sábado, 14 de novembro de 2009

Chance de queda simultânea de linhas é baixa

Mecanismo de isolamento de problemas não funcionou no Sudeste e no Centro-Oeste do País.
Como e por que ocorreu o desligamento simultâneo das cinco linhas de transmissão que escoam a energia de Itaipu é a grande dúvida sobre o apagão que aconteceu entre a noite do dia 10 e a madrugada do dia 11 em 18 Estados. O evento é classificado no setor elétrico como de baixíssima probabilidade de ocorrer, uma vez que a configuração em diversas linhas tem justamente o objetivo de manter um "seguro" para o caso de acidente em uma delas.
Uma vez consumada a queda simultânea das linhas, diz um experiente executivo do setor, é quase impossível evitar efeitos como o ocorrido na terça-feira. "Itaipu tem um peso muito grande na geração de energia no País. Seria muito difícil manter o equilíbrio da rede após sua saída do sistema", explica a fonte, com passagem em cargo-chave do setor elétrico, que preferiu não ser identificada.
Mesmo com a queda de uma linha por qualquer razão, o sistema deveria ter protegido as outras, mantendo o fluxo de energia para a Região Sudeste. Isso porque, em caso de linhas de transmissão consideradas fundamentais, o Sistema Interligado Nacional (SIN) trabalha, no mínimo, com o conceito de "n-1", segundo o qual há uma linha reserva para manter o suprimento em caso de queda de outra linha. "(A queda das linhas) é um evento inusitado, porque a probabilidade de perda das cinco linhas ao mesmo tempo é muito baixa, ainda mais porque não houve perda física dos equipamentos de transmissão", explicou o consultor Eduardo Bernini, que durante anos presidiu a Eletropaulo.
Ele explicou que, após o apagão de 1999, provocado pela queda de um suposto raio em uma subestação em Bauru (SP) da Cesp, os processos de operação da malha de transmissão foram redesenhados e o governo implementou uma série de mudanças para recuperar as redes rapidamente e isolar os problemas nos locais de origem. "Como o sistema é muito grande, os engenheiros usaram a criatividade para buscar maior flexibilidade no abastecimento do País. Algo não saiu como o previsto. Os sistemas de isolamento funcionaram no Sul, no Nordeste e no Norte, mas não funcionaram no Sudeste e no Centro-Oeste", completou o executivo.
Bernini disse que o planejamento de operação da malha de transmissão no Brasil tem por base a probabilidade. Nesse contexto, a queda das cinco linhas de Itaipu era pouco provável. "A dificuldade que se tem para compreender é que o serviço de energia elétrica é "interruptível", porque um sistema infalível custaria uma barbaridade aos consumidores", disse. A confiabilidade no sistema implica custos a serem pagos na conta de luz. "No momento em que se discute a mitigação nos valores das tarifas de energia, é preciso ter o discernimento de que o aumento da confiabilidade da rede implica em um alto custo a ser pago pelos consumidores", disse.
A fonte consultada pelo Estado também levantou a hipótese de falha no sistema de proteção das linhas. Mas, também como Bernini, prefere esperar o fim das investigações antes de falar em conclusões. Para o consultor Mario Veiga, da PSR, a conjunção de falhas que teriam levado ao apagão pode sim ter ocorrido por motivos pontuais, mas poderia ter sido prevista em checagens prévias e testes de monitoramento do sistema de segurança.
RESTABELECIMENTO
A velocidade no restabelecimento da rede é motivo de divergência entre os especialistas consultados. Para uns, o Operador Nacional do Sistema Elétrico agiu com eficiência, retomando todo o suprimento em um prazo de cerca de três horas - algumas regiões tiveram as luzes religadas menos de uma hora após o corte. Para Veiga, porém, bastariam 45 minutos para que o sistema fosse integralmente conectado dentro de uma operação padrão.

Estação desligada faz ONS alterar fluxo de energia

Térmicas e hidrelétricas do Nordeste foram acionadas
Provavelmente atingido por um raio na noite de terça-feira, o transformador 1 da subestação de Tijuco Preto, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, permaneceu fora de operação durante toda a quarta-feira, obrigando o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a alterar o fluxo de energia no País. A Usina de Itaipu gerou abaixo do programado oficialmente, por causa dos limites de transmissão da energia para os principais mercados consumidores. Hidrelétricas e térmicas nacionais tiveram de compensar o prejuízo.
