Conta de luz deve subir em
2026 com novas regras e pressão por encargos; GD e baterias ganham espaço.
A partir de 2026, o custo
será repartido entre todos os consumidores do país, exceto famílias de baixa
renda. A medida representa alívio para consumidores cativos, mas não para os
consumidores livres em 2026, já que eles deverão perceber um acréscimo de cerca
de R$ 10 por megawatt-hora (MWh).
No centro dessas pressões
está a evolução dos custos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que
pode ultrapassar R$ 52 bilhões em 2026, e a transição da tarifa da baixa tensão
para um modelo horário, compulsório para consumidores com demandas acima de 1
MWh, que totalizam cerca de 2,5 milhões de unidades no país e respondem por 25%
do consumo em Baixa Tensão do Brasil.
O tema que será discutido em
oficinas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) entre 21/01 e 03/02/26.
A mudança, vista por especialistas como uma “tarifa branca 2.0”, altera
completamente a lógica de consumo: usar energia no período noturno pode custar
mais do que o dobro do valor praticado hoje.
A agência anunciou em dezembro uma consulta pública que propõe aplicar tarifa horária de forma automática a consumidores de baixa tensão com consumo superior a 1 MWh para incentivar o uso de energia em horários de maior oferta, especialmente durante o dia e determinou que também seja avaliada a aplicabilidade e os impactos da migração automática para a Tarifa Branca para os consumidores que possuem Micro e Minigeração Distribuída (MMGD), frente ao Marco Legal da MMGD instituído pela Lei nº 14.300/2022.
Com sistemas de energia solar do Brasil, o sol vira aliado contra os reajustes da conta de luz
Conta de luz deve subir até
7% e as soluções são com a energia solar
Alta nas tarifas pressiona o
bolso e a geração própria garante economia e controle sobre os gastos.
No mercado solar, os efeitos
das mudanças políticas se somam a um cenário externo desafiador. O diretor de
Negócios Solar, BESS & Charging da WEG, Harry Neto, comenta que os módulos
fotovoltaicos já vêm acumulando aumentos desde o final de 2025, agravados pelo
anúncio do governo chinês de que a tarifa de exportação — antes subsidiada —
passará a ser tributada integralmente. “A partir de abril, os painéis terão
aumento mínimo de 9%, e inversores e sistemas BESS também sofrerão reajustes de
aproximadamente 3%”, afirma.
No mercado de geração distribuída,
o executivo observa um “crescimento mais acentuado no setor residencial,
enquanto as usinas de autoconsumo remoto enfrentam um desaquecimento. “Isso se
deve, principalmente, à escassez de projetos GD0 e GDI que necessitavam de
reforço de rede, e à competição com a compra de usinas prontas, além de uma
sobreoferta de autoconsumo”.
Apesar do cenário adverso, a
busca por autonomia energética está aquecendo o segmento de baterias e soluções
híbridas. Segundo Neto, cresce a procura por sistemas BTM (Behind the Meter),
em que a energia solar é conectada diretamente à carga, reduzindo perdas e
oferecendo maior controle dos custos. “A busca por backup aumentou muito após
as falhas no fornecimento em diversas regiões. O potencial das baterias, tanto
no residencial quanto no comercial, é enorme”, avalia.
O executivo aponta que, embora o mercado de usinas de grande porte esteja mais lento devido a restrições de corte de energia, o leilão específico para sistemas de armazenamento BESS (Battery Energy Storage Systems) previsto para abril de 2026 deve impulsionar o setor e aliviar a rede.
Prepare o bolso: conta de luz vai subir ainda mais em 2026
Três forças que vão moldar a
conta de luz em 2026
A vice-presidente de Geração
Distribuída da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) e
CEO da Bright Strategies, Barbara Rubim, destaca 3 fatores determinantes que
farão de 2026 um ano de ruptura na forma como consumidores se relacionam com a
energia elétrica:
Aumento das tarifas:
estimativas de consultorias como a TR Soluções apontam que os reajustes devem
ocorrer de forma desigual entre regiões, podendo ultrapassar 30% em áreas
específicas devido a recomposições tarifárias e variáveis locais.
Tarifa horária compulsória: a
nova lógica de preço por horário — e não mais uma tarifa única — afetará
diretamente o planejamento doméstico e empresarial. Consumir energia nos
horários de pico pode custar até o dobro.
Reforma Tributária: ainda sem
impacto totalmente mensurável, a reforma alterará a base de cálculo e a
distribuição dos impostos no setor elétrico, potencializando a volatilidade das
tarifas ao longo do ano.
Inteligência energética deixa
de ser tendência e vira necessidade
Barbara reforça que a soma
desses 3 vetores fará com que consumidores dependam mais de planejamento
energético. “Informação, monitoramento, baterias e geração distribuída se
tornam ferramentas essenciais para não ser refém da conta de luz”, afirma.
Apesar da geração de energia
ser ‘barata’, Brasil é um dos países onde a conta de luz mais pesa no bolso do
consumidor. (pv-magazine-brasil)




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