Usar a
energia emita pelo sol para abastecer aparelhos é uma tendência ascendente, mas
o consumidor ainda precisa se familiarizar e a eficiência melhorar.
Em 2009, a
Samsung lançou um celular movido a energia solar, com foco no mercado do
Nordeste. Mas o Solar Crest vendeu pouco e foi descontinuado. O recurso era
pouco usado; o consumidor carregava o celular na tomada. Compreensível: uma
hora de carregamento solar permitia apenas 10 minutos de conversa. “A
eficiência é um grande desafio”, diz Hamilton Yoshida, diretor de marketing
integrado da Samsung. “Às vezes, vale mais buscar outras tecnologias para
ajudar o meio ambiente.”
O episódio é
simbólico dos percalços enfrentados pela energia solar para ganhar relevância
em um dos países mais ensolarados do mundo. Em termos de preço e praticidade,
ela ainda não é competitiva. Mesmo em locais no Brasil onde o megawatt (MW)
solar custa menos que o megawatt “tradicional”, o custo mínimo de um sistema de
painéis solares (no mínimo, R$ 10 mil) torna o investimento caro.
“Ainda estamos
defasados”, diz Osvaldo Soliano, engenheiro e diretor do Centro Brasileiro de
Energia e Mudanças Climáticas. “Não podemos assistir a outros países dominarem
a técnica e ficarmos como meros usuários.”
Defasagem em
energia solar pode ser mais sério do que parece. Entre as fontes alternativas
(vento, biomassa, etc.), a solar é considerada a melhor opção. “Uma hora de
energia solar atingindo nosso planeta contém mais energia que toda a humanidade
usa em um ano”, escreveu o geógrafo e professor da Universida da Califórnia
Laurence C. Smith em seu livro de previsões O Mundo em 2050 (Ed. Campus, 2011).
“O sol nos oferece, em princípio, mais energia limpa e inesgotável do que
jamais poderemos usar.”
“Quem acompanha
de perto esre mercado está super otimista”, garante Délcio Rodrigues,
diretor-executivo do Instituto Ekos Brasil, ONG que promove o desenvolvimento
sustentável. “O preço do watt solar cai sistematicamente há quinze anos. Em
alguns pontos do Brasil, como Belo Horizonte e Campo Grande, ela já é
economicamente competitiva quando comparada à tarifa residencial. Em menos de cinco
anos, o custo caiu pela metade.”
Recentemente, a
Petrobras anunciou sua primeira usina solar, em Alto do Rodrigues, no Rio
Grande do Norte. A empreitada faz parte de um conjunto de 18 projetos que
aproveitaram incentivos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para
projetos deste tipo. Quando prontos, em no máximo dois anos, poderão gerar 24,5
MW de energia. A capacidade brasileira hoje é de 2 MW.
Outra iniciativa
da Aneel foi a aprovação da “microgeração” de energia. É a energia que uma
família comum pode produzir através de painéis solares instalados no telhado de
casa. Muitas vezes, há excedentes. Nesses casos, será possível trocar essa
energia por desconto na conta de luz ou crédito no mês seguinte.
Todos esses
estímulos colocam o Brasil num caminho trilhado por outros há muito tempo. A
legislação alemã que recompensa a geração doméstica de energia data do ano
2000. A China nada de braçada no mercado mundial, graças a grandes incentivos
governamentais. Os fabricantes chineses de painéis solares são parcialmente
responsáveis por quebrar o setor solar norte-americano, que correu para
Washington atrás de medidas protecionistas. Graças a eles, o preço mundial da
célula fotovoltaica (unidade de um painel solar) caiu 62% em 2011. Até a
Foxconn, fabricante do iPhone e iPad, está nessa. Anunciou investimento de US$
30 milhões para produção em grande escala.
A sensação de
modismo sem utilidade real ainda ronda boa parte dos produtos eletrônicos
“solares”. Na Consumer Electronic Show deste ano, maior feira de eletrônicos do
mundo, havia de docks de som a tablet solares. Muitos de eficiência discutível.
Para Rodrigues,
tudo isso tem um propósito maior: “criar familiaridade”. “É muito relevante
para as pessoas sacarem que funciona. Vale a pena mostrar que existe, que é
possível. Estamos todos em fase de aprendizado.” (OESP)
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