terça-feira, 4 de junho de 2024

MRV condomínios com a GD solar terão economia de R$ 20 mi em 25 anos

Construtora, pioneira na construção destes projetos, também fala na redução da emissão de gases equivalente a 30 mil toneladas e CO2.
A MRV prevê que os condôminos recebam R$20.457.590,25 em desconto pela economia de energia nos próximos 25 anos.

A MRV&CO estima, para os próximos 25 anos, uma economia de mais de R$ 20 milhões para os condôminos e a redução de emissão de gases equivalente a 30 mil toneladas de CO2, mediante a geração de energia solar. Desde 2017 a empresa passou a implantar sistemas de geração de energia fotovoltaica em seus empreendimentos e, atualmente, 70% dos lançamentos da MRV já são realizados com usinas fotovoltaicas.

O retorno é esperado pelos condôminos deixarem de pagar parte significativa das despesas relacionadas à conta de energia em sua taxa de condomínio devido à implantação da usina fotovoltaica e uma valorização média de 4,5% dos imóveis, impactando uma média de 39.407 famílias com a economia gerada.

Além dos condomínios, a construtora conta com duas usinas próprias: a UFV Arquelau, em Uberaba, Minas Gerais, em operação desde o final de 2020 e com potencial de geração anual de energia de 1.125 MWh, e uma usina na Bahia, inaugurada em abril de 2022, com um potencial de geração anual de 489,7 MWh.

Segundo Raphael Lafetá, diretor de Relacionamento Institucional e Sustentabilidade da empresa, a MRV&CO possui metas ambiciosas em relação às mudanças climáticas.

“A MRV&CO é pioneira, no setor de construção civil, nesse movimento, e tem o papel de influenciar positivamente, demonstrando que as práticas de ESG não são apenas um compromisso, mas uma necessidade para o desenvolvimento sustentável do setor. Na cadeia da construção civil, todos ganham: a empresa, os condôminos e a sociedade em geral”, disse Lafetá.

Para a estimativa, o estudo do grupo teme como base três eixos metodológicos de avaliação: Matriz de Materialidade estratégica aos ODS, Teoria da Mudança e Retorno Social do Investimento – SROI.

Como retorno social do investimento, a MRV prevê que os condôminos recebam R$20.457.590,25 em desconto na taxa de condomínio em decorrência da economia de energia nos próximos 25 anos.

O grupo é composto por MRV, Luggo, Sensia, Urba e Resia, que têm investido em modelos energéticos mais sustentáveis. Com as usinas, a empresa ainda projeta uma redução de emissão de gases equivalente a 30 mil toneladas de CO2. Já em ações sociais conduzidos pelo grupo, o estudo prevê um retorno de mais de R$ 12 milhões, com a implementação das usinas fotovoltaicas. (megawhat)

Marco Legal do Hidrogênio Verde e a transição energética

Hidrogênio verde é entendido como um dos principais caminhos para substituir os combustíveis fósseis, gerando grande impacto financeiro e estabelecendo conceitos importantes para este mercado no Brasil.

O Brasil está avançando na regulação do mercado de hidrogênio verde, entendido como um dos combustíveis do futuro.

No final de 2023, a Câmara Federal aprovou o Marco Legal do Hidrogênio Verde, que trata de princípios, objetivos, governança, certificação e incentivos fiscais para investimentos no setor. No Senado, outro projeto avança (PL 5.816/23) voltado ao desenvolvimento da indústria do hidrogênio de baixo carbono tanto para o abastecimento do mercado interno quanto externo.

Na discussão sobre a transição energética para uma economia de baixo carbono, o hidrogênio verde aparece em destaque como uma das opções mais viáveis para o planeta. Uma estimativa da Consultoria Markets&Markets projeta que a demanda pelo combustível hidrogênio chegará a 680 milhões de toneladas métricas em 2050. Em 2020, este mercado era de 87 milhões.

“Os desafios da produção de hidrogênio verde estão em várias frentes, mas uma delas é, sem dúvida, a questão regulatória. Quanto mais estabelecido e claro estiver este segmento, maior o potencial de atração de investidores e de investimentos necessários neste momento de discussão sobre a transição energética. Por isso, o marco legal é importante na corrida dos países para produção e exportação de energia renovável”, diz Nathalia Lima Barreto, advogada especializada em direito ambiental do escritório Razuk Barreto Valiati.

