (biodieselbr)

quarta-feira, 2 de março de 2022

Aneel recomenda extinção de outorga de térmica da Chesf

UTE Bongi foi desativada pela estatal em 1987 e estava com contrato de concessão vencido desde 2005.

A Agência Nacional de Energia Elétrica recomendou ao Ministério de Minas e Energia a extinção formal da concessão da termelétrica Bongi, da Chesf. O empreendimento localizado em Recife, Pernambuco, estava com a outorga vencida desde maio/2005.

A operação comercial da usina tinha sido interrompida em 1987 pelas Chesf e suas unidades geradoras foram desmontadas no ano seguinte. A estatal solicitou a extinção da concessão alegando problemas nas fundações, mau estado de conservação dos bens destinados à produção de energia e capacidade de suprimento limitada em consequência do estrangulamento das vias de acesso rodoviário à planta. (canalenergia)

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

PepsiCo inaugura usina termossolar em MG

Energia térmica será usada no aquecimento de água e vai reduzir o consumo de gás de fábrica.

A PepsiCo implantou um projeto inovador em sua operação de snacks em Sete Lagoas (MG): uma usina termossolar que utiliza painéis solares para captação de energia, que será revertida em energia térmica para o aquecimento de água. Por meio da tecnologia, foi possível reduzir o consumo de gás natural em 140 mil m3 na unidade – o que também vai diminuir em quase 280 mil quilos as emissões de gases de efeito estufa. Esse número equivale ao plantio de quase 18 mil árvores.

A usina é feita com painéis solares planos e funciona de forma automática, sem supervisão e sem necessidade de limpeza. Os primeiros resultados mostram que a usina gerou cerca de 3,9 kWh/m²/dia de energia durante os meses de verão, fornecendo água quente a 60-75°C, ou seja, mesmo no clima seco de Sete Lagoas, as metas energéticas foram atingidas. A água aquecida pelo sistema é utilizada em diversos processos da fábrica. Bruno Guerreiro, Gerente de Sustentabilidade da PepsiCo Brasil, lembra que a água aquecida pelo sistema termossolar é usada no cozimento do milho dos snacks. Segundo ele, a diferença é que a água já chega aquecida ao processo, assim se usa menos tempo de chama para chegar à temperatura usada nesta etapa da produção.

Com a nova usina termossolar a PepsiCo avança rumo à meta global de reduzir em 40% as emissões de carbono até 2030 e Net-zero até 2040. Para Guerreiro, a iniciativa torna empresa mais sustentável, premissa que está no centro da forma como fazemos negócio na companhia, buscando continuamente evoluirmos para uma Cadeia de Valor Positiva. Segundo o executivo, a solução é escalável e deverá ser implantada em outras plantas da companhia no Brasil nos próximos anos, com áreas ainda maiores de painéis solares.

A usina termossolar da planta de Sete Lagoas é resultado de uma parceria entre a PepsiCo e a TVP Solar, empresa suíça especializada na tecnologia termossolar com soluções de última geração. A TVP Solar projeta, desenvolve, fábrica e comercializa coletores solares térmicos de alto vácuo e sem espelhos, baseados em uma tecnologia patenteada. A energia termossolar é livre de carbono e uma alternativa mais barata do que a gerada por combustíveis líquidos. Piero Abbate, CEO da TVP Solar, destacou que a parceria com a PepsiCo é emblemática para a empresa, porque evidencia a importância da energia termossolar para a indústria de alimentos e bebidas. (canalenergia)