segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Engie divulga resultados de demonstrador agrovoltaico vertical francês

A empresa de energia francesa disse que sua instalação agrovoltaica de 100 kW ligada à criação de vacas na região francesa de Puy-de-Dôme não modificou o funcionamento dos prados e o comportamento animal.
A Engie Green, uma unidade da gigante francesa de energia Engie, opera um demonstrador agrovoltaico vertical há dois anos no local do Instituto Nacional de Pesquisa Agrícola (INRAE) em Laqueuille, departamento de Puy-de-Dôme, na região de Auvergne-Rhône-Alpes, no centro da França.

A escolha desta tecnologia fotovoltaica foi feita devido ao seu perfil de produção, com a central solar produzindo durante um período alargado das 5h às 20h devido à implantação vertical dos painéis.

Os primeiros resultados mostraram que, até 2024, a energia produzida pelo piloto de 100 kW, chamado Camélia, havia superado em 30% a produção de uma usina terrestre com a mesma potência.

Além disso, a Engie também divulgou dados agronômicos mostrando que a usina entrou em seu segundo ano de monitoramento agronômico e em seu primeiro ano de produção de energia solar.

As observações iniciais mostram que a presença de painéis solares modifica o microclima do prado. Ao longo de vários meses, os pesquisadores mediram uma redução pela metade da velocidade do vento sem nenhuma grande mudança na direção do vento. Ao longo de um dia, as instalações solares modificam temporariamente as condições de luz e térmicas em ambos os lados dos painéis. “No entanto, como todos os dados microclimáticos ainda não foram analisados, teremos que esperar outro ciclo para tirar conclusões relevantes”, explicou a empresa.
Os diferentes tamanhos das fileiras internas.

No que diz respeito à produção de biomassa vegetal, se esta não for modificada pela distância aos painéis ou pela orientação Leste-Oeste, o campo com espaçamento de 18 metros é mais produtivo do que o de 12 metros. Várias explicações são apresentadas pelo INRAE: a variabilidade espacial intrínseca da parcela, a presença de um pouco mais de grama e, potencialmente, um pouco mais de luz em 18 metros do que em 12 metros.

Por fim, todos os animais presentes na parcela de Camélia foram equipados com sensores para medir atividades como ingestão, ruminação, repouso e ficar em pé, bem como sua posição na sombra ou luz e sua posição espacial via GPS. Durante o primeiro ciclo de pastejo em maio, em condições úmidas e frias, os cientistas observaram que os animais passavam cerca de ⅓ do tempo nas entrelinhas dos painéis e ⅔ do tempo ao redor dos painéis.

Em condições mais quentes e ligeiramente secas, durante o segundo ciclo de pastejo em junho-julho, os animais passaram um pouco mais de tempo à sombra das árvores localizadas na parcela. Além disso, a presença dos painéis não parece modificar sua atividade, pois os perfis de atividade foram semelhantes aos da parcela de Camélia e de outra parcela utilizada durante o interpastejo. Mais uma vez, essas observações iniciais feitas no gado devem ser mais exploradas com um conjunto de dados mais completo sobre os outros ciclos de pastejo estudados. (pv-magazine-brasil)

Energia solar é aliada do horário de verão prá superar desafios no setor elétrico

Energia solar pode ser aliada ao horário de verão para superar desafios no setor elétrico.

Especialistas estimam que a energia solar poderá gerar energia por até duas horas extras, favorecendo regiões com maior irradiação e exigindo menos das hidrelétricas e termelétricas, o que também impacta em uma redução de custos para o consumidor.
O possível retorno do horário de verão está em análise pelo governo como uma estratégia para enfrentar os desafios do setor elétrico, especialmente durante os horários de pico de consumo e diante de uma seca intensa e prolongada. Neste contexto, a geração de energia solar pode ser um argumento a favor da mudança horária. De acordo com estudo recente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a medida poderia reduzir em até 2,9% a demanda de eletricidade e postergar o pico de consumo em até duas horas, o que aliviaria a pressão sobre a rede.

Nos últimos cinco anos, o cenário energético brasileiro mudou significativamente com a expansão da energia solar. Em 2019, a capacidade instalada de energia solar era de 5 GW; em agosto de 2024, esse número chegou a 47 GW, representando quase 20% da matriz elétrica do país. Esse crescimento torna o impacto do horário de verão mais relevante do que em anos anteriores, uma vez que essa fonte pode ajudar a atender a demanda por mais tempo, evitando o acionamento de usinas térmicas, que são mais caras e prejudiciais ao meio ambiente.