Hidrogênio é produzido a partir da eletrólise da água, com baixa ou 0 emissões de carbono em seu processo produtivo. Entretanto, para obter o selo de “hidrogênio verde”, é preciso garantir que o combustível seja oriundo de fontes renováveis (água, sol e vento, etc).

O que diz o Marco Legal

Entre as principais medidas do texto, estão a criação da Política Nacional do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono, que vai regular este mercado no país. O PL também define que a governança do setor estará sob a responsabilidade da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Os produtores ainda poderão aderir ao Sistema Brasileiro de Certificação do Hidrogênio, voltado à promoção de seu uso de forma sustentável. A iniciativa cria o Rehidro, o Regime Especial de Incentivos para a Produção de Hidrogênio, com o propósito de garantir desenvolvimento tecnológico e industrial, competitividade e agregação de valor às cadeias produtivas, estabelecendo regras de certificação e regulação para as empresas do segmento.

“A produção dos hidrogênios verde, renovável ou de baixo carbono passa a ser atrativa para o mercado com as demandas crescentes dos stakeholders para implantação de programas de descarbonização e ampliação das energias renováveis. Dessa forma, é importante que a legislação brasileira estabeleça conceitos e definições precisas sobre o hidrogênio verde, políticas de incentivo, além de diretrizes, trazendo segurança jurídica ao negócio”, ressalta Nathalia.

Outro ponto destacado por Nathalia é que diversos países do mundo estão buscando fontes renováveis de energia. A União Europeia busca atingir a neutralidade climática até 2050. Por isso, é fundamental que o Brasil busque a consolidação de parcerias que podem trazer investimentos para a viabilidade e sustentação de uma cadeia produtiva no país.

Possíveis aplicações do hidrogênio verde

Ainda desconhecido de boa parte da população, o hidrogênio verde é visto como uma das soluções mais viáveis para substituir os combustíveis fósseis devido à versatilidade e à confiabilidade. Sua aplicação é vista como fundamental em algumas frentes:

1 – Transporte, pois pode ser usado para carros, navios e até mesmo como combustível de aviação.

2 – Aquecimento: diversos países dependem do gás para manter a temperatura de ambientes. Trata-se de um caminho seguro para diminuir a dependência deste combustível fóssil.

3 – Insumo para a indústria: pode ser aplicado como matéria-prima para diferentes plantas, além de ser incorporado a processos relacionados à produção de aço, de cimento, de papel, de alumínio, entre outros. (ecodebate)

Em 2024, 1 em cada 5 carros vendidos no mundo será elétrico

Em 2024, mais de um em cada cinco carros vendidos no mundo será elétrico.

Em 2024, mais de um em cada cinco carros vendidos no mundo será elétrico, diz da AIE.

Relatório da Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) estima que mais de um em cada cinco carros vendidos em todo o mundo este ano será eletrificado, com as vendas atingindo cerca de 17 milhões até ao final do ano.

Relatório indica que este ano vendas de carros elétricos na China aumentem para cerca de 10 milhões.

Relatório Global anual da Agência Internacional de Energia indica que a expectativa é que esse ano mais de um em cada cinco carros vendidos em todo o mundo seja elétrico, prevendo-se que o aumento da procura durante a próxima década irá refazer a indústria automóvel global e reduzir significativamente o consumo de petróleo para o transporte rodoviário.

De acordo com o relatório, as vendas globais de automóveis elétricos deverão permanecer robustas em 2024, atingindo cerca de 17 milhões até ao final do ano. No primeiro trimestre, as vendas cresceram cerca de 25% em comparação com o mesmo período de 2023, mas já a partir de uma base maior. Ainda segundo o relatório, o número de elétricos vendidos globalmente nos primeiros trimestre do ano é quase o mesmo de número todo o ano de 2020.

Em 2024, a previsão é que as vendas de carros elétricos na China aumentem para cerca de 10 milhões, representando cerca de 45% de todas as vendas de automóveis no país. Nos EUA, estima-se que cerca de um em cada nove automóveis vendidos seja elétrico, enquanto na Europa, apesar das perspectivas geralmente fracas para as vendas de automóveis de passageiros e da eliminação progressiva dos subsídios em alguns países, os elétricos ainda deverão representar cerca de um em quatro carros vendidos.

