sexta-feira, 6 de junho de 2014

Prefeitura de Curitiba terá carros ecoelétricos rodando

Prefeitura de Curitiba terá carros ecoelétricos rodando a partir desta semana
Começa a operar em Curitiba, a partir de 05/06/14, a frota municipal de carro Ecoelétrico, um modal de nova geração, com baixo impacto ambiental, que atende à política de Mobilidade Urbana Sustentável do Município. A frota, formada por dez carros e três micro-ônibus, será utilizada pela Prefeitura em diversas secretarias e programas de governo.
O projeto é desenvolvido em parceria entre Prefeitura de Curitiba, Itaipu Binacional, Aliança Renault-Nissan e CEIIA (Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel) de Portugal.
O Ecoelétrico é o maior projeto de veículos elétricos do país destinados, exclusivamente, ao serviço público. Desta forma, a capital paranaense se reafirma no cenário nacional e internacional como inovadora, em especial, em mobilidade urbana. O projeto também se configura como a primeira ação da capital paranaense visando o cumprimento das recomendações do termo de compromisso para a redução das emissões de gases e de riscos climáticos, assinado pelo prefeito Gustavo Fruet, durante o C 40, em Johanesburgo, África do Sul.
O projeto Ecoelétrico inicia a sua primeira fase com a entrega dos postos de abastecimento (eletropostos) e dos veículos elétricos que estarão disponíveis à frota da Prefeitura de Curitiba já para o período da Copa do Mundo FIFA 2014. Durante a cerimônia em 05/06, Dia Mundial do Meio Ambiente, também será demonstrada a operação de inteligência do sistema.
Sem custos à Prefeitura, ao todo o projeto compreende 10 carros que foram repassados pela Renault e Itaipu Binacional (Zoe – 5 unidades; Kangoo Z.E – 3 unidades, Twizy – 2 unidades) e 3 micro-ônibus de acordo com contrato em comodato firmado entre as partes. Para o abastecimento, dez eletropostos serão instalados em sete locais: Praça Rui Barbosa, Parque Tanguá, Parque Barigui, Secretaria de Administração, Prefeitura – Palácio 29 de Março, Setran- Prado Velho, Jardim Botânico.
Os carros serão utilizados pela Guarda Municipal, Setran e Instituto Curitiba de Turismo. Na Guarda servirão para ronda e patrulhamento nos parques da cidade e como módulo móvel que circulará pelas praças. Na Setran, em seu programa de escola pública do trânsito e ainda como suporte às atividades de fiscalização de seus agentes e em seu departamento de mobilidade. No Instituto Curitiba de Turismo, os veículos serão destinados para a criação dos postos móveis de informações turísticas que devem transitar em locais estratégicos de grande aglomeração como Arena da Baixada, FAN FEST, pólo hoteleiro, parques. Outro objetivo é dar suporte a comitivas em atividades recreativas e culturais.
O Ecoelétrico foi elaborado em quatro fases, de 2014 a 2020. A primeira fase já está sendo implantada com foco na Copa do Mundo FIFA 2014.
Na segunda fase do projeto estão previstos totens de abastecimento multifuncionais que devem agregar em um único equipamento serviços de recarga dos veículos, cartão de transporte, parquímetro (EstaR), câmera de monitoramento, botão de emergência, informações turísticas, bicicletas compartilhadas, wi-fi institucional. Também há a previsão de estudos para implantar soluções de compartilhamento (sharing) de carros e bicicletas, inicialmente voltadas para o mercado corporativo e a serviços de interesse público. As próximas etapas (2018 – 2020) estabelecem estudos de integração aos diversos serviços de transporte público. (ecodebate)

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Nível dos reservatórios de energia são preocupantes

