Baixa emissão de carbono:
A biomassa é um recurso
renovável, e a produção de hidrogênio a partir dela pode ser realizada com
baixa emissão de carbono, especialmente quando combinada com tecnologias de
captura, utilização e armazenamento de carbono.
Diversificação da matriz
energética:
A produção de hidrogênio a
partir da biomassa pode contribuir para a diversificação da matriz energética,
reduzindo a dependência de combustíveis fósseis.
Oportunidades de negócio:
A relação entre a produção de
hidrogênio e a bioenergia pode gerar novas oportunidades de negócio e
investimentos, impulsionando o desenvolvimento de tecnologias e processos
inovadores.
Uso em sistemas de
bioenergia:
O hidrogênio produzido a
partir da biomassa pode ser utilizado em diversos sistemas de bioenergia, como
a produção de eletricidade em células a combustível, a cogeração de calor e
energia, e a produção de biogás.
Processos de produção de
hidrogênio a partir da biomassa:
Gaseificação:
A gaseificação da biomassa
envolve o aquecimento da biomassa em condições controladas, resultando em um
gás de síntese rico em hidrogênio, que pode ser purificado para obter
hidrogênio puro.
Fermentação anaeróbia:
A fermentação anaeróbia da
biomassa, utilizando microrganismos, pode gerar biogás, que contém metano e
hidrogênio. O hidrogênio pode ser separado do biogás por meio de processos de
purificação e reforma.
Potencial do Brasil:
O Brasil possui grande
potencial para a produção de hidrogênio a partir da biomassa, devido à sua
vasta disponibilidade de biomassa, como o bagaço de cana-de-açúcar, palha de
arroz e resíduos florestais. A combinação da produção de hidrogênio com a
expansão da bioenergia pode impulsionar a transição energética do país e gerar
benefícios econômicos e ambientais.
Considerações:
É importante ressaltar que a produção de hidrogênio a partir da biomassa ainda apresenta desafios técnicos e econômicos que precisam ser superados para garantir a sua viabilidade em larga escala. No entanto, o potencial da biomassa como fonte de hidrogênio renovável é promissor, e o desenvolvimento de tecnologias e processos inovadores pode contribuir para a consolidação de uma economia de baixo carbono.
Na rota do hidrogênio sustentável
A demanda de hidrogênio no país
para produzir os biocombustíveis pelas rotas HEFA e AtJ pode chegar a mais de
320 mil t/ano e 92 mil t/ano, respectivamente, em 2034
A Empresa de Pesquisa
Energética (EPE) lançou no final de junho a Nota Técnica (NT) “Hidrogênio e
Biomassa: Oportunidades para produção e uso de hidrogênio em sistemas de
bioenergia”1, onde foram mapeadas rotas tecnológicas e matérias-primas para
produzir hidrogênio a partir da biomassa e o seu uso potencial na indústria
bioenergética.
Um dos grandes atrativos do
hidrogênio como vetor energético é a sua versatilidade, em função da
diversidade de rotas de produção e de setores em que pode ser utilizado. No
Brasil, o uso de biomassa para a produção de hidrogênio vem se destacando desde
o ProH2 (Programa de Ciência, Tecnologia e Inovação para a Economia do
Hidrogênio), lançado em 2002 pelo MCT2.
Um fator decisivo para isso é
a participação da biomassa na matriz energética brasileira: em 2023, a biomassa
contribuiu com cerca de ⅓ da oferta interna de
energia do país, ocupando o segundo lugar em participação, atrás somente de
petróleo e derivados.
Embora o hidrogênio proveniente de biomassa já tenha sido chamado pela própria EPE de “hidrogênio musgo”3, em associação ao hidrogênio verde que é produzido a partir de eletrólise da água, nesta NT a EPE evita a referência às cores do hidrogênio, devido à dificuldade de associar a intensidade de carbono a cada uma das cores.
A NT destaca as seguintes matérias-primas para a produção de hidrogênio a partir de biomassa:
(i) etanol, que pode ser
usado como “vetor” de hidrogênio, aproveitando a infraestrutura logística já
consolidada;
(ii) glicerina, coproduto da
produção do biodiesel, hoje subutilizado, permitindo agregar valor à sua
produção e integrando as rotas da indústria bioenergética;
(iii)
biogás e biometano, provenientes de resíduos urbanos e agroindustriais, como a
biomassa lignocelulósica (por exemplo, bagaço e palha de cana e casca de
arroz), que não competem com a produção de alimentos.
As rotas termoquímicas, como reforma de etanol, glicerina e biogás/biometano, apresentam atualmente maior competitividade para a produção de hidrogênio a partir de biomassa, devido ao elevado nível de maturidade tecnológica. Além disso, o hidrogênio proveniente de biomassa é o único com potencial de emissões negativas, quando associado a um processo de captura e utilização do CO2 gerado (CCUS).
As oportunidades de uso do hidrogênio e seus derivados na indústria de bioenergia estão tanto na fase agrícola, como na amônia que é utilizada para a produção de fertilizantes nitrogenados, quanto na fase industrial, como na produção de metanol e biocombustíveis.
O setor de biocombustíveis é
um dos grandes potenciais consumidores de hidrogênio de baixo carbono produzido
no Brasil. O hidrogênio é utilizado para a produção de diesel verde e
combustível sustentável de aviação (SAF), tanto no hidro processamento de
ésteres e ácidos graxos (rota HEFA- “Hydroprocessed Esters and Fatty Acids”)
quanto na hidrogenação de olefinas obtidas a partir de oligomerização de
álcoois (rota AtJ- “Alcohol-to-Jet”).
A demanda de hidrogênio no
país para produzir os biocombustíveis pelas rotas HEFA e AtJ pode chegar a mais
de 320 mil t/ano e 92 mil t/ano, respectivamente, em 2034.
Considerando ainda a estimativa
de demanda de hidrogênio para a produção de metanol utilizado na síntese do
biodiesel e para a produção de fertilizantes nitrogenados aplicados nas
culturas de soja, milho e cana destinadas à síntese de biocombustíveis, esse
valor chega a quase 1 milhão t/ano em 2034, praticamente o dobro da produção
atual de hidrogênio no Brasil (500 mil t/ano).
A NT destaca que o interesse do setor de bioenergia em reduzir a intensidade de carbono dos biocombustíveis e seus coprodutos, em particular a partir do acesso a insumos de baixa emissão de carbono, pode ter um papel significativo em impulsionar o desenvolvimento das cadeias nacionais de hidrogênio.
Por outro lado, o fortalecimento do mercado de hidrogênio de baixo carbono e seus derivados pode se tornar uma opção de alto valor agregado para a indústria de bioenergia, mostrando a sinergia entre os dois setores. (brasilenergia)
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