quinta-feira, 14 de abril de 2022

Itaipu inaugura 1ª fábrica de biometano do país

Itaipu inaugura primeira fábrica de biometano do país.
A produção do gás, não poluente, será destinada ao abastecimento dos veículos automotores de uso em Itaipu.
Itaipu Binacional inaugura planta de produção de biometano com uso de mistura de esgoto, restos orgânicos de restaurantes e poda de grama. Veículos de Itaipu são abastecidos com biometano.

A Itaipu Binacional inaugurou a primeira planta de produção de biometano, gás não poluente, com características similares às do gás natural. O biometano resulta da purificação do biogás, obtido a partir de mistura de esgoto, restos orgânicos e poda de grama. Esse processo para obtenção do biogás substitui o processo usado normalmente com dejetos de animais. De acordo com a empresa, essa será a primeira unidade de fabricação de biogás desse tipo no Brasil.

A fábrica recebeu investimento de R$ 2,16 milhões e tem capacidade de produção de 4 mil m3 de biometano por mês. Produção equivale a ⅕ da capacidade da fábrica, informou o superintendente de Energias Renováveis de Itaipu, Paulo Afonso Schmidt.

A produção de biometano será destinada ao abastecimento de veículos. De acordo com Schmidt, essa produção é suficiente para 80 a 100 veículos que rodem em média 800 quilômetros mês. Atualmente, 70 veículos da frota de Itaipu são abastecidos com biometano. Serão utilizados para a produção do biometano na fábrica, mensalmente, 10 toneladas de restos de alimentos e resíduos orgânicos e 30 toneladas de poda de grama.

No final de 2014, a Itaipu integrou à sua frota veicular o primeiro carro movido a biometano, usado pela Superintendência de Energias Renováveis da usina. A fábrica foi construída entre 2015 e 2016 e desde março, funciona em caráter experimental. "Essa é uma usina de última geração em termos de produção de biogás. Serve para a gente desenvolver o domínio de tecnologias, de sistemas, coisas que nos permitam apoiar outras iniciativas na região", afirmou o superintendente.

Paulo Schmidt espera ainda desenvolver processos e tecnologias que apoiem o produtor rural na área de produção de carnes, tendo em vista que o volume de dejetos animais, além de causar danos ao meio ambiente, apresenta risco para o reservatório de Itaipu. A transformação de dejetos animais em biometano, além de produzir energia para consumo próprio, poderia representar renda adicional para os produtores. O superintendente afirmou que a tecnologia poderá ser aplicada em prefeituras e empresas como fonte de produção de energia. "Itaipu vai apoiar iniciativas como essa", afirmou.

Eficiência

O projeto foi desenvolvido em parceria pela Itaipu Binacional, pelo Parque Tecnológico de Itaipu e pela Eletrobras. Segundo presidente do Centro Internacional de Energias Renováveis de Itaipu (CIBiogás), Rodrigo Régis, os recursos investidos na fábrica equivalem a menos de um terço do valor de um empreendimento similar feito na Alemanha, com a mesma eficiência.

Além de produzir biometano e biofertilizante, a fábrica reduz os gases de efeito estufa e traz benefícios para o tratamento de resíduos. O custo hoje do projeto é de até R$ 0,09 por quilowatt-hora (km-h). Para Itaipu, atualmente, o gasto por quilômetro rodado alcança R$ 0,26, contra R$ 0,36 o custo por quilômetro rodado com etanol.

Vantagens do biometano

Segundo o pesquisador do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), Luciano Basto, o biometano é, do ponto de vista técnico, similar ao gás natural, podendo substitui-lo em todas as suas funções, com menor impacto ambiental.

“Se a gente substituir a importação de qualquer coisa por um produto nacional melhor para o meio ambiente e para a saúde humana, já é positivo”, afirmou Basto. Do ponto de vista do consumidor, o biometano tende a ser mais barato do que a gasolina, “o que acarreta uma segunda vantagem significativa", completou. A combustão desse produto ainda é menos danosa para o motor, o que aumenta a vida útil do equipamento e barateia a manutenção.

O Brasil tem potencial para produzir em torno de 100 milhões de metros cúbicos por dia de biometano, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia. “Isso equivale ao que o Brasil importa de diesel e de gasolina”, analisou o pesquisador. Ele afirmou que, caso haja fábricas de biometano para uso veicular nos diversos estados do país, “existe biomassa residual suficiente na agricultura, na pecuária confinada, na agroindústria e nos resíduos urbanos líquidos e sólidos para abastecer toda a demanda hoje atendida por importação”. Diversos tipos de veículos, como ônibus, caminhões e veículos leves poderiam utilizar o combustível.