Nível dos reservatórios de energia são preocupantes e El Niño não será a salvação
O sistema Sul estava melhor em 2001, ano do racionamento de energia, do que agora.
O setor energético no Brasil vive um colapso. O nível dos reservatórios está abaixo do esperado para esta época do ano, o preço de venda da energia no mercado livre está no teto e o período seco no Sudeste e Centro-Oeste, responsáveis por mais de 70% da produção nacional, está apenas no início.
A esperança do governo e das empresas está depositada no El Niño, que se desenvolverá no segundo semestre, porém o fenômeno não será a salvação completa. “A associação que está se fazendo com o El Niño de 2009/2010 é errada, naquela data o fenômeno foi intenso e clássico, por isso as chuvas foram abundantes, mas nesse ano a classificação e atuação dele será diferente”, alerta o climatologista da Somar, Paulo Etchichury.
Primeiro que o El Niño de 2014 será Modoki, nomenclatura que se dá ao fenômeno quando o aquecimento não tem sustentação. Ou seja, as águas ficarão mais quentes do que o normal no Oceano Pacífico leste entre julho e agosto e no Pacífico central somente em setembro e outubro. Por isso é importante ressaltar que não há garantia de chuvas regulares na primavera e no verão.
Para o Sudeste e o Centro-Oeste do Brasil, no caso de El Niño Modoki, o sinal mais evidente é em relação a temperatura, com calor na primavera. “Com relação a chuva não apresenta uma boa correlação, podendo apenas antecipar alguns episódios de chuvas entre setembro e outubro, porém sem nenhuma garantia de regularidade na transição para o regime de chuvas de verão”, explica Etchichury.
O efeito mais evidente para o atual El Niño será a redução do frio no Sul e também o aumento das chuvas durante a primavera na região. Em 2012, não choveu bem na região, o que comprometeu a distribuição de energia, pois o Sudeste/Centro-Oeste teve que atender às necessidades desse sistema.
O sub-sistema Sul hoje está com 51% da capacidade total, sendo que na mesma época de 2001, ano do racionamento, o volume dos reservatórios era de 92,8%. “Apesar de corresponder a apenas 6,9% da produção total do Brasil, ele ganha importância nesta época, pois pode ajudar, ou atrapalhar o sistema interligado”, afirma Paulo Etchichury.
A ligação climática entre o ano de 2001 e de 2014 é muito próxima, pois os dois casos foram antecedidos de quatro verões com Oceanos mais frios que o normal, o que diminuiu a quantidade de chuvas. Portanto, os meses de novembro e dezembro serão decisivos para o setor, pois é a chuva desse período que definirá os rumos da produção de energia do país. (uol)

TCU questiona segurança energética

Relatório do Tribunal de Contas aponta fortes indícios de que a capacidade de geração de energia elétrica do Brasil é inadequada.
O tribunal de Contas da União (TCU) apontou “sérios indícios” de que a capacidade de geração de energia elétrica no Brasil é insuficiente, o que pode levar a dificuldades para atender à demanda dos consumidores no futuro. Relatório aprovado em 07/04/14 diz que não há como garantir segurança energética com base em parâmetros fixados pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão que assessora a Presidência da República no planejamento e implantação de medidas para o setor.
O TCU cita algumas causas para o problema, como possíveis falhas no planejamento da expansão da capacidade de geração; superavaliação da garantia física das usinas; indisponibilidade de parte do parque termoelétrico; e atraso na entrega de obras de geração e transmissão de energia.
A origem de muitos dos problemas identificados por auditores do tribunal de contas foi localizada na medida provisória editada pela presidente Dilma Rousseff para permitir o desconto na conta de luz, anunciado em 2012.
Para os auditores, alguns fatores ainda afetam, de forma indireta, a segurança energética no País. Um deles é a redução de receita das geradoras de energia "além do suportável", por causa da Medida Provisória da presidente, que mudou regras de concessões para dar descontos na conta de luz.
Por meio da MP, as empresas anteciparam a renovação dos contratos em troca de uma amortização dos investimentos que já tinham feito. Como o governo fechou novos contratos, foi possível cortar a tarifa cobrada do cidadão.
Para os auditores, também impactam o cenário de oferta de energia no futuro fatores como o provável aumento da tarifa, nos próximos anos, pela necessidade atual de comprar energia de usinas térmicas, mais cara que a de hidrelétricas. Além disso, outra questão que contribui para o problema é o déficit de geração, que o governo começou a resolver com leilão na semana passada.
Em decisão aprovada pelo plenário, o TCU manda o governo definir prazos para implantar medidas que minimizem os problemas. Um plano de trabalho terá de ser enviado à corte de contas no prazo de 90 dias.
Fase crítica
Redução do nível dos reservatórios provocado pela falta de chuvas agravou o problema energético do País.
90 dias é o prazo estabelecido pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para que o governo federal envie um plano de trabalho para solucionar o déficit de geração de energia elétrica no País. (OESP)

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Aparelhos de ar condicionado e a crise energética

