sexta-feira, 8 de julho de 2016

Oceanos se recuperaram após acidente de Fukushima

Oceanos se recuperaram após acidente de Fukushima, dizem cientista
Usina de Fukushima, após o desastre nuclear – Em 11 de março de 2011, o mundo soube da tragédia de Fukushima: um fortíssimo terremoto e um tsunami de grandes proporções, a que se seguiu a explosão de uma usina nuclear com todas as consequências de um acidente nuclear: a difusão de radioatividade, que permanecerá ativa durante anos, ameaçando muitas gerações. 
Os cientistas acreditam que, após o acidente na usina nuclear japonesa de Fukushima 1, o nível de radiação nos oceanos voltou ao normal. Esta conclusão consta do relatório do Comitê Científico de Pesquisas Oceânicas (Scientific Committee on Oceanic Research), que reúne especialistas de todo o mundo. O acidente ocorreu em março de 2011.
O relatório é baseado em 20 medições dos níveis de radiação em diferentes partes do Oceano Pacífico — do Japão à América do Norte. Segundo os cientistas, as razões de redução da radiação nos oceanos são as correntes submarinas, que transportam as substâncias nocivas para o fundo do mar, onde elas parcialmente perdem as suas características.
Pesquisadores acreditam que durante cinco anos todas as substâncias radioativas serão completamente dissolvidas em água ou serão inativadas.
No que diz respeito à fauna, como foi observado por um dos autores do relatório, o professor australiano de radioquímica Pere Masque, em 2011 cerca de metade das amostras de peixe nas águas costeiras de Fukushima continham uma quantidade de radiação significativamente acima da norma, mas, em 2015, este número caiu abaixo de 1%.
Assim, podemos esperar nova queda deste indicador, o que fará com que os peixes na área se torne saudável. Apesar disso, a vigilância da situação ecológica vai continuar.
Os resíduos radioativos líquidos podem ser vertidos ao oceano de maneira especial ou ser armazenados em fossas oceânicas, diz o geoquímico russo e especialista em radioecologia Viktor Kopeikin:
“É costume considerar um prazo de armazenamento dos resíduos fortemente radioativos de mil anos ou mais. Ao mesmo tempo, deve ser garantida a segurança do local de armazenamento. Mas quem realmente pode dar essa garantia? Vemos como em diferentes áreas, calmas durante milhares de anos, de repente ocorrem cataclismos fortes e muito destrutivos. Nem vale a pena falar do Japão, onde constantemente há perturbações.”
Água armazenada
Centenas de toneladas de água armazenada na usina nuclear de Fukushima foram purificadas de césio e estrôncio. Mas o trítio (um isótopo radioativo de hidrogênio) modifica as moléculas de água e, portanto, é difícil separá-lo.
Este ano, uma comissão especial vai considerar três projetos que chegaram à final do concurso internacional para a purificação de água de trítio anunciado pelo Japão. Os projetos são um russo, da companhia RosRAO, outro da empresa norte-americana Kurion e um terceiro do consórcio nipo-canadense GE/Hitachi.
No entanto, a purificação da água de trítio é um processo muito dispendioso, por isso, é possível que a água seja lançada para o oceano. Os ambientalistas japoneses exigem que o trítio seja removido da água, apesar de a sua radiação ser mais fraca do que a de estrôncio ou de césio. Muitos cientistas dizem que os receios são infundados, porque o trítio é considerado um dos materiais radioativos menos perigosos produzidos em usinas nucleares.
“A radioatividade do trítio é tão fraca que ela não penetra nem mesmo através de um invólucro de plástico”, argumenta Shunichi Tanaka, físico japonês, vice-presidente do Instituto de Pesquisas Nucleares (The Nuclear Regulation Authority). (ecodebate)