O transformador 1 de Tijuco Preto, que converte energia recebida de Itaipu em 745 quilovolts (kV) para energia em 500 kV saiu do sistema na noite de terça, logo após a queda das linhas de Itaipu - segundo o governo, por causa de descargas elétricas em Itaberá. De acordo com o ONS, porém, o equipamento de Mogi das Cruzes demorou a ser religado por causa de um para-raio danificado, o que indica a incidência de raios também naquela região.
Procurada pelo Estado, Furnas, que gere o sistema de transmissão, informou que o equipamento voltou a operar ontem. Por meio de Assessoria de Imprensa, a empresa diz que não é possível confirmar a queda de um raio no transformador e que seu desligamento não teve relação com o apagão que atingiu 18 Estados na terça-feira à noite.
Segundo o boletim preliminar de operação do ONS, a ausência do equipamento no dia seguinte ao apagão provocou grandes mudanças no fluxo de energia do Sistema Interligado Nacional (SIN). Pela programação original, Itaipu deveria inserir 10.964 megawatts (MW) médios no sistema, mas, diante das limitações de transmissão, o volume foi de 7.625 MW médios.
As usinas nucleares de Angra dos Reis, que também caíram na terça à noite, só inseriram 235 MW médios, ante uma previsão de 1.698 MW médios. As duas unidades só foram religadas no final da tarde de quarta-feira.
COMPENSAÇÃO
Para suprir a falta das usinas de Angra e a redução na geração de Itaipu, o ONS ligou térmicas a gás natural e ampliou a geração hidrelétrica no Nordeste e no Sul do País. As primeiras geraram 351 MW médios a mais do que os 1.006 MW médios programados. Já a geração hidráulica nacional foi de 43.747 MW médios, contra um volume projetado anteriormente de 42.247 MW médios.
Segundo o boletim do ONS, o consumo de energia no País na quarta-feira foi menor do que o previsto: 53.096 MW médios verificados contra 55.981 MW médios programados.
''Nós só geramos o que o ONS pede''
Segundo ele, hidrelétrica não estava na potência máxima na hora da falha.
"É ótimo que investiguem. Gostamos de ser fiscalizados. É bom deixar bem claro para a opinião pública que Itaipu trabalhou dentro da margem e com folga", disse o diretor-geral da Itaipu, Jorge Samek. Ele reagiu ao ser informado pelo Estado que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) pretende investigar se Itaipu operou acima do limite, sobrecarregando o sistema elétrico na noite do apagão.
A avaliação dos responsáveis pela usina é que a acusação é "um absurdo" e que "ninguém opera sozinho" no sistema elétrico brasileiro. Segundo o diretor-técnico de Itaipu, Antônio Otelo Cardoso, não houve sobrecarga e a responsabilidade pelo sistema de Itaipu - que inclui geração e transmissão - é do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
"O que o ONS pede de energia, nós atendemos. O responsável pela estabilidade do sistema é o ONS", disse Cardoso. Ele esclareceu que a usina só gera a energia requisitada pelo operador nacional. "Nós só geramos o que a ONS pede. Se eles pedem, nós enviamos".
Samek não escondeu sua contrariedade com as acusações e suas suspeitas de que podem ter motivações políticas. "Aqueles que não fizeram, agora viraram professores", disse. "Desde que isso começou tem gente que já operou o sistema elétrico, que sabe como funciona, dizendo barbaridades." Ele afirmou ainda que tentam culpar a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, mas "faz cinco anos que ela não está no ministério de Minas e Energia".
Conforme a área técnica de Itaipu, não houve sobrecarga na usina. Na terça-feira às 22h13, quando ocorreu o acidente, Itaipu produzia 11,8 mil megawatts - 800 mil para o Paraguai e 11 mil megawatts para o Brasil. A potência máxima é de 14 mil megawatts. E, segundo Cardoso, Itaipu chega a produzir 12,6 mil a 13 mil quando a demanda é muito alta.
