segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Ásia - perspectivas atuais para o biodiesel de pinhão-manso

Atualmente, no Mundo, 70% do petróleo são utilizados nos transportes e o consumo dessa forma pode ampliar 55% até 2030.
Em 2030, a demanda potencial mundial por etanol e biodiesel pode ficar entre 242,0 e 556,0 milhões de t./ano e para substituir apenas entre 10% e 24% da demanda por gasolina e diesel, respectivamente. Os EUA querem trocar 15% do consumo de gasolina por biocombustíveis nos próximos 10 anos (99,8 milhões de t./ano).
Na Índia, segundo o renomado consultor e cientista sério ítalo/brasileiro, prof. Neddo Zecca, uma das maiores autoridades mundiais em biodiesel e energias alternativas, o País está alguns anos a nossa frente na pesquisa e cultivo do revolucionário pinhão-manso e de testes de utilização do seu biodiesel. Por diversas vezes, ele lá esteve e mantém correspondência constante com os principais cientistas indianos e técnicos do Governo sobre os assuntos.
Na Índia, os debates para incentivos ao plantio de pinhão-manso para biodiesel iniciaram em Seminário em 1999 (no Brasil foram em 1995) e as pesquisas evoluíram muito desde então e com o uso intensivo de transgenia (em 2005 já se chegou a 100,0 mil ha). Inicialmente, o Governo plantou 10,0 mil hectares em Hyderabad para pesquisas e para iniciar a produção de sementes e mudas certificadas e de alta produtividade.
Desde 2003, O Governo e Empresas processadoras estão investindo US$ 300,0 milhões em incentivos ao plantio de 400,0 mil hectares de pinhão-manso (“Jatropha curcas L.”), sob a forma de fomento envolvendo, sobretudo, mudas e fertilizantes. A maior parte está sendo plantada nos Estados de Maharashtra, Andhra Pradesh, Madhya Pradesh e Uttar Pradesh. Cerca de 200,0 mil hectares serão cultivados nas áreas de florestas manejadas, em consórcios, e mais 200,0 mil em áreas de pastagens degradadas.
Incrivelmente, a Índia já detinha 14,0 milhões de hectares de florestas sob manejo florestal sustentado e nós aqui ainda discutindo os assuntos “florestas, reservas, APP e meio ambiente” e nos preocupando, apenas, com as variedades de pinhão a serem pesquisadas. No caso do algodão, não houve esta apaixonada discussão inicial pela pesquisa no Brasil e que nos leva a perder muito tempo, empregos, desenvolvimento de regiões muito pobres e importantes posições no futuro mercado mundial de biodiesel -, pois a maior parte de nossas sementes iniciais de alta produtividade vieram ainda em 1988 do Egito – cultivares Gisa e Pima -; de Israel – cultivares H10 e Eden – e, em 1990, dos EUA – diversas cultivares “Delta Pine”. A partir de 1992, já tínhamos as nossas OCEPAR 7, ITA 90, IAC e Coodetec. No trigo – um cultivo de clima muito frio e que hoje produz sob irrigação e com alta produtividade no calor e até em regiões de sequeiro do Centro-Oeste -, ocorreu o mesmo e nossas variedades iniciais vieram ainda em 1969 do CIMMYT - Centro Internacional de Melhoramento de Milho e Trigo do México e foram as cultivares Sonora 63, Sonora 64, INIA F66, Jupateco F73 e Anahuac F75. Hoje, já temos diversos cultivares plenamente adaptados ao Brasil e com boas produtividades como CEP 24, EMBRAPA 16, CD 104 e as BRS e IAPAR.
Na Índia, o Governo e Empresas pretendem incentivar e implantar 13,4 milhões de há de pinhão-manso e sob diversas formas, o que significa que o cultivo já foi testado e provado de forma suficiente, inclusive em termos de obtenção de variedades confiáveis e com altas produtividades médias.
Testes realizados pela exigente Daimler Chrysler com o biodiesel produzido pelo pinhão-manso na Índia apresentaram conformidade e características de enquadramento na norma européia EN 14214.
Em 2006, a poderosa e muito exigente BP British Petroleum anunciou que iria investir US$ 9,4 milhões em projetos no TERI - The Energy and Resources Institute no Estado de Andhra Pradesh para demonstrar a viabilidade de se produzir biodiesel de Jatropha curcas L. O Projeto - a ser implantado em 10 anos - iria cultivar 8,0 mil há de pinhão em pastagens degradadas e para produzir-se pelo menos 9,0 milhões de litros/ano, tudo observando e cumprindo as normas de desenvolvimento sócio ambiental justo e sustentável.
Assim, segundo Neddo Zecca: “a BP estava investindo no pinhão-manso, desmentindo a afirmação de pesquisadores da EMBRAPA e suas insinuações descuidadas, para não dizer enviesadas ou maldosas. Pesquisadores especiais os nossos que criticam antes de pesquisar ou se inteirar corretamente”. Por outro lado, segundo Zecca, a EPAMIG estava num bom caminho, mas faltavam recursos, incentivos e, sobretudo, certa independência.
Em março/2008, segundo o Dr. Kristen Kurczac da BP Biofuels (British Petroleum), a proposta conjunta da BP mais da D1 Oils era produzir 2,0 milhões de t. de biodiesel de Jatropha/ano na Índia, tornando-se as maiores do Mundo na área. Entre 2007 e 2012 iriam investir US$ 160,0 milhões para tanto. A D1 Oils estava incentivando com sementes e mudas o cultivo de 172,0 mil há de Jatropha na Índia, no sul da África e na Ásia.
Mais detalhes sobre biodiesel de pinhão-manso na Índia podem ser obtidos, em inglês, com o Prof. Naveen Kumar – Coordenador do Programa de Pesquisa de Biodiesel do Delhi College of Engineering pelo e-mail naveenkumardce@rediffmail.com
Resultados do cultivo de jatropha curcas na índia, segundo o indian biofuels awareness center
Segundo, o Dr. RatanJyot VanErand, do Indian Biofuels Awareness Center, o cultivo de pinhão-manso (Jatropha curcas) na Índia produz com 4 a 5 anos, podendo ser cultivado em sequeiro. Nos campos de ensaios da Faculdade de Engenharia Agrícola e Instituto de Pesquisa Tamil Nadu Agricultural University, a Jatropha amadureceu e chegou à colheita após 6 meses e 16 dias após o plantio.
Maiores informações contate em inglês o Mr. Mahadeo Vihar da Shivrai Technologies na cidade de Pune (Índia) pelo e-mail info@shivrai.co.in ou o Mr. Satish Lele no satish.lele@gmail.com Eles vendem um livro completo acerca e com mais de 675 páginas.