Brasil vai esportar urânio

As 4 toneladas serão divididas em três lotes, com teores de enriquecimento de 1,9%, 2,6% e 3,1%.
Brasil exportará urânio enriquecido pela primeira vez.
Acordo já prevê envio inicial de 4 toneladas de dióxido urânio para um reator em Lima, na Argentina.
A empresa brasileira Indústrias Nucleares do Brasil (INB) exportará urânio enriquecido pela primeira vez. A empresa, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, firmou acordo com a empresa estatal argentina Combustibles Nucleares Argentinos (Conuar), que prevê o envio de quatro toneladas de pó de dióxido de urânio para a carga inicial de abastecimento de um reator nuclear localizado na cidade de Lima, ao norte de Buenos Aires.
O contrato, no valor de US$ 4,5 milhões, foi assinado em junho.
'Yellowcake’ (Bolo amarelo): o urânio já livre de impurezas, ideal para produção de energia.
Enriquecido na fábrica da INB em Resende (RJ), o produto ainda precisa de autorização da Coordenação-Geral de Bens Sensíveis do ministério e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) para completar o processo de exportação, o que deve ocorrer até o fim deste ano.
Além do Brasil, o urânio é enriquecido por outros 11 países. A tecnologia usada na unidade da INB em Resende é a de ultracentrifugação para enriquecimento isotópico, desenvolvida pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo em parceria com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, autarquia gerida administrativa e tecnicamente pela Cnen.
'Yellowcake’ de usina da International Atomic Energy Agency (IAEA)
Segundo o ministério, a exportação não afeta o abastecimento de combustível das centrais nucleares de Angra dos Reis (RJ). Atualmente, a Usina de Enriquecimento tem seis cascatas de ultra centrífugas em operação e atende a cerca de 40% das necessidades de Angra 1.
O acordo com a Argentina não envolve intercâmbio de conhecimento, uma vez que prevê a entrega de um produto pronto, mas abre essa perspectiva. A empresa estatal argentina Invap participa do desenvolvimento do Reator Multi-propósito Brasileiro, e os programas nucleares dos dois países são contemporâneos, iniciados na década de 1960.
Criada em 1988, a INB atua na cadeia produtiva do urânio, da mineração à fabricação do combustível que gera energia elétrica nas usinas nucleares. A empresa pública tem sede no Rio de Janeiro e também está presente nos estados da Bahia, Ceará, Minas Gerais e São Paulo.
O que é, afinal, urânio
O urânio é um mineral com propriedades físicas de emitir partículas radioativas, a radioatividade. Sua principal aplicação comercial é na geração de energia elétrica, como combustível para os reatores nucleares de potência.
Segundo a INB, o Brasil tem a sétima maior reserva geológica de urânio do mundo, o que permite o suprimento das necessidades domésticas no longo prazo e uma possível disponibilização do excedente para exportação. As reservas estão concentradas nos estados da Bahia, do Ceará, Paraná e de Minas Gerais, com cerca de 309 mil toneladas de concentrado de urânio.
A única mina de urânio em operação no Brasil está em Caetité (BA) e tem capacidade de produzir 400 toneladas de concentrado de urânio por ano. Em 2013, a produção mundial de urânio concentrado foi 70.330 toneladas. (yahoo)

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Uso voluntário de biodiesel nos transportes coletivos

Associação propõe uso voluntário de biodiesel nos transportes coletivos
O Brasil usa 7% de biodiesel no diesel fóssil, mas uma lei já aprovada no Congresso Nacional aumenta a mistura de até 15%.
No entanto, da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) propõe o uso voluntário, ou seja, que as empresas de transporte coletivo e os governos passem a utilizar o biocombustível, reduzindo em 15% as emissões de gases do efeito estufa.
Segundo o diretor superintende diretores da Ubrabio, Donizete Tokarski, que participou do Cotidiano em 08/06/16, o Brasil dispõe de biodiesel suficiente para atender a demanda, porque "as indústrias brasileiras hoje têm capacidade industrial instalada e autorizada pela Agência Nacional de Petróleo para produzir até 7,5 bilhões de litros por ano", explicou. (biodieselbr)

Madri aposta em ônibus híbridos à biodiesel

Para controlar poluição, Madri aposta em ônibus híbridos à biodiesel
Madri está reforçando o grupo de cidades europeias que vê na adoção veículos híbridos uma boa solução para o controle das emissões de seu sistema de transportes públicos.
Em meio de maio/16 a capital espanhola anunciou a compra de 51 veículos fabricados pela montadora sueca Scania que podem rodar abastecidos com até 100% de biodiesel. (biodieselbr)

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Expansão de energia solar esbarra na falta de tecnologia