O diretor técnico da usina binacional explicou que, na noite do incidente, a usina estava enviando para o Brasil 5,6 mil megawatts pelas linhas de corrente alternada e 5,4 mil pelas linhas de corrente contínua.
Segundo o que foi divulgado pelo governo anteontem, o apagão ocorreu porque as três linhas transmissão de corrente alternada desconectaram na subestação de Itaberá (SP), porque foram danificadas pelo mau tempo.
A desconexão dessas três linhas de transmissão baixaram a tensão do sistema. Como a tensão caiu muito, as linhas de corrente contínua, que vão de Foz do Iguaçu até Ibiúna (SP), não conseguiram compensar a energia perdida e desligaram.
As geradoras do Sul também enviam energia para o sistema de transmissão de Itaipu. Essa energia chega ao sistema na subestação de Ivaiporã, que fica antes de Itaberá (SP). Nesse caso, existiria a possibilidade de um excesso de energia vindo do Sul provocar a sobrecarga. No entanto, a produção das geradoras do Sul também é autorizada pelo ONS.
Mas a diretoria de Itaipu também não acredita na possibilidade de uma sobrecarga nas linhas de transmissão de Furnas. "Não houve. Estou garantindo que não houve sobrecarga", disse Samek.
Segundo Cardoso, o número de turbinas em funcionamento em Itaipu não tem importância, porque não é preciso gerar o máximo possível de energia. "Posso trabalhar com 18 turbinas e cada uma com meia carga", disse. "Não importa o número de turbinas, mas a energia que estamos gerando".
Segundo o diretor de Itaipu, uma prova de que a energia gerada não supera a capacidade de Itaipu é que as turbinas ficaram "girando no vazio" depois que o incidente ocorreu.

Incidência de raios no País vai aumentar

Segundo pesquisa, relâmpagos trarão mais falhas de energia
Apesar de o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) descartar desde anteontem que a queda de energia do sistema de Itaipu tenha sido causada por raios, essa explicação deverá ser cada vez mais utilizada nas panes elétricas no País. Segundo uma pesquisa inédita do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do próprio Inpe, os Estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais terão quase o dobro de desligamentos de energia causados por raios até o fim do século.
O estudo liga dois outros levantamentos - o primeiro mostra que mais de 70% dos desligamentos são causados por raios, e o segundo aponta aumento na incidência de raios em todo o País causado pelo aquecimento global. No Norte, por exemplo, o número de raios deve subir 150%, enquanto em boa parte do Nordeste e do Sudeste o crescimento deve atingir 90%. Segundo os pesquisadores responsáveis pelo trabalho, publicado no início do mês no livro Lightning in the Tropics: From a Source of Fire to a Monitoring System of Climatic Changes, a projeção não é apenas um chute - observações feitas por satélite já indicam um aumento de 18 % na incidência de descargas atmosféricas nos últimos dez anos.
"Com as mudanças climáticas, é natural que a incidência de raios aumente. É um fenômeno que já aparece nas estatísticas", diz Osmar Pinto Junior, pesquisador do Inpe e considerado a maior autoridade em raios do País. No Estado de São Paulo, por exemplo, houve aumento de 30% nas descargas elétricas de 2007 para 2008. "O crescimento é causado principalmente pelo aumento da temperatura, mas não é única mudança climática que está sendo observada. Assistimos cada vez mais a tempestades extremas. Em 13 de janeiro deste ano, por exemplo, na cidade de Osasco, ocorreram 400 raios em 20 minutos. Isso causa desgaste em toda rede, seja de energia ou de telefonia. E isso afeta a vida útil do sistema."
O Inpe informou ontem que está preparando um relatório técnico para o Operador Nacional do Sistema (ONS) sobre as condições atmosféricas na noite em que ocorreu o apagão. Os técnicos do Elat são categóricos em afirmar que as descargas mais próximas do sistema elétrico estavam a cerca de 30 km da subestação e cerca de 10 km de uma das quatro linhas de Furnas.