O ‘Outlook’ da AIE conclui que, de acordo com as definições políticas atuais, todos os outros automóveis vendidos a nível mundial deverão ser elétricos até 2035. Mas caso os compromissos energéticos e climáticos anunciados pelos países forem cumpridos na íntegra e no prazo, dois em cada três automóveis vendidos serão elétricos até 2035. Neste cenário, a rápida adesão – desde automóveis a vans, caminhões e veículos de duas e três rodas – evita a necessidade de cerca de 12 milhões de barris de petróleo por dia.

Segundo o Diretor Executivo da AIE, Fatih Birol, em lugar de reduzir os poucos, a revolução global dos veículos elétricos parece estar se preparando para uma nova fase de crescimento. Para ele, a onda de investimento na fabricação de baterias sugere que a cadeia de fornecimento de veículos elétricos está avançando para cumprir os ambiciosos planos de expansão dos fabricantes de automóveis. Como resultado, espera-se que a percentagem de VE nas estradas continue a aumentar rapidamente.

Na China, mais de 60% dos carros elétricos vendidos em 2023 já eram mais baratos de comprar do que os equivalentes convencionais. Mas na Europa e nos EUA, os preços de compra dos movidos a combustão interna permaneceram, em média, mais baratos, embora se espere uma redução nos preços nos próximos anos. Mesmo quando os preços iniciais são elevados, os custos operacionais mais baixos dos VE significam que o investimento inicial é compensado ao longo do tempo.

Ainda de acordo com o relatório da AIE, garantir que a disponibilidade de carregamento público acompanhe as vendas de elétricos é crucial para o crescimento contínuo. O número de pontos de carregamento públicos instalados globalmente aumentou 40% em 2023 em relação a 2022, e o crescimento dos carregadores rápidos ultrapassou o dos mais lentos. No entanto, para atingir um nível de implantação de veículos eléctricos em linha com os compromissos assumidos pelos governos, as redes de carregamento precisam de crescer seis vezes até 2035. O planejamento também não deve ser esquecido para que uma maior procura de eletricidade para carregamento não sobrecarregue as redes.

Carros elétricos podem chegar a 86% de participação em 2030, diz pesquisa

Com a paridade de preços à vista, os VEs poderão responder por mais de 2/3 dos veículos novos vendidos (canalenergia)

domingo, 2 de junho de 2024

A quem interessa mais usinas nucleares no Brasil?

Nada discretamente, poderosos grupos lobistas, nacionais e internacionais, pressionam o governo federal e a sociedade brasileira para aceitarem a necessidade de expansão de usinas nucleares no país utilizando justificativas falaciosas e mentirosas.

São conhecidos personagens e empresas que sempre boicotaram as fontes renováveis de energia, e retardaram a entrada em operação das tecnologias solares e eólicas no país. Defensores das termelétricas a combustíveis fósseis e da eletricidade nuclear desprezam os interesses nacionais, em detrimento dos interesses econômicos, pessoais e empresariais.

Afirmar que a energia elétrica produzida por materiais radioativos é “energia verde”; “energia limpa”; que é mais barata que outras formas de geração; que riscos de acidentes inexistem; que os resíduos das reações nucleares (conhecidos como “lixo atômico”) podem ser armazenados com segurança por milhares de anos; que o país precisa desta fonte energética para evitar apagões futuros é desconhecer a ciência. Essas inverdades têm a intenção de buscar a aceitação popular para uma fonte de energia perigosa, suja e cara. Não esqueçamos que mentir é um ofício destes grupos, cujo único objetivo são os negócios, os interesses econômicos, pouco se lixando para a soberania nacional, para a população que acaba sofrendo com as decisões completamente equivocadas na política energética nacional.

No governo do atraso foi indicado para ministro de Minas e Energia (MME) um almirante de Esquadra da Marinha. Aquele mesmo, envolvido no cabuloso negócio do contrabando das “joias das arábias”

(https://www.ihu.unisinos.br/categorias/627478-usinas-nucleares-joias-das-arabias-e-outros-trambiques-artigo-de-heitor-scalambrini-costa), que em 16/12/2020, aprovou e anunciou o Plano Nacional de Energia 2050 (PNE50), cuja determinação é a expansão do parque de geração nuclear no Brasil em 8 GW e 10 GW, nos próximos 30 anos.