Expansão de energia solar fotovoltaica esbarra na falta de tecnologia nacional
A avaliação é do estudo “Energia Solar no Brasil: Situação Atual, Perspectivas e Recomendações”, elaborado pelo Comitê de Energia da Academia Nacional de Engenharia (ANE)
A energia solar fotovoltaica representa atualmente 0,02% da matriz elétrica brasileira, conforme dos dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). A aposta do governo para mudar esse cenário tem sido os leilões de energia, onde o País já conseguiu aproximadamente 15 gigawatts (GW) vendidos nesse setor. A estimativa da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) é que até a próxima década o Brasil possa gerar 60 GW de potência instalada apenas com a fonte solar fotovoltaica.
O alto custo de compra e instalação de painéis fotovoltaicos, no entanto, tem sido um dos maiores entraves para a disseminação do uso da energia solar no Brasil. Segundo especialistas do setor, o valor pode chegar a R$ 50 mil em uma residência média, ou seja, de até quatro moradores. A carga tributária elevada torna a fonte uma das mais caras do mercado. Além do custo, a dificuldade de expandir o uso também está ligada à dependência da importação de painéis fotovoltaicos. Hoje, o País não tem tecnologia ou insumos necessários para desenvolvê-los.
A avaliação é do estudo “Energia Solar no Brasil: Situação Atual, Perspectivas e Recomendações”, elaborado pelo Comitê de Energia da Academia Nacional de Engenharia (ANE). Segundo o pesquisador e coautor do estudo, Eduardo Serra, o Brasil possui uma infraestrutura “quase nula” de fabricação de energia solar fotovoltaica. No País, fábricas de módulos fotovoltaicos ainda estão sendo instaladas nas regiões Nordeste e Sudeste, com capacidade de produção estimada entre 20 e 400 megawatts por ano (MWp/ano).
“Durante muito tempo vamos depender de importação de painéis fotovoltaicos. Uma das razões é porque para produzi-los é preciso ter silício de grau solar. Apesar de o Brasil ser um dos maiores detentores, nós só fabricamos aqui em grau metalúrgico. É uma tecnologia cara e poucos países a fabricam”, informou Serra.
O pesquisador ressaltou a necessidade de considerar a inexistência de unidades de produção de silício grau solar no País, pois a produção de módulos fotovoltaicos precisa ter um volume compatível com o que está sendo contratado nos leilões. Com a ausência de políticas de desenvolvimento tecnológico, ele não visualiza uma independência brasileira nesse campo. “Todos os módulos instalados nas futuras usinas, projetados para os próximos anos, certamente usarão painéis importados e inversores importados”, apontou.
Para o Brasil conseguir uma autonomia de produção da cadeia solar fotovoltaica, Serra defende a capacitação de mais profissionais de nível superior, com conhecimentos necessários das tecnologias da energia solar. Dessa forma, eles atuariam em pesquisas básica e aplicada, criando projetos de engenharia e transferência de tecnologia de materiais e equipamentos utilizados.
“Isso demora, mas em hipótese nenhuma significa que não se deva fazer, porque não podemos desmoralizar a tecnologia nacional. Para isso, tem que ter gente sendo formada, pesquisando, para criar toda a infraestrutura que permita que a tecnologia entre e permaneça”, avaliou.
No exterior
Um país que tem desenvolvido a tecnologia em larga escala é a China. Ela possui os insumos e o conhecimento necessário para estabelecer sua cadeia produtiva. O país produz 60% dos módulos fotovoltaicos no mundo, com uma capacidade acumulada instalada de 137,7 GW. Segundo Eduardo Serra, o preço de painéis fotovoltaicos na China e demais países asiáticos, abastecidos pelo mercado chinês, pode ser três vezes menor que o encontrado no Brasil.
Outras formas
O estudo avalia também o cenário de outras formas de geração de energia solar, como a por aquecimento d’água e a termossolar. A primeira opção, atualmente, tem seu uso mais intensivo nas regiões Sul e Sudeste do País, de forma residencial, para substituir o consumo do chuveiro elétrico. O estudo aponta que os custos iniciais mais elevados de instalação, em relação ao chuveiro, “representam uma barreira a ser vencida pela possibilidade de retorno a ser obtido em prazo mais longo.”
Já a termossolar não possui sistemas instalados no Brasil. Mesmo com uma grande vantagem em relação à fotovoltaica, por possibilitar uma geração firme de energia por períodos longos de baixa insolação por radiação direta, a tecnologia não está disponível no País. O estudo destaca que, potencialmente, “o custo da energia elétrica gerada pode ser menor com o desenvolvimento da tecnologia.” (ecodebate)