Consumo de aparelhos condicionadores de ar e a crise energética brasileira
Em um país como o Brasil, com cerca de 71% da energia produzida a partir de matriz hidrelétrica, a necessidade de reduzir a dependência em relação ao uso da água pela diversificação da matriz energética e a busca por uso racional de energia ficam cada vez mais evidentes. A atual escassez de chuvas, o baixo nível de reservatórios de água no país e o aumento da renda média da população agravam, de forma explícita, o cenário de demanda crescente e abalo da segurança da oferta de energia.
O Brasil é o 9º maior consumidor de energia elétrica do mundo e o estudo da projeção do consumo para os próximos anos aponta continuidade da tendência de crescimento, com uma elevação em cerca de 55% (EPE, 2011). Grande parte dessa energia, assim como na maioria dos países do mundo, é destinada ao condicionamento artificial do ar. O Brasil figura, também, como o 5º maior comprador mundial de condicionadores de ar, considerando os aparelhos de janela e splits. Tal demanda tem se elevado rapidamente nos países desenvolvidos e ainda mais nas economias emergentes de clima quente. No ano de 2005, o condicionamento ambiental já representava 20% do consumo de energia elétrica no setor residencial brasileiro e 47% no setor comercial (ELETROBRAS, 2009).
Desde 2001, o Brasil possui mecanismos legais para direcionar a política nacional de conservação e uso racional de energia. Porém, apenas em 2007 foi aprovada uma regulamentação específica de condicionadores de ar, estabelecendo níveis mínimos de coeficiente de eficiência energética. Tal coeficiente é a razão entre a capacidade total de refrigeração (expressa em Watts) e a potência elétrica demandada (expressa em Watts). Em 2011, nova regulamentação foi publicada alterando as exigências com o objetivo de elevar os índices mínimos.
A elevação do desempenho dos equipamentos é uma necessidade evidente, tendo em vista o atual panorama energético nacional. Porém, o nível mínimo estabelecido na regulamentação brasileira ainda se mostra tímido se comparado ao praticado em outros países. Os atuais níveis mínimos exigidos pela legislação nacional são compatíveis apenas com o apresentado atualmente na Índia e com o que havia na China em 2004. A China, porém, em 2010 já elevou tal valor, e vários outros países analisados já apresentam dados superiores aos brasileiros.
Uma análise a respeito de condicionadores tipo split demonstra que economias como União Europeia, China e Japão comercializam produtos com eficiência muito superior aos melhores equipamentos brasileiros. O aparelho mais eficiente no Brasil apresenta coeficiente de eficiência energética de 4,79 W/W. Já na China, país de onde são importados grande parte dos condicionadores de ar consumidos no Brasil, há equipamentos com valores superiores a 6,0 W/W, e no Japão tal coeficiente ultrapassa 6,5 W/W.
No Brasil, apesar da tendência de redução do uso de condicionadores do tipo janela, é importante manter o diálogo com a indústria, de forma a elevar os níveis mínimos de eficiência. Quanto aos splits, é imprescindível e urgente a determinação de níveis mínimos de eficiência mais elevados, impulsionando o mercado a privilegiar os melhores equipamentos. É também importante a adoção do coeficiente de eficiência energética sazonal como parâmetro na regulamentação brasileira para favorecer os equipamentos com tecnologia inverter, notadamente mais eficientes que os convencionais. (ambienteenergia)