Assim, o planejamento prevê fazer investimentos bilionários em um setor marcado pela polêmica e por conflitos socioambientais. Documentos oficiais apontam que o Governo Federal pretende expandir o número de usinas e abrir o setor para a iniciativa privada, sendo que atualmente a Constituição Federal veda esta possibilidade. Embora defendida como uma medida ambientalmente sustentável, a cadeia da energia nuclear no Brasil tem um histórico marcado por um rastro de contaminação, graves acidentes e mortes.

Ao nos referimos à cadeia produtiva da geração nuclear, estamos falando de várias indústrias envolvidas na produção do combustível atômico. Da mineração, do beneficiamento do minério, do enriquecimento do urânio, da fabricação do combustível e do armazenamento do lixo letal. É neste contexto que temos que discutir e afirmar, categoricamente, que esta tecnologia não interessa ao país.
O Brasil possui duas usinas em operação atualmente: Angra 1 e Angra 2, instaladas no município de Angra dos Reis, Rio de Janeiro, com potencial de geração de 2 mil megawatts. E a usina inacabada de Angra 3, iniciada em 1985, cujos equipamentos já foram comprados e são absolutamente obsoletos, frente à evolução tecnológica. Acabar este elefante branco significa investimentos de aproximadamente 17 bilhões de reais.

A potência instalada e a geração de energia das duas usinas em operação são desprezíveis quanto à participação na matriz elétrica nacional. Em nada contribuem para a transição energética, nem para a segurança energética do país. São unidades que já ultrapassaram suas vidas úteis e são conhecidas como “vaga-lumes” devido às interrupções frequentes no fornecimento de energia, e dos inúmeros problemas técnicos e operacionais cuja frequência escalou desde 2023. Uma grande irresponsabilidade que ainda estejam em funcionamento.

Todavia, os lobistas de plantão – com espaço e palco concedidos para suas mentiras e enganações pela grande mídia corporativa – têm aliados poderosos no meio militar que almejam construir a bomba nuclear. São evidentes tais interesses nas declarações de seus comandantes e em acordos internacionais realizados. Dizem que ter a bomba é essencial para a segurança nacional. Pura balela. Vivenciamos hoje, segundo Papa Francisco, que o mundo está à beira de uma guerra nuclear, e a pergunta que não quer calar é “e nossa bomba tupiniquim teria qual efeito apaziguador, diante de um histriônico presidente à frente de uma nação detentora de tal artefato desprezível?

O que é escondido da população é que acidentes em usinas nucleares acontecem com muita mais frequência do que os conhecidos e divulgados. Geralmente não chegam ao domínio público, não são revelados a população.

Assim, é impositiva a pressão da sociedade sobre parlamentares, gestores das estatais e governo federal para a realização do urgente e inadiável debate público sobre a política nuclear brasileira, alvo frequente de auditoria e advertências do Tribunal de Contas da União. (ecodebate)

Sai o petróleo, entra a água: nasce uma nova química

“É previsível que, em um futuro próximo, muitos processos industriais adotem a água como meio de reação. A água também participa de novos processos de produção de energia e poderá tornar-se importante na engenharia ambiental. Está nascendo uma nova química”, enfatiza.

Vislumbrando expectativas para uma ciência que passa por uma grande revolução.
Na opinião de Galembeck, “é previsível que, em um futuro próximo, muitos processos industriais adotem a água como meio de reação”

O título desta matéria, além de ousado, parece inverossímil. Como a água, substância incolor, inodora e não comburente, mitigadora da sede de humanos e animais, garantidora do crescimento das plantas e da subsistência de animais aquáticos, utilizada para extinguir o fogo, pode vir a substituir derivados do petróleo e contribuir para a despoluição e sustentabilidade da Terra?

Comprovações experimentais dos últimos 20 anos têm mostrado que processos de síntese de substâncias orgânicas, antes apenas realizados em solventes voláteis nocivos à saúde e ao meio ambiente, agora podem ser realizados com o emprego da água. Esses estudos indicam que a utilização da água leva a aumentos muito significativos na velocidade das transformações e, em consequência, otimiza a utilização de plantas industriais e diminui os gastos com energia e custos de produção. Mais que isso: processos que as teorias vigentes apontavam impossíveis tornaram-se viáveis com a água. O emprego inovador dessa substância descortina ainda a possibilidade de haver novos processos de produção e de novos produtos, almejados por uma população mundial já grande e crescente em que cada vez mais pessoas deixam o nível de miséria e buscam uma qualidade de vida melhor. A partir da água está surgindo uma nova química que pode levar à maior revolução da história da área.

