Os
principais benefícios observados incluem:
Melhor
conforto térmico: os ovinos que ficam sob a sombra dos painéis solares
apresentam temperatura subcutânea e frequência respiratória mais baixas em dias
quentes, em comparação com os animais em sistemas convencionais sem sombra.
Melhor
desempenho: o conforto térmico resulta em um melhor desempenho animal, com os
cordeiros passando mais tempo deitados e ruminando, além de apresentarem uma
melhor eficiência alimentar (ganho/conversão alimentar).
Otimização
do uso da terra: o sistema permite a coexistência da produção de proteína
animal e da geração de energia solar, otimizando o uso do espaço e promovendo a
sustentabilidade.
Benefícios
ambientais e econômicos: além de reduzir o estresse dos animais, o sistema
também gera eletricidade, o que pode trazer retornos financeiros adicionais e
reduzir a pegada de carbono da produção.
Para
mais informações detalhadas sobre as pesquisas, você pode consultar o estudo
disponível no repositório da Unesp através do link: Agrovoltaica Animal como
alternativa para melhorar a termo regulação e desempenho produtivo de ovinos em
confinamento em áreas tropicais.
“Desenhamos
a estrutura para harmonizar com a pastagem e diminuir a competição de área,
dessa forma há uma otimização do uso de área”, disse à pv magazine Brasil um
dos autores, Sérgio Fidelis, em cuja pesquisa de mestrado o artigo se baseia.
“A estrutura melhora o conforto térmico dos animais e consegue compensar o
metano entérico produzido pelo processo digestivo”.
A
criação de ovinos na região sudeste do Brasil tem se intensificado com a implementação
de confinamentos, impulsionada principalmente pela competição por terras com
outras atividades agrícolas e pela necessidade de evitar o desmatamento para
expansão de pastagens. Os ovinos em confinamento muitas vezes são mantidos sem
proteção contra a radiação solar, o que pode aumentar a carga térmica sobre os
animais, especialmente durante ondas de calor. Além disso, a integração de
painéis solares pode gerar renda com a revenda da eletricidade e compensar mais
de 60% das emissões de metano entérico do gado sob os painéis.
Diante
desse cenário, um sistema agrivoltaico para animais pode representar uma
solução sustentável que poderia reduzir a emissão de carbono no sistema, ao
mesmo tempo que melhora o microclima e o desempenho produtivo dos ovinos.
Os
animais vivenciaram 41 dias quentes e 19 dias moderadamente frios durante o
período do estudo. Nos dias quentes, das 8h às 15h, a irradiação solar média
ultrapassou 600 W m⁻², a temperatura do ar chegou a 30°C e a temperatura do
globo negro, uma medida que indica o impacto do calor radiante no conforto
térmico, atingiu 40°C. Nos dias moderadamente frios, a irradiação solar média
foi inferior a 500 W m⁻², a temperatura do ar inferior a 22°C e a temperatura do
globo negro inferior a 32°C.
Os cordeiros entraram no confinamento com massa corporal inicial de 35 kg. Metade dos cordeiros foi alocada em baias com sombreamento fornecido por 20 módulos de painéis solares, de 500 W cada, em uma área de sombreamento projetada de 1,53 m² por animal (VOLT), enquanto a outra metade foi alocada em um sistema de confinamento convencional (CON), sem sombreamento disponível.
O consumo individual de ração e o desempenho dos ovinos (por exemplo, consumo de matéria seca, ganho de peso diário (kg) e relação ganho/consumo) foram medidos utilizando comedouros eletrônicos RFID e comparados entre os tratamentos.
Nos
dias quentes, das 10h às 14h, os cordeiros do grupo VOLT apresentaram maior
probabilidade (P = 0,0001) de estarem na sombra projetada por painéis solares
do que ao sol e apresentaram temperatura subcutânea 0,70ºC (P = 0,0001) menor e
frequência respiratória 70 respirações por minuto menor do que os cordeiros do
grupo CON. Os cordeiros do grupo VOLT passaram mais tempo deitados (P =
0,0001), ruminando (P = 0,0001) e consumiram menos ração (P = 0,0001) do que os
cordeiros do grupo CON, o que resultou em uma melhoria de 4% na relação
ganho/consumo de ração (P = 0,0002).
Os pesquisadores concluíram que a agrovoltaica animal representa uma estratégia promissora para fomentar a intensificação sustentável da produção ovina em áreas tropicais, uma vez que alivia eficazmente o estresse térmico, ao mesmo tempo que melhora o desempenho animal e proporciona resultados ambientais positivos. No entanto, observam, são necessários mais estudos que envolvam populações animais maiores e avaliações a longo prazo ao longo do ano. Estes permitiriam uma avaliação mais abrangente do impacto do ambiente térmico sobre a saúde animal.
Fidelis observa que uma possível desvantagem é a manutenção pelo acúmulo de poeira que ocorre naturalmente e diminui a eficiência do painel. Resultados foram publicados no jornal científico Small Ruminant Research intitulado como “Animal agrivoltaics facilitates the sustainable intensification of sheep production in tropical areas”. (pv-magazine-brasil)





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