A tecnologia já é totalmente dominada no mundo, capitaneada pelo gás de xisto nos Estados Unidos, que estimulou que as montadoras desenvolvessem veículos pesados a gás. “Como o biometano é igual ao gás natural, não há problema quanto à sua utilização”, afirmou Basto.

O biometano ainda mitiga emissões de gases de efeito estufa, assunto em voga diante da decisão dos Estados Unidos de se retirar do Acordo de Paris, compromisso global de redução dessa emissão. “O mundo inteiro está atrás dessa questão do Acordo de Paris, e o Brasil tem mais um ingrediente muito positivo nessa esfera, a custos muito competitivos”, declarou o pesquisador. (agenciabrasil.ebc)

terça-feira, 12 de abril de 2022

Importância do hidrogênio verde para a transição energética

Saiba o que é o hidrogênio verde e a sua importância para a transição energética.

Considerado fundamental para a descarbonização, o hidrogênio verde é produzido por eletrólise da água (que até pode ser do mar), usando energia renovável.
O hidrogênio verde vem sendo considerado a chave para a descarbonização mundial. Com potencial de geração energética 3 vezes maior que a gasolina, o combustível pode ser utilizado na indústria e no transporte, reduzindo as emissões.

Para produzi-lo, a tecnologia já é conhecida. O processo para retirar o hidrogênio/H2 da água/H2O utiliza energia elétrica e para que tenha a denominação verde, essa energia deve ser oriunda de fontes renováveis.

Além disso, também é possível retirar o hidrogênio do petróleo, gás, carvão – mas, neste caso, as iniciativas não contribuem para a descarbonização.

Hidrogênio combustível: chave para um futuro de carbono neutro.

Quais os diferentes tipos de hidrogênio?

Hidrogênio marrom é aquele produzido a partir da gaseificação do carvão.

Hidrogênio cinza é produzido com combustíveis fósseis, especialmente gás natural. O processo é altamente poluente, pois são 10 kg de CO2 para cada 1kg de H2 produzido, conforme destaca um estudo da McKinsey.

Hidrogênio azul é produzido a partir da captura de CO2 nas chaminés das indústrias e armazenamento em um local apropriado, como um poço de petróleo esgotado ou camadas profundas de água do mar. Nesse caso, as emissões são de 1-3 kg de CO2 para cada 1 kg de H2.

Hidrogênio verde é produzido a partir da eletrólise de água (que inclusive pode ser do mar), com o uso de energia gerada a partir de fontes renováveis.

Como se produz hidrogênio verde?

O hidrogênio verde pode ser produzido a partir de eletrodos submersos, que criam uma corrente elétrica contínua, a qual separa o hidrogênio do oxigênio presente na água. Depois, o hidrogênio (na forma gasosa) é armazenado de forma comprimida em recipientes específicos, de forma a possibilitar o seu transporte para os locais onde será utilizado.

Esse procedimento demanda uma grande quantidade de energia elétrica. Por isso, para que o gás resultante seja considerado sustentável (verde), é essencial utilizar eletricidade oriunda de fontes renováveis. O custo da energia é determinante para viabilizar a produção de hidrogênio.

Hoje, esse processo ainda é considerado caro. Mas, segundo estudo da Agência Internacional de Energias Renováveis (Irena), o custo atual do hidrogênio verde pode cair de cerca de US$ 6 por quilo para US$ 1 a US$ 2 por quilo na década de 2030.

Um estudo do Wood Mackenzie estima que os custos cairão até 64% até 2040. Enquanto isso, o banco de investimento Goldman Sachs avalia que o mercado de hidrogênio verde ultrapassará US$ 11 trilhões em 2050.
Por que o hidrogênio verde é tão relevante na transição energética?

Qual a importância do produto para a transição energética?

Ele é considerado uma alternativa promissora para permitir que a redução dos custos de geração de energia renovável também chegue a setores que atualmente são considerados de difícil descarbonização e responsáveis por grande quantidade de emissões.

Um exemplo disso é o uso no setor de siderurgia, que responde por cerca de 7% das emissões globais de CO2. Atualmente, os fabricantes de aço usam carvão tanto para aquecer fornos quanto para purificação.

O Brasil é considerado privilegiado para a produção de hidrogênio verde, dado o potencial de energia hidrelétrica, eólica e solar, sistema elétrico integrado e de baixo carbono e posição geográfica vantajosa para alcançar a Europa e a costa leste norte-americana, ressalta um relatório recente da McKinsey. No entanto, o Plano Nacional do Hidrogênio/PNH2 indica a abertura de múltiplas rotas para produção H2, incluindo de fontes fósseis, como o gás natural.