A seca severa que o Brasil enfrenta, a pior em 70 anos, reduziu a capacidade das hidrelétricas, que respondem por 46% da capacidade de geração de energia no país – incluindo a geração distribuída. Para compensar essa redução, o sistema tem recorrido cada vez mais às usinas térmicas, cujo uso eleva os custos da energia e aumenta as emissões de gases de efeito estufa.

Atualmente, o horário de maior demanda no Brasil é entre 19h e 20h, seguido de um segundo pico entre 14h e 15h, impulsionado pelas indústrias, segundo especialista de estudos de mercado e preços de energia da Thymos Energia, Pedro Moro. Ele avalia que a mudança para o horário de verão já não se trata de mudar o modo de consumo como antigamente, mas sim de ajustar a geração. “A energia solar vai gerar uma hora a mais todos os dias, e perder uma hora a menos no começo do dia, quando não é tão necessária. Para um consumidor de Geração Distribuída, seria um benefício porque teria a geração na ponta. E para o caso da inversão de fluxo, também é positivo pois reduz a diferença entre o consumo residencial e a geração solar.  A possível volta de um horário de verão é benéfica para o setor elétrico de forma geral, inclusive na centralizada”, afirma o executivo.

Em questão de custos, embora o retorno do horário de verão não vá reduzir diretamente o valor das tarifas para o consumidor, ele pode evitar apagões e diminuir a necessidade de acionamento das usinas térmicas, economizando cerca de R$ 400 milhões em custos operacionais. Essa economia pode aliviar o sistema elétrico em momentos críticos, especialmente durante os meses de maior risco de escassez de energia.

Caetano Mancini, meteorologista sênior da Tempo OK.

“Vemos para outubro e novembro um panorama que não é favorável para chuva, em especial para as regiões Centro-Oeste e Sudeste. Devemos ter uma melhora gradual a partir de dezembro, com uma possível ocorrência de La Niña, o evento climático de resfriamento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. É preciso aproveitar a geração pelos próximos dois meses, pois além do tempo úmido que se aproxima ter a chance de prejudicar a irradiação solar, existem outros fatores imprevisíveis como a fumaça causada pelas queimadas. Em agosto, a fumaça causou uma redução de 20% na irradiação solar, prejudicando a geração”, disse o meteorologista Sênior da Tempo OK, Caetano Mancini, à pv magazine.

Mancini ainda afirma que, tanto sob o ponto de vista meteorológico quanto energético, o horário de verão faz sentido. Segundo o meteorologista, a Geração Distribuída ajuda a não pressionar o reservatório ou acionar as termelétricas, o que é fundamental no cenário de tempo seco. “Hoje, a energia solar é uma matriz energética muito mais representativa do que em 2019, quando o horário de verão foi abolido. Isso tem uma contribuição enorme para o sistema, que poderia ter até mais 3 horas de sol com os dias escurecendo mais tarde”.

Fred Menezes, diretor-executivo da Armor Energia.

Já para Fred Menezes, diretor-executivo da Armor Energia, comercializadora de energia e hub de negócios com foco no Mercado Livre, o custo da energia também segue em alta devido ao tempo seco, com o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) chegando a R$ 500 em outubro. “O cenário atual é difícil de prever, tudo o que precisa acontecer é chover no período úmido para que não se fale mais em crise energética. Mas enquanto isso não acontecer, os preços continuarão crescendo”, comenta.

Menezes reforça o quanto e energia solar é relevante para o sistema interligado fora do horário de verão, e com o retorno da medida, seria ainda mais impactante: “Se não tivéssemos a energia solar para segurar esses momentos de alta temperatura, teríamos que suprir essa demanda com os reservatórios e as térmicas caras. Falando em horário de verão, o benefício da energia solar é ainda maior. Ela é capaz de segurar o horário de pico da tarde, e quando o sol começa a se pôr é justamente quando a atividade das pessoas começa a diminuir. O horário de verão é, com certeza, um mecanismo que gera um conforto para o sistema interligado neste momento de alta temperatura e grande demanda de energia”, garante o executivo.

Impacto de térmicas sendo acionadas para suprir esse pico, conforme demonstra no gráfico de preços do Custo Marginal de Operação (CMO).

Demanda da energia pelas horas do dia.

Assim, o debate sobre o horário de verão deixa de ser um “Fla-Flu” sobre tempo de sono, e se mostra relevante como uma folga ao setor elétrico, além de aproveitar ao máximo a geração de energia solar. Seu retorno, aliado a solar, poderá fortalecer a resiliência do sistema diante de um cenário climático e energético cada vez mais desafiador e imprevisível.