sábado, 8 de agosto de 2009

Biodiesel do Brasil- "Ciúmes, Lentidão e/ou Espertezas?"

Após iniciar no Brasil em 1982 ainda no Governo Figueiredo, com testes positivos pela COCAMAR do Paraná, nosso Programa de Biodiesel foi oficializado em 2004, mas desde então está sendo visivelmente prejudicado por ciúmes, lentidões e/ou espertezas de grupos e de Entidades que, simplesmente, não se entendem, sobretudo, em termos de pesquisas e de disseminação. Na Índia iniciou em 1999 e, de forma séria, já se planeja chegar a 13,4 milhões de há de pinhão-manso.
Enquanto isto, nossas Empresas processadoras vão fechando, desempregando e retirando a esperança de muitas pequenas Cidades de regiões pobres e o Presidente Lula que tanto lutou por elas e, inclusive, as inaugurou, vêm perdendo credibilidade no Tema. De todas as usinas de biodiesel autorizadas pela ANP somente 30% estão em funcionamento e precariamente. Pior ainda é que para o SEBRAE Agroenergia, o biodiesel brasileiro já teria em torno de 82 mil famílias da agricultura familiar envolvidas na produção de culturas alternativas, principalmente de mamona.
Também, há muita teimosia e desconhecimento. Desde o inicio algumas Universidades informaram que seria impossível produzi-lo, economicamente, a partir de mamona, pois o óleo tem viscosidade muito acima do biodiesel e o seu preço de venda como óleo lubrificando especial sempre estará bem acima do valor do biodiesel.
Também agora se sabe e se AVISA que o biodiesel de soja está com os dias contados, pois se trata de alimento especial e cujos preços pagos estão bem acima da realidade mundial, sendo preciso desenvolver-se, rapidamente e desde 2004, outras fontes como de palmáceas, aí destacando a palma e o babaçu; de crambe; de tungue; de pequi, e, principalmente, de pinhão-manso.
Atualmente, o preço de venda no último leilão da ANP foi de US$ 1,35/litro (R$ 2,70/litro) e para um custo de produção de R$ 1,70/litro, sendo que o biodiesel de pinhão-manso da Índia é vendido no mercado por apenas US$ 0,75/litro e com tendências de baixar, à medida de ampliação da oferta. Considera-se que para ser consumido nas bombas brasileiras, o biodiesel deveria ter preço máximo de R$ 2,00/litro ao consumidor, isto é, exceto fretes, impostos e margens. Assim, nosso Ponto de Equilíbrio do menor preço necessário está distante de ser alcançado e nunca o será via soja (aliás, hoje, comandada até especulativamente pelas Bolsas de Dalian e de Chicago). Atualmente, o óleo de soja se tornou um dependente e quase subproduto do farelo de soja, que vinha sendo embalado pelas maiores produções e crescentes exportações de carnes de aves e carne de suínos, mas agora no pós-crise tudo mudou e deve demorar até 2011 para reverter.
Hoje a principal aposta asiática e de sucesso comprovado para biodiesel, inclusive superando a palma que tem custo de introdução e de produção elevadíssimos, o pinhão-manso é hoje, palavra quase proibida no Brasil do biodiesel, exatamente pelos ciúmes, lentidão e/ou espertezas? Trata-se de cultivo não-alimentício que nunca gerou interesses da pesquisa no Brasil, exatamente por ser pouco comercial anteriormente, mas que agora pode ser o alvo da vez de grandes empresas como a PETROBRÁS e grandes multinacionais como a British Petroleum.
A partir de janeiro/2010, o Brasil se prepara para adicionar 5% de biodiesel ao óleo diesel derivado do petróleo. Contudo, para a adoção deste padrão sabe-se que nem soja temos. A saída seria importamos biodiesel. Aproximadamente 80% do biodiesel comercializado nos leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP) vêm da soja, especialistas alertam que, a partir do B5, o volume do grão produzido no País não será suficiente para abastecer a demanda do mercado interno, já que, além do crescimento do consumo nacional, a cotação da commodity define a oferta no mercado interno. Quando o produto está em alta, o interesse da produção se volta para a exportação. Atualmente, a soja está cotada em R$ 1,7 mil a tonelada, mas o grão já atingiu o dobro deste valor, estimulando as vendas internacionais. Desde julho/2009, já estamos com o B4 e, certamente, já vai ser bem mais difícil obter-se óleo de soja para tanto.
