quinta-feira, 2 de junho de 2011

Alemanha deixará energia nuclear

Até 2022, Alemanha deixará energia nuclear
Pressão popular, crescimento do Partido Verde e acidente no Japão levam governo de Angela Merkel a abrir mão, aos poucos, de seus 17 reatores.
Em extinção
Usina nuclear em Biblis, Alemanha; país pretende investir em energia renovável
O acidente nuclear de Fukushima, a pressão crescente da opinião pública e a ascensão do Partido Verde nas eleições regionais na Alemanha levaram o governo de Angela Merkel a anunciar ontem a extinção progressiva da energia nuclear no país.
O programa de desativação, que deve durar dez anos e custar?
40 bilhões (R$ 91 bilhões), será encerrado em 2022, com o fechamento dos 17 reatores nucleares em atividade. Portanto, a Alemanha se torna a primeira potência industrial a abandonar a geração de eletricidade pela fissão, apostando nas energias renováveis.
O anúncio marca uma reviravolta no governo Merkel. Há dois anos, a chanceler havia revisto a decisão tomada em 2002 pelo ex-chanceler Gerhard Schroeder, que prometera o fim da exploração da energia nuclear no país. "Nosso sistema de aprovisionamento pode e deve ser modificado em profundidade", defendeu Merkel na época.
Dos 17 reatores do país, 7 estão "em hibernação" desde março, quando do acidente de Fukushima, e agora passarão à fase de desligamento e desinstalação. Nos próximos dias, um reator nas imediações de Hamburgo passará à hibernação. Dos nove reatores que seguem em funcionamento, seis serão desativados até 2021. Os três restantes funcionarão até 2022, quando também serão desmontados.
Cálculos da ONG ambientalista Greenpeace afirmam que o governo alemão economizará recursos com o fim do nuclear. "O processo de migração total deverá custar ? 110 bilhões (R$ 250 bilhões) em dez anos, mas vai gerar economia de cerca de ? 145 bilhões (R$ 330 bilhões) em subvenções e manutenção das plantas e das redes de distribuição", afirma Andree Böhling, especialista em energia da organização.
O desafio alemão será substituir 22% de sua matriz hoje produzida pelos reatores. Segundo a nova política energética, a substituição se dará pelo investimento em energias alternativas e por medidas de estímulo à redução do consumo - como incentivos fiscais a construções de baixo gasto de eletricidade. O programa energético prevê a redução de 10% no consumo até 2020.
Especialistas afirmam que a desativação deve aumentar em curto prazo a exploração de energia termoelétrica, produzida a partir do carvão, que responde hoje por 43% da matriz do país. Em meados da década será possível aumentar o espaço de fontes alternativas de energia, como eólica e biomassa, que hoje representam 18% do total.
Mudança
Em setembro passado, o governo de Merkel havia prorrogado o uso de energia nuclear até 2042, 12 anos a mais que o previsto. A decisão desagradou ao ministro do Meio Ambiente e motivou manifestação de mais de 100 mil pessoas em Berlim.
Além da Alemanha, Áustria, Suíça e Dinamarca se comprometeram a não explorar a fissão. França, Grã-Bretanha e os países do Leste europeu, porém, não abrem mão de seus reatores. (OESP)

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