A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) afirmou à pv magazine que “reconhece que o horário de verão pode ajudar a aproveitar melhor a energia solar, fonte limpa, competitiva e renovável, ao deslocar parte do consumo de eletricidade para horários com mais incidência solar. Isso pode reduzir a pressão sobre o sistema eletroenergético nos horários de maior demanda, trazendo benefícios para o setor e para a população. No entanto, entendemos que é fundamental que o governo e as autoridades competentes analisem cuidadosamente os impactos dessa medida, levando em consideração dados precisos sobre economia de energia e o efeito real no sistema eletroenergético. A decisão deve ser baseada em estudos claros, que avaliem tanto os benefícios quanto os desafios”.

A associação também se colocou à disposição do governo para colaborar na construção de soluções que contribuam para o crescimento sustentável da energia solar no Brasil. (pv-magazine-brasil)

Combustível do futuro, o que muda para gasolina e diesel dos postos

Entenda o que é o combustível do futuro e o que muda para gasolina e diesel dos postos

Na prática, a quantidade de mistura de etanol à gasolina aumenta e pode chegar a 35%.
Já a quantidade de biodiesel adicionada ao diesel vendido ao consumidor final subirá 1 ponto percentual a cada ano • Getty Images

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou em 08/10/24 a Lei do Combustível do Futuro (PL 528/2020), onde se estabelece o aumento da mistura de etanol e de biodiesel à gasolina e ao diesel, respectivamente.

Em meio à luta contra as mudanças climáticas, o combustível do futuro prevê que o Brasil evite a emissão de 705 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) até 2037.

Texto também institui o marco regulatório para a captura e a estocagem de carbono e destrava investimentos que somam R$ 260 bilhões.

Combustível do Futuro pode gerar investimentos de R$ 30 bi, calcula Abiogás

IBP faz alertas para superposição com Renovabio e falta de prazo final para programa de biometano.

A presidente da Associação Brasileira do Biogás, Renata Isfer, comemorou a sanção do programa Combustível do Futuro, pelo presidente Lula em 08/10/2024. Em sua avaliação o novo marco regulatório faz com que o país dê um passo decisivo rumo a autossuficiência energética e ao desenvolvimento autossustentável.

Na prática, a quantidade de mistura de etanol à gasolina aumenta, passando dos 27,5% máximos atualmente para a margem de 22% a 27%, podendo chegar a 35%.

Já a quantidade de biodiesel adicionada ao diesel vendido ao consumidor final subirá 1 ponto percentual a cada ano, ou seja, para 15% em 2025 até chegar em 20% em 2030.

Além disso, a lei também cria programas nacionais de diesel verde, de combustível sustentável para aviação e de biometano.

A partir de 2027, os operadores aéreos serão obrigados a usar o combustível sustentável de aviação para reduzir em 10% as emissões de gases do efeito estufa nos voos domésticos até 2037, no chamado de Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação.

Lula sancionou Programa Combustível do Futuro

Programa tem o potencial de destravar investimentos de R$ 260 bilhões e investirá na produção de biometano, SAF e diesel verde.  (cnnbrasil)

sábado, 26 de outubro de 2024

Brasil ultrapassa a marca de 10 mil eletropostos

Brasil ultrapassa a marca de 10 mil eletropostos, aponta ABVE.

País registra aumento de 113% no emplacamento de veículos leves eletrificados. Apenas em setembro, foram vendidos 13.265 veículos leves eletrificados. Número de postos de recarga chega a 10.622, de 4.300 até dezembro de 2023.
Tupi Mobilidade

Um dos mais de 8.800 pontos de recarga instalados no Brasil: equipamentos são oportunidade para empresas de GD.

Com 13.265 veículos leves eletrificados vendidos em setembro, 2024 se consolida como mais um ano de evolução expressiva da eletromobilidade no Brasil, com o crescimento concomitante da infraestrutura de recarga elétrica pública, que já superou a marca simbólica de 10 mil eletropostos em agosto.

“Mais uma vez, os números confirmam as nossas avaliações: o aumento das vendas de veículos eletrificados está puxando um amplo ecossistema de empresas associadas à eletromobilidade nas principais regiões do país” diz o presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Ricardo Bastos.

“A expansão desse ecossistema está gerando empregos, renda e investimentos, não apenas na produção de veículos, mas também na fabricação de equipamentos e componentes, peças, softwares e prestação de serviço”, acrescenta.

No acumulado de janeiro a setembro de 2024, foram emplacados 122.548 veículos leves eletrificados, o que representa uma evolução de 113%, na comparação com o mesmo período de 2023 (57.510 veículos).