Enquanto internamente brigamos sobre os resultados das pesquisas; a posse dos cultivares mais produtivos sem nunca pensarmos em importar, tais cultivares já foram plenamente desenvolvidos e amplamente testados na Índia e outros países semelhantes ao Brasil e poderiam facilmente serem importados como se deu no caso do algodão, também não-comestivel e até do trigo. Enquanto o biodiesel de pinhão evolui rapidamente na Ásia, nós continuamos naquela de “quanto pior melhor” e dizendo “bem que nós avisamos que a produtividade do pinhão seria irrisória, pois não há cultivares e nem tecnologia testadas” ou ainda “bem que dissemos que a mamona não serviria”. Só que se esquece de dizer por que isto ocorre e que a mamona pode e deve ser cultivada, só que como não paga bons “royalties” quase não interessa a pesquisa, embora seja produtora de óleo bem mais nobre e vendido por valor bem maior que o biodiesel.
Estudo mostra como a Índia vem implementando seu projeto de pinhão-manso, sendo que o Governo no inicio cultivou experimentalmente 10,0 mil hectares em Hyderabad para testes e produção de sementes e mudas.
Agora, em 27 de julho de 2009, chegou a vez de se debater sobre o famoso “zoneamento econômico-ecológico do pinhão-manso” na EMBRAPA e sem o qual o Crédito Rural necessário para o Setor é proibido. Duvido que saia agora.
Aliás, somente com uma grande produção de sementes e mudas distribuídas gratuitamente (isto é sem royalties) pelas Prefeituras, Associações, Cooperativas, Sindicatos e Empresas é que poderíamos ter um projeto inicial de cultivo, isto como foi e continua sendo feito no caso do café e de algumas frutas. Incentivar Empresas desconhecidas com seus técnicos de outros Estados e humildes produtores locais a irem para o interior cultivar, como foi feito, é quase um suicídio negocial. Sem viveiros locais bem conduzidos e sem, realmente, uma boa atuação da Extensão Rural não há como ter produção local segura. Sem boa oferta e sem escala mínima, as Empresas fecham e mesmo recebendo muitos créditos inclusive subsidiados. Produzir em áreas com menos chuva é possível, mas sem mudas, fertilizantes e agroquímicos adequados e nos volumes e momentos recomendados é só por Milagre e Divino.
No Brasil, com tanto erros, a produtividade “experimental” do pinhão ainda é de 600 kg/ha e o rendimento de óleo entre 17% e 35%. Na Índia, já se chega a 7.000 kg/há/ano e com rendimento de 28% de óleo.
Por outro lado, estudos já comprovam a possibilidade de se utilizar o biodiesel diretamente nos motores, após prensagem simples, e até nas pequenas propriedades, inclusive há Projeto de Lei, recente, do Senador Gilberto Goellner (MT) autorizando e incentivando tais usos.
Obviamente, tudo o que os pesquisadores e extensionistas mais detestam são articulistas estudando bem os assuntos, externa e internamente, e divulgando/comparando os erros e acertos dos programas, mas, neste caso, eles estão nos devendo acertos e resultados desde 1982, ou seja, não estão fazendo o que lhes é solicitado e para que seja realmente pagos, e não adianta chiar.
Assim, o programa de biodiesel no Brasil precisa urgente, ser melhorado, e repensado, inclusive banindo/punindo rapidamente interesses e ciúmes institucionais e/ou pessoais.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

