sábado, 28 de fevereiro de 2026

Brasil desperdiça 20% da geração renovável em 2025 e perdas chegam a R$ 6,5 bilhões

Brasil perde mais de 20% da energia renovável em 2025, perde R$ 6 bilhões e acende alerta sobre falhas no sistema elétrico e futuro da transição energética.

O Brasil desperdiçou cerca de 20,6% da energia solar e eólica gerada em 2025, totalizando um prejuízo de aproximadamente R$ 6,5 bilhões, segundo relatório da Volt Robotics. Esse recorde de curtailment (corte de energia) decorre da incapacidade do sistema elétrico de escoar a produção, com picos ocorrendo em fins de semana devido ao excesso de oferta e baixa demanda.

Principais Impactos e Dados de 2025:

Desperdício Significativo: O corte de 20,6% é considerado um recorde, com os maiores índices concentrados nos estados de Minas Gerais, Ceará e Rio Grande do Norte.

Impacto Financeiro: A perda estimada superou R$ 6 bilhões, impactando a viabilidade econômica de projetos renováveis.

Riscos ao Sistema: O operador nacional (ONS) foi forçado a reduzir a geração renovável para evitar o colapso do sistema por excesso de energia, especialmente no Nordeste.

Paradoxo Energético: O Brasil, ao mesmo tempo que bateu recordes de geração limpa, desperdiçou o equivalente a cerca de 10 meses de produção da hidrelétrica de Belo Monte.

Causa Estrutural: O problema acende um alerta sobre a necessidade de modernização das linhas de transmissão e subestações, que não acompanharam o ritmo de expansão das energias solar e eólica.

O relatório destacou ainda que em 16 dias de 2025 o sistema operou próximo ao limite de segurança, exigindo medidas emergenciais de corte para evitar apagões.

Estudo da Volt Robotics mostra avanço recorde de corte de energia solar e eólica, aponta 16 dias críticos de operação do sistema elétrico e alerta para riscos econômicos e de segurança energética. Minas Gerais, Ceará e Rio Grande do Norte lideraram os percentuais de energia desperdiçada.

Evolução mensal do curtailment em 2025, destacando o pico em ago/set/out.

O Brasil deixou de aproveitar cerca de 20% de toda a energia solar e eólica que poderia ter sido gerada ao longo de 2025, acumulando um prejuízo estimado em R$ 6,5 bilhões. Os dados fazem parte do Balanço Anual do Curtailment divulgado pela Volt Robotics, que revela um cenário inédito de excesso de oferta renovável e dificuldades operativas do sistema elétrico nacional.

De acordo com o levantamento, os cortes de geração atingiram, em média, 4.021 MW ao longo do ano, volume equivalente à produção mensal de grandes usinas hidrelétricas. Em pelo menos 16 dias de 2025, o sistema operou perigosamente próximo do limite inferior de segurança, situação associada não à escassez, mas à sobra de energia — um contraste significativo em relação a 2024, quando apenas um episódio semelhante foi registrado.

O problema se intensificou especialmente entre agosto e outubro, período que concentrou os maiores níveis históricos de curtailment. Os cortes ocorreram por diferentes razões, incluindo limitações operativas para garantir a confiabilidade do sistema, excesso de geração frente à demanda e restrições na infraestrutura de transmissão.

Segundo o estudo, o domingo — especialmente no período da manhã — tornou-se o principal teste de estresse do sistema elétrico brasileiro. Nesse dia, a atividade econômica é reduzida, com comércio fechado, indústria desacelerada e escritórios parados, o que provoca queda acentuada da demanda. Ao mesmo tempo, a geração solar atinge níveis elevados e, em muitos casos, é reforçada pela produção eólica, criando uma combinação recorrente de baixa carga e alta oferta de energia. O resultado é a sobrecarga das redes, a necessidade de cortes forçados de geração e a aproximação do sistema ao limite inferior de segurança, padrão observado em vários dos 16 dias críticos registrados em 2025.

O levantamento também chama atenção para um risco pouco conhecido fora do meio técnico: a possibilidade de apagões provocados pelo excesso de geração renovável. Em 2025, o sistema elétrico brasileiro operou por 16 dias próximo ao seu limite inferior de segurança, situação considerada crítica pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Esse número representa um salto expressivo em relação a 2024, quando apenas um episódio semelhante foi registrado, e levou o operador a adotar medidas emergenciais com apoio institucional da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), incluindo a previsão de cortes extraordinários de geração. Quando esse limite é ultrapassado, aumenta significativamente o risco de falhas sistêmicas e interrupções no fornecimento, evidenciando que a abundância de energia limpa, sem ajustes estruturais no sistema, pode se transformar em fator de instabilidade.

A Volt Robotics também destaca que os impactos econômicos vão além da perda direta de receita. O curtailment recorrente aumenta a percepção de risco, pressiona o custo de capital, afeta financiamentos e compromete a atratividade do país para novos investimentos em energia renovável. Segundo a análise, tantos projetos no ambiente regulado quanto no mercado livre foram afetados, com exposição a penalidades contratuais e ao Preço de Liquidação das Diferenças (PLD).