A três meses do fechamento do ano, a média mensal de vendas de eletrificados se encontra em 13.616, o que indica que o total anual deverá ultrapassar a projeção de 150 mil unidades. Com isso, a frota brasileira de eletrificados deve ficar próxima da marca de 400 mil veículos.

Os veículos plug-ins tiveram um aumento de 56,83% em comparação com agosto de 2023 (8.458 veículos). O ano de 2024 tem registrado vendas expressivas dos veículos eletrificados, principalmente dos veículos plug-in, os 100% elétricos (BEV), e os híbridos com recarga externa (PHEV).

Brasil chega a marca de 10 mil eletropostos e 120 mil carros elétricos vendidos no Brasil.

Infraestrutura de recarga

O aumento da infraestrutura de recarga tem permitido que os veículos elétricos (BEV e PHEV) ganhem força e aumentem sua participação no mercado automotivo brasileiro. Em relação aos eletrificados, os veículos elétricos respondem por 70% das vendas realizadas no período de janeiro a setembro de 2024 (86.326 veículos). Já os veículos plug-ins tiveram um aumento de 56,83% em comparação com agosto de 2023 (8.458 veículos).

Segundo Tupi Mobilidade, o número de eletropostos no Brasil saltou de 350 até dezembro de 2020 para 2.955 em dezembro de 2022, 4.300 até dezembro de 2023 e 10.622 em agosto de 2024.

Só na ABVE encontram-se associadas 58 empresas relacionadas com a infraestrutura de recarga, que atuam fortemente na cadeia produtiva da eletromobilidade, gerando empregos e trazendo investimentos para o país.

Em recente pesquisa realizada pela associação, para o 1º Anuário da Cadeia Produtiva, que será lançado em breve, as empresas relacionadas ao setor de infraestrutura são as que mais apresentaram planos de investimentos para os próximos três anos no país.

Tecnologias

Em setembro, foram vendidos 4.699 veículos 100% elétricos (BEV), com 35,4% de participação em relação ao total de eletrificados. Na comparação com agosto, houve um decréscimo de 8,1% nos emplacamentos. Em relação a setembro de 2023 (1.830 veículos), há um crescimento notável de 156,8%.

Já os veículos híbridos plug-in (PHEV), totalizaram o mês com 4.869 unidades vendidas, com uma participação de mercado de 36,7%. Em relação ao mês de agosto (5.781 veículos), houve uma retração de 15,8%; já na comparação com agosto de 2023 (8.458 veículos) há aumento de 60,8%.

Os HEV convencionais (elétricos não plug-in a gasolina ou diesel) ficaram com 9,3% das vendas (1.235 veículos); os HEV FLEX, com 11,6% (1.540 veículos) e os micro híbridos (MHEV), com 7,0% (922 veículos).

No acumulado 2024 (janeiro a setembro), a participação de mercado dos eletrificados por tecnologia é a seguinte:

- BEV: 45.721 (37,31%)

- PHEV: 40.605 (33,13%)

- HEV: 10.929 (9,3%)

- HEV FLEX: 15.838 (11,6%)

- MHEV: 9.455 (7,0%).

Em todo o Brasil serão muito mais de 10 mil eletropostos até 2025.

Geografia da eletromobilidade

A região Sudeste é a líder nas vendas de veículos elétricos (BEV e PHEV). Em relação ao crescimento de mercado, as regiões que mais se destacam são Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

As capitais dessas nessas regiões lideram as vendas de elétricos, e estão contribuindo para que a eletromobilidade seja um processo amplo, não restrita somente à região Sudeste.

O estado do Maranhão, por exemplo, foi o que apresentou maior evolução de infraestrutura de recarga. Em março eram 40 pontos disponíveis, e em cinco meses houve um crescimento de 172,5%. Hoje, são 109 pontos disponíveis no estado.

Em relação aos municípios, o destaque de vendas ainda são as capitais:

- 1º São Paulo: 1.764

- 2º Brasília: 986

- 3º Rio de Janeiro: 619

- 4º Belo Horizonte: 410

- 5º Curitiba: 370

No processo de interiorização dos veículos leves eletrificados (excluídas as capitais) os municípios destaque são:

- 1º Campinas/SP: 199

- 2º Ribeirão Preto/SP: 101

- 3º São José do Rio Preto/SP: 97

- 4º Criciúma/SC: 86 (pv-magazine-brasil)

Maior usina do mundo afeta a rotação da TERRA

A hidrelétrica que mudou a Terra: como a maior usina do mundo afeta a rotação do planeta.