A estimativa de aumento porcentual da incidência de raios no País leva em conta um aquecimento global médio de 4°C. Atualmente, por sua extensão territorial e proximidade ao equador geográfico, o Brasil já é campeão mundial de raios - atingido anualmente por cerca de 70 milhões de descargas atmosféricas, ou quase três raios por segundo. "Não é um problema só de apagão - cerca de cem pessoas morrem anualmente no País atingidas por raios", diz Osmar Pinto Junior. "Claro que isso é fatalidade. Já as panes elétricas podem ser minimizadas com investimentos."
Chuvas e trovoadas
A ser verdadeira a versão de que o blecaute em 18 Estados do País se deveu ao mau tempo que se abateu sobre uma cidade chamada Itaberá (SP), isso significa que o Brasil tem um sistema de energia sujeito a chuvas e trovoadas. Portanto, vai acontecer de novo. Tantas vezes quantas forem contundentes as atribulações da natureza.
Agora, se ficar provado que a história não passa de uma desculpa esfarrapada, quer dizer que o Brasil tem um governo cuja preocupação primordial é tirar o corpo fora. Fugir de suas responsabilidades administrativas para não causar prejuízos à sua atividade política.
Em qualquer uma das hipóteses, estamos mal arranjados.
A se acreditar nas explicações do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, um curto-circuito foi capaz de tirar de operação a usina de Itaipu porque a pane no ponto de origem desligou outras tantas linhas de transmissão e deixou às escuras o maior, mais desenvolvido, mais celebrado e exaltado país da América do Sul, a nova coqueluche do mundo.
Lobão, que deve seu cargo à ligação com o presidente do Senado, José Sarney, senhor daquela sesmaria (o setor elétrico) na parte do latifúndio da administração federal reservada ao PMDB, assegurou que o sistema é um espetáculo e comparou o episódio a um acidente aéreo: "As máquinas são feitas para serem perfeitas, mas o avião às vezes cai."
Sim, por falha do equipamento, inépcia na operação ou fenômenos meteorológicos tão graves quanto imprevisíveis.
Não foi o caso. Segundo o mesmo ministro, "o Brasil é o país de maior concentração dessas situações extremas de meteorologia" e muito mais ainda na área afetada. Se as ocorrências são constantes são também previsíveis e, por isso, é de se supor, cobertas pelos sistemas de segurança.
O diretor-geral de Itaipu, o petista Jorge Samek, atribuiu o apagão à "lei de Murphy", o secretário-geral do Ministério de Minas e Energia culpou o desligamento de três linhas que levam energia de Itaipu para o resto do País, o presidente da Eletrobrás explicou que o problema estava nas linhas de transmissão da usina para São Paulo e o ministro do Planejamento duvidou que a origem do dano estivesse na fúria do céu.
Vinte horas depois do ocorrido, Lobão volta à cena e bate o martelo na versão do temporal. E para dizer o que no Paraguai já se sabia desde o fim da noite de terça-feira. O serviço brasileiro da BBC pôs no ar a explicação sobre o curto-circuito e consequente efeito dominó a uma da madrugada de quarta-feira.
Por que o governo brasileiro só falou oficialmente 16 horas depois? Por que a embromação?
A demora e as contradições deixam evidente a intenção do governo de evitar qualquer discussão que ponha em cheque a capacidade gerencial da administração e abale a imagem da gerente exigente e eficiente da ministra Dilma.
Mas esse é um efeito secundário. O principal para o Planalto, mais que a blindagem de Dilma Rousseff, é a blindagem do presidente Luiz Inácio da Silva. É a figura a ser preservada a qualquer custo, pois dele é que depende o futuro dos demais companheiros.
Quando o governo que tanto exibe a candidata esconde a ministra fiadora da eficácia do sistema elétrico sem fazer segredo da estratégia, está sutilmente deixando que a política, na pessoa de Dilma, pague uma conta que é administrativa. De responsabilidade do presidente da República.
Não por acaso, circulam convenientes versões sobre as cobranças "firmes" do presidente e sua "irritação" com as informações demoradas e desencontradas sobre o blecaute.
É sempre assim, em qualquer crise. Lula aparece como o personagem irritado que reclama dos incompetentes, exige da equipe uma solução imediata. Logo aparece uma versão conveniente e, em seguida, o assunto é dado unilateralmente como encerrado.