O professor Fernando Galembeck: “Podemos acreditar que temos uma nova e poderosa caixa de ferramentas para a construção de uma economia sustentável e modos de vida mais inclusivos”

Essas considerações permeiam o artigo publicado na Chemical Society Reviews pelo professor aposentado e atual colaborador do Instituto de Química (IQ) da Unicamp Fernando Galembeck. Nesse trabalho de revisão, realizado pelo professor a convite do periódico (que lhe deu liberdade para escolher o tema do artigo), o docente questiona afirmações amplamente aceitas por químicos, engenheiros e estudantes que frequentam desde o ensino fundamental até as universidades. São afirmações desafiadas por muitos fatos recentes. A propósito, diz Galembeck: “Muito do que se ensinou e se aprende até hoje está sendo substituído por novos conceitos. As mudanças de paradigmas têm possibilitado a compreensão de observações que destoam das ideias predominantes na química há mais de dois séculos. Estamos passando por uma revolução científica que cria enormes oportunidades para a pesquisa e para o desenvolvimento na área, com base na substância mais abundante no e compatível com o meio ambiente: a água. Podemos acreditar que temos uma nova e poderosa caixa de ferramentas para a construção de uma economia sustentável e modos de vida mais inclusivos”.

Para o professor, a importância que a água está assumindo na química evidencia-se pelas dezenas de artigos publicados somente neste primeiro quarto de século por pesquisadores renomados tratando de síntese química, energia e química atmosférica. Segundo esses textos, usar a água no lugar de substâncias voláteis traz múltiplas vantagens: acelera as transformações químicas, reduz a contaminação do ar, das águas e dos solos, aumenta o nível de salubridade dos laboratórios e fábricas, reduz riscos de incêndio e de explosão e diminui custos com matéria-prima e operacionais. “É previsível que, em um futuro próximo, muitos processos industriais adotem a água como meio de reação. A água também participa de novos processos de produção de energia e poderá tornar-se importante na engenharia ambiental. Está nascendo uma nova química”, enfatiza.

O depois para explicar o antes

Galembeck lembra que, no início dos anos 2000, fez observações inesperadas levando em conta o que se sabia sobre a eletrização da matéria. O cientista examinou plásticos e borrachas, metais e cerâmicas, e os resultados experimentais contrariaram uma das ideias mais difundidas nas ciências, a de que os ambientes naturais e antrópicos são eletroneutros, ou seja, não contêm campos elétricos. Ao contrário, o látex natural e filmes plásticos sempre apresentam mosaicos de cargas elétricas, mesmo em escalas microscópicas. Os primeiros resultados foram publicados em 2001. Em 2010, o grupo transformou em artigo científico uma demonstração experimental provando que a umidade do ar eletriza sólidos, algo recebido por pesquisadores da área com entusiasmo, mas também com ceticismo. A partir de 2014, outros artigos sobre o tema foram publicados, mas nenhum deles negou o efeito, pelo contrário, todos confirmaram sua existência em vários materiais, comprovando não se tratar de um fato isolado ou raro. Os revisores dos sucessivos textos sobre o tema cobravam sempre explicações, mas os mecanismos envolvidos nesses efeitos eram apenas hipotéticos.

Em 2023, Galembeck e colaboradores demonstraram que a produção de eletricidade a partir da umidade e da água líquida faz-se acompanhar pela produção de hidrogênio e água oxigenada, sem a necessidade de qualquer outra fonte de energia. Outros pesquisadores estavam mostrando que água oxigenada e o hidrogênio se formam espontaneamente nas gotículas de um spray. Por isso, ao receber o convite da Royal Society of Chemistry para escrever seu artigo, o professor decidiu falar sobre a eletrização em interfaces de substâncias, um assunto polêmico, discutindo as suas consequências. Embora bem enfronhado nas pesquisas com a eletrização em aerossóis, o docente não conhecia outros trabalhos sobre os orgânicos sintéticos. Estudando a literatura, percebeu que o tema era mais amplo do que pensava.