Do ponto de vista regional, Minas Gerais, Ceará e Rio Grande do Norte lideraram os percentuais de energia desperdiçada, formando o que o estudo chama de “triângulo do curtailment” no Brasil. Já estados do Sul apresentaram perdas significativamente menores ao longo do ano.

O Brasil desperdiçou em 2025 uma fatia enorme de sua energia renovável, com cortes em usinas solares e eólicas que revelam falhas no sistema elétrico e riscos para o futuro.

Energia renovável em excesso vira desperdício bilionário no Brasil; a parte que vai para o lixo já é equivalente à produção da usina hidrelétrica de Belo Monte.

Para a consultoria, a crise evidencia um descompasso estrutural entre a rápida expansão das fontes renováveis, o crescimento da geração distribuída, os gargalos de transmissão e um modelo tarifário ainda pouco capaz de sinalizar adequadamente quando consumir energia. O relatório defende avanços em tarifas horárias mais dinâmicas, maior engajamento dos consumidores e ajustes regulatórios como caminhos essenciais para reduzir o desperdício e preservar a segurança do sistema elétrico brasileiro. (pv-magazine-brasil)

EDP instalará sistemas solares em 19 organizações sociais no ES, PR e SP

As organizações foram selecionadas por meio do edital Solar Social, umas das ações da EDP para impulsionar uma transição energética justa, incluindo as comunidades nas regiões onde a empresa atua. Com investimento de até R$ 650 mil, a companhia instalará sistemas de até 5 kW nas organizações selecionadas, que também receberão capacitação em Eficiência Energética.

A EDP anunciou a instalação de sistemas de geração de energia solar em 19 organizações sociais nos estados do Espírito Santo (ES), Paraná (PR) e São Paulo (SP), com investimento de até R$ 650 mil. O objetivo é contribuir para a redução dos custos dessas instituições com energia elétrica e para uma atuação mais sustentável por meio do uso de energia renovável.

As organizações foram selecionadas por meio do edital Solar Social, umas das ações da EDP para impulsionar uma transição energética justa, incluindo as comunidades nas regiões onde a empresa atua. No total, 40 iniciativas foram inscritas. Serão sistemas de até 5 kWp e, conforme previsto no edital, a economia gerada pelo uso da energia renovável deverá ser reinvestida em iniciativas sociais, ampliando o impacto positivo da ação.

EDP lança edital para instalar sistemas de energia solar em organizações sociais

EDP, empresa que atua em todos os segmentos do setor elétrico, lançou o edital Solar Social, que prevê levar energia renovável a Organizações da Sociedade Civil (OSCs), selecionando instituições sem fins lucrativos para receberem sistemas de energia solar em suas sedes, possibilitando assim a redução de gastos com energia elétrica e uma operação/atuação mais sustentável.

Além da instalação dos painéis solares, as organizações também receberão capacitação em Eficiência Energética e Consumo de Energia Responsável e um ciclo de treinamento para a manutenção dos sistemas fotovoltaicos. A implantação dos sistemas fotovoltaicos está prevista para o primeiro trimestre de 2026.

As iniciativas foram avaliadas por um comitê de especialistas com base nos critérios definidos no regulamento. O processo de seleção considerou aspectos de governança, monitoramento e prestação de contas do modelo de reinvestimentos, capacidade de gestão e alinhamento com os pilares de atuação da EDP — Educação para o Futuro e Energia do Amanhã. Os finalistas também passaram por etapas de validação das condições técnica e estrutural. (pv-magazine-brasil)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Energia solar chega a 18 escolas estaduais de SP com investimento de R$ 3,8 milhões

De um lado, a Enel São Paulo iniciou a implantação de sistemas fotovoltaicos em 18 escolas estaduais, em parceria com a Seduc-SP (Secretaria da Educação do Estado de São Paulo) e a Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística), com investimentos de R$ 3,8 milhões.

Projeto da Enel prevê geração anual de 1.910 MWh, autossuficiência energética das unidades e redução de emissões, além de destinar excedentes para atender outras 18 escolas da rede estadual.
A Enel Distribuição São Paulo iniciou a implantação de sistemas de energia solar em 18 escolas estaduais, em parceria com a Secretaria da Educação do Estado (Seduc-SP) e a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil). Com aporte superior a R$ 3,8 milhões, a iniciativa integra um programa de eficiência energética voltado à ampliação do uso de fontes renováveis e à diminuição do consumo elétrico na rede pública de ensino.

As usinas fotovoltaicas instaladas terão capacidade para suprir integralmente a demanda de cada unidade, garantindo autossuficiência. O excedente de geração poderá ser direcionado a outras instituições da Seduc-SP, com potencial para beneficiar mais 18 escolas. A produção estimada é de 1.910,18 MWh por ano, volume equivalente ao consumo anual de mais de 630 residências.

Energia solar ganha espaço em escolas públicas em todo país

As escolas contempladas estão distribuídas por municípios da área de concessão da Enel, incluindo a capital paulista (oito unidades), Jandira (três), Embu das Artes (duas), Taboão da Serra (duas), além de Itapevi, Mauá e Santo André. Entre as beneficiadas estão a EE Professor Arthur Wolff Netto, a EE Deputado Cassio Ciampolini, a EE Vila Magini II e a EE Reverendo Almir Pereira Bahia.