sexta-feira, 30 de maio de 2014

O choque de oferta energética e o decrescimento

A natureza gastou entre 50 e 300 milhões de anos para desenvolver os estoques mundiais de combustíveis fósseis. Mas, desde que Edwin Laurentine Drake, em 1859, perfurou o primeiro poço para a produção de petróleo (a uma profundidade de 21 metros), no estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, a humanidade já consumiu a metade das reservas existentes e recuperáveis. Até o final do século XX, em 125 anos, foram consumidos um trilhão de barris de petróleo. Calcula-se que outro trilhão será gasto em 30 anos, segundo o Cambridge Energy Research Associates.
Foram os combustíveis fósseis que possibilitaram a enorme produção de automóveis, os veículos de transporte em massa e as máquinas que movimentam a indústria e o agronegócio pelo mundo. A “revolução verde” não teria produzido tantos alimentos sem o “ouro negro”. O grande salto econômico da civilização aconteceu em decorrência da queima de carvão mineral, petróleo e gás. Sem esta fonte de energia abundante e barata o mundo não pode continuar funcionando na maneira atual. Por isto, qualquer crise energética assusta e o pico do petróleo é um anátema. A grande esperança contemporânea do atual modelo de desenvolvimento petroficado estava e está depositada na produção do petróleo não convencional e do gás de xisto. Porém, as notícias recentes não são encorajadoras para o processo de acumulação capitalista nesta área.
Em 2011, a Administração de Informação de Energia (Energy Information Administration-EIA), do Departamento de Energia dos EUA encomendou à INTEK Inc., uma empresa de consultoria com sede na Virgínia, a estimativa da quantidade de óleo que poderia ser recuperado a partir de vasta formação Monterey Shale da Califórnia. A INTEK, em um relatório opaco apontou que o campo de Monterey poderia produzir entre 13,7 e 15,4 bilhões de barris. A Universidade do Sul da Califórnia, em seguida, passou a usar a cifra de até 15,4 bilhões de barris para calcular lucros estupendos e grande arrecadação fiscal para o Estado da Califórnia, que está completamente endividado.
Mas para a tristeza geral dos desenvolvimentistas americanos e da indústria do petróleo, o jornal Los Angeles Times informou, agora em maio de 2014, que as autoridades energéticas federais reduziram em 96% a quantidade estimada de óleo recuperável nos vastos depósitos de Monterey, esvaziando seu potencial para meros 0,6 bilhão de barris. Ou seja, em uma tacada, sumiram pelo menos 13 bilhões de barris. Se as demais estimativas de produção de gás de xisto estiverem sobrestimadas, as previsões de produção da EIA podem ser todas reduzidas, o que significa um agravamento do cenário de escassez de energia fóssil nos próximos anos. Seria o fim definitivo do sonho da independência energética dos EUA e o começo de uma grande crise energética no mundo.
Os erros da Administração de Informação de Energia (EIA) não são isolados e raros. Segundo David Hughes, a produção de gás de xisto dos EUA está superestimada. Segundo o geólogo: “The EIA is the elephant in the room when it comes to energy statistics. Its data and forecasts are widely used by analysts and the media and influence energy policy. There is no room for the significant scale of errors and distortions reported herein".
O fato, é que a época dos combustíveis fósseis abundantes e baratos está chegando ao fim. O petróleo convencional já está em declínio desde 2005. O petróleo de águas profundas (como o pré-sal) tem custos muito elevados. Se o gás de xisto não crescer na expectativa da EIA, a crise virá mais cedo do que se esperava. Estamos entrando em uma época de escassez e de restrição de oferta de energia extrassomática. Os custos, provavelmente, devem se elevar, gerando crise social e recessão econômica, pois toda vez que o preço da energia sobe há um efeito negativo sobre o desempenho econômico. Estudos econométricos mostram que um aumento de US$ 10 dólares no preço do barril significa uma diminuição de cerca de 0,5% no crescimento do PIB mundial. Todas as recessões econômicas dos últimos 40 anos foram precedidas pelo aumento do preço do petróleo, como mostra o gráfico abaixo.
O Brasil e a América Latina sofreram muito com a recessão econômica dos anos de 1980. A região passou por anos difíceis e as condições sociais pioraram na chamada década perdida. A recessão de 2009 não teve efeitos tão dramáticos, porque os Bancos Centrais do mundo injetaram bilhões de unidades monetárias para estimular o crédito e o consumo. O endividamento aumentou e as taxas de juros mundiais ficaram artificialmente baixas, enquanto tem crescido a especulação financeira nas bolsas de valores.