Desta vez também se repetiu o roteiro, cabendo ao ministro Lobão a tarefa de pôr o ponto final na questão, a despeito da opinião da maioria dos técnicos, do governo inclusive, sobre os indicativos de falha de operação.
Ao presidente Lula não apetece resolver problemas, mas se livrar deles de qualquer maneira para que não haja obstáculos em seu caminho. Como quer transparecer a todos que a adversidade pertence a uma outra era, que na administrada por ele tudo é glória, ao presidente os percalços soam ameaçadores.
Atrapalham a sustentação do discurso do triunfo absoluto.
Mas, como nem tudo é desastre nem tudo é esplendor puro, convém sempre lidar com a realidade com mais equilíbrio para que os tropeços possam ser vistos como eventualidades naturais e os danos contabilizados sejam bem mais reduzidos.
Se no caso do blecaute o governo não mentiu, tergiversou. Para ganhar tempo até pensar como administrar o revés com o mínimo de prejuízo político possível, quando talvez ganhasse mais se optasse pela lógica do máximo benefício administrativo.

INPE divulga nota sobre as condições atmosféricas no Brasil durante a noite de 10/11/09

Para os especialistas do ELAT/INPE, a baixa intensidade da descarga registrada (menor que 20 kA) não seria capaz de produzir um desligamento da linha, mesmo que incidisse diretamente sobre ela, segundo dado da Rede Brasileira de Detecção de Descargas (BrasilDat), que no momento do apagão estaria operando com ótimo desempenho.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) irá preparar um relatório técnico, a ser entregue ao Operador Nacional do Sistema (ONS), em que analisa as condições atmosféricas no Brasil durante a noite de terça-feira, quando ocorreu o apagão. Para isso, os técnicos do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) e do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), ambos do INPE, estão analisando em conjunto os dados sobre as descargas atmosféricas (raios) e demais fatores meteorológicos, como intensidade dos ventos e chuvas.
Até o momento, é possível afirmar que uma linha de instabilidade atmosférica causou chuvas fortes, raios e rajadas de vento em localidades do Paraná e São Paulo, conforme atestam as imagens abaixo, analisadas pelos meteorologistas do CPTEC/INPE.
Uma massa de ar quente e instável que estava sobre a região Sul, SP e MS associada a uma frente fria que chegou ao Sul, em 10/11/09, foram os responsáveis pela formação desta linha de instabilidade e das tempestades observadas.
Figura 1: Descargas atmosféricas (raios) registrados entre às 21h55 e 22h55 do dia 10 de novembro de 2009. Fonte: Rede Integrada Nacional de Detecção de Descargas Atmosféricas (RINDAT)
Figura 2, uma imagem de radar registrada às 22h15, mostra duas áreas de chuvas mais fortes (cores mais quentes), uma delas próxima da cidade de Jaú e outra na região Itaberá, ambas as cidades do interior paulista. Figura 2: Imagem do Radar Meteorológico de São Roque (SP), às 22h15, operado pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA). As cores indicam a intensidade da refletividade que pode ser relacionada com a intensidade da chuva. Fonte: DECEA
Figura 3 é uma imagem de satélite no canal infravermelho que mostra a temperatura dos topos das nuvens às 22h15 entre o Sul e o Sudeste do Brasil. Notam-se valores de temperatura significativamente baixos, entre -70C e -80C, em três regiões do Estado de São Paulo. Quanto mais baixas as temperaturas no topo das nuvens, mais profundas e carregadas elas são.
Figura 3: Imagem de satélite no canal infravermelho que mostra a temperatura (em Celsius) dos topos das nuvens às 22h15, conforme os valores na legenda abaixo da figura. Fonte: CPTEC/INPE
A análise das imagens acima foi feita pelos especialistas do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/INPE).
RaiosSegundo os especialistas do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do INPE, embora houvesse uma tempestade na região próxima a Itaberá, com atividade de raios no horário do apagão, as descargas mais próximas do sistema elétrico estavam a aproximadamente 30 km da subestação e cerca de 10 km distantes de uma das quatro linhas de Furnas de 750 kV e a 2 km de uma das outras linhas de 600 kV, que saem de Itaipu em direção a São Paulo.