Além da economia financeira e da redução das emissões de gases de efeito estufa, o projeto fortalece o papel das escolas como polos de educação ambiental. A experiência prática com energia limpa deve ampliar o aprendizado de alunos e professores sobre sustentabilidade e uso consciente dos recursos naturais. Para o secretário da Educação, Renato Feder, a iniciativa também abre espaço para atividades pedagógicas alinhadas às discussões ambientais que vêm sendo trabalhadas na rede estadual.

Escolas municipais brasileiras vão utilizar energia solar

Segundo a Enel, a ação é viabilizada por meio da Chamada Pública de Projetos (CPP) da concessionária e integra o Programa de Eficiência Energética regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que estimula a modernização da infraestrutura e a redução do desperdício de energia em instituições públicas. (pv-magazine-brasil)

Eficiência dos módulos solares pode ultrapassar 35% até 2050

Energia Solar é a 2ª fonte de energia da Matriz Elétrica Nacional

A eficiência dos módulos solares tem potencial para ultrapassar 35% até 2050, segundo estudos e avanços em tecnologias como as células de perovskita, que já superam 33% em laboratório, indicando um futuro promissor com painéis mais potentes, mais baratos e leves, combinando com inovação em design e materiais para otimizar a captação de luz, impulsionando a transição energética global.

O que impulsiona essa melhoria?

Tecnologias Híbridas (Perovskita/Silício): A combinação de células de perovskita com silício tradicional promete superar os limites atuais de eficiência, oferecendo maior conversão de luz solar em eletricidade.

Inovações em Design: Células que seguem o sol (inspiradas no Kirigami) podem captar até 40% mais energia, aumentando significativamente a produção.

Novos Materiais: Perovskitas são mais baratas, mais finas e flexíveis que o silício, abrindo caminho para painéis mais versáteis e econômicos.

Otimização da Fabricação: Melhorias contínuas no design e arquitetura das células e módulos elevam os padrões de desempenho.

O que esperar até 2050:

Eficiência Elevada: Superação da marca de 35% de eficiência em módulos, com ganhos significativos nos painéis comerciais.

Redução de Custos: Preços dos painéis podem cair pela metade ou mais, tornando a energia solar ainda mais competitiva.

Crescimento Massivo: A energia solar deve se tornar uma das principais fontes da matriz energética global, com aumento expressivo da capacidade instalada.

Desafios e Realidades:

Enquanto os recordes de laboratório são promissores, a escalabilidade, durabilidade a longo prazo e o custo em larga escala ainda são desafios para as novas tecnologias.

Painéis atuais já atingem eficiências próximas de 24,8% em potência, mas as inovações prometem um salto significativo para as próximas décadas.

Um novo estudo sobre o futuro da cadeia global de suprimentos fotovoltaicos detalha como os preços, desempenho e vida útil dos módulos podem evoluir nos próximos 25 anos. Um dos autores, diretor do Fraunhofer ISE, disse à pv magazine que a eficiência dos módulos e células solares pode ultrapassar 35% até 2050, com os preços dos painéis podendo cair pela metade.
Uma equipe internacional de pesquisa de instituições e empresas líderes em energia solar fotovoltaica identificou as tendências mais importantes de P&D para o que chama de nova era da fotovoltaica multi-terawatt.

Os membros do grupo participaram todos do 4º Workshop Terawatt, um dos conjuntos de oficinas internacionais de alto nível sobre fotovoltaica conduzidas pelo Fraunhofer-Institut für Solare Energiesysteme ISE (Fraunhofer ISE) da Alemanha, pelo National Laboratory of the Rockies do Departamento de Energia dos EUA e pela Advanced Industrial Science and Technology (AIST) do Japão.

Em seu novo artigo, “Historical and future learning for the new era of multi-terawatt photovoltaics“, publicado recentemente na Nature Energy, o grupo prevê melhorias contínuas no preço, desempenho e confiabilidade da tecnologia fotovoltaica, juntamente com crescente atenção ao uso de recursos, emissões e reciclagem em projetos e fabricações futuras.

“A eficiência dos módulos solares pode exceder 35% mediante estruturas em tandem até 2050”, disse Andreas Bett, diretor da Fraunhofer ISE, em entrevista à pv magazine. Ele acrescentou que a eficiência das células pode superar 36%, com perdas entre célula e módulo menores do que hoje. “Até o final da primeira metade deste século, os preços dos módulos solares podem cair por 1 fator de 2”.

Bett disse que tanto maior eficiência quanto custos mais baixos serão fundamentais para a transição energética, mas ele vê a eficiência como o fator mais importante. “Maior eficiência significa que menos material e menos terra são necessários para instalações fotovoltaicas, o que melhora a sustentabilidade e reduz os custos gerais do sistema”, disse ele, acrescentando que a vida útil dos módulos solares “certamente” ultrapassará 40 anos.
Os pesquisadores enfatizaram que a indústria fotovoltaica tem superado consistentemente as projeções anteriores de custo, desempenho e integração dos módulos. Inovações em arquiteturas tandem e fabricação são esperadas para tecnologias fotovoltaicas como silício cristalino (c-Si), telureto de cádmio (CdTe) e cobre, índio, gálio e deseleneto (CIGS) poderiam e devem permitir a entrada de novos players no mercado, criando uma cadeia de suprimentos de células e módulos mais diversificada globalmente.
Eles também explicaram que as novas tecnologias fotovoltaicas em tandem terão que definir claramente o desempenho, garantir uma produção de energia previsível, detectar falhas precoces e gerenciar riscos desconhecidos de degradação, sendo este último um desafio também para os módulos de silício atuais e crítico para tecnologias emergentes baseadas em perovskita.