Importância do Hidrogênio Verde para a descarbonização no Brasil.

Como está o desenvolvimento do hidrogênio verde no mundo?

O levantamento da consultoria McKinsey também apontava que, até julho de 2021, havia cerca de 359 projetos para a produção de hidrogênio verde em grande escala no mundo, somando US$ 150 bilhões em investimentos.

Apesar do grande potencial, o Brasil não está entre os países que estão com a tecnologia mais avançada. De acordo com reportagem da BBC, a Austrália lidera a produção, com cinco megaprojetos. O maior deles é o Asian Renewable Energy Hub, em Pilbara, na Austrália Ocidental, onde está prevista a construção de uma série de eletrolisadores com capacidade total de 14 GW. O projeto deve ser concluído até 2028.

Em seguida vem a Holanda, com o projeto NortH2 no Porto do Ems, liderado pela Shell, que prevê a construção de pelo menos 10 GW de eletrolisadores. A meta é ter 1GW até 2027 e 4GW até 2030, utilizando a energia eólica offshore.

Na Alemanha, o maior projeto é o AquaVentus, na pequena ilha de Heligoland, no Mar do Norte. O plano é gerar 10 GW de capacidade até 2035.

A China, embora seja a maior produtora de hidrogênio, o faz a partir de hidrocarbonetos. Já a Mongólia trabalha na construção de um megaprojeto de hidrogênio verde, que deve ficar pronto ainda este ano e irá gerar 5 GW a partir de energia eólica e solar.

Na Arábia Saudita, o projeto Helios Green Fuels, baseado na cidade inteligente de Neom, instalará 4 GW de eletrolisadores até 2025.

Por fim, o Chile, único país da América Latina na lista, tem dois grandes projetos em desenvolvimento. O HyEx, parceria da ENGIE com a empresa chilena de serviços de mineração Enaex; e o Highly Innovative Fuels (HIF), da AME, Enap, Enel Green Power, Porsche e Siemens Energy. O primeiro, no norte do país, usará energia solar para abastecer eletrolisadores de 1,6 GW. E o hidrogênio verde gerado será usado na mineração. Um teste piloto inicial planeja instalar 16 MW até 2024. O segundo projeto usará energia eólica para gerar combustíveis à base de hidrogênio.

Portos brasileiros se preparam para exportar hidrogênio verde

Apesar de o Brasil não estar entre os países com os maiores projetos, o potencial de desenvolvimento é grande. De olho nisso, os portos nacionais já se articulam para criar centrais de distribuição de hidrogênio.

Suape, em Pernambuco, e Pecém, no Ceará, são os principais exemplos. O segundo assinou memorando de entendimento com a Engie para o desenvolvimento de hidrogênio verde no estado, enquanto os pernambucanos têm um memorando de entendimento com a Qair Brasil para a construção de uma planta de eletrólise de água com investimento estimado em US$ 3,8 bilhões.

Hidrogênio verde pode acelerar descarbonização do setor de transportes.

Em Pecém, o desenvolvimento de hidrogênio verde prevê o uso de energia elétrica gerada pelo Complexo Eólico Marítimo Dragão do Mar e de um parque de energia eólica offshore. O investimento total previsto é de US$ 6,95 bilhões. (alemdaenergia)

domingo, 10 de abril de 2022

Hidrogênio verde terá relevância no transporte

Para Statkraft, hidrogênio verde terá relevância no transporte.
Energético poderá ser usado em casos em que eletrificação não for competitiva.

O hidrogênio verde terá um papel fundamental na transição energética. Essa é a avaliação de Fernando de Lapuerta, Country Manager da Statkraft no Brasil. O executivo participou da Conferência Internacional Low Emissions Scenario, realizada nesta quarta-feira, 2 de março. Para o executivo, o H2 verde será importante por ser capaz de suprir os usos onde a eletrificação não for competitiva ou rentável na comparação com os combustíveis fósseis, como nos transporte pesados, por aviões ou barcos.

Ele deu como exemplo um barco do Rio de Janeiro para Oslo movido a eletricidade, em que seriam necessários outros três barcos adicionais com baterias. “Mostra que a eletricidade não é objetiva nesse caso, não é viável”, explica. Segundo ele, o hidrogênio entra em casos como esses e também vai ajudar na intermitência das renováveis. O insumo não teria uma participação relevante na matriz, ficando em torno de 10%, mas teria um papel de reduzir a temperatura estipulada em acordos internacionais, considerados fundamentais. Ainda segundo ele, o custo do energético ainda é alto, mas disse que tem observado queda ao longo dos anos.