Porém, as análises internacionais dizem que, dentre outras bolhas financeiras, uma “bolha de carbono” pode aprofundar uma nova crise econômica mundial, pois os mercados estão investindo pesado em reservas de combustíveis fósseis, mas devido ao alto custo de extração e por serem incompatíveis com a segurança climática, podem nunca vir a ser usadas. Segundo o instituto britânico Carbon Tracker, a “bolha de carbono” é o resultado de um excesso de valorização pelos mercados globais das reservas de carvão, gás e petróleo detidas por empresas de combustíveis fósseis.
Uma análise do desempenho econômico da indústria petrolífera mostra uma situação preocupante. A estudiosa Gail Tverberg, atuária e decrescentista, com base em uma apresentação de Steven Kopits, Diretor da Douglas-Westwood, mostra que as grandes empresas de petróleo, de capital aberto, estão em dificuldade, pois aumentaram as despesas de capital (Capex) – gastos como exploração, perfuração e implantação de novas plataformas de petróleo offshore – mas tiveram a producão de petróleo bruto reduzidas desde 2006. O mercado financeiro esperaria que a produção de petróleo bruto subisse quando o Capex aumentasse, mas Kopits mostra que, de fato, desde 2006, o Capex tem continuado a aumentar, mas a produção de petróleo caiu. Ou seja, o dinheiro está indo para o “buraco”, mas o petróleo não está saindo na proporção esperada. Desta forma, Tverberg questiona: “Quem vai comprar todos esses ativos no mercado e a que preço?"
Portanto, o que estamos vendo neste momento é a redução do que as empresas consideram petróleo economicamente extraível e reservas provadas. O petróleo barato já foi extraído e queimado e os novos campos requerem muitos recursos e a Energia Retornada sobre a Energia Investida (EROEI) muitas vezes não compensa a exploração. A produção de petróleo no oceano, distante da costa, na camada de pré-sal e em águas profundas, adiciona custos altíssimos. A possibilidade de produzir, em grande quantidade, gás de xisto (hydraulic fracturing and horizontal drilling), mesmo para as reservas provadas, está esbarrando na falta de água e nos perigos de contaminação dos lençóis freáticos. A Petrobras e as grandes empresas petrolíferas estão endividadas e com o valor de suas ações desmilinguindo.
Assim, parece que a falta de investimentos suficientes está prestes a jogar o sistema para baixo, o que era basicamente o predito em “Limites do Crescimento”, de Dennis e Donella Meadows. Um aumento ainda maior do preço do petróleo (que já está ao redor de US$ 100,00 o barril) poderia estimular a elevação da atividade de perfuração. Mas, por outro lado, a economia mundial não suportaria uma elevação dos custos, desencadeando uma nova recessão econômica. O mundo está começando a entender e reconhecer os limites da natureza, que sempre foi vista com uma coisa a ser dominada e explorada pelo desenvolvimento econômico e o progresso humano.
A escola da economia ecológica, por sua parte, sempre ensinou que a economia é um subsistema do ecossistema e este é finito, não cresce do nada, é materialmente fechado e tende para a entropia. A ideia de descolamento entre economia e recursos materiais e energéticos não se comprovou verdadeira na prática. Tudo indica que a era dos limites chegou e a curva exponencial será revertida. O desenvolvimento atual tem gerado um “crescimento deseconômico”, com os custos sendo maiores do que os benefícios, como afirmou Herman Daly. Ele completa: “Precisamos decrescer até chegar a uma escala sustentável que, então, procuramos manter num estado estacionário” (DALY, 2011). Também William Rees mostra que o caminho para o equilíbrio entre demanda e oferta passa pelo decrescimento econômico, pois a economia mundial ultrapassou a capacidade de carga do Planeta.
Não existem muitas alternativas para a escassez energética. A época “milagrosa” do “ouro negro” está chegando ao fim e o aumento do preço da energia deve trazer para a cena cotidiana o fantasma da recessão, do desemprego e do agravamento das condições sociais. Desde 2010, a economia internacional tem se recuperado de forma lenta e diversos países já sofrem na conjuntura atual, como os PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha), Turquia, Síria, Egito, Ucrânia, Tailândia, Argentina, Venezuela e, de certa forma, o Brasil. Há claramente um decrescimento do ritmo de crescimento econômico internacional e um aumento das incertezas. Provavelmente, nenhum país do mundo ficará de fora da próxima recessão mundial.
Depois de 250 anos de crescimento inigualável, desde o aperfeiçoamento da máquina a vapor (utilizando combustível fóssil) por James Watt, em 1768, chegou a hora de colocar na agenda internacional a questão do Estado Estacionário e o fim do crescimento ilimitado da exploração das riquezas naturais. Parece que está chegando a hora da verdade para a acumulação do lucro e o crescimento exponencial do consumo. Somente um decrescimento planejado poderá evitar o caos. No futuro, uma economia estável poderá vir a prevalecer após o mundo decrescer e fazer a pegada ecológica caber dentro da biocapacidade da Terra, respeitando a diversidade das espécies sobreviventes e as fronteiras planetárias. (ecodebate)