O estudo projeta que a capacidade global de fabricação solar pode atingir cerca de 3 TW até 2050 e destaca que o aprendizado voltado para sustentabilidade já reduziu custos e será cada vez mais vital para a indústria fotovoltaica garantir os recursos necessários para o crescimento futuro.

O grupo de pesquisa incluía cientistas da Alemanha, da Forschungszentrum Jülich GmbH, fabricante japonês de vidro solar AGC Inc, da Finlândia, a Universidade LUT, Yangtze Institute for Solar Technology da China, o especialista britânico em perovskita solar Oxford Photovoltaics Ltd, a fabricante de módulos chinesa Trina Solar, da Arábia Saudita, a  KAUST Solar Center, King Abdullah University of Science and Technology (KAUST), a Universidade de New South Wales (UNSW) na Austrália, fabricante de filmes finos dos EUA First Solar, do Japão, o National Institute of Advanced Industrial Science and Technology (NEDO), e a fabricante fotovoltaica sediada em Singapura, a Maxeon, entre outros. (pv-magazine-brasil)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Agrovoltaica contribui para melhorar a qualidade de criação de ovinos em Jabuticabal (SP)

Agrovoltaica contribui para melhorar a qualidade da criação de ovinos em Jabuticabal, principalmente por proporcionar conforto térmico aos animais. Estudos realizados na UNESP de Jabuticabal demonstram que o sistema agrovoltaico animal pode aliviar o estresse térmico em ovinos em confinamento em áreas tropicais.

Os principais benefícios observados incluem:

Melhor conforto térmico: os ovinos que ficam sob a sombra dos painéis solares apresentam temperatura subcutânea e frequência respiratória mais baixas em dias quentes, em comparação com os animais em sistemas convencionais sem sombra.

Melhor desempenho: o conforto térmico resulta em um melhor desempenho animal, com os cordeiros passando mais tempo deitados e ruminando, além de apresentarem uma melhor eficiência alimentar (ganho/conversão alimentar).

Otimização do uso da terra: o sistema permite a coexistência da produção de proteína animal e da geração de energia solar, otimizando o uso do espaço e promovendo a sustentabilidade.

Benefícios ambientais e econômicos: além de reduzir o estresse dos animais, o sistema também gera eletricidade, o que pode trazer retornos financeiros adicionais e reduzir a pegada de carbono da produção.

Para mais informações detalhadas sobre as pesquisas, você pode consultar o estudo disponível no repositório da Unesp através do link: Agrovoltaica Animal como alternativa para melhorar a termo regulação e desempenho produtivo de ovinos em confinamento em áreas tropicais.

Um estudo da FCAV/Unesp indica que a agrovoltaica animal pode impulsionar a intensificação sustentável da produção ovina em áreas tropicais, pois alivia o estresse térmico, melhora o desempenho animal e traz benefícios ambientais. Cordeiros criados em áreas com sombreamento de painéis solares consumiram menos ração, tiveram uma menor taxa de batimento cardíaco e temperatura subcutânea menor.
A sombra proporcionada por painéis solares altera o microclima experimentado por ovelhas confinadas, melhorando a termo regulação, a eficiência alimentar e os resultados ambientais, indica um estudo realizado na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV/Unesp), no campus de Jaboticabal, São Paulo. Os resultados mostram que os cordeiros utilizaram a sombra dos painéis, especialmente em dias quentes, onde receberam 30% menos carga de calor radiante do que receberiam se estivessem expostos ao sol.

“Desenhamos a estrutura para harmonizar com a pastagem e diminuir a competição de área, dessa forma há uma otimização do uso de área”, disse à pv magazine Brasil um dos autores, Sérgio Fidelis, em cuja pesquisa de mestrado o artigo se baseia. “A estrutura melhora o conforto térmico dos animais e consegue compensar o metano entérico produzido pelo processo digestivo”.

A criação de ovinos na região sudeste do Brasil tem se intensificado com a implementação de confinamentos, impulsionada principalmente pela competição por terras com outras atividades agrícolas e pela necessidade de evitar o desmatamento para expansão de pastagens. Os ovinos em confinamento muitas vezes são mantidos sem proteção contra a radiação solar, o que pode aumentar a carga térmica sobre os animais, especialmente durante ondas de calor. Além disso, a integração de painéis solares pode gerar renda com a revenda da eletricidade e compensar mais de 60% das emissões de metano entérico do gado sob os painéis.

Diante desse cenário, um sistema agrivoltaico para animais pode representar uma solução sustentável que poderia reduzir a emissão de carbono no sistema, ao mesmo tempo que melhora o microclima e o desempenho produtivo dos ovinos.