Os pesquisadores destacam que calcularam que o impacto, de 9,1 graus na escala Richter, afetou a rotação da Terra, diminuindo a duração do dia. Além disso, o fenômeno também mudou ligeiramente o formato do planeta e deslocou o Polo Norte em centímetros.

A hidrelétrica que mudou a terra: como a maior usina do mundo afeta a rotação do planeta

A Hidrelétrica das Três Gargantas, na China, é a maior do mundo e surpreende não apenas pela geração de energia, mas também por seu impacto na rotação da Terra, alterando ligeiramente o tempo de cada dia.
Hidrelétrica das Três Gargantas, a maior usina do mundo, localizada no rio Yangtzé, gera 22.500 MW de energia e armazena mais de 39 bilhões de metros cúbicos de água.

A China é mundialmente conhecida por suas gigantescas obras de infraestrutura, e uma das mais impressionantes é a Usina Hidrelétrica das Três Gargantas, localizada no rio Yangtzé, na província de Hubei.

Inaugurada em 2012, após 18 anos de construção, essa usina é a maior do mundo em termos de capacidade instalada, podendo gerar até 22.500 megawatts (MW) de energia.

Além disso, sua capacidade de armazenamento de água ultrapassa 39 bilhões de metros cúbicos. Mas além de suas dimensões colossais, essa obra de engenharia possui uma curiosa consequência: ela afeta a rotação da Terra.

Como a usina hidrelétrica afeta a rotação da terra?

A ideia de que uma hidrelétrica pode influenciar o movimento de rotação do nosso planeta pode parecer exagerada, mas é uma realidade. Estudos científicos mostram que o volume de água deslocado pela barragem das Três Gargantas afeta ligeiramente a inércia da Terra. Para entender esse fenômeno, vale lembrar que a inércia se refere à dificuldade que um corpo tem de alterar seu movimento, e no caso da Terra, envolve a rotação em torno de seu próprio eixo.

A barragem mais cara já construída na China.

Ao reter uma quantidade massiva de água a 175 metros de altura, a usina provoca uma redistribuição de massa no planeta. Esse fenômeno, semelhante ao efeito que ocorre quando uma patinadora gira mais rápido ao aproximar os braços do corpo, desacelera minimamente a rotação terrestre. Os cálculos indicam que essa mudança é de apenas 0,06 microssegundos no tempo de rotação diária da Terra, um valor extremamente pequeno, mas ainda assim mensurável.

Outras consequências da redistribuição de massa

Além da alteração na rotação, a redistribuição de massa também provoca um deslocamento do eixo terrestre. Estima-se que a posição do polo da Terra tenha se movido cerca de dois centímetros devido à construção da barragem. Embora esses números possam parecer insignificantes para o cotidiano da maioria das pessoas, eles são relevantes em determinados contextos científicos.

Dispositivos de alta precisão, como os relógios atômicos, que medem o tempo com extrema exatidão, podem ser impactados por essas variações. Alguns cientistas acreditam que será necessário ajustar os padrões de tempo global, talvez introduzindo um “segundo bissexto negativo” nas próximas décadas.

A influência humana no planeta

O impacto das ações humanas sobre a Terra vai além das grandes construções. O derretimento das calotas polares, causado pelas mudanças climáticas, também está redistribuindo a massa do planeta. À medida que as geleiras derretem e os níveis dos oceanos tropicais aumentam, a Terra experimenta uma leve desaceleração em sua rotação. Isso acontece porque a massa que antes estava concentrada nas regiões polares está se deslocando em direção ao equador, o que modifica a forma como o planeta gira.

O aumento das temperaturas globais e o derretimento das calotas polares estão redistribuindo a massa da Terra, o que também contribui para a desaceleração da rotação do planeta.

Embora as mudanças sejam mínimas e não afetam diretamente o dia a dia das pessoas, elas trazem à tona questões importantes sobre o impacto das atividades humanas no planeta.

O caso da barragem das Três Gargantas, em particular, destaca como a arquitetura e engenharia modernas têm o potencial de influenciar fenômenos naturais de maneira inesperada.

A Usina Hidrelétrica das Três Gargantas é um exemplo impressionante da capacidade humana de moldar o mundo ao nosso redor. No entanto, esse poder também vem com responsabilidades.

O fato de que uma construção humana pode, ainda que de forma mínima, alterar a rotação da Terra é uma lembrança de que devemos estar atentos aos impactos das grandes obras de infraestrutura sobre o meio ambiente e o equilíbrio natural do planeta. Por mais que essas mudanças sejam imperceptíveis para o cidadão comum, elas nos mostram a importância de pensar cuidadosamente nas consequências globais de nossos projetos. (tempo)