A Statkraft é uma das maiores produtoras de energia renovável na Europa. No ano passado, a empresa adquiriu uma empresa de energia solar, o que potencializou negócios na área, além de ter concluído o maio parque eólico da Europa.

No Brasil, controla 18 ativos de geração renovável com cerca de 450 MW de potência instalada. A empresa também constrói um dos maiores complexos eólicos da América Latina, o Ventos de Santa Eugênia, localizado na Bahia, com cerca de 600 MW. A usina deve gerar quase 2,3 TWh de energia renovável por ano, o suficiente para abastecer 1,17 milhão de residências. “A empresa passa por um momento crucial nessa luta contra a mudança climática e assume um papel de liderança.”, discursou. (canalenergia)

sexta-feira, 8 de abril de 2022

Os avanços e as lacunas da transição energética

O nível atual do investimento global na transição energética está muito aquém do necessário para evitar um aquecimento global catastrófico.

“Assim como a Idade da Pedra não acabou por falta de pedras, a Era do Petróleo chegará ao fim, não por falta de óleo” - Ahmed-Zaki Yamani.

As diversas Conferências das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas chamaram a atenção para a necessidade de uma rápida mudança da matriz energética mundial para atingir a meta de emissões líquidas zero até 2050. Para tanto, superar a Era dos combustíveis fósseis e avançar na geração de energia renovável é essencial.

Para garantir esta transição epocal é preciso investimentos de grande monta. Mais de 130 países estabeleceram ou estão considerando metas de redução de gases de efeito estufa (GEE). O lado positivo é que o mundo gastou US$ 755 bilhões na implantação de tecnologias de energia de baixo carbono, um aumento de 27% em relação ao ano anterior. O gráfico abaixo, mostra os 10 principais países por investimento em transição energética, que juntos, investiram US$ 561 bilhões na transição energética, quase três quartos do total mundial.
O grande destaque é a China que investiu US$ 266 bilhões em 2021, representando 35,2% dos investimentos globais. Os EUA aparecem em 2º lugar com US$ 114 bilhões (15,1% do total global). Alemanha em 3º lugar com US$ 47 bilhões (6,2% do total). Reino Unido com US$ 31 bilhões (4,1% do total), França com US$ 27 bilhões (3,6% do total), Japão com US$ 26 bilhões (3,4% do total), Índia com US$ 14 bilhões (1,9% do total), Coreia do Sul com US$ 13 bilhões (1,7% do total), Brasil com US$ 12 bilhões (1,6% do total) e Espanha com US$ 11 bilhões (1,5% do total).

No Brasil, o cenário se apresenta promissor. Por ser um país tropical e abundante de fontes renováveis, o potencial de desenvolvimento da transição energética é muito maior que em outros continentes. Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), a geração solar distribuída teve um crescimento médio de 231% ao ano no Brasil. Cerca de R$ 19,4 bilhões em investimentos, desde 2012.

Transição energética no Brasil

Contudo, o nível atual do investimento global na transição energética está muito aquém do necessário para evitar um aquecimento global catastrófico. Um relatório da consultoria McKinsey & Company, “Report The net-zero transition: What it would cost, what it could bring” mostra que os custos para transformar a matriz energética global e efetivar as emissões líquidas zero em 2050 será muito alto e complicado. Uma economia global líquida zero não precisará apenas de uma redução significativa das emissões do setor de energia. Também precisará de mais do que sugere a frase favorita dos ambientalistas, “mantenha-o no chão”. Já a indústria de hidrocarbonetos tenta vender a ideia que as tecnologias de captura de carbono podem compensar a continuidade da queima de combustíveis fósseis.

Meta Net-zero precisará de investimentos na transformação de indústrias intensivas em energia, como siderurgia e cimento, e nos setores de construção, agricultura e silvicultura, entre outros. Transição necessária para que o mundo alcance emissões líquidas zero até 2050 exigiria gastos de US$ 275 trilhões entre 2021 e 2050, ou US$ 9,2 trilhões em gastos médios anuais em ativos físicos.

Os atuais investimentos de US$ 755 bilhões em energias renováveis em 2021 precisariam ser multiplicados por 12 vezes para ficar dentro das necessidades para evitar que o clima global ultrapasse 1,5ºC em relação ao período pré-industrial. O Brasil, por exemplo, que possui 2,7% da população mundial, investe somente 1,6% do total mundial em energias renováveis. Desta forma, se muito foi feito até aqui, muito mais ainda falta se fazer para realizar uma transição energética capaz de evitar um colapso climático global.