Para testar essa hipótese, os pesquisadores alimentaram 52 cordeiros mestiços não castrados, por 60 dias, de maio a junho/2022, em currais com ou sem sombreamento fornecido por painéis fotovoltaicos, e registraram os indicadores das respostas ao estresse térmico e do desempenho produtivo, como temperatura subcutânea, a frequência respiratória e respostas comportamentais.
A estrutura fotovoltaica de sombreamento testada nas instalações do Laboratório de Biometeorologia Animal da Universidade Estadual Paulista, Brasil gerou 2,3 MWh de energia, o que equivale a 13,70 MWh de eletricidade no ano, evitando assim a emissão de 7,2 toneladas de CO2e para a atmosfera.

Os animais vivenciaram 41 dias quentes e 19 dias moderadamente frios durante o período do estudo. Nos dias quentes, das 8h às 15h, a irradiação solar média ultrapassou 600 W m⁻², a temperatura do ar chegou a 30°C e a temperatura do globo negro, uma medida que indica o impacto do calor radiante no conforto térmico, atingiu 40°C. Nos dias moderadamente frios, a irradiação solar média foi inferior a 500 W m⁻², a temperatura do ar inferior a 22°C e a temperatura do globo negro inferior a 32°C.

Os cordeiros entraram no confinamento com massa corporal inicial de 35 kg. Metade dos cordeiros foi alocada em baias com sombreamento fornecido por 20 módulos de painéis solares, de 500 W cada, em uma área de sombreamento projetada de 1,53 m² por animal (VOLT), enquanto a outra metade foi alocada em um sistema de confinamento convencional (CON), sem sombreamento disponível.

O consumo individual de ração e o desempenho dos ovinos (por exemplo, consumo de matéria seca, ganho de peso diário (kg) e relação ganho/consumo) foram medidos utilizando comedouros eletrônicos RFID e comparados entre os tratamentos.

Nos dias quentes, das 10h às 14h, os cordeiros do grupo VOLT apresentaram maior probabilidade (P = 0,0001) de estarem na sombra projetada por painéis solares do que ao sol e apresentaram temperatura subcutânea 0,70ºC (P = 0,0001) menor e frequência respiratória 70 respirações por minuto menor do que os cordeiros do grupo CON. Os cordeiros do grupo VOLT passaram mais tempo deitados (P = 0,0001), ruminando (P = 0,0001) e consumiram menos ração (P = 0,0001) do que os cordeiros do grupo CON, o que resultou em uma melhoria de 4% na relação ganho/consumo de ração (P = 0,0002).

Os pesquisadores concluíram que a agrovoltaica animal representa uma estratégia promissora para fomentar a intensificação sustentável da produção ovina em áreas tropicais, uma vez que alivia eficazmente o estresse térmico, ao mesmo tempo que melhora o desempenho animal e proporciona resultados ambientais positivos. No entanto, observam, são necessários mais estudos que envolvam populações animais maiores e avaliações a longo prazo ao longo do ano. Estes permitiriam uma avaliação mais abrangente do impacto do ambiente térmico sobre a saúde animal.

Fidelis observa que uma possível desvantagem é a manutenção pelo acúmulo de poeira que ocorre naturalmente e diminui a eficiência do painel. Resultados foram publicados no jornal científico Small Ruminant Research intitulado como “Animal agrivoltaics facilitates the sustainable intensification of sheep production in tropical areas”. (pv-magazine-brasil)

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Setor elétrico rumo a 2050

O setor elétrico brasileiro ruma a 2050 com foco na expansão das fontes renováveis (solar e eólica), na descarbonização e na modernização do sistema para atender a uma demanda crescente de energia. O Brasil está bem posicionado globalmente para essa transição, mas enfrenta desafios de investimento e infraestrutura.
O setor elétrico na transição para o baixo carbono

Transição oferecerá oportunidade única de crescimento com distribuição de renda pelo desenvolvimento que provocará no Nordeste.

Principais Tendências e Metas

Predomínio de Renováveis: A matriz energética brasileira já é uma das mais limpas do mundo, e a tendência é uma maior participação de fontes solar e eólica, que devem representar quase 50% da eletricidade global até 2050. A transição no Brasil é, em grande parte, uma substituição interna entre as próprias fontes renováveis (de hídricas para solar/eólica).

Neutralidade de Carbono (Net Zero): O Brasil traça rotas para alcançar a neutralidade de carbono até 2050, o que exigirá a triplicação da capacidade de geração elétrica atual com fontes limpas.

Crescimento da Demanda: O consumo de eletricidade no país deve triplicar até 2050, impulsionado pela eletrificação da economia, incluindo a expansão da mobilidade elétrica.

Hidrogênio Verde: O Brasil tem potencial para se tornar um líder mundial na produção de hidrogênio verde, aproveitando sua abundância de recursos renováveis.

Equilíbrio entre as fontes renováveis é o melhor caminho para se chegar ao net zero até 2050.

Para atingir meta de triplicar capacidade renovável, será necessário duplicar taxa de aporte para US$ 1,17 trilhão por ano até 2030, diz BNEF.

Desafios e Oportunidades

Desafios:

Infraestrutura e Transmissão: A expansão da rede de transmissão é um gargalo para escoar a energia gerada por fontes eólicas e solares, frequentemente localizadas em regiões distantes dos grandes centros consumidores.

