Grandes
usinas solares de geração centralizada contribuem para a diversidade de aves.
Energia
fotovoltaica pode tanto apoiar quanto impactar negativamente aves e morcegos,
com estudos mostrando que usinas "ecovoltaicas" criam habitats
benéficos, mas há riscos de colisões (especialmente em usinas de espelho
concentrado) e problemas com ninhos e excrementos em painéis, exigindo pesquisa
e tecnologia para mitigar os efeitos negativos e otimizar os positivos, visando
a harmonia com a natureza.
Como
a energia fotovoltaica apoia:
Criação
de Microclimas: A sombra e o calor sob os painéis podem criar ambientes mais
frescos e protegidos do vento, úteis para descanso e até para abrigar insetos,
que são alimento para morcegos e pássaros.
Aumento
da Biodiversidade: Instalações "ecovoltaicas" que integram vegetação
nativa podem atrair mais espécies de pássaros e morcegos do que áreas agrícolas
vizinhas.
Habitat
para Insetos: A presença de plantas atrai insetos, que servem de alimento para
morcegos e aves insetívoras, criando um ecossistema favorável.
Impactos
Negativos e Riscos:
Colisões
e Incineração: Em usinas solares de concentração (CSP), espelhos focam a luz
solar em um ponto, podendo incinerar aves em voo, algo apelidado de
"fumacinhas".
Ninhos
e Sujeira: Pássaros como pombos fazem ninhos sob os painéis, causando barulho e
acúmulo de fezes, que corroem os painéis e reduzem a eficiência energética,
exigindo telas de proteção.
Perda
de Habitat: Grandes usinas podem ocupar extensas áreas, levando ao desmatamento
e afetando ecossistemas locais, dependendo do planejamento da instalação.
Soluções
e Pesquisas:
Tecnologia
de IA: Estudos buscam usar inteligência artificial para monitorar aves,
identificar colisões e otimizar a coexistência.
Design
Ecológico: Projetos "ecovoltaicos" visam integrar a geração de
energia com a conservação do habitat, promovendo a biodiversidade.
Telas
de Proteção: Instalação de telas sob os painéis impede que aves nidifiquem e
causem danos, protegendo o sistema fotovoltaico.
O
Laboratório Nacional Argonne, com sede em Illinois, publicou dois estudos que
destacam um aumento na atividade de pássaros e morcegos em instalações solares
ecovoltaicas no meio-oeste dos Estados Unidos.
Ambos
os estudos envolveram pesquisadores que utilizaram monitoramento acústico
passivo para investigar o comportamento animal em torno de instalações solares
ecovoltaicas no Centro-Oeste dos EUA. A equipe instalou gravadores acústicos em
12 locais ecovoltaicos, bem como em 12 campos agrícolas próximos, representando
o uso da terra antes da instalação da energia solar. As atividades de aves e
morcegos foram monitoradas nos locais entre maio e setembro, meses que
correspondem ao pico da temporada de nidificação para aves campestres e ao pico
da temporada de atividade e criação de filhotes para morcegos, tanto em 2023
quanto em 2024.
Os
locais de energia fotovoltaica monitorados nos estudos variaram entre 7,5
hectares e 550 hectares em tamanho, com capacidades entre 3,5 MW e 200 MW. A
maioria das instalações consistia em tecnologias de rastreamento solar de eixo
único e apresentava misturas de sementes plantadas, compostas por gramíneas e
ervas, sob os painéis.
O
artigo de pesquisa “Ecovoltaic solar energy development can promote grassland
bird communities”, disponível na Sociedade Britânica de Ecologia, descobriu que
a riqueza de espécies de aves campestres era quase duas vezes maior nos locais
ecovoltaicos do que nos campos agrícolas de referência durante a maior parte da
temporada de monitoramento.
A
maioria das espécies de aves campestres também apresentou maior ocupação nos
locais ecovoltaicos. A equipe de pesquisa encontrou mais de 230 ninhos de
pássaros nos locais solares durante o período do estudo, a maioria pertencente
a espécies como o tordo-americano, a andorinha-das-chaminés e a rola-luto.
No
artigo científico, a equipe escreve que as aves podem ser atraídas por sistemas
ecovoltaicos como refúgio ou habitat para alimentação e nidificação, sendo que
algumas espécies podem também procurar nidificar sobre ou dentro da
infraestrutura fotovoltaica, a fim de proteger os ninhos de predadores e
condições climáticas extremas.
O
artigo de pesquisa “Bat activity at ecovoltaic solar energy developments in the
Midwestern United States“, disponível na revista científica Global Ecology and
Conservation, destaca que a atividade de morcegos foi maior em locais de
energia solar ecovoltaica do que em campos de controle externos durante a
primeira metade da temporada de monitoramento de verão.
Espécies
como o morcego-marrom-grande e o morcego-de-haory apresentaram atividade
visivelmente maior nos locais com usinas ecovoltaicas. Ao longo da temporada de
monitoramento, os morcegos nunca demonstraram níveis de atividade superiores
nos campos agrícolas de referência.
Essas
descobertas levaram os pesquisadores a concluir que os locais ecovoltaicos
podem fornecer habitat para morcegos no início da temporada, em uma época do
ano em que os recursos podem ser limitados na paisagem circundante.
A
conclusão do estudo acrescenta que ainda é difícil discernir se a atividade dos
morcegos foi impulsionada pela infraestrutura fotovoltaica, pelo
estabelecimento de habitats no local ou por uma combinação de ambos. Acrescenta
ainda que são necessárias mais investigações sobre os tipos de vocalizações de
morcegos registradas em locais com energia fotovoltaica e a relação com a
abundância de insetos que servem de presa para compreender os fatores
subjacentes às respostas específicas de cada espécie aos empreendimentos
solares.
A
equipe de pesquisa disse à revista pv magazine que, como a grande maioria dos
empreendimentos fotovoltaicos está localizada em terrenos previamente
degradados e antes utilizados para produção agrícola, o estabelecimento
intencional de habitats nesses empreendimentos pode trazer benefícios
significativos para a biodiversidade.
“De forma encorajadora, um número crescente de locais com energia fotovoltaica no Centro-Oeste está implementando princípios ecovoltaicos, como demonstrado pelo InSPIRE Agrivoltaics Map, mostrando que esses projetos inovadores de energia fotovoltaica podem oferecer uma solução baseada na natureza para conciliar o desenvolvimento energético com a conservação da biodiversidade”, acrescentou a equipe.
“Nossos resultados mostram que aves e morcegos podem se beneficiar de projetos ecovoltaicos em áreas previamente degradadas. Mas ainda precisamos garantir que esses locais sejam gerenciados de forma a assegurar benefícios de longo prazo para a biodiversidade. É por isso que o monitoramento contínuo e a gestão adaptativa são tão importantes”. (pv-magazine-brasil)




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