Os Estados do Brasil tem importante papel na transição energética nacional. (ecodebate)

quarta-feira, 6 de abril de 2022

Solar deve ser a renovável com mais retorno

Solar deve ser a renovável com mais retorno, aponta Bank Of America.

Relatório aponta questões de redução de capex de 50% em 10 anos e gargalos de transmissão para eólica como fatores que favorecem a solar.
O Bank Of America divulgou um relatório onde aponta que a fonte solar deve entregar os melhores retornos no Brasil entre as fontes renováveis. A instituição financeira aponta que a competição esperada pelo crescimento do setor de geração no Brasil exige diferenciação entre as fontes e elegeu a solar como a preferencial por conta da possibilidade de queda do capex que pode cair 50% nos próximos 10 anos ante os 4% estimados em eólica, há ainda gargalos em transmissão que não estão acompanhando a expansão da geração por meio dos ventos.

“Em nossas estimativas, a Solar poderia oferecer mais de 110 base points (bp) de TIR ante a eólica nos próximos 10 anos, enquanto as tendências de longo prazo podem ampliar ainda mais a lacuna, impulsionada principalmente pela tecnologia associada à redução de capex e O&M da cadeia de suprimentos”, afirma o Bofa.

Além do investimento a questão da operação e manutenção tem como ponto de destaque a expansão considerada robusta na cadeia de suprimentos que, provavelmente, deve ser traduzida em manutenção mais rápida e barata. É estimada uma redução de 26% até 2030 para a solar na comparação com a eólica, segundo cálculos do banco.

E ainda, entre os pontos que o Bofa toma como base cita a produção de energia. Apesar de reconhecer que os dados históricos são relativamente limitados, afirma que a produção solar tem sido mais consistente para níveis certificados (P90/P50) na comparação com eólica. A quinta razão pela qual destaca a solar é o custo de capital, argumenta que pode oferecer maior potencial de VPL devido ao spread IRR/WACC.

Contudo, destaca ainda que é necessário saber as principais tendências do setor. Nesse sentido, indica que o LCOE, o custo nivelado de energia, para energia solar e eólica, incluindo análises de sensibilidade está em R$ 194/MWh para energia solar, mas com expectativa de redução de 21% em 10 anos.

Em geral, o banco relata que os investimentos potenciais em renováveis no país são de R$ 190 bilhões nos próximos 10 anos, Contudo, acredita que dificilmente todos sairão do papel. Isso porque é o equivalente à um novo Brasil com 70 GW médios. E ainda, porque com mais concorrência os retornos são reduzidos.

“Embora não esperemos mais retornos estelares em energias renováveis, ainda vemos espaço para TIRs atraentes (spread de ~320bp vs rendimentos de títulos). Em nossa opinião, 2 combinações podem oferecer retornos acima da média. O primeiro é a capacidade solar vendida para clientes de médio porte e o segundo a geração distribuída, embora incorporando riscos maiores”, apontou o relatório.

O Bofa indica ainda que um prêmio de energia renovável de longo prazo justo é da ordem de R$ 50/MWh. Atualmente calcula que os PPAs de fontes renováveis estão com um valor na ordem de R$ 42/MWh em relação às fontes hídricas desde 2018, com desconto na transmissão e ingresso no mercado livre.

Nos riscos para os investidores está o excesso de oferta. A instituição avalia que, “normalmente, retornos pouco atraentes tendem a desacelerar os investimentos. No entanto, esperamos que as energias renováveis greenfield mantenham um ritmo acelerado, intensificando o excesso de oferta atual e pressionando os preços da energia. Por quê? Novas renováveis têm prazo difícil para entrar em operação para se beneficiarem do desconto de transmissão de 30 anos”.

E destaca que a geração de energias renováveis é um dos temas mais em evidência no mundo. Isso por conta dos compromissos cada vez maiores com a descarbonização. A atratividade do segmento tem sido apoiada pela melhoria tecnológica reduzindo custos e incentivos governamentais.

Em geral, afirma que ainda há potencial de VPL em renováveis. “Estimamos que projetos de energias renováveis poderiam render cerca de 10% de TIR real ao vender sua capacidade a R$ 177/MWh, o que poderia pressionar os preços de energia convencional, por exemplo, hidrelétrica”, afirma. E acrescenta que vê dois fatores principais apoiando os retornos em energias renováveis. O primeiro é a regulação sobre como os compradores de energia podem ter incentivos para pagar o prêmio indicado acima e o segundo trata de como se espera que os custos de construção e manutenção manter as tendências de queda. (canalenergia)