Para os especialistas do ELAT/INPE, a baixa intensidade da descarga registrada (menor que 20 kA) não seria capaz de produzir um desligamento da linha, mesmo que incidisse diretamente sobre ela, segundo dado da Rede Brasileira de Detecção de Descargas (BrasilDat), que no momento do apagão estaria operando com ótimo desempenho. Em geral, apenas descargas com intensidade superiores a 100 kA, atingindo diretamente uma linha, poderiam causar um desligamento de linhas de transmissão operando com tensões tão elevadas como as linhas de Itaipu (duas de 600 kV e duas de 750 kV).
Inpe prepara relatório sobre clima na noite do apagão
Documento será enviado para ONS; instituto não detectou raios próximos ao sistema onde ocorreu falha.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) prepara uma relatório técnico para o Operador Nacional do Sistema (ONS) sobre as condições atmosféricas no país na noite em que ocorreu o apagão que deixou 18 Estados brasileiros às escuras.
Segundo nota divulgada pelo instituto, os técnicos do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) e do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), analisam os dados sobre os possíveis raios e outros fatores meteorológicos, como intensidade dos ventos e chuvas.
Embora o Inpe afirme ter havido instabilidade atmosférica que causou chuvas fortes, raios e rajadas de vento em localidades do Paraná e São Paulo, e uma tempestade na região próxima a Itaberá, as descargas mais próximas do sistema elétrico estavam a cerca de 30 km da subestação e cerca de 10 km de uma das quatro linhas de Furnas.
EXPLICAÇÃO
Em 11/11/09, o Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, informou que o blecaute que afetou 18 Estados foi causado por condições atmosféricas adversas que afetaram uma subestação de energia em São Paulo. Raios, chuvas e ventos teriam provocado um curto-circuito nos três circuitos de Itaipu que levam energia às regiões Sul e Sudeste, passando pela subestação de Itaberá (SP).

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Chuva nos EUA abre espaço para o etanol brasileiro

Uma queda na produção americana de milho, provocada pelo excesso de chuvas nas regiões produtoras do meio-oeste dos Estados Unidos, poderá abrir a oportunidade de novas exportações de etanol anidro brasileiro na próxima safra, segundo o diretor técnico da União da Indústria de cana-de-açúcar (Unica), Antonio Pádua Rodrigues.
Segundo ele, no entanto, as exportações brasileiras para os EUA se tornarão possíveis apenas se houver uma janela de oportunidade criada pela alta do preço do milho - e do etanol de milho -, enquanto o etanol de cana brasileiro estiver com preço mais baixo. Pádua deixou claro, contudo, que, no momento, não existe possibilidade de exportação do etanol brasileiro, diante da oferta limitada do produto, o que deixa os preços internos bastante elevados. "Com as atuais condições, exportar etanol é impossível", disse.
O empresário e conselheiro da Unica, Maurílio Biagi Filho, também avalia que, com o atual preço do etanol - de R$ 1,12 o litro nas usinas de São Paulo -, é impossível exportar o combustível. "Além disso, para exportar é preciso primeiro ter o combustível disponível. Se tiver, é preciso ainda achar para quem será exportado e em que condições'', afirmou.
O presidente da São Martinho, Fábio Venturelli, acredita que o setor vai cuidar primeiramente no mercado interno. “O fato de uma janela de exportação ser criada não significa que efetivamente iremos vender etanol no exterior”, disse.
De qualquer forma, no longo prazo, segundo a analista da analista da trading francesa Sucres et Denrees, Karim Salamon, os EUA precisarão importar grandes volumes de etanol do Brasil para atender às metas de utilização de biocombustíveis avançados impostas pelo Padrão de Combustíveis Renováveis dos EUA (RFS, na sigla em inglês). Segundo ela, os EUA dependerão de forma expressiva do etanol brasileiro para cumprir os mandatos estabelecidos, de 757 milhões de litros em 2010, atingindo 15,1 bilhões de litros em 2022. Isso porque o etanol feito de milho, padrão nos EUA, não atende à meta de redução de pelo menos 40% de redução de emissão de gases que provocam o efeito estufa.