Em seu artigo de revisão, o pesquisador descreve vários processos relacionados à eletrização nas interfaces de materiais, isto é, nas superfícies em que se encontram duas fases de um sistema. No entanto, em vista da importância da água, Galembeck dá ênfase ao que ocorre nas interfaces dessa substância com outras: “Pesquisadores do MIT [sigla em inglês para Instituto de Tecnologia de Massachusetts] provaram que mais de 60 amostras de água, das mais diferentes origens, em seus recipientes, apresentaram, todas elas, cargas negativas. Como explicar isso? Sabe-se que a água sofre uma pequena ionização em que se formam íons H+ e OH-. Quando se tem a interface água-ar, ions H+ da superfície do líquido saem e se unem à umidade do ar. Restam os íons OH-, tornando a água negativa. Esse fenômeno ocorre apenas nas interfaces e não no interior das fases. A exemplo da ação da água, constatou-se que uma miríade de processos ocorre em interfaces eletrizadas das mais diferentes substâncias e em cada caso os mecanismos precisam ser devidamente esclarecidos. A constatação de que todas as interfaces são eletrizadas, de que, portanto, não existem matérias eletro neutras, estabelece um novo paradigma, ou seja, uma nova noção oposta à anterior, ainda muito difundida e aceita. E esse novo paradigma pode causar uma revolução na química”.

Nascimento de uma ‘nova química’: estudos demonstram que a água já substitui os solventes derivados do petróleo em processos de síntese

Voltando ao antes

A história das reações em interfaces aquosas (on-water reactions) começou dez anos antes das descobertas da eletrização da matéria pela água. Em razão disso, a maior parte da literatura específica não incorpora a ideia de eletrização. Ideia essa, aliás, que ainda não é consenso, embora calcada em fatos experimentais. O professor esclarece que, no artigo de revisão, pretendeu mostrar, com base em conceitos clássicos da química, em dados obtidos em laboratório e em parâmetros termodinâmicos, como a energia de Gibbs – parâmetro que permite determinar a espontaneidade de um processo químico – é afetada pelo potencial elétrico ambiente, o que nunca tinha sido feito. Com isso, por meio da eletrificação das interfaces, pode-se explicar enfim por que uma reação não espontânea passa a ser espontânea. Galembeck confessa haver se surpreendido, ao iniciar o trabalho de revisão, com o grande número de descobertas já divulgadas desde o início deste século, mas mal-entendidas e que fugiam aos parâmetros de comportamento então esperados pelos químicos. Ao se dar conta disso, ocorreu-lhe que a onipresente eletrização das substâncias poderia ser a causa comum dos surpreendentes comportamentos descritos. Frise-se que outros pesquisadores já tinham aventado essa possibilidade, sem verificá-la.

Juntando as coisas

Galembeck explica que muitos resultados publicados nos últimos 20 anos em diferentes áreas de pesquisa desmentem algumas crenças científicas e tecnológicas atuais e fornecem elementos para algumas conclusões: 1) a água começa a ser reconhecida como o meio ideal para a síntese química, dispensando o uso de solventes; 2) o contato com a água eletriza a maior parte dos materiais, permitindo a invenção de novos processos de produção de energia; 3) qualquer matéria é sempre formada por mosaicos de cargas positivas e negativas, frequentemente localizadas nas interfases aquosas.

A aceitação cada vez maior dessas constatações começa a provocar grandes mudanças no pensamento químico, e os fatos correlatos mostram que o comportamento de produtos químicos em interfaces eletrificadas aquosas pode ser muito diferente do comportamento atualmente reconhecido, algo que as teorias vigentes não conseguem explicar. Isso levou à análise das propriedades termodinâmicas das espécies iônicas, mostrando que essas propriedades se modificam de acordo com o potencial elétrico do local em que as substâncias envolvidas estão. Alteram-se seu comportamento químico e seu comportamento físico, viabilizando, por exemplo, os geradores hidroelétricos, que poderão vir a ser utilizados no interior de florestas, pois não dependem do vento ou da luz solar.

Essas descobertas, sempre envolvendo a presença da água, estimulam a exploração do que já se conhece e a busca por novos fatos, criando muitas oportunidades para pesquisadores acadêmicos e da indústria. O docente arremata: “Como a água é abundante, barata e facilmente reciclável ou reaproveitada, as novas tecnologias baseadas nela atendem muito bem ao paradigma da engenharia inclusiva e compatível com o ambiente dentro do objetivo de produzir mais, com menos recursos, para mais gente, ou MLM [more from less for more]. Todas essas expectativas me permitem dizer, sem modéstia, que está nascendo uma nova química, benigna e compatível com as demandas da transição para a sustentabilidade”. (jornal.unicamp)