CPFL vai produzir transformador ‘verde’

O setor elétrico brasileiro começa a aumentar os investimentos de pesquisa e desenvolvimento em estratégias de sustentabilidade, como eficiência energética, fontes renováveis e redução de impactos ambientais. Um exemplo vem da CPFL Energia, distribuidora de energia que atua em oito regiões do Estado de São Paulo.
A empresa teve aval para começar a produzir uma família de transformadores elétricos de baixa tensão "verdes". Trata-se de um equipamento de baixa tensão que usa óleo vegetal no lugar do óleo mineral.
A substituição vai aumentar em até 80% a vida útil dos equipamentos e minimizar o impacto no meio ambiente de vazamentos. O óleo mineral comumente usado em transformadores, quando vaza, pode contaminar o ambiente por até 20 anos. Já o óleo vegetal tende a se dissolver no período de 15 dias, explica Marcelo Corsini, gerente de inovação tecnológica da CPFL Energia.
O protótipo do novo transformador elétrico estava em desenvolvimento desde 2002, mas só este ano a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deu aprovação para a produção do equipamento em escala. A produção deve ter início assim que forem finalizadas as últimas etapas da pesquisa, dentro de seis meses.
Produzirão 850 unidades, que serão incorporadas nos programas de manutenção e expansão da rede de distribuição de energia. O mercado brasileiro para transformadores de baixa tensão utilizados nas ruas é estimado em 1 milhão de unidades.
Ao todo, a CPFL Energia investirá R$ 320 milhões até 2013 em pesquisa e desenvolvimento.
65% desse montante será destinado a inovações na área de sustentabilidade, que incluem eficiência energética e fontes renováveis. Estão estudando nichos de mercado que pode-se atender nas áreas de energia eólica e biomassa. A empresa, que já faz pesquisas com carros e motos elétricas, também trabalha no desenvolvimento de sistemas de distribuição de energia "inteligente", os chamados "smart grid", que pode ajudar o consumidor a economizar energia.
TENDÊNCIA
A busca das empresas do setor de energia por estratégias de sustentabilidade pode ser explicada tanto pela redução de custos como também para garantir uma boa imagem para o setor. Atualmente, as empresas do setor elétrico já correspondem a um terço da carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa, que reúne empresas com bom desempenho socioambiental. Muitas empresas de energia, saneamento e outros serviços públicos negociam ações em bolsa e estão sob constante pressão de consumidores e acionistas.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Bagaço pode virar gás e depois álcool

IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) reúne empresas em projeto de gaseificação de biomassa.
A transformação de caldo em etanol aproveita somente um terço do potencial energético da cana-de-açúcar. Os outros dois terços estão no bagaço e na palha. O IPT está criando, com um grupo de empresas, um projeto para desenvolver uma técnica de gaseificação de biomassa, que permitiria transformar esse material que hoje não é utilizado em vários produtos, como gasolina, diesel, metanol, etanol e fertilizantes.
"Fechamos um acordo com quatro grandes indústrias químicas do Brasil, definindo o modelo de fomento e de propriedade industrial", disse João Fernandes Gomes de Oliveira, diretor-presidente do IPT. "Distribuímos o memorando de entendimento, que deve ser assinado até o fim do mês." A planta piloto de gaseificação será instalada em Piracicaba (SP), em parceria com o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).
O IPT tem 30 anos de pesquisa em gaseificação. "É uma tecnologia que funciona muito bem na bancada", afirmou Oliveira. "O desafio é fazê-la funcionar em escala comercial." O processo de gaseificação de carvão é usado comercialmente na África do Sul há muito tempo, desde a década de 50. Lá, eles transformam o carvão mineral em gás para depois convertê-lo em diesel e gasolina.
"Por causa do apartheid (política de segregação racial), eles não podiam importar petróleo", explicou o pesquisador Ademar Hakuo Ushima, do IPT. "O processo é viável economicamente, pois eles continuaram a produzir combustíveis líquidos a partir do carvão depois do fim do apartheid."
Mas não é possível adotar o mesmo processo para trabalhar com bagaço de cana porque as características das matérias-primas são muito diferentes. "Existem gargalos tecnológicos que levam à necessidade de adaptar a tecnologia", apontou Ushima.
O processo de gaseificação acontece da seguinte forma: o bagaço e a palha de cana são colocados num gaseificador, que tem condições de pressão e oxigenação controladas. Eles são aquecidos a uma temperatura de 800º C a 1.200º C, com um terço do oxigênio que seria necessário para a sua combustão. A pressão é de 10 a 30 atmosferas.
O processo dá origem a um gás rico em monóxido de carbono e hidrogênio, que precisa passar por equipamentos e produtos químicos para que sejam retiradas impurezas, como o alcatrão. Depois disso, o gás é colocado em um reator de síntese, que transforma o gás em combustíveis líquidos e outros produtos.
Segundo Ushima, existem três desafios tecnológicos que ainda precisam ser vencidos no processo de gaseificação de biomassa. Um deles é como colocar o bagaço e a palha da cana no gaseificador sem perder a pressão. Outro são os materiais que precisam ser usados no gaseificador. "A cinza da biomassa é diferente", afirmou o pesquisador. Em terceiro lugar está a purificação do gás, pois as impurezas também são diferentes.
O centro de gaseificação de biomassa de Piracicaba deve ficar pronto no fim de 2010. A ideia é que a pesquisa dure três anos, com o objetivo de chegar ao término desse período com o domínio de uma técnica que tenha viabilidade comercial. O IPT está submetendo o projeto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para levantar de R$ 50 milhões a R$ 60 milhões para a pesquisa.
"Se a gaseificação servisse só para produzir etanol, não iria compensar, pois a tecnologia que temos hoje é bastante eficiente", avaliou Alfred Szwarc, consultor da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). "Com os outros produtos, começa a ficar interessante." A gaseificação é uma das alternativas tecnológicas para se chegar ao chamado etanol de segunda geração, criado a partir da celulose.
Com 110 anos de existência, o IPT é o centro de pesquisas mais antigo do Brasil. O centro de gaseificação em Piracicaba faz parte de uma nova estratégia do instituto de reunir empresas em grandes projetos de pesquisa, que dificilmente seriam financiados por somente uma companhia.
Processo de gaseificação
1. Biomassa – Bagaço e palha de cana.
2. Gaseificador – A biomassa é transformada em gás a temperaturas de 800˚C a 1.200˚C, com ⅓ do oxigênio que seria necessário para queimá-la e pressão de 10 a 30 atmosferas.
3. Limpeza do gás – Várias substâncias e equipamentos são usados para retirar as impurezas do gás, como alcatrão.
4. Reator de síntese – Um catalisador transforma o gás, rico em monóxido de carbono e hidrogênio, em diversos produtos.
5. Produtos – O gás pode ser transformado em diesel, gasolina, metanol, etanol, fertilizantes, hidrogênio e gás natural sintético, entre outros.

domingo, 2 de agosto de 2009

Pesquisadores produzem biodiesel a partir de penas de galinha

Os pesquisadores do departamento de engenharia química e de materiais da Universidade de Nevada, em Reno, que no ano passado mostraram ao mundo que era possível produzir biodiesel a partir do pó de café, estão de volta. Agora, é a vez das penas de galinha.
Num artigo, publicado no The Journal of Agricultural and Food Chemistry, Mano Misra, Susanta K. Mohapatra e colegas descrevem como extraíram gordura de penas processadas e a converteram em um biodiesel de boa qualidade.
As penas processadas, que são comumente usadas como fertilizantes ou alimento animal, são um subproduto da produção de aves em grande escala - e muitas vezes incluem sangue e vísceras. A mistura pode conter até 11% de gordura.
Os pesquisadores extraíram a gordura fervendo o alimento em água e convertendo-o em biodiesel por um processo chamado transesterificação.
Eles dizem que, somente nos Estados Unidos, há penas processadas em quantidade suficiente para produzir cerca de 560 milhões de litros de biodiesel anualmente. Isso é apenas uma gota num balde, mas os pesquisadores apontam que a maior parte da atual produção de biodiesel usa óleo vegetal - e, à medida que cresce a demanda pelo combustível, crescem as chances de haver competição por óleo entre uso alimentar e combustível.
Por isso, os pesquisadores afirmam ser importante buscar fontes alternativas para a produção de biodiesel - com o objetivo, como eles mesmos colocam, de "comida para a fome, lixo para combustível".