Investimentos: Serão necessários investimentos maciços em infraestrutura e novas tecnologias. O Brasil precisará investir US$ 6 trilhões para alcançar a meta de emissões líquidas zero até 2050.

Intermitência das Fontes: A natureza intermitente da energia solar e eólica exige o desenvolvimento de soluções de armazenamento (como baterias) e a modernização da rede para garantir a segurança e a estabilidade do sistema.

Regulação: A modernização das regulamentações existentes é crucial para acomodar as inovações tecnológicas e novos modelos de negócio, como a geração distribuída e o mercado livre de energia.

Oportunidades:

Liderança Global: Devido à sua matriz já predominantemente limpa, o Brasil pode liderar a transição energética global, atraindo investimentos e gerando empregos de maior qualificação.

Inovação Tecnológica: O setor está aberto a inovações como a digitalização, integração de IoT (Internet das Coisas) e Inteligência Artificial para otimizar a geração e o consumo de energia.

Projetos Híbridos: A combinação de diferentes fontes renováveis (ex: solar e eólica no mesmo local) otimiza o uso da infraestrutura de transmissão existente.
O planejamento para esse futuro está delineado em documentos oficiais como o Plano Nacional de Energia 2050 (PNE 2050) da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que baliza as estratégias para as próximas décadas. (google)

Energia elétrica liderou impacto da inflação em 2025

Energia elétrica liderou impacto da inflação em 2025, aponta IBGE.
Energia elétrica foi o item de maior impacto na inflação do Brasil em 2025. A energia elétrica residencial foi o item de maior impacto individual sobre a inflação do Brasil em 2025, mostram dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados pelo IBGE em 09/01/26.

A conta de luz acumulou a maior alta entre os itens do IPCA e respondeu pelo principal impacto individual na inflação de 2025. Mesmo com desaceleração em dezembro, a eletricidade pressionou o custo de vida das famílias ao longo do ano.

Em 2025, a conta de energia elétrica residencial se tornou o principal motor da inflação no Brasil, influenciando diretamente o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre os 377 subitens considerados no cálculo do índice, a energia elétrica acumulou alta de 12,31% ao longo do ano e registrou o maior impacto individual sobre a inflação anual, com 0,48 ponto percentual.

O resultado ocorre em um ano em que a inflação anual fechou em 4,26%, dentro do intervalo de tolerância da meta oficial, mas ainda fortemente influenciada pelos reajustes nas tarifas de eletricidade. Essa pressão sobre os preços foi resultado, em parte, de mudanças nas bandeiras tarifárias e de reajustes concedidos por diversas distribuidoras ao longo de 2025, elevando os custos de consumo doméstico de energia.

Economistas destacam que, apesar de o índice geral ter sido contido pelo comportamento de outros grupos de produtos — especialmente alimentos, que registraram desaceleração — a alta da energia elétrica se tornou um fator-chave na aceleração da inflação em vários meses do ano. A trajetória de preços no setor de habitação, do qual a eletricidade faz parte, teve papel destacado na análise do IBGE, diferindo dos efeitos observados em 2024 e impactando diretamente o orçamento das famílias brasileiras.

Inflação subirá em 2026 devido à alta na energia elétrica.

O impacto da energia elétrica supera o de outros itens significativos, como cursos regulares, plano de saúde e aluguel residencial, consolidando sua posição como o maior vilão individual na composição do IPCA de 2025.

Consumidores que utilizam energia solar fotovoltaica foram menos afetados pela pressão da tarifa de eletricidade em 2025, já que parte significativa de seu consumo é suprida pela própria geração. Com isso, mesmo diante dos reajustes das distribuidoras e das mudanças nas bandeiras tarifárias, esses consumidores tiveram contas mais equilibradas ao longo do ano. A geração distribuída permitiu reduzir a dependência da energia da rede em momentos de maior custo e ofereceu maior previsibilidade financeira, reforçando o papel da fonte solar como alternativa para mitigar os impactos da inflação energética.

Energia elétrica foi o item que mais pesou na inflação brasileira em 2025, segundo o IBGE, com alta expressiva na conta de luz e previsão de novos reajustes em 2026.

Energia elétrica alerta para altas em 2026, influenciada pelo forte impacto da inflação em 2025. (pv-magazine-brasil)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Conta de luz deve subir em 2026 com novas regras e pressão por encargos

Conta de luz deve subir em 2026 com novas regras e pressão por encargos; GD e baterias ganham espaço.

A partir de 2026, o custo será repartido entre todos os consumidores do país, exceto famílias de baixa renda. A medida representa alívio para consumidores cativos, mas não para os consumidores livres em 2026, já que eles deverão perceber um acréscimo de cerca de R$ 10 por megawatt-hora (MWh).

Projeções indicam aumentos médios de 5,4% na tarifa residencial, com possíveis altas superiores a 30% em algumas regiões. Mudanças na tarifa horária, no orçamento da CDE e na reforma tributária reorganizam o consumo e impulsionam a busca por geração distribuída e sistemas de armazenamento.
O início de 2026 projeta um dos períodos mais turbulentos dos últimos anos para o setor elétrico brasileiro. Especialistas alertam que a combinação de novos encargos, mudanças regulatórias e o início dos efeitos da reforma tributária deve provocar alterações significativas no perfil de consumo de energia no país. Consultorias como a TR Soluções projetam aumento médio de 5,4% nas tarifas residenciais ao longo do ano, enquanto algumas regiões podem registrar altas superiores a 30%, segundo análises divulgadas pela imprensa especializada.

