A ordem veio na forma de um
despacho publicado no Diário Oficial. Tem caráter prioritário e dá 60 dias de
prazo a partir de 5 de dezembro. O objetivo é dar os eixos estratégicos para
uma “transição justa e planejada, com vistas à redução gradativa da dependência
de combustíveis fósseis no país”.
Outro ponto destacado na
ordem presidencial é fazer com que as quatro pastas se debrucem sobre a criação
do Fundo para a Transição Energética, anunciado por Lula nos últimos dias da
COP30. O financiamento do Fundo virá das receitas obtidas com a exploração de
petróleo e gás natural.
“O Brasil já tem tudo para fazer esse mapa. Só
não tem a organização nessa direção”, disse ao Valor a ministra do Meio
Ambiente Marina Silva. Ela comenta o despacho presidencial: “ É algo incrível,
porque muitos achavam que isso ficaria só na retórica. Mas é uma posição
estratégica do Brasil, de estruturar um processo que, de muitas formas, já vem
acontecendo. É uma dinâmica orientadora do mapa do caminho”, resume.
A transição energética
brasileira já está prevista em elementos de políticas federais como a
Estratégia Brasil 2050; a política, o plano e o programa de Transição
Energética; o Plano Clima, o compromisso climático brasileiro (a NDC) e o Plano
de Transformação Ecológica. Essas iniciativas exigem ajustes para a transição
para o fim dos combustíveis fósseis, além de coordenação de políticas
socioeconômicas, fiscais, de trabalho e emprego e climáticas.
“Se não fizermos as nossas
rotas não conseguiremos potencializar, da melhor forma possível, as trajetórias
tecnológicas, parcerias, sinergias e o processo de diversificação econômica no
caminho de um novo ciclo de prosperidade”, diz Marina. “O Brasil tem as
melhores possibilidades de fazer essas novas rotas. Já temos a experiência com
o desmatamento, que caiu, enquanto o agronegócio cresceu 17%”. Ela segue: “É
perfeitamente possível fazer o plano de transição tendo espaço para alocação de
mão de obra, treinamento, substituição por alternativas tecnológicas”.
O que se abre agora, com o
despacho presidencial, é a discussão ministerial sobre bases, referências,
parcerias e diálogos com a comunidade científica, sociedade civil, agências
internacionais de petróleo e de energia renovável e outros países. “O Brasil
está se dispondo a liderar pelo exemplo. Isso não é um processo fortuito. O
presidente Lula mencionou este esforço quatro vezes, em seus discursos na
COP30. Estava determinado que se trate de um esforço de planejar a mudança em
vez de sermos mudados pelas circunstâncias”.
A ONG 350.org reagiu ao
anúncio do presidente Lula. “É um sinal importante e bem-vindo, mas sua
credibilidade dependerá inteiramente de como será desenhado”, diz a nota à
imprensa. “Como o próprio Lula destacou, os países precisam enfrentar a
contradição entre expandir a produção de combustíveis fósseis, inclusive na
Amazônia, e o que a ciência exige para evitar os piores impactos da crise
climática”, disse Andreas Siber, diretor-associado de Políticas e Campanhas da
350.org. (biodieselbr)



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