No centro dessas pressões está a evolução dos custos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que pode ultrapassar R$ 52 bilhões em 2026, e a transição da tarifa da baixa tensão para um modelo horário, compulsório para consumidores com demandas acima de 1 MWh, que totalizam cerca de 2,5 milhões de unidades no país e respondem por 25% do consumo em Baixa Tensão do Brasil.

O tema que será discutido em oficinas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) entre 21/01 e 03/02/26. A mudança, vista por especialistas como uma “tarifa branca 2.0”, altera completamente a lógica de consumo: usar energia no período noturno pode custar mais do que o dobro do valor praticado hoje.

A agência anunciou em dezembro uma consulta pública que propõe aplicar tarifa horária de forma automática a consumidores de baixa tensão com consumo superior a 1 MWh para incentivar o uso de energia em horários de maior oferta, especialmente durante o dia e determinou que também seja avaliada a aplicabilidade e os impactos da migração automática para a Tarifa Branca para os consumidores que possuem Micro e Minigeração Distribuída (MMGD), frente ao Marco Legal da MMGD instituído pela Lei nº 14.300/2022.

Com sistemas de energia solar do Brasil, o sol vira aliado contra os reajustes da conta de luz

Conta de luz deve subir até 7% e as soluções são com a energia solar

Alta nas tarifas pressiona o bolso e a geração própria garante economia e controle sobre os gastos.

No mercado solar, os efeitos das mudanças políticas se somam a um cenário externo desafiador. O diretor de Negócios Solar, BESS & Charging da WEG, Harry Neto, comenta que os módulos fotovoltaicos já vêm acumulando aumentos desde o final de 2025, agravados pelo anúncio do governo chinês de que a tarifa de exportação — antes subsidiada — passará a ser tributada integralmente. “A partir de abril, os painéis terão aumento mínimo de 9%, e inversores e sistemas BESS também sofrerão reajustes de aproximadamente 3%”, afirma.

No mercado de geração distribuída, o executivo observa um “crescimento mais acentuado no setor residencial, enquanto as usinas de autoconsumo remoto enfrentam um desaquecimento. “Isso se deve, principalmente, à escassez de projetos GD0 e GDI que necessitavam de reforço de rede, e à competição com a compra de usinas prontas, além de uma sobreoferta de autoconsumo”.

Apesar do cenário adverso, a busca por autonomia energética está aquecendo o segmento de baterias e soluções híbridas. Segundo Neto, cresce a procura por sistemas BTM (Behind the Meter), em que a energia solar é conectada diretamente à carga, reduzindo perdas e oferecendo maior controle dos custos. “A busca por backup aumentou muito após as falhas no fornecimento em diversas regiões. O potencial das baterias, tanto no residencial quanto no comercial, é enorme”, avalia.

O executivo aponta que, embora o mercado de usinas de grande porte esteja mais lento devido a restrições de corte de energia, o leilão específico para sistemas de armazenamento BESS (Battery Energy Storage Systems) previsto para abril de 2026 deve impulsionar o setor e aliviar a rede.

Prepare o bolso: conta de luz vai subir ainda mais em 2026

Três forças que vão moldar a conta de luz em 2026

A vice-presidente de Geração Distribuída da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) e CEO da Bright Strategies, Barbara Rubim, destaca 3 fatores determinantes que farão de 2026 um ano de ruptura na forma como consumidores se relacionam com a energia elétrica:

Aumento das tarifas: estimativas de consultorias como a TR Soluções apontam que os reajustes devem ocorrer de forma desigual entre regiões, podendo ultrapassar 30% em áreas específicas devido a recomposições tarifárias e variáveis locais.

Tarifa horária compulsória: a nova lógica de preço por horário — e não mais uma tarifa única — afetará diretamente o planejamento doméstico e empresarial. Consumir energia nos horários de pico pode custar até o dobro.

Reforma Tributária: ainda sem impacto totalmente mensurável, a reforma alterará a base de cálculo e a distribuição dos impostos no setor elétrico, potencializando a volatilidade das tarifas ao longo do ano.

Inteligência energética deixa de ser tendência e vira necessidade

Barbara reforça que a soma desses 3 vetores fará com que consumidores dependam mais de planejamento energético. “Informação, monitoramento, baterias e geração distribuída se tornam ferramentas essenciais para não ser refém da conta de luz”, afirma.

As transformações também devem impulsionar tecnologias como inversores híbridos, medição inteligente e automação de consumo, especialmente em residências e comércios que buscam reduzir exposição às tarifas de pico.
Conta de luz deve ficar mais cara no ano de 2026; média pode subir em mais de 10%

Apesar da geração de energia ser ‘barata’, Brasil é um dos países onde a conta de luz mais pesa no bolso do consumidor. (pv-magazine-brasil)

Energia solar já abastece 70% das granjas integradas da Seara

Seara atingiu a marca de cerca de 70% a 75% de suas granjas integradas usando energia solar e outras fontes limpas, um aumento expressivo de 5,6% para mais de 70% em 5 anos, com destaque para São Paulo e Santa Catarina, reduzindo custos e impulsionando a sustentabilidade no campo.

Principais Pontos:

Adesão Massiva: Cerca de 70% a 75% dos produtores integrados de aves e suínos da Seara utilizam energia solar ou biodigestores.

Crescimento Exponencial: O número saltou de 5,6% em 2019 para mais de 70% em 2024/2025, representando um aumento de mais de 1.100%.

Geração de Energia: Em 2024, a produção de energia solar somou mais de 205 milhões de kWh, suficiente para abastecer uma cidade de 90 mil habitantes por um ano.

Incentivo e Apoio: A Seara incentiva os produtores com checklists de sustentabilidade, bonificações e suporte técnico, transformando custos em vantagens competitivas.

Estados Destaque: São Paulo (77%) e Santa Catarina (73%) lideram a adoção de painéis solares.

Benefícios: A energia limpa reduz custos operacionais, aumenta a automação e a margem de lucro dos produtores, além de fortalecer a sustentabilidade da cadeia.

Essa iniciativa consolida a Seara (JBS) como líder em transição energética no agronegócio, tornando a energia renovável uma ferramenta estratégica para o setor.

A empresa avança na descarbonização com geração de mais de 205 milhões de kWh em 2024, amplia incentivos aos produtores integrados e reforça ganhos econômicos e operacionais com a adoção de sistemas fotovoltaicos.

A Seara, unidade de negócios da JBS, registrou 70% das granjas integradas de frango já operando com energia solar. O avanço representa um crescimento superior a 1.000% em 5 anos, considerando que em 2019 apenas 5,6% das unidades usavam sistemas fotovoltaicos. Ao todo, a energia gerada pelas granjas somou mais de 205 milhões de kWh no ano, quantidade suficiente para abastecer uma cidade de cerca de 90 mil habitantes.

A distribuição das unidades com energia solar abrange 8 estados e o Distrito Federal, com destaque para São Paulo — onde mais de 77% das granjas já são solares — e Santa Catarina, com mais de 73% de adoção. O avanço ocorre em um ritmo acelerado e consolida a energia solar como eixo estratégico da operação, reduzindo emissões de CO2 e fortalecendo a competitividade da cadeia de produção.

Além da expansão consistente da tecnologia, a Seara mantém um programa de incentivo aos produtores integrados. A empresa utiliza um checklist de práticas sustentáveis que inclui gestão responsável de resíduos, bem-estar animal e uso de fontes limpas. Produtores que adotam sistemas fotovoltaicos e cumprem os requisitos ESG recebem bonificações adicionais, estimulando a modernização das granjas e a redução do impacto ambiental.

Os produtores relatam melhora significativa na eficiência e na economia gerada pela energia solar. Em muitas propriedades, os sistemas fotovoltaicos já atendem 80% a 100% da demanda de eletricidade, reduzindo a dependência da rede pública e proporcionando maior previsibilidade de custos — um fator decisivo em um setor sensível às variações tarifárias. A diminuição das despesas operacionais também abre espaço para investimentos em melhorias e expansão da produção.

Granjas da Seara já utilizam energia solar

A Seara afirma que continuará ampliando a adesão da energia solar entre os integrados, reforçando seu compromisso com práticas sustentáveis e com o fortalecimento de modelos produtivos de menor impacto ambiental, ao mesmo tempo em que melhora a rentabilidade dos produtores e a eficiência da cadeia avícola. (pv-magazine-brasil)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Geração solar em grandes usinas cresceu em novembro, apesar da queda no consumo

Segundo dados da CCEE publicados no início de janeiro, a geração solar de usinas centralizadas aumentou 11,5% em novembro/2025, em comparação com igual mês de 2024, apesar da queda de 2,1% no consumo.
Parque Solar Pirapora, operado pela Recurrent Energy, em Minas Gerais.

O consumo e a geração de energia elétrica no Brasil totalizaram 71.406 MW médios em novembro de 2025, 2,1% menos que em igual mês de 2024. Apesar da queda, justificada por temperaturas mais amenas e menor atividade industrial, a geração térmica e a geração solar aumentaram no período, em 36,7% e 11,5%, respectivamente. Já as PCHs, as usinas eólicas e as grandes hidrelétricas entregaram menos energia para o sistema, com quedas de 7,9%, 9% e 10,2%, respectivamente. Os dados são parte do boletim Infomercado Mensal, da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), publicado em 09/01/26.

O gráfico a seguir detalha o comportamento das fontes:

O crescimento da geração térmica foi puxado pelas usinas a gás, que entregaram 63,4% mais energia, saindo de 4.236 MW médios, em novembro/2024, para 6.922 MW médios em novembro/2025.

No mês de novembro, o mercado regulado, atendido pelas concessionárias de distribuição, registrou queda de 5,8% no consumo, enquanto o mercado livre apresentou crescimento de 3,9%.

Grandes usinas solares atingem 20 GW e R$ 87,7 bilhões em investimentos acumulados no Brasil. (pv-magazine-brasil)